Apresentação
O acesso à educação de uma dada população é, indiscutivelmente, um dos vetores que favorecem o seu desenvolvimento, na medida em que a elevação das credenciais educacionais dos indivíduos melhora, via de regra, o padrão do capital humano existente. Esse fato favorece a formação de uma força de trabalho mais capacitada e habilitada a atender as exigências de um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, dinâmico e seletivo, ao mesmo tempo em que repercute em outros níveis da vida das pessoas, especialmente nas esferas da saúde e da cidadania.
Embora exista certo consenso em relação a essa ideia, no Brasil, infelizmente, os avanços no âmbito educacional sempre custaram a se tornar uma realidade. Apenas nas duas últimas décadas, se pode perceber conquistas mais efetivas nesse campo. Evidências concretas desse novo panorama podem ser encontradas nos mais diferentes níveis educacionais.
Em se tratando, particularmente, dos cursos de Pós-Graduação Stricto Sensu identifica-se avanços efetivos, tanto do ponto de vista quantitativo, quanto qualitativo. Só para se ter uma ideia desse novo contexto que se impôs, foi divulgada uma informação do ano 2000, de uma realidade na qual o Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG) contava com 1.439 Programas para outra, em 2018, em que ele contabilizava 4.291, movimentação que correspondeu a um crescimento da ordem de 198,2%. Nesse mesmo período, houve um crescimento exponencial dos Programas classificados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) com a nota máxima (7) de cerca de 662,5%, posto que saltaram em termos absolutos do patamar de 24, em 2000, para 183, em 2018 (GEOCAPES, 2019).
Embora tenha se constatado esse comportamento virtuoso da Pós-Graduação brasileira, ainda persiste no plano nacional desigualdades inequívocas, seja em termos das quantidades de Programas existentes, docentes, discentes e bolsas concedidas, bem como nas métricas que sugerem os seus respectivos níveis de excelência. Um exemplo categórico que expressa, de modo singular, a existência desse quadro, que pode ser verificado quando se observa os números mais recentes, datados do ano de 2019, da distribuição dos Programas de Pós-Graduação Profissionais e Acadêmicos por nota e região da Área de Planejamento Urbano e Regional/Demografia (PLURD).
Ao fazer esse exercício, vê-se que a maior parte (57,1%) dos 49 PPG´s que integram a aludida área se localiza nas regiões Sul (16) e Sudeste (12). As regiões Norte e Centro-Oeste são aquelas que abrigam os menores números de PPG’s da área em questão, com, respectivamente, 3 e 6 programas cada uma. Já a região Nordeste, por sua vez, acolhe os 12 PPG’s restantes que integram a área PLURD.
Esse quadro de assimetria se revela ainda mais acentuado quando se investiga a distribuição das notas dos PPG’s da área PLURD segundo as regiões que os acolhem. Prova disso pode ser encontrada no fato de que nada menos do que 88,8% dos PPG’s melhor avaliados, aqui considerados como sendo aqueles que obtiveram notas que variaram de 5 a 7 na derradeira Avaliação Quadrienal levada a termo pela CAPES, estão instalados nas regiões Sul e Sudeste. Ou seja, dos nove programas existentes no Brasil de melhor conceito da área PLURD apenas um se localiza na região Nordeste.
Quando se consideram apenas os Programas tidos como da ordem da excelência (notas 6 e 7), o referido panorama de assimetria se apresenta de modo pleno, uma vez que absolutamente todos os PPG’s da área PLURD assim conceituados são originários do eixo Sul/Sudeste.
Vale destacar que outra forma de avistar esse quadro de desigualdade em termos da presença de PPG’s da área PLURD, e, por via de consequência, visualizar os vazios que ainda existem no país nesse particular, é atentar para o fato de que nada menos do que dez estados brasileiros ainda não dispõem de estruturas educacionais dessa natureza. Essa situação inegavelmente sugere a necessidade da implementação de medidas que visem apoiar a criação de Programas nas regiões Centro-Oeste e Norte do país.
Conforme reconhecido oficialmente pela própria área PLURD, no seu Documento de Área, mais grave que os vazios geográficos, é o injustificável isolamento de alguns PPG’s com baixa conexão com outros ou mesmo sem contar com a solidariedade daqueles já consolidados. Em face disso, não causa estranheza que tal área indique a necessidade de serem fomentadas relações entre instituições, programas e pesquisadores, de modo solidário e complementar de modo a contribuir para o avanço das atividades científicas e acadêmicas.
Sensíveis a essa sinalização, alguns pesquisadores, professores e coordenadores vinculados aos PPG’s da área PLURD, com conceitos 3 e 4 obtidos na última Avaliação Quadrienal (2013-2016) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), publicado em 2017, tiveram a ideia de construir uma rede colaborativa de estudos.
Com efeito, esse intento parece fazer muito sentido, especialmente quando se pensa em mitigar as assimetrias acima mencionadas e, de modo complementar, se tem como pano de fundo que uma característica especial e benéfica da grande maioria dos Programas que integram a referida área, criados após o ano 2000, é que estão localizados nas porções mais interioranas do país, quadro esse que, por certo, reforça a necessidade de aproximação com as diferentes realidades nacionais existentes, que vão além do contexto urbano-metropolitano nos quais estão inseridos os Programas mais antigos, que originaram a área em foco.
Atentos a essa contextualização, os atores envolvidos buscaram batizar a aludida rede com um nome que tivesse significados que se relacionassem de modo estreito com a ideia, por assim dizer, de um Brasil Profundo. Foi, pois, nessa toada que eles acolheram a proposta de nome para a rede em foco sugerida pelo professor Carlos Zamberland, da UEMS, de chamá-la de “Rede Aranduassu de Estudos Regionais”.
Cabe pontuar que essa proposta de nome ganhou, de pronto, a adesão dos participantes da Rede quando o professor Carlos explicou que o termo Arandu deriva do Guarani, e tem sentido de conhecer a vida, reflete o conhecimento e a experiência e possui uma relação com o ambiente, ao passo que a expressão Assu tem significado de grande porte, algo volumoso e tem origem Tupi-Guarani. Portanto, a ideia de juntar os vocábulos na formação de um grupo ou Rede está na união que reflete uma socialização e um sentido de aprendizagem sócio-interativa formando um conhecimento inter-relacionado com várias experiências, tornando-se grande e volumoso, pois é especializado, aprendido e compartilhado. Essa interação se faz, também, com o ambiente, que se aproxima da origem dos termos, Arandu e Assu.
As reuniões iniciaram no mês de março de 2021, e ocorrem a cada quarenta e cinco dias, via Google Meet.
Professor do Programa de Pós-Graduação: Desenvolvimento Regional e de Sistemas
Produtivos
Instituição: Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS)
Lattes: http://lattes.cnpq.br/6411327863419201
Contato: otaviozamberlan@gmail.com
OBJETIVOS DA REDE
- Fomentar publicações em parceria com as Universidades participantes;
- Criar grupos de pesquisa e projetos de pesquisa e extensão entre as Universidades;
- Realizar eventos em conjunto;
- Participar dos eventos das demais Universidades da Rede;
- Ofertar disciplinas de forma concentrada, e possibilitar a participação de discentes das Universidades da Rede;
- Colaborar com parcerias na orientação de dissertações e teses (co-orientações);
- Identificar colegas que trabalham com temáticas relacionadas e estabelecer intercâmbios para a participação em bancas, eventos, minicursos, palestras;
- Contribuir para a internacionalização dos Programas de Pós-Graduação.
AÇÕES PROPOSTAS PELA REDE
- Realizar reuniões periódicas, a cada quarenta e cinco dias, para alinhar as ações da Rede;
- Promover intercâmbios para bancas de mestrado e doutorado;
- Incentivar convites para participação em eventos recíprocos (semanas, jornadas, aulas inaugurais etc);
- Organizar eventos, cursos e minicursos em conjunto;
- Manter atualizado e utilizar sempre que necessário o banco de dados criado com dados dos professores das instituições e temáticas trabalhadas, para convites para bancas/eventos/outros;
- Divulgar a Rede Aranduassu de Estudos Regionais em eventos e atividades dos PPG´s;
- Propor Dossiês temáticos nas Revistas vinculas aos PPG´s da área PLURD e, sempre que possível, discutir as temáticas nas reuniões da Rede;
- Elaborar projetos de pesquisa articulados, convênios entre universidades para realização de pesquisas, ja que os PPG´s apresentam uma combinação de espaços e territórios diversos, objetivando gerar novidades no campo científico. Os projetos podem ser vinculados à Agências de Fomento, sempre que possível;
- Organizar convênios/termos de cooperação entre as Universidades da Rede, sempre que tiverem realizando trabalhos em conjunto;
- Divulgar eventos por e-mail e/ou grupo de WhatsApp, para que os representantes repassem para os demais colegas dos PPG´s;
- Escrever trabalhos científicos em parceria para publicação;
- Convidar professores da Rede para fazerem falas na disciplina, sobre temas de trabalho;
- Aproveitar a vinda ou contatos com pesquisadores estrangeiros para diálogos em rede com os PPG´s. Assim, todos os Programas serão contemplados;
- Socializar as iniciativas e experiências exitosas entre os Programas;
- Realizar ações de ensino-aprendizagem que versem sobre desenvolvimento territorial e regional como documentários, programas consorciados profissionalizantes, cursos massivos abertos em linha (MOOC), entre outras ações.
PRINCIPAIS TEMÁTICAS DE TRABALHO DA REDE
Desenvolvimento Regional
Desenvolvimento Territorial
Planejamento Urbano e Regional
Desenvolvimento rural
Territórios e meio ambiente
Políticas públicas e desenvolvimento
REFERÊNCIAS
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (MEC). Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Documento de Área. Área 30: Planejamento Urbano e Regional e Demografia. 2019
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (MEC). Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Geocapes – Sistema de Informações Georreferenciadas. Brasília, set. 2021. Disponível em: <https://geocapes.capes.gov.br/geocapes/>. Acesso em: 01 set 2021.
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (MEC). Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Relatório Avaliação Quadrienal 2013-2016. Brasília, set. 2021. Disponível em: <https://www.gov.br/capes/pt-br/centrais-de-conteudo/documentos/avaliac ao/relatorio_quadrienal_ensino.pdf>. Acesso em: 25 agosto 2021.