EP The Khalilan, Vol. 1 - Arabic Hip Hop, Khaliji Rap (Classificação oficial via metadados do Google para as vertentes DFNM / Me'orav Music)
(Tempo estimado de leitura: 7 minutos)
Cantor Crossover, Multi-instrumentista funcional, pesquisador musical, artista DIY e “faz-tudo” por vocação (produção musical, arte da capa, conceito e execução), natural de Brasília - DF.
A música, para mim, é um espaço onde fé, paixão, ancestralidade e legado se encontram.
Depois de quase duas décadas de experimentação — entre o violão flamenco, os maqamat explorados no violino e o canto congregacional — esse percurso naturalmente se transformou em um laboratório criativo. É nele que aplico ideias, testo limites e dou forma ao que hoje chamo de Me’orav Music e DFNM (Digital Fusion Ney Music).
Meu primeiro contato real com a música veio cedo. Aos 10 anos, recebi de presente da minha mãe uma cítara de 20 cordas. Não lembro exatamente a data — talvez um aniversário — mas lembro do impacto.
As cordas me cativaram imediatamente.
A primeira música que toquei na vida foi Agnus Dei. Ali, sem perceber, algo se abriu. Não era apenas aprender uma melodia, mas descobrir que o som podia ser um território inteiro a ser explorado. em função do fluxo musical e da transformação ao longo do tempo.
A Sou autodidata. Sempre fui.
Desde o começo, minha busca nunca foi apenas tocar corretamente, mas torcer a harmonia, complexificar a melodia e moldar o ritmo ao meu favor. Nunca quis ocupar um papel coadjuvante na música — nem mesmo quando criança.
O violão veio aos 17 anos, depois de um período intenso de escuta entre os 10 e os 17, absorvendo estilos, sonoridades e linguagens diversas. Mais tarde, o violino se tornou um campo de exploração modal. Com o tempo, chegaram a flauta Al-Bahr, o ney e o riqq.
Tudo isso faz parte de uma mesma jornada: uma compilação viva de tudo o que ouvi, experimentei e me marcou ao longo da vida.
Minha afinidade com a música do Oriente Médio e regiões próximas é profunda e orgânica. Estilos como Mizrahi, Khaliji e música Carnática moldaram minha escuta e minha forma de pensar a música.
Entre as influências cristãs principais estão Jairo Bonfim, Lukas Agustinho, Davi Sacer e Fernandinho.
No eixo Mizrahi/Árabe, nomes como Fairouz, Yossi Azulai, Itziq Eshel e Daniel Saadon foram fundamentais.
Minha influência espiritual vem do Pentecostalismo, que não apenas informa minha fé, mas também minha relação com intensidade, improviso e expressão.
Há ainda uma busca constante por ancestralidade — mais próxima de raízes portuguesas e espanholas, mas com uma identificação profunda e distante com Israel.
A música digital surge como plataforma de síntese: o ambiente onde toda essa experimentação se encontra, se organiza e se transforma.
Depois de tanta pesquisa e vivência, a música se tornou o meio mais honesto de expressar minhas ideias. Ao começar a fundir elementos, percebi que era possível misturar bases simples com arranjos complexos — e o contrário também.
Com o tempo, precisei abandonar caminhos que já não funcionavam e buscar novas formas de criar. Muitas vezes isso significou recomeçar do zero, até encontrar uma saída possível. Esse processo de ruptura e reconstrução é parte essencial do que faço.
Na vida: Cristo.
Na música: Hibridismo.
DFNM nasce como expressão direta dessa combinação entre fé e criatividade. É a junção do improvável com o inevitável, manifestado no The Khalilan Project (O Projeto do Flautista). Alguém faria isso um dia — eu apenas me encontrei nesse lugar.
Vejo o DFNM como uma linguagem:
"Um meio de comunicar liberdade, um dispositivo para acionar a criatividade adormecida, um caminho para um fim ainda não revelado."
Uma vez ouvi que, para ser lembrado, é preciso ter um filho, plantar uma árvore ou escrever um livro. Eu escolhi criar música. Foi o que consegui — e o que precisava fazer.
Não busco reconhecimento imediato. Espero ser lembrado, não celebrado.
Como a lua influenciando as marés: quase ninguém pensa nisso, mas ela está lá, silenciosa, fazendo seu trabalho.
Quando gravei o primeiro EP, era apenas uma experiência. Depois percebi que aquilo poderia ir mais longe. A mistura de elementos díspares, o uso da complexidade dentro do familiar e a tentativa de libertar mentes — mostrando que profundidade não precisa ser enfadonha — tornaram-se o eixo do projeto.
Neste momento, penso em encerrar a trilogia The Khalilan dentro do DFNM e levar o que for possível para uma segunda fase, com músicas cantadas e letras.
Ainda há muito a experimentar e aprender. Algumas ideias ainda não amadureceram o suficiente — e tudo bem. No futuro, pretendo ajustar o que hoje ainda está em construção.
A música continua sendo o espaço onde isso tudo acontece.
O convite à escuta permanece aberto...