2025
O Seminário Internacional de Integração e Desenvolvimento Regional (SIDER) objetiva reunir os Programas de Pós-Graduação da área de Planejamento Urbano e Regional/Demografia (PLURD) para discutir ações de pesquisa e extensão de modo a gerar reflexos ambientais, sociais e econômicos que promovam o desenvolvimento nas regiões e nos lugares, além de contribuir para o desenvolvimento dos Programas que formam a Rede Aranduassu de Estudos Regionais.
Reconhecer, valorizar e aprender com os modos historicamente situados de apropriação social de processos ecológicos, mediados por distintas culturas, é o que se propõe a fazer no VIII SIDER. A intenção é reflexionar – e suplantar – a ideia hegemônica de ‘natureza a serviço do mercado’, pois nesta, a importância do território, as contradições, os conflitos da apropriação e a existência de classes sociais, torna-se invisível.
Assim, o VIII SIDER convida à revisita de significados e ressignificações das concepções de ambiente e de natureza, entendendo que o desenvolvimento pode ser pautado no diálogo com os saberes e os fazeres das comunidades locais e regionais.
O Litoral Norte do Rio Grande do Sul, um locus privilegiado com cenários de potencialidades e fragilidades naturais, ambientais e culturais, é palco de disputas sobre ambientalidade(s) e desenvolvimento(s). A exemplo, citamos a pesca cooperativa entre pescadores artesanais de tarrafa e os botos na barra de Tramandaí/Imbé, RS, parte patrimônio cultural de natureza imaterial no município de Tramandaí.
Os botos adentram o canal da Barra e perseguem os cardumes de tainhas, encurralando-os próximo aos pescadores. O boto exerce um movimento característico com a cabeça, a chamada “cabeçada” o que sinaliza o momento apropriado para a jogada da rede na água. Assim, ao jogar sua tarrafa o pescador apreende o cardume de tainhas (Simões-Lopes, 1991; Santos et al. 2018, Ilha et al., 2018, Camargo et al. 2020). Por outro lado, o boto tem sua pesca facilitada ao usar a tarrafa como elemento perturbador do cardume, capturando alguns peixes que não ficam presos nela (relato pessoal de pescadores).
Diversas ameaças de ordem econômica e social colocam em risco botos, pescadores artesanais de tarrafa, tainhas e a interação entre eles, levando à descaracterização da paisagem, à perda do território historicamente ocupado, suas memórias, práticas e saberes – a descaracterização desta ambientalidade.
A urbanização desordenada, impacta de forma negativa os principais atores da pesca cooperativa e, por consequência, toda a diversidade local. Já existem estudos científicos que relacionam as atividades humanas negativas no sistema lagunar (descarga de esgoto não tratado e a consequente poluição biológica e química) como uma ameaça para tainhas e para os botos (De Andrade et al. 2004, Sacristán et al. 2016). O uso indiscriminado de agrotóxicos e de fertilizantes químicos de forma constante nas plantações de arroz e de outros cultivos na bacia hidrográfica também são uma ameaça a toda a biodiversidade costeira que encontra na barra do rio Tramandaí o seu habitat ideal para a sobrevivência.
Esta é uma das temáticas que será abordada no VIII SIDER, por meio de um dos três trabalhos de campo previstos. Consideramos que proporcionar esta e outras vivências aos participantes, desde ambientalidades do Litoral Norte Gaúcho vai ao encontro da proposta central do evento.
Perceber in situ, de forma material e simbólica, as fricções (conceito chave para compreender o conhecimento cosmopolita sobre a natureza, onde encontros heterogêneos e desiguais podem levar a novos arranjos de cultura e poder, conforme Tsing (2004 ) e as rugosidades (o que fica do passado como forma, espaço construído, paisagem, o que resta do processo de supressão, acumulação, superposição com que as coisas se substituem e acumulam em todos os lugares, segundo Santos (2006 ), é o motivador para se propor um formato de evento com roteiros de campo, vividos no chão, como prática andante (Radaelli, 2002 ), uma categoria da experiência e não do experimental.
2024
Os trabalhos a serem submetidos ao VIII SIDER deverão seguir as seguintes diretrizes:
Ser elaborado em formato Microsoft Word ou compatível, com extensão mínima de 15 (quinze) páginas e máxima de 26 (vinte e seis), já incluídas as Referências. Os relatos de experiências, específicos do GT5 – Extensão, educação e desenvolvimento regional, poderão ter entre 8 (oito) e 15 páginas, já incluídas as Referências. Os autores serão responsáveis pela revisão linguística do trabalho.
Ter até 5 (cinco) autores e coautores. Máximo de 2 trabalhos como autor principal. Máximo de 5 trabalhos por coautor.
As páginas, no tamanho A4, deverão ser formatadas com margens direita, superior e inferior de 2 cm e a esquerda com 2,5 cm.
A fonte do trabalho deverá ser Calibri (Corpo). No texto principal, tamanho 12 e espaçamento entre linhas de 1,5 cm. Nas citações longas (mais de 4 linhas), com 4 cm de afastamento da margem esquerda e alinhado à direita. Notas de rodapé, resumo e abstract, tamanho 10 (com espaço simples).
Os trabalhos deverão ter o título centralizado, com espaçamento simples, em negrito e tamanho 22 para o título principal e 16 para os títulos secundários (em outra língua), com apenas a primeira letra do título em maiúscula e todas as demais em minúsculas.
Os subtítulos, em negrito, devem ser precedidos por uma sequência numérica a partir da “Introdução” até as “Considerações finais”, sem qualquer pontuação ou traço entre o número e o subtítulo. Subtítulos secundários sem negrito.
Antes do corpo textual, os trabalhos deverão apresentar resumo com até 250 (duzentas e cinquenta) palavras, 3 (três) a 5 (cinco) palavras-chave, abstract e keywords (estes em itálico), também na fonte Calibri (Corpo). Em seguida, os títulos das seções deverão ser numerados (inclusive a Introdução), tamanho 12, em negrito, com apenas a primeira letra do título em maiúscula. Os subtítulos (subseções) devem ser em minúsculas e normal (não em negrito). O texto deverá seguir as demais normas vigentes da ABNT 2024.
Solicita-se aos autores especial atenção aos seguintes aspectos em relação a uma estrutura mínima do trabalho que, entre outros, devem estar presentes no texto: introdução com a explicitação do problema que gerou a pesquisa, objetivos claros e pertinentes e a forma como foi realizado o estudo que gerou o trabalho; uma ou mais seções com a revisão teórica ou o estado da arte; e, uma ou mais seções com a apresentação da discussão dos resultados. Estas seções podem ter títulos diversificados e específicos.
Os trabalhos deverão ser enviados em dois arquivos no formato PDF. Um, sem identificação, será utilizado para avaliação às cegas por pelo menos dois avaliadores. O outro arquivo deverá estar identificado, contendo os nomes de todos os autores, assim como as informações sobre a respectiva titulação, afiliação institucional ou atividade(s) que exercem (trabalham ou estudam) atualmente, nome da instituição, ORCID (opcional), e-mail e informações sobre eventual apoio do projeto.
Será necessário identificar o Grupo de Trabalho da submissão:
GT1 – Mecanismos e dinâmicas regionais, territoriais e rurais
GT2 – Dinâmicas da sociedade, natureza e cultura
GT3- Urbanização, suas dinâmicas e contradições
GT4- Temas emergentes do desenvolvimento regional
GT5 – Extensão, educação e desenvolvimento regional
Os trabalhos aprovados e apresentados no SIDER irão compor os Anais do Evento. Já os trabalhos de destaque serão publicados na Colóquio – Revista de Desenvolvimento Regional (https://seer.faccat.br/index.php/coloquio/index).