O planejamento do fechamento e as ações de reabilitação são exigidos por um conjunto de normas:
Constituição Federal (Art. 225, § 2º): Estabelece a obrigação de recuperar o meio ambiente degradado pela atividade minerária.
Decreto nº 97.632/1989: Define a obrigatoriedade da apresentação de um plano de recuperação para a área degradada.
Resolução ANM nº 68/2021: É a principal norma que regulamenta o Plano de Fechamento de Mina (PFM) atualmente.
Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD): É o documento técnico que detalha as ações, métodos e estratégias para a recuperação ambiental.
Diretrizes Propostas
Subordinar qualquer intervenção na área da mina às diretrizes do Parque Estadual da Serra do Rola-Moça e às restrições próprias de uma unidade de conservação de proteção integral.
Utilizar o Plano de Manejo do parque como principal instrumento de compatibilização entre conservação ambiental, uso público, recuperação de áreas degradadas e pesquisa científica.
Relacionar a proposta ao Plano Diretor de Brumadinho, especialmente nos pontos vinculados à proteção ambiental, ao patrimônio natural, à paisagem, ao turismo e ao interesse público.
Converter a lógica de apropriação minerária privada em uma lógica de uso público controlado, preservação ambiental e produção de conhecimento.
Manter a leitura da Serra do Rola Moça como elemento estruturador da proposta, evitando intervenções que comprometam sua presença paisagística.
Preservar os principais eixos visuais da serra, dos taludes, das cavas e das áreas de recuperação como parte da experiência territorial ressignificada a partir da reabilitação da área.
Priorizar a recuperação ambiental da área minerada antes da implantação de usos recreativos, turísticos ou arquitetônicos.
Condicionar a ocupação da área a estudos prévios de risco geotécnico, estabilidade de barragens, estabilidade de encostas, drenagem e segurança ambiental.
Restringir o acesso público às áreas com instabilidade geotécnica, risco de deslizamento, ou outros riscos que se possam se apresentar como inviáveis de solucionar.
Priorizar técnicas de baixo impacto para estabilização e recuperação, incluindo bioengenharia, revegetação, drenagem superficial controlada e contenções discretas.
Utilizar preferencialmente caminhos, plataformas, acessos e estruturas já existentes, reduzindo a abertura de novas frentes de intervenção no terreno.
Utilizar espécies vegetais nativas nos processos de recomposição, estabilização de solo, sombreamento, filtragem visual e reconexão ecológica.
Estruturar a recuperação vegetal em fases, diferenciando áreas de regeneração natural, áreas de plantio induzido e áreas de manejo intensivo.
Proteger as áreas vinculadas ao manancial do Catarina, evitando impermeabilização, contaminação, erosão, assoreamento e ocupação indevida de zonas de recarga hídrica.
Transformar os vestígios da mineração em suporte de interpretação crítica da paisagem, evidenciando os impactos da atividade minerária e os processos de recuperação ambiental.
Evitar a romantização estética da mineração, tratando ruínas, estruturas, cavas e taludes como marcas de conflito territorial, degradação e possibilidade de reparação.
Subordinar a proposta arquitetônica à paisagem, à recuperação ambiental e à segurança do sítio, evitando edifícios desconectados do processo histórico e geológico.
Orientar a proposta final para um programa de baixa intensidade, vinculado à educação ambiental, contemplcação da paisagem, pesquisa, lazer controlado e monitoramento da recuperação da antiga área minerada. O uso, apropriação e valorização do patrimônio pela população é a melhor forma de preservá-lo.
Hornsby Park - Austrália
Tangshan Quarry Park - Nanjing, China
Play Landscape be-MINE - Beringen, Bélgica
Quarry Garden - Shangai Botanical Garden
A Pedreira Hornsby foi usada por décadas para extrair rocha vulcânica, que era triturada e usada na construção civil em Sydney. Após ser abandonada em 2003, a área de 60 hectares ficou inacessível.
Objetivos projetuais:
Oferecer um novo espaço público: Proporcionar à comunidade um local para caminhadas, ciclismo, escalada, esportes em campo e piqueniques.
Respeitar a história e o patrimônio: Preservar e integrar elementos históricos do local, como os restos da antiga usina de britagem (crusher plant) e a escadaria Heritage Steps, construída na década de 1930.
Promover a regeneração ecológica: Reabilitar grandes áreas com espécies nativas e conectar a vegetação aos corredores ecológicos existentes.
Apoiar o crescimento urbano: Servir como um espaço de lazer de alta qualidade para os cerca de 6.000 novos moradores que devem chegar à região.
Hornsby Shire Council (o conselho municipal local) é o órgão responsável por liderar e entregar o projeto.
Projeto ainda está em andamento, com destaque para o Mirante Sul (Southern Lookout): Uma plataforma de observação de 42 metros de comprimento que se projeta 14 metros sobre o vazio da pedreira, oferecendo vistas espetaculares.
O Tangshan Quarry Park (Parque da Pedreira de Tangshan), também conhecido como Parque do Poço da Mina de Tangshan é um projeto de reabilitação de uma pedreira de calcário desativada, localizada em Nanquim, China.
Histórico de Operação: A mineração de calcário a céu aberto na área ocorreu entre 1972 e 2004. As operações deixaram um legado de quatro enormes crateras (também chamadas de "dang kou") . Local foi abandonado após a operação da mina e apresentava grandes problemas ambientais.
Os objetivos do projeto foram de realizar a restauração ecológica da área, bem como criar um espaço de uso público e educacional.
Arquitetos Paisagistas: O projeto foi desenhado pelo renomado estúdio chinês Z+T Studio (também conhecido como Zhang Tang Landscape Architecture).
Diretores: Os arquitetos Dong Zhan (张东) e Ziying Tang (唐子颖) são os diretores do Z+T Studio e os autores do projeto.
O parque foi inaugurado em 2019, cobre uma área de 40 hectares com paisagens marcantes que incluem a própria pedreira, lagos, restaurante, centro de visitantes, áreas de piquenique, teatros ao ar livre e estruturas de apoio.
O projeto é um secesso tendo recebido mais de 6 milhões de visitantes até 2025. Recebeu diversos prêmios, incluindo o Prêmio Internacional de Paisagismo Rosa Barba Casanovas de 2023, um dos mais prestigiados da área, e foi selecionado para a "Coleção de Casos Típicos de Restauração Ecológica de Espaço Territorial" pelo Ministério de Recursos Naturais da China.
O projeto Play Landscape be-MINE é uma intervenção lúdica e paisagística que transformou um antigo depósito de rejeitos de carvão em um grande parque de aventuras. Ele está inserido no projeto de revitalização do complexo mineiro de Beringen, na Bélgica, o maior sítio de arqueologia industrial da região de Flandres.
O projeto se concentra em um "terril" – uma montanha de 60 metros de altura formada por rejeitos da mineração de carvão. O projeto visou transformar toda a área em um polo cultural e turístico, onde a história da mineração pudesse ser vivenciada de forma interativa.
O projeto é fruto de uma colaboração internacional de arquitetos: Arquitetos Paisagistas e Designers: Os escritórios Carve (da Holanda) e OMGEVING (da Bélgica); Equipe de Arquitetos Responsáveis: Elger Blitz e Jasper van de Schaaf (Carve), e Luc Walleys, Maarten Moers e Peter Swyngedauw (OMGEVING). A equipe venceu uma competição internacional para o projeto em janeiro de 2015, e a "Montanha da Aventura" foi inaugurada em setembro de 2016.
O design se divide em três partes principais que se unem para criar uma experiência única:
A Floresta de Postes (Pole Forest): Uma instalação marcante no flanco norte do "terril", composta por 1.600 postes de madeira. Eles remetem aos suportes de madeira usados nos túneis das minas. Entre os postes, há um percurso de aventura com redes, cordas, labirinto e outros desafios.
A Superfície Prismática (Prismatic Playsurface): Uma grande área de concreto com formas geométricas que parece "drapejada" sobre a encosta. É o elemento mais visível e abriga diversas opções de jogo, como túneis para rastejar, superfícies de escalada e o grande destaque: um escorregador de mais de 20 metros.
A Praça do Carvão (Coal Square): No topo do "terril", uma praça circular com carvão. Além de ser um marco visual, sua borda inclinada funciona como um mirante e área de descanso, oferecendo uma vista panorâmica de 360 graus.
A espinha dorsal de todo o conjunto é uma escadaria reta que conecta os três níveis, e à noite, uma linha de luz ao longo dela torna a topografia da montanha visível.
O Jardim da Pedreira ocupa uma área de 4,26 hectares dentro do Jardim Botânico de Chenshan, que tem 207 hectares. O local foi uma mina de pedra ativa do início do século XX até a década de 1980. A extraçãointensa deixou duas grandes crateras (leste e oeste) e um poço profundo de 20 a 30 metros. Após décadas de abandono, a área estava inacessível, com o solo e a água degradados, vegetação escassa e sujeita a erosão.
O projeto foi concebido com a intenção de transformar este passivo ambiental em um dos principais cartões-postais do jardim botânico, seguindo o tema de um "jardim de restauração". Ao mesmo tempo criar um espaço público, fazer um resgate histórico e cultural das paisagens da montanha Chen e proporcionar uma eperiência imersiva.
O projeto foi desenhado pelo renomado arquiteto Zhu Yufan (朱育帆), professor do Departamento de Arquitetura Paisagista da Universidade de Tsinghua que utilizou o conceito do "Paraíso do Pessegueiro" (桃花源), da literatura chinesa. Em vez de esconder as cicatrizes da mineração, a estratégia foi abraçá-las e usá-las como elemento central do design.
O jardim foi dividido em três áreas principais, cada uma com uma abordagem de design distinta:
Área do Lago (Lake Area): Localizada na entrada oeste, a antiga superfície rochosa foi remodelada para criar o "Lago Espelho" (Mirror Lake) e o "Mirante para Flores" (Flower-seeing Platform).
Área do Platô (Platform Area): Uma zona de transição com muros de pedra e placas de aço corten, que oferece múltiplas rotas de escalada e um "jardim secreto" com diversas plantas.
O Poço Profundo (Deep Pool): O coração do projeto, com uma lâmina d'água de cerca de 1 hectare. O grande destaque é a passarela flutuante de 160 metros, que serpenteia rente à água (30 metros abaixo do nível do solo), proporcionando uma vista dramática das paredes rochosas, cachoeiras e da vegetação que emerge das fendas.