Mapa do PESRM e limites de municípios
Fonte: Plano de manejo PESRM
Mapa do PESRM e limites de municípios
Fonte: Plano de manejo PESRM
A região de influência do PESRM pode ser considerada sob diferentes enfoques, ora englobando a região da Serra do Espinhaço, ora a do Quadrilátero Ferrífero ou a localização imediata nos municípios do parque e seu entorno. De forma geral, a Serra do Espinhaço apresenta um bioma único e rico, tendo seu zoneamento de Reserva de Biosfera reconhecido pela Unesco em 2005. Reservas da Biosfera são áreas territoriais representativas de valiosos ecossistemas terrestres, marinhos ou costeiros.
O PESRM está inserido na região metropolitana de Belo Horizonte, área mais populosa e adensada de Minas Gerais, que apresenta ritmo acelerado de crescimento urbano desenvolvimento regional. O parque tem área de aproximadamente 3.942 ha e pertence aos municípios de Belo horizonte, Nova Lima, Brumadinho e Ibirité.
O parque possui também uma Zona de Amortecimento ZA definido pela lei pela Lei No 9.985/00 como o "entorno de uma unidade de conservação, onde as atividades humanas estão sujeitas às normas e restrições específicas, com o propósito de minimizar os impactos negativos sobre a unidade".
Localização do PESRM em Minas Gerais e da Reserva da Biosfera do Espinhaço
Fonte: Plano de manejo PESRM
A criação do Parque Estadual da Serra do Rola-Moça está inserida no contexto de fortalecimento das políticas ambientais brasileiras ocorrido nas décadas de 1980 e 1990. Após a promulgação da Constituição Federal de 1988, que reconheceu o meio ambiente ecologicamente equilibrado como direito de todos, diversos estados passaram a ampliar suas unidades de conservação. Em Minas Gerais, esse movimento coincidiu com o aumento da pressão urbana e minerária sobre a Região Metropolitana de Belo Horizonte, especialmente sobre a Serra do Curral e as serras vizinhas, cuja importância ambiental estava relacionada tanto à conservação da biodiversidade quanto à proteção dos mananciais responsáveis pelo abastecimento público. Esse cenário estimulou a articulação entre órgãos ambientais, pesquisadores, movimentos ambientalistas e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA), que defendiam a criação de uma unidade de conservação de proteção integral.
O Parque Estadual da Serra do Rola-Moça foi oficialmente criado por meio do Decreto Estadual nº 36.071, de 27 de setembro de 1994, durante o governo de Hélio Garcia. O decreto estabeleceu uma área inicial de aproximadamente 3.941 hectares, distribuída entre os municípios de Belo Horizonte, Brumadinho, Ibirité e Nova Lima, atribuindo ao Instituto Estadual de Florestas (IEF) a responsabilidade por sua gestão. A norma também definiu como Zonas Primitivas as áreas correspondentes às bacias dos córregos Taboão, Rola-Moça, Barreirinho, Barreiro, Mutuca e Catarina, restringindo atividades recreativas e turísticas nessas regiões para assegurar a proteção dos mananciais utilizados pela COPASA no abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Desde sua criação, o parque passou por um processo gradual de consolidação institucional. Foram estruturados seu Conselho Consultivo, programas de educação ambiental, ações de fiscalização e manejo, além da implantação de infraestrutura para visitação controlada. Em 2007, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais discutiu um projeto de lei destinado a atualizar os limites e consolidar juridicamente a unidade de conservação, adequando-a às diretrizes do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), instituído pela Lei Federal nº 9.985/2000. Paralelamente, o IEF desenvolveu planos de manejo e ampliou as ações voltadas à conservação da fauna, da flora e dos campos rupestres ferruginosos, ecossistemas considerados altamente ameaçados pela expansão da mineração na região.
Atualmente, o Parque Estadual da Serra do Rola-Moça é reconhecido como uma das principais unidades de conservação de Minas Gerais e um dos maiores parques inseridos em área metropolitana do Brasil. Sua importância transcende a preservação da biodiversidade, abrangendo a proteção dos recursos hídricos, a pesquisa científica, a educação ambiental e o lazer em áreas previamente definidas para uso público. Ao longo de mais de três décadas de existência, a unidade consolidou-se como instrumento fundamental da política ambiental mineira, embora continue enfrentando desafios relacionados à pressão urbana, à mineração em seu entorno, aos incêndios florestais e à necessidade permanente de fortalecimento de sua gestão e fiscalização.
Canela-de-ema muito encontrada no PESRM
Fonte: Foto autoral 23/06/2026
Formações do Bioma Mata Atlântica
Nos fundos de vales e associadas aos cursos d'água é encontrada florestas Estacionárias Semideciduais, uma tipologia de Mata Atlântica condicionada a duas estações principais, chuvosa e seca. Também conhecidas como matas de galeria.
Formações Savânicas
Chamada de Savana Arborizada ou Campo Cerrado é caracterizado pela presença de árvores baixas, tortuosas, com ramificações irregulares e retorcidas, cascas gossas, folhas rigidas e coriácias.
Capos Rupestres - Refúgio Ecológico
São formações herbáceo-arbustivas associadas a afloramentos rochosos ou solos rasos, localizados nas serras do sul da Bahia, Goiás e Minas Gerais, em altitudes de 1.000 a 1.800m. Se constituem por um mosaico de comunidades relacionadas e controladas pela topografia, declividade, microclima e natureza do substrato. Na área do parque são encontratos compos rupestres ferruginosos e campos rupestres quartzítico.
Mapa de Pressões Antrópicas no Entorno Imediato do PESRM.
Fonte: Plano de Manejo do Parque
O instituto PESRM é adequado para combater a ocupação desenfreada da serra em território metropolitano. As pressões pela privatização do uso da serra e sua depredação são variadas (mineração, ocupação do solo para moradia, extração de recursos naturais) e a fiscalização e combate a tais pressões são fundamentais. O Parque conta com instrumentos legais, funcionários, equipes próprias de limpeza, parceria com IEF, Ibama, Polícia Militar Ambiental e faz gerenciamento do território com sucesso.
Desde a implantação do PESRM moradores da região e usuários frequentes do parque podem notar um crescimento da massa vegetal ao longo dos anos, manejo e limpeza das áreas turísticas, controle de acesso, monitoramento e combate a incêndios além de uma maior divulgação da existência da riqueza do parque.