O Seminário Internacional sobre Desenvolvimento Regional, promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (PPGDR), Mestrado e Doutorado, da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), Brasil, é um evento acadêmico bianual que se consolidou como um dos principais espaços de debate interdisciplinar sobre o desenvolvimento regional no Brasil. Iniciado em 1996 como Seminário Nacional de Desenvolvimento Regional, com periodicidade anual, o evento adquiriu abrangência internacional a partir de 2002, tornando-se referência para pesquisadores, docentes e estudantes de Programas de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional e áreas correlatas, tanto no Brasil quanto no exterior. Tem como objetivo fomentar reflexões teóricas e metodológicas, fortalecer a interdisciplinaridade e debater políticas públicas e modelos alternativos de desenvolvimento.
Em cada edição, propõe temas que possibilitam a problematização de questões emergentes no campo do desenvolvimento regional, promovendo a análise crítica e a qualificação de políticas e instrumentos associados a essa temática. O evento se destaca por integrar diferentes áreas do conhecimento e por incentivar a troca de experiências e o fortalecimento de redes de pesquisa nacionais e internacionais. Com o tema central “Planejamento e Desenvolvimento Regional: Estado, Mercado e Sociedade”, o XII Seminário Internacional sobre Desenvolvimento Regional propõe uma reflexão aprofundada sobre os desafios e as possibilidades do planejamento territorial em um contexto de crescente complexidade e instabilidade política, econômica e ambiental.
O evento busca problematizar os esforços relacionados ao desenho e à implementação de políticas regionais, analisando os avanços e limitações das estratégias adotadas para promover mudanças capazes de reduzir desigualdades, valorizar as diversidades regionais e construir caminhos para um desenvolvimento mais equitativo e sustentável. Além disso, o Seminário visa impulsionar debates sobre a necessidade de novas orientações territoriais, comprometidas com transformações qualitativas no desenvolvimento das regiões, em resposta aos desafios impostos pelas crises socioeconômicas e ambientais globais. Particularmente no contexto da América Latina e do Brasil, a instabilidade econômica e política tem condicionado e impactado significativamente os processos e as políticas de desenvolvimento regional, gerando repercussões desiguais nos territórios e nas diferentes formações socioespaciais, em múltiplas escalas.
Diante desse cenário, torna-se imperativo avançar na análise teórica e metodológica, bem como no debate crítico, sobre as formas como o planejamento e o desenvolvimento regional têm se estruturado nas diversas regiões. Para fomentar essa discussão, o XII SIDR foi organizado de forma a contemplar cinco mesas-redondas e dez sessões temáticas de apresentação de trabalhos, estruturadas para possibilitar a troca de saberes, experiências e perspectivas entre pesquisadores, docentes e estudantes envolvidos na temática do desenvolvimento regional.
O Seminário Internacional de Integração e Desenvolvimento Regional (SIDER) objetiva reunir os Programas de Pós-Graduação da área de Planejamento Urbano e Regional/Demografia (PLURD) para discutir ações de pesquisa e extensão de modo a gerar reflexos ambientais, sociais e econômicos que promovam o desenvolvimento nas regiões e nos lugares, além de contribuir para o desenvolvimento dos Programas que formam a Rede Aranduassu de Estudos Regionais.
Reconhecer, valorizar e aprender com os modos historicamente situados de apropriação social de processos ecológicos, mediados por distintas culturas, é o que se propõe a fazer no VIII SIDER. A intenção é reflexionar – e suplantar – a ideia hegemônica de ‘natureza a serviço do mercado’, pois nesta, a importância do território, as contradições, os conflitos da apropriação e a existência de classes sociais, torna-se invisível.
Assim, o VIII SIDER convida à revisita de significados e ressignificações das concepções de ambiente e de natureza, entendendo que o desenvolvimento pode ser pautado no diálogo com os saberes e os fazeres das comunidades locais e regionais.
O Litoral Norte do Rio Grande do Sul, um locus privilegiado com cenários de potencialidades e fragilidades naturais, ambientais e culturais, é palco de disputas sobre ambientalidade(s) e desenvolvimento(s). A exemplo, citamos a pesca cooperativa entre pescadores artesanais de tarrafa e os botos na barra de Tramandaí/Imbé, RS, parte patrimônio cultural de natureza imaterial no município de Tramandaí.
Os botos adentram o canal da Barra e perseguem os cardumes de tainhas, encurralando-os próximo aos pescadores. O boto exerce um movimento característico com a cabeça, a chamada “cabeçada” o que sinaliza o momento apropriado para a jogada da rede na água. Assim, ao jogar sua tarrafa o pescador apreende o cardume de tainhas (Simões-Lopes, 1991; Santos et al. 2018, Ilha et al., 2018, Camargo et al. 2020). Por outro lado, o boto tem sua pesca facilitada ao usar a tarrafa como elemento perturbador do cardume, capturando alguns peixes que não ficam presos nela (relato pessoal de pescadores).
Diversas ameaças de ordem econômica e social colocam em risco botos, pescadores artesanais de tarrafa, tainhas e a interação entre eles, levando à descaracterização da paisagem, à perda do território historicamente ocupado, suas memórias, práticas e saberes – a descaracterização desta ambientalidade.
A urbanização desordenada, impacta de forma negativa os principais atores da pesca cooperativa e, por consequência, toda a diversidade local. Já existem estudos científicos que relacionam as atividades humanas negativas no sistema lagunar (descarga de esgoto não tratado e a consequente poluição biológica e química) como uma ameaça para tainhas e para os botos (De Andrade et al. 2004, Sacristán et al. 2016). O uso indiscriminado de agrotóxicos e de fertilizantes químicos de forma constante nas plantações de arroz e de outros cultivos na bacia hidrográfica também são uma ameaça a toda a biodiversidade costeira que encontra na barra do rio Tramandaí o seu habitat ideal para a sobrevivência.
Esta é uma das temáticas que será abordada no VIII SIDER, por meio de um dos três trabalhos de campo previstos. Consideramos que proporcionar esta e outras vivências aos participantes, desde ambientalidades do Litoral Norte Gaúcho vai ao encontro da proposta central do evento.
Perceber in situ, de forma material e simbólica, as fricções (conceito chave para compreender o conhecimento cosmopolita sobre a natureza, onde encontros heterogêneos e desiguais podem levar a novos arranjos de cultura e poder, conforme Tsing (2004 ) e as rugosidades (o que fica do passado como forma, espaço construído, paisagem, o que resta do processo de supressão, acumulação, superposição com que as coisas se substituem e acumulam em todos os lugares, segundo Santos (2006 ), é o motivador para se propor um formato de evento com roteiros de campo, vividos no chão, como prática andante (Radaelli, 2002 ), uma categoria da experiência e não do experimental.
O Festival Etnocultural dos Ervais é dedicado à promoção da multiculturalidade, da valorização da diversidade, de inovações culturais e educacionais, bem como o fortalecimento da identidade do território dos ervais, e suas diversas formas de expressões culturais.
Faz parte de um grande programa para criação do Território dos Ervais composto por projetos como o que busca criar o itinerário Cultural Caminho para os Ervais, que liga o Pantanal sul-mato-grossense com Foz do Iguaçu, no Paraná; o projeto que busca o desenvolvimento da Paisagem Cultural Ervateira, que abrange a região produtora e de insidência da Erva Mate na região do cone sul de MS e parte do Paraguai, de modo a valorizar sua gente, seus produtos e serviços vinculando a percepção de mercados mais sofisticados a partir do desenvolvimento de um sistema de manejo sustentavel melhorando a interação homem/natureza e entre grupos étnicos.
O Festival Etnocultural dos Ervais nasce dentro dessa concepção de território, como um grande projeto de valorização cultural e étnica do Território dos Ervais e foi concebido por alunos de graduação, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), unidade de Maracaju, envolvendo o Mestrado em Desenvolovimento Regional e de Sistemas Produtivos (PPGDRS/ UEMS/Ponta Porã), que coordenou a 1ª edição em conjunto com os cursos de graduação em Administração (onde foi criado), Pedagogia e Agronomia, todos da Unidade de Maracaju (UEMS), com participação dos cursos de dança e teatro da UEMS, Campo Grande. As seguintes edições tiveram a participação efetiva da Pró-reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (PROEC), da UEMS, e da SETESC (Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura de Mato Grosso do Sul) e coordenação do PPGDRS em conjunto com a Prefeitura de Amambai (2ª edição) e depois, em conjunto com a Fundação de Cultura e Esporte de Ponta Porã (FUNCESPP) e a prefeitura de Ponta Porã-MS, município onde se estabeleceu e se juntou ao Fronteira Criativa, ação que ocorre todo o Mês no município e que possui edição especial conjunta com o Festival Etnocultural dos Ervais, no mês de junho.
Link: https://www.uems.br/eventos/festivaldoservais
6 a 8 de junho de 2025, Ponta Porã-Mato Grosso do Sul
6 al 8 de junio de 2025, Ponta Porã-Mato Grosso do Sul
Realização:
Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional e de Sistemas Produtivos (PPGDRS/UEMS)
Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Local (UCDB)
Instituto Federal de Mato Grosso do Sul - Unidade de Ponta Porã (IFMS/Ponta Porã)
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS - Laboratório de Humanidades Digitais)
Universidad de la Guajira - UNIGUAJIRA (Maestria en Ciencias Sociales y Maestria en Câmbio Climático)
Encontro de três dias com palestras, atividades científicas e culturais, concurso de poesias, ações efetivas de desenvolvimento de territórios
Encuentro de tres días con conferencias, actividades científicas y culturales, concurso de poesía, acciones efectivas de desarrollo territorial
O objetivo deste evento é fortalecer as ações de desenvolvimento e seu vínculo com elementos culturais através de discussões, mostras culturais, exemplos efetivos de atividades promotoras de desenvolvimento
El objetivo de este evento es fortalecer las acciones de desarrollo y su vinculación con elementos culturales a través de debates, muestras culturales, ejemplos efectivos de actividades promotoras del desarrollo.
Link: https://www.uems.br/eventos/edesc
Ementa:
Breve Histórico:
Criado no Município de Maracaju, com apoio da prefeitura Municipal de Maracaju através da Secretaria de Desenvolvimento e Meio Ambiente e da Secretaria de Cultura, o Festival Etnocultural dos Ervais nasce de uma ideia desenvolvida no mês de agosto de 2022, através de discussões sobre aspectos culturais da sociedade e sua influência no desenvolvimento de localidades e empresas, que ocorreram na disciplina de Sociologia Aplicada à Administração (2ª série do curso de Administração da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul). A concepção do Festival nasce no intuito dos alunos em promover encontro de culturas locais para impulsionar um processo de interculturalidade, conhecimento e respeito humano, que poderia ser um impulsionador de futuros processos de inovação e melhoria da qualidade de vida das populações locais. Ao conhecer os projetos de valorização regional proveniente da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, mais especificamente do Curso de Mestrado em Desenvolvimento Regional e de Sistemas Produtivos, os alunos gestores da ideia optaram por incorporar o Festival à região dos Ervais, o que somaria no processo de valorização da região. Ainda, os alunos do 2º ano buscaram apoio para confecção do projeto com acadêmicos do 4º ano de administração e, a partir disso, envoveram os cursos de pedagogia e agronomia (UEMS/Maracaju), e, ainda, o curso de artes cênicas e dança da UEMS/Campo Grande e do Mestrado em desenvolvimento Regional e de Sistemas Produtivos (UEMS/Ponta Porã). Apoiados pela Prefeitura Municipal de Maracaju e também, com apoio da Prefeitura Municipal de Amambai, que enviou para Maracaju atrações artísticas representativas da cultura local, os acadêmicos e a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, e as secretarias de Desenvolvimento e Meio Ambiente e de Cultura (Maracaju) realizaram a 1ª Edição do Festival Etnocultural dos Ervais, nos dias 11 e 12 de novembro de 2022, contando com apresentações artísticas, estandes gastronômicas, tendas de arte regional e palestra de negócios com base na cultura e nas tradições locais. Agora, no ano de 2023, o Festival Etnocultural dos Ervais, com característica itinerante e de desenvolvimento regional, vai para o município de Amambai, foco das ações de criação da Paisagem Cultural Ervateira (projeto do PPGDRS/UEMS), que tem a prerrogativa de valorizar as relações homem e natureza, bem como propagar valor aos produtos e serviços regionais e, ainda, incentivar o sistema produtivo do turismo, da mesma forma que o Projeto do Itinerário Caminho para os Ervais - Idealizado a partir de um antigo Peabiru que corta parte do Mato Grosso do Sul e liga as Cataratas do Iguaçu (Paraná) ao Pantanal (Mato Grosso do Sul) - que abrange todo o território onde foi explorada e cultivada a erva mate, bem como suas linhas logísticas colocando os municípios de Maracaju e Amambai em rota comum de interesses e de desenvolvimento.
Local e data de Realização: Amambai, MS – 31 de agosto a 03 de setembro de 2023
Objetivos:
- Fomentar a interculturalidade para promoção do desenvolvimento e do aumento da qualidade de vida, criando um polo cultural na região do eixo ervateiro sul-mato-grossense (REGIÃO SUL- RONTEIRA).
- Apresentar elementos das culturas que formaram e formam o estado de MS e a região dos ervais
- Possibilitar interação entre polos da UEMS e demais instituições regionais e estaduais
- Divulgar a região e associar diversas Instituições em ações de promoção cultural
- Promover produtos, serviços e pessoas vinculadas com a região dos ervais
- Promover as diversas expressões da cultura e contribuir para a interpretação das expressões culturais
- Possibilitar mostras das diversas expressões da cultura, danças, música, gastronomia, labor, etc.
- Criar oportunidades econômicas e fomento da economia regional (formal e informal) contribuindo
na distribuição de renda.
- Oportunizar espaço para novos artistas apresentarem seus talentos e fomentar o surgimento de novas
expressões artísticas regionais.
- Fortalecer a imagem do território e do estado de Mato Grosso do Sul contribuindo na criação de
oportunidades diversas (renda, negócios, diversidade turística, entre outras) gerando perspectivas de
futuro e contribuindo na formação dos jovens e da população em geral