TENDÊNCIAS
No início de 2022, havia a expectativa de crescimento do PIB brasileiro de 1,1%. No entanto, o ano iniciou com a intensa onda de COVID-19, causada pela variante Ômicron.
Dois dos principais indicadores que resumem a atividade econômica brasileira recuaram em janeiro/2022. Enquanto o Índice de Atividade Econômica do Banco Central – Brasil (IBC-Br) caiu 1%, o Monitor do PIB, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), cedeu 1,4% na margem. Além disso, tivemos uma surpresa negativa com a eclosão da guerra na Ucrânia, que acabou reforçando a piora das previsões de inflação e, portanto, do cenário de política monetária no Brasil e no exterior.
A invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro, fez-se, de imediato, sentir no preços das commodities. A expectativa do crescimento do PIB em 2022 caiu de 4,0% para 2,8%, enquanto a da inflação subiu de 2,6% para 4,3%.
Porém, as contas públicas continuam apresentando melhora. A arrecadação total das receitas federais acumulada em janeiro e fevereiro deste ano apresentou aumento real de 12,9% em relação ao mesmo período de 2021. Esses aumentos refletem tanto o crescimento do PIB no período quanto a taxa de inflação persistentemente elevada, que têm aumentado as bases tributárias.
A economia brasileira continuará sendo afetada por diversos fatores que tendem a diminuir o ritmo de crescimento ao longo de 2022. Com a alta da inflação, afetará a renda real das famílias e seu consumo, causando uma desaceleração do consumo de bens e serviços.
CONSOLIDADO
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25/03/22
PIB
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CÂMBIO
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SELIC
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INVESTIMENTO DIRETO
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EFEITOS PARA AS EMPRESAS
A indústria manufatureira está enfrentando um cenário mais adverso, caracterizado pela escassez e encarecimento de insumos. A desorganização das cadeias de abastecimento globais persiste, o que, aliado aos efeitos defasados da política monetária, não demonstra prognóstico muito favorável.
O crescimento da agropecuária foi revisto de 2,8% para 1,0%. Embora tenhamos aumentado a área plantada de soja em 3,7%, a produção caiu em 8,8%. Essa queda refere-se à baixa do dólar causado pelos impactos da Guerra da Ucrânia, o que significa redução do valor bruto da produção e consequente aumento do consumo intermediário.
O Brasil aparece como o maior importador global de fertilizantes. Segundo os dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), a participação de insumos importados na composição da oferta interna de adubos/fertilizantes vem aumentando ao longo dos últimos anos, chegando em 2021 a uma participação estimada em 85% de importações no total da oferta interna de adubos, resultado da redução de 15% na produção interna e aumento de 43% nas importações se comparadas a 2018.
EFEITOS PARA OS CIDADÃOS
Os principais indicadores de emprego mostram que a trajetória de recuperação do mercado de trabalho vem se consolidando nos últimos trimestres.
Segundo o cadastro do Ministério do Trabalho e Previdência, a economia brasileira gerou aproximadamente 2.7 milhões de vagas formais, refletindo um crescimento do emprego em todos os segmentos pesquisados.
Em relação aos salários, os dados mostram que, além do efeito composição, que joga para baixo a média salarial quando há uma entrada proporcionalmente maior de trabalhadores informais e menos qualificados, a alta da inflação nos últimos meses vem desencadeando uma queda dos rendimentos reais efetivamente recebidos.
Pelo lado da demanda, a avaliação é que a absorção doméstica será determinante em 2022. O Auxílio Brasil terá impactos positivos sobre o consumo de bens e serviços, o que, aliado à melhora dos indicadores de mercado de trabalho e à expectativa de crescimento modesto para o mercado de crédito, faz com que a previsão para o consumo das famílias seja de 1,1%.
Já os indicadores de confiança, determinantes para a decisão de novos investimentos, não mostram tendência de crescimento.
REFERÊNCIAS
JÚNIOR, José Ronaldo de C. Souza; CAVALCANTI, Marco A. F. H.; CARVALHO, Leonardo Mello; BASTOS, Estêvão Kopschitz X; SANTOS, Francisco E. de Luna A; LAMEIRAS, Maria Andréia Parente. Visão Geral da Conjuntura: NÚMERO 54 — NOTA DE CONJUNTURA 34 — 1 ° TRIMESTRE DE 2022. Carta de Conjuntura, [s. l.], 8 abr. 2022. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/conjuntura/220331_cc_54_nota_34_visao_geral.pdf. Acesso em: 8 abr. 2022.