As pessoas chegam à consulta na sequência de um qualquer acontecimento nas suas vidas que desencadeou determinadas vulnerabilidades internas, muitas vezes inconscientes. Compreender e dominar um problema passa muitas vezes por transformar em expressão verbal algo que começou por se manifestar como uma sensação corporal insipiente, sentido de ameaça iminente ou compulsão comportamental (Mcwilliams, 2004). A investigação demonstra que a abertura aos sentimentos está associada a bem-estar físico e emocional, e o contacto com sentimentos mais íntimos é um dos pilares fundamentais em que assenta o processo de acompanhamento psicológico.
Uma das razões que está muitas vezes por trás da procura da psicoterapia é o desejo de trabalhar a força do ego ou fortalecer a coesão interna. É esta coesão interna que nos permite lidar com as nossas circunstâncias de forma adaptativa, pese embora os desafios e adversidades. Uma pessoa com uma boa força do ego não fica, por definição, paralisada por uma culpa excessiva ou despropositada, nem vulnerável à atuação de impulsos passageiros (Mcwilliams, 2004). Ao longo do processo psicoterapêutico, os pacientes verificam que têm mais aceitação, não só da sua complexa vida interna e do seu «verdadeiro» self, mas também das complexidades e limitações dos outros. Passam a encarar amigos, familiares e conhecidos, no contexto das respetivas situações e histórias e levam menos a peito os desapontamentos. Ao conseguirem perdoar a si próprios coisas que agora compreendem e controlam, perdoam aos outros aquilo que estes não conseguem compreender nem controlar (Mcwilliams, 2004).
A relação amorosa está intimamente ligada ao processo de descoberta de si mesmo e da identidade de cada um. Por vezes, neste processo de descoberta e conciliação de vontades, dão-se desencontros. O desencontro gera frustração, raiva e frequentemente dá lugar ao conflito. Na terapia de casal procuramos ajudar a compreender as dinâmicas da relação - os comportamentos, emoções, cognições e padrões disfuncionais - que frequentemente conduzem ao desentendimento e à rutura. Num ambiente de acolhimento e partilha, mediada pela observação atenta do psicólogo, procura-se estabelecer um melhor nível de compreensão de si, do outro e da relação, contribuindo para o desbloqueio da comunicação e para o fortalecimento dos laços afetivos.