Obra de referência: O Garoto (1921)
A câmera está parada registrando a ação. Na cena, a mãe tenta achar uma direção para seguir sua vida.
A câmera gira horizontalmente . No exemplo, a mãe percebe uma possibilidade de deixar o bebê em "boas mãos" e retorna para abandoná-lo no carro da família rica.
A câmera inclina para cima ou para baixo sobre um eixo fixo. No exemplo, o tilt revela a criança abandonada no canto inferior do quadro.
Fora de quadro refere-se a algo que acontece fora do campo de visão da câmera, mas ainda influencia a cena. Isso pode ser um som, uma ação ou até mesmo um personagem. Na cena, os ladrões escutam o choro do bebê sem saber que ele estava no banco de trás do carro, o que os faz pensar que alguém está com ele.
O zoom é a aproximação ou afastamento da imagem usando a lente da câmera, sem movê-la fisicamente. No exemplo, ainda que não haja o movimento de câmera real, a linguagem é alcaçada por uma abertura e fechamento das margens sobre a imagem.
Nesta cena, lemos junto com o personagem o bilhete deixado pela mãe para que cuidem de bebê. A câmera está no lugar dos olhos do personagem que faz a ação.
Cena
Sinal-termo
Campo/contracampo é uma técnica comum em diálogos, onde a câmera alterna entre os personagens envolvidos na conversa. Um personagem é mostrado de frente, enquanto o outro é mostrado de costas ou de lado. Isso mantém a continuidade e dá a sensação de que os personagens estão interagindo diretamente. No exemplo, o que temos é uma ação entre o menino que joga a pedra e a janela que é quebrada. A sensação de interação entre o menino e a janela fica clara para o espectador.
No plongée, a câmera filma de cima para baixo, como se estivesse olhando para o chão. No exemplo, a criança sente medo dos homens que invadem a casa, o personagem parece menor, mais frágil ou vulnerável. Já no contra-plongée, a câmera filma de baixo para cima. Na cena, a criança que está sendo levada pede ajuda aos céus para que nada de mal aconteça.
Cena
Sinal-termo
Cena
Sinal-termo
Para além do Plongée e contra plongée, há também os planos com angulação de 90 graus, conhecidos como:
Plano zenital
Enquadramento feito de cima para baixo, com a câmera posicionada verticalmente acima da cena.
Plano Contra-zenital
Enquadramento feito de baixo para cima, com a câmera posicionada abaixo do objeto filmado.
A profundidade de campo (PdC) é a área da imagem que aparece nítida (em foco) diante da câmera, enquanto o restante fica desfocado (borrado). Ela varia conforme abertura da lente, distância focal e distância do objeto filmado.
O sobreenquadramento é uma técnica de composição visual no cinema e na fotografia em que um elemento da cena (como uma porta, janela, espelho ou arco) é usado para criar um quadro dentro do quadro, adicionando profundidade, contexto ou significado simbólico à imagem.
Trucagem (ou efeito especial prático) é qualquer técnica usada durante as filmagens para criar ilusões visuais ou cenas impossíveis de capturar naturalmente, sem depender exclusivamente de pós-produção digital.
Cena
Sinal-termo
Letterings no cinema referem-se ao uso de textos gráficos na tela, como títulos, créditos, legendas, ou qualquer outro elemento escrito que complementa a narrativa visual. Eles são uma parte importante da linguagem cinematográfica, pois ajudam a transmitir informações, estabelecer o tom da história e até mesmo contribuir para a estética do filme.
Efeitos especiais são técnicas que permitem criar imagens, sons ou situações que não existem no mundo real.
Uma gag é uma piada visual ou situação cômica, geralmente física e de timing preciso, usada para provocar riso ou aliviar a tensão em filmes, desenhos animados, teatro ou televisão. É um elemento-chave da comédia slapstick (pastelão) e muitas vezes envolve exagero, absurdos ou reviravoltas inesperadas.
O dolly zoom é um efeito cinematográfico que cria uma ilusão de ótica bastante peculiar: o fundo da imagem parece se aproximar ou se afastar, enquanto o objeto ou pessoa em primeiro plano permanece no mesmo tamanho e posição. É como se a perspectiva do cenário mudasse drasticamente, mas o que está mais perto da câmera se mantivesse fixo.
PS: O dolly zoom, também conhecido como "efeito Vertigo" (por ter sido popularizado no filme "Um Corpo que Cai" de Alfred Hitchcock), foi inventado pelo cinegrafista Irmin Roberts em 1958. Os filmes mais conhecidos de Charles Chaplin foram produzidos em sua maioria nas décadas de 1910, 1920 e 1930, muito antes da invenção e popularização do dolly zoom.
A montagem é o processo de selecionar, organizar e combinar os planos filmados para criar uma sequência. O corte é a transição mais básica entre dois planos. Um plano termina, e outro começa imediatamente.
A edição é o processo técnico de montar o filme, incluindo a sincronização de áudio, a aplicação de efeitos visuais e a finalização da obra. Enquanto a montagem foca na narrativa, a edição lida com os aspectos técnicos e criativos para polir o filme.
Raccord e continuidade tratam da consistência visual entre as cenas. Isso inclui a posição de objetos, iluminação, movimentos dos atores e até mesmo a direção do olhar. Na sequência acima perceba os fluxos de continuidade e de conexão entre os planos.
A diferença entre raccord e continuidade no cinema é sutil, mas importante. Ambos estão relacionados à coerência visual e narrativa de um filme, mas cada um tem um foco específico.
A continuidade refere-se à consistência geral de uma cena ou de um filme inteiro. Ela garante que todos os elementos visuais, narrativos e temporais estejam alinhados, para que a história faça sentido e o espectador não se distraia com erros ou inconsistências.
O raccord (termo francês que significa "ligação" ou "conexão") é um conceito mais específico, focado na transição suave entre planos ou cenas. Ele garante que os elementos visuais e narrativos estejam alinhados quando há cortes ou mudanças de ângulo. Ou seja, o raccord é o que nos leva de uma cena a outra da maneira mais sutil possível, podendo ser pelo fluxo do movimento ou do olhar dos personagens, pelo ângulo da câmera, por uma conexão de sentido, de cores ou de elementos dispostos nos planos.
O Falso raccord: Uma conexão entre planos que cria intencionalmente uma quebra na continuidade, deixando o espectador confuso ou instigando-o a criar suas próprias conexões.
É um tipo de transição abrupta entre duas cenas ou planos sem efeitos de dissolução, fusão ou qualquer outro elemento suave.
São textos inseridos entre as cenas de um filme, geralmente para transmitir informações como diálogos, narrações, indicações de tempo/local ou contextualização da história.
Além do corte seco podemos ressaltar três outras modalidades importantes de cortes de uma cena para outra:
Fade in: Transição em que a imagem surge gradualmente do preto (ou de outra cor) até ficar totalmente visível.
Fade out: Transição em que a imagem desaparece gradualmente até o preto (ou outra cor).
Jump cut: Corte brusco entre dois planos semelhantes que provoca uma descontinuidade visual. Normalmente feito com cortes dentro de um mesmo plano.
Sinal-termo
No cinema falado aparece a possibilidade de inserir no filme a voz que narra a história ou mesmo que participa da ação com uma enunciação em primeira pessoa.
Transição em que a cena aparece gradualmente (fade in) ou, como ao final da sequência acima, desaparece (fade out) gradualmente.
A elipse é uma técnica de edição que omite partes da narrativa para avançar no tempo ou evitar cenas desnecessárias. Em vez de mostrar cada momento, o filme "pula" para o próximo evento significativo.
Carlitos toma conta do bebê que encontrou.
Na cena seguinte a criança já aparece com cinco anos de idade na porta de sua casa.
Mostrar duas ou mais situações acontecendo simultaneamente, alternando os planos na sequência.
Carlitos se esforça para cuidar do bebê encontrado na rua.
Enquanto isso, vemos a mãe arrependida de abandonar a criança, procurando o bebê no local onde havia o deixado.
Cena
Sinal-termo
Esta ideia de montagem foi introduzida pelo cineasta russo Serguei Eisenstein, ela busca criar significado não pela continuidade narrativa, mas pelo choque entre imagens contrastantes, estimulando uma reflexão crítica no espectador.
Plano A
Plano B
Sequência do "Sonho do Paraíso" (quando Carlitos adormece):
Plano A: Chaplin (Carlitos) dorme na porta de um cortiço.
Plano B: Corte abrupto para uma visão onírica – o cortiço vira um bairro luxuoso, e os moradores pobres se transformam em anjos.
Contraste dialético: A miséria real (Plano A) vs. a fantasia utópica (Plano B) cria uma crítica social implícita sobre desigualdade e desejo humano. Aqui, a edição não é "dialética" no sentido marxista, mas o contraste entre os planos gera uma reflexão sobre as condições sociais, algo que Eisenstein depois radicalizaria.
Uma situaçcão, cena ou sequência que interrompe a narrativa principal para mostrar eventos que ocorreram em um tempo anterior.
Na sequência final de Luzes na Cidade o flashback aparece de forma sublime, sem recorrer à sua forma tradicional. Por meio do toque nas mãos de Carlitos a personagem é transportada de volta (flashback) ao primeiro encontro tiveram no início do filme, quando, ainda sem visão, a personagem havia sido ajudada por ele e agora o reconhece pelo toque das mãos.