Plano de Ação.
A transição para o ensino superior é um momento de grandes desafios para estudantes ingressantes, especialmente para aqueles com necessidades específicas, como os autistas. Projetos de mentoria e tutoria entre pares, conduzidos por centros acadêmicos, têm se mostrado eficazes para promover acolhimento, integração e permanência estudantil. A seguir, detalha-se um plano de ação estruturado a partir dos objetivos propostos.
O primeiro passo do projeto consiste na seleção e capacitação dos veteranos voluntários. Cada voluntário deverá participar de, no mínimo, quatro capacitações, que abordarão temas como acolhimento, comunicação assertiva, escuta ativa, acessibilidade e inclusão, além de orientações sobre o funcionamento acadêmico e recursos institucionais disponíveis. Essas capacitações são fundamentais para garantir que os veteranos estejam preparados para lidar com a diversidade de perfis e demandas dos calouros, especialmente daqueles com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O processo de formação pode ser realizado por meio de oficinas presenciais e/ou online, com materiais didáticos específicos e participação de profissionais convidados.
Após a capacitação, os veteranos realizarão reuniões regulares de escuta ativa com os calouros sob sua responsabilidade. Essas reuniões têm como objetivo criar um espaço seguro para que os ingressantes possam compartilhar dúvidas, ansiedades e dificuldades, promovendo a construção de vínculos de confiança e pertencimento. A escuta ativa é essencial para identificar precocemente situações de vulnerabilidade e encaminhar os estudantes para os setores de apoio institucional, quando necessário.
Em consonância com as diretrizes de acessibilidade e inclusão, o projeto prevê a designação de um veterano para cada calouro autista, garantindo acompanhamento individualizado e contínuo. Essa medida visa respeitar as necessidades específicas desse público, reconhecendo a diversidade do espectro autista e a importância de apoios personalizados para sua adaptação e sucesso acadêmico. O veterano atuará como mediador entre o estudante, o núcleo de acessibilidade e os demais setores da universidade, promovendo a dissolução de barreiras comunicacionais, metodológicas e sociais.
O acompanhamento dos calouros será realizado de forma ativa durante todo o primeiro ano letivo. Os veteranos manterão contato frequente com os ingressantes, promovendo reuniões periódicas, atividades de integração e orientação acadêmica. Essa atuação contínua é fundamental para fortalecer o engajamento dos calouros, reduzir índices de evasão e favorecer o desenvolvimento pessoal e acadêmico dos participantes. O acompanhamento será monitorado por meio de relatórios e feedbacks regulares, possibilitando ajustes e melhorias no decorrer do projeto.
O projeto será institucionalizado como uma ação de extensão universitária, coordenada pelos centros acadêmicos em parceria com setores de apoio estudantil e núcleos de acessibilidade. Essa configuração amplia o alcance e a legitimidade da iniciativa, permitindo acesso a recursos institucionais, editais de financiamento e certificação para os voluntários. A formalização como projeto de extensão também favorece a articulação com políticas de permanência estudantil e inclusão, reforçando o compromisso social da universidade.