Na gestão de cliente, o principal e mais importante é a construção de um relacionamento longo, duradouro e frutífero. Para tanto há a máxima eternizada por Lucas Otavio Peres de que “só é lembrado quem é visto, mas é muito melhor ser lembrado, do que apenas visto.” Considerando que Suprimentos é uma área prestadora interna de serviços para as operações, ela deve se comportar de forma a entregar o máximo valor possível para quem “contrata seus serviços”, em especial quando este contrato é mais tácito do que formal.
Como já explorei no meu artigo “O que é Compras, Suprimentos e Strategic Sourcing” comprar, no fim das contas, acaba sendo uma atividade bastante democrática, pois pode ser executada por qualquer pessoa em qualquer momento e se Suprimentos não fizer parte da estratégia empresarial, muito valor pode e é perdido em negociações feitas sem um processo adequado. Uma vez compreendido o valor que um bom processo de Suprimentos pode trazer (conforme artigo “Suprimentos como ALAVANCA de VALOR: O real impacto de Procurement e Strategic Sourcing para um Negócio”), sua liderança deve estabelecer laços fortes com suas áreas clientes para que as lideranças dessas não só deem suporte à implementação de um processo de Suprimentos e Strategic Sourcing, como também façam bom uso dos serviços por essas prestados. Logo, o sucesso de Suprimentos começa com a demonstração de valor real para a corporação, para as áreas usuárias. Quando se fala de valor, surge a dúvida da natureza desse valor e de como medir o retorno.
Toda área de Suprimentos possui custos com pessoas, ferramentas e também rateios internos que são lançados em um ou mais centros de custos da empresa, que no fim das contas refletirão nas linhas do Demonstrativo de Resultado do Exercício. As operações deverão então arcar com esses custos, pois são financiados pelo faturamento da empresa. Logo, a primeira medida de valor de Suprimentos para uma organização é com base no retorno financeiro que esta pode oferecer em contrapartida com seu custo operacional.
O que vemos com alguma frequência em grandes corporações é a formalização de uma espécie de “contrato” entre Suprimentos e suas áreas usuárias, que pode tomar o nome de Acordo Mestre de Serviços, ou simplesmente AMS. Um AMS nada mais é do que o estabelecimento de ao menos uma métrica de retorno esperado por cada dólar, ou reais, investido pela operação na área de Compras. Ou seja, digamos que numa empresa o setor de Suprimentos tenha um custo anual de BRL 1 milhão e que a empresa tenha como métrica interna de que todo projeto deva trazer 5 vezes o retorno esperado para um investimento. Nesse cenário, Suprimentos deveria entregar ganhos na ordem de BRL 5 milhões. Parece simples a lógica, e por um lado é mesmo, mas a grande questão é de que forma esse valor pode ser reconhecido como retorno por parte da operação. E isso é que gera muita discussão e por isso que requer processos de aprovação e validação rígidos e escalonados, para que o valor obtido seja plenamente reconhecido e reportado. Essa é a primeira etapa de um processo de Engajamento de Usuários eficiente, no qual, por um lado, ambas as partes sabem como seu retorno será medido e, por outros, há o compromisso por parte dos clientes em trabalhar em parceria com Suprimentos para a identificação e efetivação de oportunidades.
Quando bem explorado o relacionamento com os usuários, Suprimentos acaba sendo exposto a oportunidades que, por vezes perpassam o retorno financeiro e podem ser considerados até como intangíveis, como, por exemplo, mitigação de riscos na cadeia de abastecimento, ganhos de eficiência interna e, o cada vez mais importante, atendimento aos aspectos de Sustentabilidade. Assim sendo, precisamos diferenciar o valor gerado por Suprimentos em duas perspectivas distintas: Retorno Financeiro e Retorno Não-Financeiro.
I.
Indicadores de Retorno Financeiro por Suprimentos
Economias Diretas (vulgo Savings). Trata-se do indicador mais comumente usado para medir a eficácia de Suprimentos em uma organização. O indicador de economia direta se trata de indicador de redução de valores unitários pagos atualmente pela operação. Exemplo: digamos que uma empresa tenha pago, em média, BRL 10 por rolamento usado no último ano fiscal e que neste ano o negociador de Suprimentos conseguiu reduzir esse valor para BRL 8. Assim sendo, basta multiplicar os valores referenciados pela quantidade utilizada para se obter o valor total de Saving. Nesse nosso exemplo, caso a empresa tenha consumido 1.000 unidades ao longo do ano, ao invés de continuar pagando BRL 10.000 em rolamentos, ela passou a pagar BRL 8.000 e assim o ganho em Economia Direta foi de BRL 2.000.
Evitação de Preços (vulgo Avoidance). Este é o segundo indicador mais usado e importante para Suprimentos, pois é usado em 2 circunstâncias bastante comuns. A primeira é quando não há uma base histórica de preços, mas apenas referências de preços de mercado. Exemplo: quando se vai adquirir algum equipamento ou tecnologia nova, ou precisa de um serviço “fora do comum”, os quais não são adquiridos dentro de uma frequência. A segunda situação é, mesmo tendo um histórico de consumo, há reajustes de preços causados por inflação ou outra causa mercadológica que tenderá a elevar o valor base pago pela operação e Suprimento tentará, então, reduzir esse impacto de aumento de preços. Exemplo: usando novamente o exemplo de rolamentos, é possível que de um ano para o outro o preço do rolamento passe de BRL 10 para BRL 12 (aumento de 20%), mas Suprimentos conseguiu negociar um aumento menor e o novo preço passe para BRL 11. Neste exemplo poderia ser reportado um Avoidance de BRL 1.000 (= (BRL 12/ unidade – BRL 11/ unidade) x 1.000 unidades).
Retorno sobre Investimento (ROI). Uma vez configurados os procedimentos de reporte e aprovação dos ganhos em Economias Diretas e Evitação de Preços, a soma desses valores deverão compor o numerador do calculo de retorno, ou simplesmente ROI. Exemplo: na nossa empresa hipotética, Suprimentos tem um custo anual de BRL 1 milhão e digamos que ao longo do ano a área gerou BRL 3 milhões em Savings e R$ 2,5 milhões em Avoidance. No cálculo do retorno teríamos um ROI de 550% ou 5,5x (ROI = (3.000.000 + 2.500.000)/1.000.000).
Gastos Gerenciados por Suprimentos. Esse indicador mede simplesmente de todos os gastos feitos pela companhia em indiretos e diretos não-matéria primas o montante que é regularmente negociado através do processo implementado pela área de Suprimentos. Ele é medido como um percentual do geral, obtido através da soma total do gasto gerenciado por Suprimentos dividido pelo total de gastos realizados pela companhia. Essa medida também pode ser chamada de Influencia de Suprimentos nos Gastos da Empresa e quanto maior esse percentual, mais influencia a área tem em alavancar resultados para a corporação.
Custo por Pedido de Compras. Este indicador mede o custo médio para emissão de um pedido de compras, através do processo de Suprimentos, o que ajuda a medir a eficiência do processo de Suprir-ao-Pagar, ou, em inglês, Procure-to-Pay. A medida desse indicador é obtida pegando o custo geral de Suprimentos e dividindo pela quantidade de pedidos criados em determinada medida de tempo (medida geralmente mensal). Em companhias maiores ou melhor estruturadas, esse indicador pode ser subdividido em Custo por Pedido de Compras Spot e Custo por Pedido de Compras Automático, e essa subdivisão pode ser usada tanto para ratear de forma mais justa os custos de Suprimentos nos centros de custos das áreas usuárias de forma a beneficiar aquelas áreas que mais fizeram uso de processos automatizados (catálogos de compras), cujos custos de processamento são menores por querer menos intervenção humana.
Automatização de Pedidos de Compras. Este indicador está em crescente importância para quem busca uma transformação digital (evolução para soluções automatizadas via adoção de catálogos, robótica, inteligência artificial, sem papel e com mínima interferência humana) de seus processos e em tornar a cadeia de suprimento mais transparente. A medida é feita comparando o número de pedidos gerados de forma automática com o numero total de pedidos gerados. Outra opção seria usar linhas de pedidos de compras gerados automaticamente em comparação com o total de linhas de pedidos geradas no mês. A grande vantagem de comparar linhas de pedidos ao invés de pedidos de compras está no volume e na centralização que uma automação permite. Sob a ótica do fornecedor, é melhor e mais eficiente processar menos pedidos do que uma série de pedidos picados. Assim sendo, é possível estabelecer um processo no qual se concentre a cada dia ou outro período de tempo todas os requerimentos que fazem uso de catálogos para um fornecedor e então ao fim deste período, digamos por dia, emitir um único pedido que será então processado e entregue de uma só vez na unidade de destino. Isso confere vantagens também para o processamento interno na empresa que receberá os itens e terá que processar somente 1 nota fiscal ao invés de múltiplas.
Compras Emergenciais. Este indicador é bom para medir quantos processos tiveram que ocorrer fora da área de Suprimentos devido à alguma emergência ou quando o tempo entre o surgimento da necessidade até o abastecimento não permitiu a participação da área de Suprimentos. Geralmente entende-se que é normal que do gasto tipicamente atendido por Suprimentos tenha aproximadamente 5% sendo realizado diretamente pelas áreas usuárias dentro dessa modalidade de compras emergenciais. Uma observação: esse percentual de compras emergenciais não deve incluir as compras delegadas por Suprimentos para as áreas usuárias, ou seja, não inclui os pedidos de compras de regularização cuja negociação não foi feita por Suprimentos em virtude de sua natureza técnica ou outras questões comerciais, nas quais a participação de um agente de Suprimentos além de não agregar valor pode até comprometer o abastecimento.
Cesta Básica de Compras ou Inflação Interna de Indiretos e Não-Matéria Prima. Trata-se de um indicador que ao mesmo tempo é estratégico como também suporta no planejamento dos orçamentos de uma companhia nos médio e longo prazos. Cesta básica nada mais é do que a seleção de itens (produtos e serviços) que tem maior consumo e importância para um negócio para avaliar a flutuação dos preços ao de um período de tempo. Em Suprimentos isso possível através de uma análise ABC de gastos, tomando como linha base os 20% dos itens que impactam 80% do gasto geral. Para estes itens, duas informações são imprescindíveis: quantidade e valor unitário. Dada as variabilidades de um negócio, a cada ano uma nova linha base deve ser definida, para que o indicador seja representativo e útil para fins de planejamento e medição de resultados. Assim sendo, torna-se extremamente necessário que seja construída uma ampla base de dados e que esta esteja saneada, ou seja, que cada item tenha um código de identificação único para que busque de forma regressa os dados de quantidade e valor unitário dos itens que compõe a cesta básica. A partir desse levantamento, surge então a necessidade de se transformar essa informação em um índice comparativo, similar às medidas tradicionais de inflação, na qual se toma uma data específica como referencial que será chamado de índice base 100. A partir desse índice 100 é que toma a variação de preços (passado, corrente e projetada) para medir as variações mensais e anuais do indicador. Uma vez estabelecido o índice, é possível também fazer previsões de aumento futuro com base em dados e/ou relatório de mercado para os grupos de categorias gerenciados. O grande cuidado que se deve ter em adotar esse indicador, e talvez seja esse o motivo para muitas empresas não o mensurarem, é que a para o mesmo item, em especial os de estoque, pode haver medidas unitários diferentes entre o consumo e a compra. Por exemplo, fios elétricos são costumeiramente solicitados pelas áreas usuários em metros, mas a compra é feita em pacotes, bobinas ou simplesmente uma “unidade” com 50 metros; ou então chapas de aço que são adquiridas usando medidas de quilos ou toneladas, mas requisitadas para o Almoxarifado em metros quadrados. São muitos os exemplos de uso distintos de unidades de massa, volume ou comprimento que pode ser trazido num relatório de gastos mensal e anual e por isso que se deve ter uma forma de converter esses dados, preferencialmente de forma automática e se possível diretamente no sistema ERP, para que não se consuma um tempo excessivo na “normalização” da informação. Lembro-me de colegas que ficavam literalmente 15 dias para finalizar essa normalização todos os meses. Então fique atento à esse aspecto e prepare bem sua base de dados para que se obtenha um indicador CONFIÁVEL e de FÁCIL MANUTENÇÃO!!
Ciclo de Compras de Suprimentos. Este indicador indica a eficiência de Suprimentos em atender às necessidades, medido em dias entre o recebimento de uma requisição de compras e a data de emissão de um pedido de compras para um fornecedor selecionado. Quanto menor esse indicador, mais eficiente e dinâmico um processo de Suprimentos. Essa informação também é importante ser comunicada para as áreas usuárias, pois isso permite que essas possam planejar, programar melhor suas atividades quando da necessidade de obter um item tipicamente negociado por Suprimentos, em especial para gestão de estoques e na gestão de projetos.
Lead time ou Prazo Total de Ressuprimento (PTR). Termo muito usado é em inglês que referencia o tempo tomado entre a emissão de uma requisição de compras por parte do almoxarifado até a liberação do item para uso na unidade na unidade. Note que se trata de um indicador complexo, pois leva em consideração o ciclo de compras de Suprimentos, tempo de fabricação, tempo de entrega/ logística, tempo de inspeção e tempo de processamento físico e fiscal na nota fiscal. O PRT é uma das informações mais importantes para um gestor de materiais, pois sem ele não é possível calcular adequadamente o ponto de ressuprimento, estoque mínimo e estoque de segurança para os itens mais importantes de uma unidade fabril ou operação logística. Por impactar toda a gestão de estoques, ele traz consequências para o capital de giro da companhia e por isso deve ser considerado como um indicador financeiro.
Redução em Capital de Giro. Suprimentos tem a habilidade de influencia o capital de giro de uma companhia quando busca soluções que podem reduzir sensivelmente a quantidade de itens em estoque, ou quando adota outras modalidades de fornecimento como por exemplo loja in-company, vending machines ou até venda por consignação ou estoque gerenciado pelo fornecedor. Quando Suprimentos se torna mais ágil ou elege fornecedores mais eficientes, os tempos consumidos no PTR se reduzem e isso pode se refletir num estoque “mais enxuto”, ou seja, são necessários menos quantidade dos mesmos itens para manter a segurança operacional. Esse ganho pode ser contabilizado como Redução de Capital de Giro. Por outro lado, quando um fornecedor monta uma “lojinha” dentro da planta, ou quando se adota uma vending machine, estoque gerenciado pelo fornecedor ou venda consignada, independentemente da quantidade de itens armazenados no estoque, o custo faturado para a empresa só ocorre quando um desses itens “sai” do estoque. Ou seja, a empresa só vai pagar pelo item no momento exato do uso e não na estocagem do mesmo. Logo, mesmo que não se tenha algum ganho em saving ou avoidance direto no preço do item, há a possibilidade de se contabilizar o ganho em capital de giro liberado por essas modalidades.
II.
Indicadores de Retorno Não-Financeiro por Suprimentos
Grau de Concentração de Fornecedores. Quando se realiza atividades de gestão de gastos, é de se esperar realizar uma análise ABC dos gastos para saber quais itens ou categorias são as mais importantes para a corporação. Pelo lado do fornecedor isso não é diferente, mas o objetivo é outro: queremos saber quão dependentes estamos na nossa base de fornecedores! Depender de poucos fornecedores pode ser um risco para Suprimentos e um risco evitável. Por outro lado, ter muitos fornecedores na base reduzem o potencial da área em alavancar bons resultados além de gerar custos extras de manutenção destes no mestre de fornecedores nos sistemas usados pela companhia. Logo, uma companhia “saudável” é aquela que consegue também manter o grau de concentração na ordem 80-20, ou seja, no geral e por categoria, é de esperar que 80% do seu gasto esteja distribuído em cerca de 20% dos fornecedores. Se a medida de concentração estiver perto desses 20%, então podemos dizer que a operação está equilibrada, caso contrário já se pode definir planos de expansão ou redução de fornecedores ao longo do próximo ciclo fiscal.
Eficiência Média de Compradores. Indicador medido usando o número total de pedidos de compras emitidos em um mês dividido pelo total de colaboradores da área sob a ótica de FTE (full time equivalent). Com este indicador é possível medir a produtividade de Suprimentos, já que quanto mais pedidos de compras um profissional puder gerenciar, menos pessoas serão necessárias para suportar o processo. Este indicador também pode ser melhor expressado em linhas de pedidos, pois quando bem treinado um comprador buscará obter um maior poder de barganha concentrando requisições de compras num mesmo lote de negociação e emitindo um único grande pedido.
Acuracidade de Pedidos de Compras. Depois que um pedido de compras é emitido há ainda a necessidade de se processar o recebimento físico e fiscal da mercadoria ou serviço tomando com base o próprio pedido de compras, já que ele é o documento formal na empresa que traz dados contratuais como descrição do item, quantidade solicitada, preço unitário, impostos e local de entrega. Todos esses itens devem estar em plena conformidade com a nota fiscal para que essa seja aceita, processada e liquidada. Portanto, é importante medir quantos pedidos não permitiram o devido processamento dos itens adquiridos, já que os tempos consumidos para correções impactam o nível de serviço de Suprimentos, o lead time de ressuprimento e a eficiência do comprador (já que o tempo perdido com correção de pedidos deveria ser usado para novas negociações e emissão de novos pedidos de compras). Como premissa, deve-se assumir que um comprador emite pedidos “perfeitos” na maioria das vezes e por isso é que a aferição desse indicador deve ser feita com base na exceção, ou seja, deve-se registrar os casos que requerem ajustes nos pedidos de compras em algum sistema para então usar isso para se calcular a acuracidade. O índice é calculado da seguinte forma: (número de pedidos gerados – número de pedidos que ficaram retidos para ajustes) / número de pedidos gerados.
Confiabilidade de Fornecedores (vulgo OTIF = On-Time-In-Full). A habilidade de um fornecedor responder às demandas da organização pode ser traduzida em um indicador da seguinte forma: número de pedidos de compras entregue na plenitude (tanto com relação ao tempo de entrega quanto à quantidade entregue) pelo fornecedor dividido pelo número de pedidos de compras emitidos para o mesmo. Saber que um fornecedor é capaz de atender aos pedidos no prazo que são requeridos torna a avaliação do fornecedor mais objetiva e permite uma melhora no relacionamento com o mesmo e um aumento geral de eficiências. Uma cadeia de suprimento ininterrupta só é possível quando este indicador atinge 90% ou mais.
Pontualidade de Entrega de Fornecedores. Um processo de negociação, de Suprimentos, começa quando surge uma necessidade no usuário e este, finalmente, recebe o que precisa. Por esse motive Suprimentos deve então medir se seus fornecedores estão entregando os itens solicitados dentro do prazo requisitado. Este prazo de entrega DEVE estar no pedido de compras, já que este é uma extensão do, quando não o, contrato formal com o fornecedor. Logo, este indicador é medido comparando a data de entrega do item na unidade (caso o frete esteja por conta do fornecedor) ou a data de emissão da nota fiscal (quando o frete é por conta do comprador) com a “data contratada” contida no pedido de compras. Aqui também deve-se estabelecer um processo de medição por exceção, pois é de se esperar que só façamos negócios com empresas sérias que cumprem, na maioria das vezes, seus acordos. Logo, a acuracidade é medida através da fórmula: (total de linhas de pedidos solicitados – total de linhas em desacordo com a “data contratada” do pedido de compras) / total de linhas de pedidos solicitados.
Não-Conformidade de Fornecedores. Assim como foi dito no indicador de pontualidade de entrega, esperamos que um fornecedor entregue o(s) item(ns) conforme especificado no pedido de compras ou especificação técnica enviada anteriormente. Cabe à operação fazer essa verificação quando do recebimento ou durante a etapa de inspeção, para se assegurar que foi recebido exatamente o que fora solicitado. Logo, cabe à operação também registrar as exceções de quando um item entregue não está em conformidade com o pedido ou especificação. Este indicador é medido através da fórmula: (total de linhas de pedidos solicitados – total de linhas em não conformidade com pedido ou especificação) / total de linhas de pedidos solicitados.
Índice Médio de Qualificação de Fornecedores. Este indicador visa medir de forma mais ampla o grau de qualificação de um fornecedor dentro da cadeia de abastecimento de uma empresa. Por essa razão é um indicador que muitas vezes é liderado pela área de Qualidade (ou análoga) para sejam levantadas todas as falhas cometidas ou causadas pelo fornecedor ao longo do fornecimento. Este índice é o resultado de um scorecard complexo que possui ao menos as seguintes perspectivas: Avaliação da Entrega, Desempenho Técnico/ de Qualidade e Aspectos Comerciais. Portanto não há uma fórmula específica para obter esse indicador, mas requer um bom trabalho conjunto entre Operação, Qualidade, Regulatório, Logística e Suprimentos para que se tenha um bom sistema de registro e o indicador possa ser rastreado até o nível de SKU, ou código de material. Nessa divisão de tarefas, o mais comum é que Suprimentos seja responsável por comunicar de forma frequente os resultados para os fornecedores e requerer que um plano de ação seja submetido para avaliação da área de Qualidade quando necessário.
Risco Médio de Fornecedores. Este é um indicador que pode ter faces diferentes então a primeira pergunta a ser respondida é: qual risco pretende-se medir, os riscos internos ou externos? Caso a empresa esteja mais preocupada com os riscos internos que o fornecedor pode trazer, este indicador deverá ser um composto de grau de responsividade do fornecedor, confiabilidade do fornecedor e acuracidade de processamento fiscal. Caso a empresa queria medir os riscos externos, ou seja, caso a preocupação é saber a “longevidade” ou sustentabilidade financeira de sua cadeia de fornecedores, outras ferramentas deverão ser usadas para aferir essa medida de risco. Há ferramentas de mercado como SERASA, Dun & Bradstreet e outras que permitem fazer um levantamento primário do risco econômico ou de crédito que companhias possuem. Com base nesse levantamento primário, é possível auferir um grau de risco financeiro geral dessa base de fornecedores e também escalar para uma etapa de investigação mais profunda aqueles fornecedores cujo risco é superior à um limite aceitável. Notem que independentemente do objetivo de risco, esses processos de atribuição de risco são onerosos e querem tempo para processamento, de forma que a primeira etapa para medir o risco é saber quais fornecedores requerem um acompanhamento periódico. Recomenda-se que se extraia essa informação da etapa de gestão de categorias, na qual, através de uma matriz Kraljic se identificou as linhas de fornecimento e fornecedores que caem nos quadrantes Estratégico e Bottleneck (de maior risco). Para essas categorias é que um indicador de medição de risco se torna eficaz.
Temos aqui então apenas alguns dos principais indicadores usados por Suprimentos, mas eu não incluí os que são mais específicos para gestão de materiais e de almoxarifado, pois nem sempre esse setor está debaixo de Suprimentos. No entanto podemos ver que independente das perspectivas (financeira ou não) teremos iniciativas que irão criar valor adicional ou então proteger algum valor da companhia.
Importante é sempre estar bem alinhado com os stakeholder, os clientes internos da sua operação para saber o que se vai medir e para quem apresentar cada indicador, já que alguns indicadores são considerados como estratégicos e outros mais operacionais. Aqueles que são estratégicos devem ser apresentados regularmente para a alta direção, enquanto outros devem ser usados para conscientização dos demais níveis da empresa (educação e treinamentos) ou para consumo interno de Suprimentos.
Essa visão de indicadores também é imprescindível quando da implementação de sistemas especializados em processos de Suprimentos, pois quando mais automatizada fora extração desses dados, mais confiável o processo e mais ágil a sua gestão.
Por Rafael Augusto Vendramini