EDIÇÃO ATUAL: JUN. 26
Euphoria, 3ª temporada. Foto: Prime Vídeo
É possível que um final "eufórico" anule uma temporada repleta de problemas?
Por: Yuri Viana
Tendo seu primeiro episódio lançado no dia 16 de junho de 2019, a série inicialmente abordava a vida de um grupo de adolescentes vivendo o ensino médio em um subúrbio dos Estados Unidos. Com nomes como, Zendaya, Hunter Schaefer e Jacob Elordi integrando o elenco, a produção chamou a atenção do público e da crítica especializada por retratar a juventude de uma forma não glamourizada, dando ênfase nos dramas vividos por adolescentes com dependências químicas e questões de saúde mental.
Misturando a trama intrigante com a direção de fotografia do diretor húngaro Marcell Rév e as maquiagens vibrantes e icônicas de Doniella Davy, a série rapidamente se tornou um fenômeno também nas redes sociais por sua estética única, marcada pelo brilho e pela cor roxa. Outro ponto que virou marca registrada da série foi a trilha sonora assinada por Labirinth, que contava com os hits “Still Don't Know My Name” e “All For Us”.
A terceira temporada e última da série foi lançada a partir de abril de 2026, com episódios semanais aos domingos. Com um salto temporal de cerca de 5 anos, a série agora acompanha Rue (Zendaya) sendo uma jovem adulta, que se vê obrigada a trabalhar como uma mula do tráfico para pagar uma dívida que contraiu durante os eventos da segunda temporada.
Os problemas desta temporada começam já na produção, com a saída de diversos profissionais que trabalhavam nos bastidores e a exclusão de Labirinth da trilha sonora (ausência que seria profundamente sentida ao decorrer dos episódios). Além da baixa de profissionais, a temporada também enfrenta uma mudança um tanto brusca de fotografia, abandonando de vez os tons frios que a caracterizavam anteriormente.
Sendo lançada 4 após após o encerramento da segunda, a nova temporada de Euphoria precisou enfrentar o desafio de atualizar os espectadores do que aconteceu na vida dos personagens durante o salto temporal, iniciar e desenvolver uma trama que os unisse e apresentar uma conclusão satisfatória para todos os núcleos criados; E posso dizer que falhou em todos estes fatores. Com personagens tendo seus traços de personalidade apagados ou sendo completamente deixados de lado, como a personagem de Hunter Schaefer, Jules, que teve ao todo menos de 20 minutos de tempo de tela. A História parece apresentar superficialmente diversas tramas e não aprofundar ou concluir nenhuma delas, deixando uma impressão de que tudo foi feito na pressa, apenas para entregar o produto e finalizar a obra, sem se preocupar com a qualidade.
Apesar de todo o desleixo com a obra, a temporada ainda tem alguns pontos positivos, sendo alguns deles as performances dramáticas de Zendaya, Colman Domingo e Adewale Akinnuoye-Agbaje. Outro ponto alto desta nova fase são os figurinos, especialmente os que são usados pela personagem Maddy Perez, interpretada com maestria por Alexia Demie, que agora fora do colegial adota um guarda roupa mais maduro, com itens de marcas de luxo.
Mesmo com todas as polêmicas, “Euphoria” se consagrou ao longo dos anos como uma das séries mais memoráveis de todos os tempos, sendo responsável por lançar nomes ao estrelato e render dois Emmys (até o momento) para Zendaya.
Nota final: 4/10
EDIÇÕES ANTIGAS:
Manual de Assassinato Para Boas Garotas. Foto: Decider
Por: Yuri Viana
Ambientada na pequena cidade de Little Kilton, Inglaterra, a série tem como protagonista Pippa Fitz-Amobi (Emma Myers), uma jovem de 18 anos que na primeira temporada resolveu o mistério ao redor de duas mortes que ocorreram na cidade há cinco anos. A segunda temporada mostra Pip lidando com as consequências de atos cometidos na primeira e embarcando em um novo mistério quando o irmão de um de seus melhores amigos desaparece misteriosamente.
Ao contrário da primeira temporada lançada em 2024, desta vez a série traz a autora dos livros originais, Holly Black como uma das roteiristas. A escritora foi responsável por manter a fidelidade da obra aos livros, ponto que foi muito criticado anteriormente pelos fãs, que apontaram mudanças de personalidade em certos personagens e cenas icônicas que foram totalmente cortadas. Novos nomes integram o elenco nesta temporada, como o ator Misia Butler, Eden H. Davis e Freddie England. Esta temporada, apesar de não possuir quase que alguma divulgação, consegue se redimir com o público e prepara o terreno para uma possível terceira temporada, que segundo rumores, já foi gravada.
Desta vez, “Manual de Assassinato para Boas Garotas” tem uma abordagem um tanto mais madura e trata de assuntos obscuros de uma maneira séria e dentro so possível, real. Com o julgamento do personagem Max Hastings por uma série de abusos sexuais sendo um dos pontos centrais desta temporada, a série transmite a frieza dos movimentos feitos por Max, que a todo momento tenta convencer todos ao seu redor que é inocente para que saia impune. Em paralelo, as emoções de todas as vítimas são sentidas também pelos espectadores, que veem momentos avassaladores sendo vividos por elas.
Por fim, em um momento de extrema importância como este em que vivemos, onde os corpos e direitos das mulheres são ameaçados todos os dias, seja pela sociedade misógina, ou por políticos que tentam derrubar políticas públicas que prezam pela segurança deste grupo, a segunda temporada de “Manual de Assassinato para Boas Garotas” mostra que o sistema é falho e que nem sempre a justiça deve ser buscada apenas através do sistema jurídico.
Virada Cultural 2024, no Centro de São Paulo. Foto: Edson Lopes Jr./SECOM/PMSP
Por: Giovana Silva
Realizado desde 2005 na capital paulista, a Virada Cultura é um mega evento realizado em diversos pontos da cidade. Descentralizando o acesso ao lazer, ocupa ruas, praças, parques e centros culturais em diversas zonas da cidade, e conta com formato singular de 24 horas ininterruptas de atrações gratuitas. Em 2026, o festival ocorreu nos dias 23 e 24 de maio com mais de 1.200 atividades em 20 palcos e espaços culturais oficiais e contou com shows de grandes nomes do rap feminino nacional.
O protagonismo feminino no cenário do rap nacional já não é mais novidade para o público. Com letras que abordam temas como identificação, vivência, autoestima e empoderamento, a nova geração de artistas vem consolidando seu espaço e transformando a cena. Nomes como Ajuliacosta, Tasha & Tracie, Ebony, Duquesa e MC Luanna foram alguns dos destaques que brilharam nos palcos durante o fim de semana, reforçando a força feminina dentro do rap nacional.
Destaques
Dona dos hits “Extraordinária” e “Espero que entendam”, Ebony está rodando o país com a turnê “KM2 (De Luxo) Tour” e fez sua estreia no festival arrastando um público, majoritariamente jovem e feminino, com um discurso potente sobre o fim da comparação entre homens e mulheres dentro da cena do rap.
Com o estrondoso album “Novo Testamento”, Ajuliacosta marcou presença na Virada Cultural com show recheado de deboche e personalidade, fazendo o público responder alto no palco Arouche ao dar uma declaração sobre o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Cantando pela segunda vez no festival, Duquesa arrastou o público e declarou ter se sentido em casa no palco na zonal sul de São Paulo. Já Mc Luana, apresentou seu novo álbum intitulado "Irrefreável", no Palco Arouche e incluiu incluiu sucessos como "Maldita" e "99 Problemas". E, donas de uma estética inconfundível, as irmãs Tasha e Tracie se apresentaram no palco Grajaú.
Pôster Michael. Foto: Imdb
Por: Giovana Silva e Isaque Ramos
A cinebiografia de Michael Jackson chegou aos cinemas cercada de expectativa, e não apenas pelo tamanho do legado do artista. Antes mesmo da estreia, o longa já acumulava uma sequência de controvérsias nos bastidores, transformando a produção em um enredo à parte. Os direitos de produção do filme foram adquiridos em 2019, mas o projeto levou alguns anos para sair do papel. As filmagens principais só começaram em 2023 e, desde então, passaram por ajustes. O roteiro inicial contava a história do astro de forma ousada, onde a obra começaria com as acusações e investigações de Michael por abuso sexual a partir da década de 90. Mas em 2024, parte do material foi descartado e precisou ser regravado, o que se repetiu no ano seguinte, quando novas mudanças impactaram diretamente o final da produção.
A regravação realizada em 2025, foi motivada por uma cláusula contratual que proibia a citação de Jordan Chandler, que acusou Michael Jackson de abuso sexual. A exigência obrigou a equipe a reformular trechos importantes do roteiro, incluindo o final do filme. A trama então começaria com a infância do cantor e encerraria no auge da carreira do artista. O elenco se reuniu mais uma vez para filmar a nova versão do encerramento, em uma etapa que durou 22 dias e adicionou cerca de 15 milhões de dólares ao custo total da produção. As mudanças levantaram questionamentos sobre a versão controlada e podada de Michael Jackson que seria passada para o público.
Outra polêmica que cerca o filme vem da própria família Jackson, onde as opiniões acerca da produção divergem de forma intensa. Mesmo com o tom familiar do longa, com o próprio sobrinho de Michael, Jaafar Jackson, dando vida ao rei do pop, outros parentes se posicionaram contra a obra. Janet Jackson, segundo nome mais conhecido da família, optou por não ser citada no longa e Paris Jackson, filha do meio do artista, denominou o filme como “desonesto” e teria dado sugestões para a trama que foram desconsideradas.
Mesmo em meio a tantas controvérsias, o desempenho nas bilheterias reforça a força do nome de Michael Jackson. Logo em seu fim de semana de estreia, o longa superou os números de Bohemian Rhapsody, ganhador de 7 Oscar e que até então reinava entre os maiores sucessos de cinebiografia. As críticas do filme também chamaram atenção, na plataforma Rotten Tomatoes, um dos principais portais de críticas online, a porcentagem de apenas 38% das 150 avaliações profissionais é suficiente para que ela seja classificada apenas como podre, pior classificação do site. A opinião dos fãs, por outro lado, é considera mais favorável ao longa, com a aprovação do público de 95% na mesma plataforma, superando, por exemplo, títulos como Oppenheimer (91%), Avatar: O Caminho da Água (92%) e até o vencedor do Oscar de Melhor Filme Parasita (90%).
Resenha (Isaque Ramos)
Lançado com o peso de ser a tão aguardada cinebiografia do Rei do Pop, "Michael" (2026), dirigido pelo norte-americano Antoine Fuqua, chega aos cinemas como um espetáculo de escala gigantesca, mas que caminha sobre uma linha tênue entre a homenagem justa ao Rei do Pop e aparente falta de interesse ao mostrar um Michael mais “pessoal”
O grande trunfo do longa é, sem dúvida, Jaafar Jackson. O sobrinho do astro não apenas reproduz com maestria os passos de dança e o timbre vocal de Michael, ele encarna a vulnerabilidade misturada com uma energia encantadora em cima dos palcos que marcaram a carreira do artista. Em sequências que recriam momentos icônicos como o icônico especial Motown 25 (onde o astro reproduziu pela primeira vez o famoso “Moonwalk”, e, dizem, que foi ali que nasceu o “Rei do Pop”), além das gravações do clipe de Thriller. É interessante observar como o filme em muitos momentos deixa de ser apenas um biografia, se transformando em uma verdadeira sessão hipnótica, somando os passos de dança de Michael (reproduzidos por Jaafar) aos grandes sucessos do cantor.
Narrativamente, o roteiro de John Logan opta por um recorte cronológico que vai da infância com os Jackson 5 (na segunda metade da década de 60) até o auge da turnê Bad, em 1988. Essa escolha permite que o filme foque na ascensão meteórica de Michael, que ainda criança já era o grande destaque do coletivo formado com seus irmãos. Por outro lado, a escolha de encerrar (por mais que uma sequência seja iminente), pode parecer que parar o filme por ali serviu como uma espécie de “escudo”, já que, ao encerrar a trama antes das polêmicas criminais que marcaram a década de 90 em diante, a produção (que conta com a participação da família de Jackson) entrega uma visão "higienizada" do astro.
A relação traumática com de Michael o pai Joe Jackson (muito bem interpretado por Colman Domingo vale dizer) é o momento mais tenso e emocional da trama. Ao mesmo tempo que Joe é retratado como a pessoa que deu o “start” na carreira de Michael, ele também é mostrado como uma figura muito cruel, privando Michael de ter uma infância normal, fato que causou um certo “isolamento” do cantor com o seu pai anos mais tarde. Essa relação, aliás, é o único ponto alto da vida pessoal de Michael retratado no filme.
Por fim, vale dizer que o longa é impecável no sentido produção, tanto as performances de Michael e do Jackson 5 são extremamente hipnotizantes, isso sem falar, é claro, da caracterização de Jaafar, que chega a impressionar. Por outro lado, o filme peca ao não mergulhar a fundo na vida do jovem Michael, algo que, sabendo o quanto o astro era reservado quanto a sua vida pessoal, é de se entender, mas a impressão em certos momentos é de que estamos assistindo um filme sobre a trajetória de um astro qualquer, e não do Rei do Pop.
Super Mario Galaxy: O Filme. Foto: Divulgação
Por: Henrique Pereira
Lançado nos cinemas brasileiros no dia 1° de abril e produzido em parceria com a Universal Pictures e a Illumination, Super Mario Galaxy rapidamente se consolidou como um fenômeno de bilheteria, atraindo multidões e reafirmando a força da franquia criada pela Nintendo. No entanto, apesar do desempenho expressivo nas salas de exibição, o longa vem enfrentando críticas contundentes por parte dos fãs mais exigentes.
A produção, que expande o universo já conhecido do encanador mais famoso dos videogames, aposta em uma narrativa acelerada e repleta de sequências de ação. Visualmente ambicioso, o filme investe em cenários vibrantes e coloridos, movimentações dinâmicas e referências diretas ao jogo Super Mario Galaxy, o que tem agradado especialmente ao público mais casual e familiar.
Por outro lado, parte da comunidade tem demonstrado insatisfação com o resultado final. Entre as principais críticas, estão a ausência de uma trama mais consistente e a sensação de desconexão entre os eventos apresentados. Os eventos são pouco conectados entre si, como se o roteiro servisse apenas de ponte entre as cenas e não existisse um enredo propriamente dito.
Nas redes sociais, comentários apontam que o filme prioriza o espetáculo visual em detrimento do desenvolvimento narrativo, resultando em uma experiência superficial. Além disso, a entrada e saída dos personagens sem desenvolvimento consistente também é alvo de críticas. Em resumo: há ação, há energia, mas não há construção.
Essa escolha criativa evidencia um grande problema que tem sido recorrente em adaptações de videogames: até que ponto vale priorizar a fidelidade estética ao jogo em detrimento de uma narrativa mais sólida? No caso de Super Mario Galaxy, a resposta parece pesar para o lado visual, o que ajuda a explicar a divisão entre o público casual e os fãs mais críticos.
Ainda assim, o filme funciona como um entretenimento imediato, mesmo que dificilmente se sustente na memória do público. Resta saber se, para a Nintendo, isso é suficiente. Os números indicam que, por enquanto, sim, apesar de dividir bastante as opiniões entre os fãs.
Segunda temporada de Demolidor: Renascido está disponível no Disney+. Foto: Marvel Television
Por: Rafael Bittencourt
Como foi visto na primeira temporada, Wilson Fisk, o Rei do Crime, se tornou o prefeito de Nova York. Com uma política de que a criminalidade era culpa dos vigilantes que tentam lidar com os crimes, ele implementou a Força Tarefa Anti-Vigilantes (AVTF), completamente autoritária e ditatorial, a fim de acabar com todos que tentam fazer justiça com as próprias mãos.
Em 6 meses entre uma temporada e outra, Fisk cria uma imagem nada orgânica da cidade, com propagandas comerciais falsas de que a cidade está perfeita, mais segura e melhor do que era antes. Com o logo “Nova York: Renascida”, o mesmo nome da série, usa-se uma brincadeira com a metalinguagem da realidade e a ficção com o propósito de mascarar a verdade sobre o prefeito. Do outro lado, Matt Murdock, o Demolidor, tenta lidar com toda essa força tarefa junto de sua amiga e agora, par romântico, Karen Paige. Com uma nova demonstração da percepção dos sentidos, o demônio de Hell’s Kitchen parece mais combatente do que o da primeira temporada. Mostrando esse lado mais vigilante e visceral, a série lembra bastante o período produzido pela Netflix, o qual não tinha apenas a predominância do lado investigativo, mas a porcentagem de agressividade e violência que todos os fãs gostam de ver nas histórias do Demolidor.
Ademais, Matt também terá que lidar com o retorno dos ataques de Benjamin Poindexter, o Mercenário, agora caçado por também ser visto como vigilante, porém matando todos que ultrapassam seu caminho do jeito mais “Mercenário” possível. Apesar de não ser o protagonista, todas as cenas que Poindexter está presente, carregam consigo um ar sombrio e de psicopatia que apenas ele seria capaz de proporcionar. Com uma angústia, você olha todos os componentes presentes na cena e pensa em como ele transforma tudo em uma arma mortal. Após isso, é só esperar por uma cena icônica de um dos melhores antagonistas da série.
A segunda temporada é tudo o que a primeira deveria ser. Com a qualidade de produção gigantesca da Disney+ e com o mesmo DNA de quando a série era produzida pela Netflix, essa compatibilidade entrega uma das melhores séries de super-heróis. Com um lado político, religioso e criminal, a segunda temporada de Demolidor: Renascido é um recomeço para a próxima fase do Universo Cinematográfico da Marvel, e sinceramente, estou bastante animado para o que o futuro nos reserva…
Capa do álbum Nevermind. Foto: Decore Pronto
Por: Augusto Oliveira
Como se não bastasse ser uma das maiores bandas de rock de todos os tempos e extremamente influente para todos os músicos que vieram depois dele, o Nirvana e seu vocalista e líder Kurt Cobain se tornaram os representantes de uma geração inteira. Fundada por Kurt ao lado do baixista Krist Novoselic, a banda teve Dave Grohl como principal baterista. Seguiu no auge com essa formação, que, em meio à ascensão do movimento grunge em Seattle, foi responsável por levar esse movimento ao mainstream (e, consequentemente, acabar com ele) com o álbum Nevermind, de 1991, que desbancou o Rei do Pop Michael Jackson e é até hoje reconhecido como um dos maiores álbuns de todos os tempos. Para relembrar a trajetória da banda, interrompida pelo fim trágico de Kurt Cobain, é necessário explicar o que foi o movimento grunge.
O grunge foi um movimento nascido no final da década de 80 em Seattle, EUA. Com um som que mistura elementos do heavy metal e do hardcore punk, as letras abordam temas como solidão, abuso e problemas psicológicos. Além disso, o movimento como um todo rejeitava fortemente a configuração do rock mainstream que dominou a década de 80: atitudes machistas e homofóbicas (apesar das aparências extravagantes que tomaram conta da cena), exaltação de uma masculinidade tóxica e idiota, comercialização e espetacularização da música. Isso levava os músicos grunge a se apresentarem de forma simples e desleixada, com roupas comuns, muitas vezes de brechós, em contraste com a estética extravagante e cara do rock new wave e do hard rock, por exemplo; e shows cheios de energia e êxtase, focados no público presente e que deixavam a mídia e o espetáculo em segunda plano.
E o primeiro álbum de estúdio da banda — Bleach — é intimamente ligado ao grunge. Com Chad Chenning na bateria e lançado em 1989 sob o selo da Sub Pop, gravadora-símbolo do movimento, o álbum é caracterizado por um instrumental pesado e um vocal distorcido típicos do grunge e impróprio para as paradas de rádio. Talvez por esse motivo não tenha estourado a bolha de Seattle: só foi alcançar relativo sucesso comercial após seu relançamento em 1992, quando o Nirvana já tinha alcançado o mainstream mundial. Nesse ponto, destacou-se a música "About a Girl", uma canção pop que contrastava fortemente com o restante das faixas e que se tornou um dos grandes sucessos da banda. Influenciado pelos Beatles, Kurt a compôs para sua namorada na época, Tracy Marander. A música teve uma versão acústica no álbum MTV Unplugged, de 1994.
Se o primeiro álbum teve sua circulação limitada ao movimento grunge de Seattle, o segundo foi o extremo oposto. Nevermind, lançado em setembro de 1991 pela DGC Records, foi gravado com Dave Grohl na bateria. O álbum obteve um sucesso absoluto, contrariando as expectativas iniciais da gravadora de vendas modestas. Impulsionado pelo vídeo clipe de "Smells Like Teen Spirit", reproduzido incessantemente nos canais da MTV, Nevermind desbancou o álbum Dangerous, do lendário Rei do Pop Michael Jackson, nas paradas da revista Billboard em janeiro de 1992. A essa altura, o disco vendia centenas de milhares de cópias por semana. A arte da capa do álbum, com um bebê tentando alcançar uma nota de um dólar dentro de uma piscina, se tornou uma das mais icônicas da história da música. Eram o grunge e o rock alternativo invadindo o mainstream.
Contrastando com o som pesado que caracterizava o grunge e o disco anterior da banda, Nevermind apresentava uma sonoridade predominantemente polida e com uma dinâmica calmo-barulhento entre as músicas, algo presente em praticamente todas as faixas. Além do já mencionado "Smells Like Teen Spirit", outro single que fez um sucesso estrondoso foi "Come as You Are". As faixas"In Bloom" e "Lihtium" também foram promovidas como singles.
Apesar da sonoridade mais pop, é nítida, também, a influência do punk rock em boa parte das composições. Por exemplo, as letras dos dois principais singles já mencionados carregam um teor sarcástico característico do movimento punk. As faixas "Breed" e "Territorial Pissings", as mais aceleradas do álbum, também sofrem nítida influência instrumental do punk rock.
O sucesso inesperado de Nevermind atirou para o mainstream não só o Nirvana, mas toda a cena musical de Seattle. Ao lado do Nirvana, Pearl Jam, Alice in Chains e Soundgarden também faziam sucesso mundial. Se, por um lado, isso permitiu uma verdadeira revolução no mainstream da música, desbancando as atitudes machistas e comerciais que essas bandas sempre se propuseram a combater, também permitiu um forte assédio da mídia sobre o movimento. O que era, na verdade, uma cena heterogênea, diversa e autêntica foi distorcido pela mídia e apresentado para o mundo como uma comunidade totalmente coesa. A atitude anti-comercial era transformada em um produto comercial. Se iniciava um forte movimento de marketing que criava a "moda grunge", com marcas de roupa famosas vendendo peças simples e cotidianas, como camisas de flanela e bonés de malha, por preços elevados. Ao mesmo tempo, bandas que nunca estiveram vinculadas ao grunge se mudavam para Seattle em busca de fechar contratos com grandes gravadoras. A exploração da subcultura do grunge foi comparada pela The New York Times à exploração da disco music, do punk rock e do hip hop nas décadas anteriores.
Em paralelo a isso, Kurt Cobain, assim como integrantes de diversas outras bandas, não souberam lidar emocionalmente com o sucesso repentino que receberam. O líder do Nirvana, que já sofria de problemas emocionais desde a juventude, desenvolveu um quadro grave de depressão e começou a abusar de drogas, especialmente de heroína.
E nesse contexto foi lançado o terceiro álbum de estúdio da banda, In Utero , em setembro de 1993, novamente pela DGC Records e com Dave Grohl na bateria. Com letras muito mais introspectivas e um som mais sujo e com menos efeitos de estúdio em comparação ao álbum anterior, In Utero refletia diretamente os problemas psicológicos enfrentados por Kurt Cobain. Os temas das músicas muitas vezes retratam um eu lírico com uma personalidade enlouquecida e um forte sentimento de isolamento. Isso é visível nas faixas "Heart-Shaped Box" - principal sucesso do álbum -, "Dumb" e "Frances Farmer Will Have Her Revenge in Seattle". O principal verso do refrão dessa última — “I miss the comfort in being sad” (“eu sinto falta do conforto em ser triste”) — ilustra bem o contexto.
O álbum foi composto justamente para desafiar o público recente da banda. Apesar de rumores de incertezas iniciais da DGC quanto ao sucesso comercial do álbum, In Utero foi lançado normalmente, mantendo a banda no topo das paradas musicais, recebendo inúmeras premiações e vendendo milhões de cópias.
Em meio ao sucesso do disco, a banda entrou em turnê na Europa no início de 1994. No entanto, a turnê é interrompida após uma suposta tentativa de suicídio de Kurt Cobain relatada por sua esposa, Courtney Love. Semanas depois, Kurt entra em um programa de reabilitação em Los Angeles para combater seu vício em heroína. No entanto, pouco tempo depois, ele pula o muro e foge do centro de reabilitação rumo à Seattle, onde passa o resto de seus dias. No dia 8 de abril, Kurt é encontrado morto em sua casa, com um disparo de espingarda autoinfligido e altas concentrações de heroína no sangue. As circunstâncias de sua morte são incertas, e sempre surgem teorias de que o vocalista, na verdade, teria sido assassinado.
Após a morte de Kurt, o Nirvana se separou. O álbum póstumo MTV: Unplugged in New York foi lançado ainda em 1994, trazendo covers de sucesso como “The Man Who Sold The World” (David Bowie), “Jesus Doesn't Want Me For a Sunbeam” (The Vaselines) e “Lake of Fire”, “Oh Me” e “Plateau”, dos Meat Pupets, além de versões acústicas de sucessos da carreira da banda. No mesmo ano, o baterista Dave Grohl fundou o Foo Fighters, banda de pós-grunge que segue como uma das maiores bandas de rock do mundo desde a sua fundação; Krist Novoselic, por sua vez, também deu continuidade à sua carreira de baixista, mas se destacou mais pelo seu ativismo político. O grunge também entrou em declínio, sendo sucedido ao longo das décadas de 90 e 2000 por movimentos como o britpop e o nu metal.
3ª temporada de Heartbreak High. Foto: Netflix
Por: Yuri Viana
Criada pela showrunner Hannah Carrol Chapman, a primeira temporada do reboot foi lançado em 2022, viralizando nas redes sociais por retratar a juventude e o ensino médio de uma maneira real, mas também exagerada, acompanhando a protagonista Amerie Wadia (Ayesha Madon) em suas mil e uma desventuras. Divergindo do material original, a nova versão conta com diversidade no elenco e nos personagens, fatos que contribuíram para a série abordar temas como racismo, autismo e questões de sexualidade e de gênero. Com todo o sucesso, a obra foi renovada para sua segunda temporada, lançada em 2024.
A segunda temporada continua pelo mesmo caminho da primeira, trazendo os personagens com visuais marcantes e chamativos enquanto enfrentam situações cômicas e trágicas, mas dessa vez com um novo inimigo: a ascensão do movimento redpill no colégio Hartley High, iniciado por um professor de educação física. Nesta trama, a série traz diversos paralelos com a vida real, expondo os perigos de pensamentos limitantes e preconceituosos, os quais podem levar à ameaça da integridade física de um grupo de pessoas, principalmente quando alimentados por adultos ou figuras de poder. A temporada também aborda temas como saúde mental e aceitação, acompanhando o personagem Malakai (Thomas Weatherall) em sua jornada complexa de autodescoberta da sua sexualidade.
A terceira, e última, temporada, lançada em março pela Netflix, acompanha os estudantes durante as últimas semanas do ano de conclusão do ensino médio, que estão prestes a dar adeus ao colégio Hartley High e partir em rumo a seus futuros brilhantes. Mas, tudo isso é ameaçado quando um trote em um parque de diversões dá errado, colocando um funcionário do local em coma. Agora, as melhores amigas Amerie e Harper devem descobrir o culpado pela tragédia, antes que seja tarde demais e todos os seus amigos sejam considerados suspeitos. A nova temporada realmente traz uma sensação de conclusão de ciclo, retratando fenômenos que acontecem durante o último ano do ensino médio, como a formação de grupos maiores de amigos e amizades que antes eram quase impossíveis de acontecer. A trama também aborda temas mais profundos, já que agora pode contar com personagens mais maduros e complexos, mostrando a evolução que pudemos acompanhar desde a primeira temporada em 2022.
A série se despede de maneira ousada, mas que faz todo o sentido para aqueles que a acompanharam desde o princípio e cresceram juntamente com os personagens. “Heartbreak High” mostra mais uma vez que diversidade em uma obra não só é necessária, mas também linda e essencial para o desenrolar das narrativas.
Breno Mello em 1958. Foto: Revista a HORA
Por: João Pedro Marins
Vivendo a alta do cinema nacional após o sucesso de “Ainda estou aqui” dirigido por Walter Salles, “O Agente Secreto” de Kleber Mendonça Filho vive a possibilidade da conquista de 4 estatuetas: Melhor filme, melhor ator, melhor direção e elenco, melhor filme internacional.
Esse sucesso do audiovisual nacional não vem de hoje. Em 1960, o clássico “Orfeu Negro”, estrelado pelo brasileiro Breno Mello, conquistou a categoria de melhor filme internacional. Apesar de ter sido gravado inteiramente no Brasil, em português e com elenco brasileiro, a estatueta ficou na França, país do diretor Marcel Camus por ser uma obra de coprodução ítalo-franca-brasileira.
A obra é uma releitura do mito grego Orfeu e Eurídice, transportando a Grécia antiga e o submundo para o cenário de uma favela carioca durante o carnaval. O casal vive um amor puro e intenso durante o feriado. No entanto, o protagonista era noivo de Mira, que fica enfurecida de ciúmes com a relação entre Orfeu e Eurídice. Assim como no mito, o relacionamento tem um fim trágico com a morte de Eurídice, acontecendo no filme de forma poética em uma quarta-feira de cinzas.
Nascido em Porto Alegre, o ator e jogador de futebol Breno Mello, fez sua estreia no cinema justamente em Orfeu Negro. Antes das telas, Breno começou sua carreira futebolística no São José, mas logo se transferiu ao Renner, clube no qual foi campeão gaúcho, desbancando a dupla Gre-Nal. Em 1957, Breno chegou no Corinthians, clube no qual jogou apenas 4 partidas e em pouco tempo depois, transferiu-se ao Santos, time do jovem jogador Pelé.
Dois anos depois, em 1959, Breno chegou ao Fluminense, e foi no Rio de Janeiro que o atleta teve seu primeiro contato com o cinema. Após retornar de um treino, o então jogador Breno Mello foi convidado a fazer um teste para o filme Orfeu Negro. Breno foi o escolhido entre mais de 300 concorrentes para interpretar o protagonista do longa.
Após a conquista do Oscar e o sucesso do filme, Breno aguardava convites para atuar em outras produções, que acabaram não acontecendo. O padrão cinematográfico da época dificultava sua carreira cinematográfica, o que fez com que ele retornasse ao futebol, mas infelizmente sem o mesmo sucesso de antes. O ator chegou a fazer mais 5 filmes posteriormente, contudo sem a relevância e protagonismo esperado.
Assim como Breno, a atriz norte-americana Hattie McDaniel foi de extrema importância para a indústria cinematográfica, sendo a primeira pessoa negra a vencer um Oscar, porém, enfrentando muitas dificuldades. Mesmo mais tarde conquistando uma estatueta por sua performance como atriz coadjuvante no clássico “E o Vento Levou”, a artista foi impedida de comparecer a estreia do filme em Atlanta devido às leis de segregação racial da época e para fazer parte da cerimônia da premiação que a mesma estava concorrendo, teve que pedir uma autorização especial e se sentar no fundo do salão.
Breno Mello faleceu em 11 de julho de 2008, aos 76 anos, vítima de um infarto, e assim como Hattie, sem ter o prestígio e a fama merecida.
O Cavaleiro dos Sete Reinos. Foto: IMDb
Por: Isaque Ramos
Do mesmo universo que “Game of Thrones” e “House of the Dragon”, “O Cavaleiro dos Sete Reinos” chegou ao fim da sua 1ª temporada neste domingo (22) e, além de devolver o universo de Westeros ao protagonismo das séries, ainda se manteve bem mais consistente se comparada à sua série irmã do mesmo universo, “House of the Dragon”.
A série, baseada no livro “Tales of Dunk and Egg”, se passa cerca de 90 anos antes do nascimento de Daenerys Targaryen e, por mais que os dragões aqui já sejam apenas lembranças, Westeros ainda vive sob domínio incontestável dos Targaryen. O grande trunfo da produção é sua dinâmica entre os protagonistas: de um lado temos Sor Duncan, o Alto, um cavaleiro andante sem raízes nobres e que vaga por Westeros tentando provar seu valor e honra como cavaleiro e, além disso, convencer a si mesmo como tal. Do outro lado, temos Egg, apelido de Aegon Targaryen, escudeiro de Sor Duncan, e que faz de tudo para esconder sua identidade. E, se você acompanhou “Game of Thrones” sabe que Egg é um personagem essencial na dinastia Targaryen, já que, além de ser o irmão mais novo de Aemon Targaryen (o “Meistre” de Castle Black em GOT), ele ainda herda o trono de ferro no futuro, e torna-se Aegon V Targaryen.
Diferentemente das outras duas séries do mesmo universo, em que o foco está no jogo político pelo trono de ferro, em “O Cavaleiro dos Sete Reinos” a trama gira em torno da jornada de Sor Duncan em busca de se validar como um cavaleiro, no desenvolvimento de sua amizade com Egg, e na jornada do próprio garoto, que apesar de ser da mais alta realeza, parece não querer se enquadrar como um membro da dinastia “Fogo e Sangue”.
Mas o grande diferencial da série é, com certeza, a grande diferença no jeito de se contar a história. Enquanto em GOT e HOTD as cenas são sempre tensas, recheadas de embates e diálogos perfeitos e ápices de adrenalina, aqui temos uma leveza muito maior. Inclusive, os primeiros episódios da série são recheados de momentos cômicos que, quando se assiste de primeira, causam certa estranheza para aquele que está acostumado com as produções do universo de George R. R. Martin. Mas que fique claro, a série faz isso com maestria. Passada a adaptação, logo a leveza e o jeito cômico da série se tornam uma característica quase que essenciais para trama, que, somado aos diálogos que foram quase que totalmente retratados iguais aos dos livros, tornam a produção uma grata surpresa para aqueles que não colocavam muita expectativa nela.
Mas não se engane, ainda estamos falando de Westeros, ainda há lugar para muito sangue e momentos grandiosos que nos acostumamos a ver nos últimos 15 anos, desde que “The Winter is Coming” foi ao ar. O ápice da série ocorreu duranto o 4º e o 5º episódio (e aqui cabe falar, uma série de 6 episódios foi um grande acerto), onde, sem querer dar spoilers, ocorre um daqueles momentos que te transportam diretamente para cenas dignas da 6ª Temporada de GOT, um daqueles momentos finais de um episódio que, somado a trilha sonora/tema inconfundível de GOT, te fazem levantar do sofá e assistir aos momentos finais do episódio de pé, e ansiando por assistir um novo imediatamente.
A segunda temporada, com estreia prevista para 2027, já está com as filmagens em andamento. E, ainda esse ano, teremos a 3ª temporada de “House of the Dragon”, que, a meu ver, será difícil não ser ofuscada pela jornada de Sor Duncan.
4ª temporada de Bridgerton. Foto: Netflix
Após vermos a amizade se tornar amor na 3ª temporada, a família mais famosa de mayfair retorna aos holofotes para contar a história de Benedict, o segundo irmão Bridgerton que, no baile de máscaras de sua mãe, se encanta por uma misteriosa dama de prata sem imaginar que ela pertence a uma classe social muito diferente da sua.
Por: Giovana Silva
No dia 26 de fevereiro, a Netflix lançou a segunda parte da quarta temporada de uma das séries mais aclamadas de seu catálogo, Bridgerton. E como de costume, cada temporada tem como foco o desenvolvimento amoroso de um dos membros da família composta por oito irmãos, nomeados em ordem alfabética de A à H. Dessa vez o protagonismo da temporada é de Benedict, o segundo mais velho que nessa temporada assume de forma momentânea as funções de chefe da família durante a ausência do Visconde Anthony Bridgerton, que agora já é pai do herdeiro da família, Edmund Bridgerton.
Benedict, interpretado de forma primorosa por Luke Thompson, vive grandes dilemas durante a temporada, equilibrando suas responsabilidades como membro da família, sua vida de libertinagem, regada a noitadas, bebidas e agora, o amor. O personagem demonstra não se sentir pertencente ao papel imposto desde a primeira parte, lançado no dia 19 de janeiro, e em muitos momentos se mostra inseguro quanto às suas decisões, assumindo uma postura diversas vezes de irresponsabilidade.
Tudo muda, no entanto, quando o “libertino” conhece uma jovem durante o baile de máscaras promovido por sua mãe, Lady Bridgerton, mas durante o breve encontro, a “dama de prata”, mantém sua identidade em segredo. A misteriosa dama revela-se ao público como Sophie Beak, interpretada por Yerin Ha, uma jovem encantadora que esconde sua verdadeira identidade sob a fantasia prateada por se tratar de uma trabalhadora de uma família da alta sociedade. O encontro desencadeia um romance que desafia as rígidas convenções sociais da alta sociedade londrina e coloca Benedict diante de um conflito ainda maior: seguir o caminho esperado para um Bridgerton ou arriscar tudo por um amor improvável.
É interessante acompanhar a história de amor que por muito se assemelha ao romance animado “Cinderela”. A animação de 1950 serviu de inspiração para Julia Quinn e ver os elementos serem tão bem representados nesta temporada, a torna quase uma releitura da história da gata borralheira. O que se difere aqui e muito da história original, é que nossa protagonista em momento algum se faz dependente de seu par amoroso, mesmo que o sentimento entre eles seja mútuo e a possibilidade de mudar de vida com o relacionamento entre eles seja real. Sophie é uma personagem forte, gentil e corajosa. Ela se mantém fiel a seus ideais mesmo nos momentos mais difíceis, não se deixando levar por seus sentimentos.
Trama secundária
Um dos pontos altos da temporada, é todo o cenário secundário recheado de boas histórias. É importante citar que a temporada dá um destaque maior a quem faz toda a engrenagem da alta sociedade londrina rodar, os funcionários das famílias. Temos aqui acesso aos bastidores de onde tudo acontece, o que dá uma profundidade à história de Sophie Beak.
Dessa vez o que se demonstra é que quase todos os personagens estão envoltos de forma ativa na trama, com destaque para Francesca Bridgerton e a rainha Charlotte, duas personagens que tiveram tramas sensíveis em seu enredo. O contraponto aqui aparece com Colin Bridgerton, protagonista da 3ª temporada, mas que nessa possui poucas aparições.
De forma geral, os personagens conseguem manter uma ótima dinâmica em cena, com diálogos profundos e cheios de significados e até mesmo aqueles que são considerados secundários, tem seu momento de destaque deixando explícita a química do elenco.
As polêmicas
A cada renovação da série, Bridgerton mais acumula polêmicas, dentre elas a constante mudança no elenco, com personagens sendo apagados da história e mudanças não abraçadas pelo público. A série é tema de constantes discordâncias online depois da mudança na história de uma das irmãs Bridgerton. Muitos internautas reclamam da mudança de gênero do interesse romântico de Francesca, a irmã número seis, que nos livros se trata de Michael Stirling e na série será Michaela Stirling, prima do primeiro marido, de Francesca, John Stirling, o falecido conde de Kilmartin. Ataques homofóbicos foram direcionados a personagem e o público ameaça a temporada de boicote caso a mudança se concretize. O ponto é que a mudança no enredo de Francesca, busca abraçar questões de sexualidade e o papel imposto à mulher na sociedade da época. A história da personagem é triste mas também envolve muita coragem e identificação.
Desde a primeira temporada, a série passa por mudanças na história devido a saída de atores como Regé Jean Page, que explodiu como Simon Basset, o Duque de Hastings, que deixou a série logo após a primeira temporada sob rumores de racismo nos bastidores. Phoebe Dynevor, intérprete de Daphne Basset e também protagonista da primeira temporada, abriu a porta da família Bridgerton para o público e ganhou seu final feliz com Simon, além do filho do casal. Só que, depois disso, a personagem foi aparecendo cada vez menos, até sair completamente da série após a segunda temporada. Agora os fãs já especulam a saída de Jonathan Bailey e Simone Ashley, já que seus personagens aparecem menos nesta temporada.
Resenha
Como grande fã do universo de Julia Quinn, sempre é entusiasmante revisitar as histórias dos irmãos Bridgerton. Benedict é um dos personagens por quem tenho mais apreço, acredito que sua alma de artista quebra um pouco da seriedade, se é que existe alguma, que todo o resto da família possui. Ele é um homem diverso que tem como um de seus objetos, finalmente encontrar seu lugar de pertencimento. É fácil se identificar com Benedict e nessa temporada ele se vê em um lugar de conflito, uma mulher se torna dona de seus pensamentos durante quase uma temporada inteira e mesmo assim, a sua frente, está Sophie que o entende quando o assunto é não se enquadrar ao papel imposto a si. Também é fácil de compreender Benedict e seu vislumbre por Sophie, afinal ela é uma mulher encantadora que, apesar de todas as adversidades da vida, se mantém firme em seus ideais.
Deixo um destaque também as histórias secundárias da temporada, em especial a transformação da relação entre Lady Whistledown e a rainha Charlotte, uma nova dinâmica se formou. Agora que Penélope deixou o posto de escritora, alguém o tomou para si e sei que essa será uma das tramas secundárias da próxima temporada. Eu tinha uma certa preocupação com a forma como iriam consolidar a nova posição de Lady Whistledown e confesso que não achava ser possível sustentar esse enredo até o fim do lançamento da série com a temporada de Hyacinth, já que nos livros Penélope abandona o codinome muito cedo. A trama de Francesca nessa temporada me arrancaram algumas lágrimas, a morte de John Stirling foi retratada de forma primorosa e mostrou como a família Bridgerton é unida em momentos de crises.
Pânico 6. Foto: Los Angeles Times
Por: Yuri Viana
Em dezembro de 1996 foi lançado nos cinemas um filme que inspiraria uma série de outras produções e mudaria o subgênero slasher para sempre. Dirigido por Wes Craven, o longa se destacou por sua inovação e estratégia de marketing, que usava como principal rosto da franquia a famosa atriz Drew Barrymore, que estava no auge de sua carreira na época. Os pôsteres contavam com o rosto da atriz em destaque e seu nome que estava em todas as revistas sobre o filme. Porém, sua personagem morria nos primeiros quinze minutos de filme, impactando a audiência e dando assim início a famosa tradição de “opening kill”, termo usado entre os fãs para se referir a sequência de assassinato inicial, presente em todos os filmes da saga.
Após o sucesso do primeiro filme, a saga voltou um ano depois, em 1997 com “Pânico 2" , agora acompanhando Sidney Prescott (Neve Campbell) na faculdade e precisando lidar com uma nova onda de assassinatos. A franquia retornou novamente no ano de 2000 e 2011, com duas continuações ainda acompanhando as vivências de Sidney, entretanto, o terceiro e quarto filme não foram muito bem recebidos pelo público e pela crítica, que apontaram o excesso de itens cômicos como ponto central para o decaimento da qualidade das produções. Com isso, a franquia de filmes permaneceu adormecida durante 8 anos, sem nenhuma esperança de ter novas produções para o cinema, principalmente após o falecimento do diretor dos quatro primeiros filmes, Wes Craven, em 2015. Mas é então que em 2019 é confirmado pela produtora audiovisual “Spyglass” que Pânico ganharia uma nova sequência, que chegou aos cinemas em 2022.
No novo filme, dirigido pela dupla Matt Bettinelli e Tyler Gillett, as irmãs Sam e Tara Carpenter (respectivamente: Melissa Barreta e Jenna Ortega) são as novas protagonistas da história, precisando sobreviver à onda de assassinatos que assombra a cidade de Woodsboro, cenário do primeiro filme. A obra também funciona como um soft reboot, onde o bastão de protagonismo é passado para uma nova geração, que conta com a ajuda dos antigos personagens para sobreviver aos eventos. O longa-metragem foi amplamente aclamado pelo público e pela crítica, e assim as irmãs Carpenter ganharam um novo capítulo para sua história já no ano seguinte, em 2023.
Agora ambientado em Nova Iorque, a trama acompanha a vida das duas durante uma nova onda de assassinatos ligados a elas, só que dessa vez na cidade grande e durante o período de halloween. A obra foi marcada por seu sucesso absoluto, obtendo uma bilheteria mundial de cerca de 169 milhões de dólares e teve mais uma sequência confirmada, mas também por suas polêmicas envolvendo a intérprete da antiga protagonista, Neve Campbell, que recusou voltar a franquia em “Pânico VI” após receber a proposta de um cachê muito abaixo do esperado. Durante a turnê de divulgação do filme, Melissa Barrera fez questão de declarar em uma das entrevistas que apoiava totalmente Neve, e que achava necessária a luta por salários dignos para mulheres.
Tudo corria bem, até novembro de 2023, quando Melissa Barrera foi demitida do próximo capítulo da franquia por fazer postagens em suas redes sociais em apoio a Palestina, nação que está em conflito com Israel. A produtora Spyglass Média Group alegou que as postagens da atriz eram considerada de “incitação de ódio e antissemitismo”, retirando sua personagem do próximo filme, mas mantendo todos os outros dentro da trama, deixando assim uma legião de fãs enfurecidos com o tratamento que a empresa teve com a artista. Após esse ocorrido, o diretor Christopher Landon, responsável até então pelo sétimo filme da franquia, deixou o projeto, alegando que havia sido contratado para fazer um filme cujo roteiro baseia-se totalmente na história de Sam, e que sem Melissa, não haveria como produzi-lo, passando por um novo processo de idealização e criação, situação da qual ele não foi contratado para fazer parte. Logo após estes acontecimentos, Jenna Ortega deixou voluntariamente a produção do sétimo filme, sendo veiculado pela mídia que teria sido por questões de conflito de agendas — boatos que a atriz desmentiu. Em entrevista à revista The Cut, Jenna declarou: “Não teve nada a ver com pagamento ou cronograma. A situação da Melissa estava acontecendo, e tudo estava meio que desmoronando. Se Pânico 7 não fosse com aquela equipe de diretores e aquelas pessoas pelas quais me apaixonei, então não parecia ser a decisão certa para minha carreira na época".
O resultado destas polêmicas é que “Pânico VII” demorou três anos para ser produzido, e chega nos cinemas de todo o mundo após passar por diversos processos de edição e reescrita do roteiro. Apelando para a nostalgia, a obra traz antigos personagens de volta, inclusive Sidney, com o intuito de cativar e reagrupar os fãs da obra, contudo não consegue se livrar da mancha deixada pelas diversas polêmicas envolvendo o nome da franquia nos últimos anos. Agora devemos aguardar para saber se será um sucesso de crítica e bilheteria assim como os últimos dois filmes, ou se será o final definitivo para a icônica saga que marcou o mundo do terror.
Turnê "Las Mujeres Ya No Lloran World Tour". Foto: Billboard
Por: Yuri Viana
No ano de 2024, Copacabana recebeu em suas areias o show histórico de Madonna, que reuniu cerca de 1,6 milhões de fãs da cantora para assistirem o show gratuito. Desde então, a prefeitura do Rio de Janeiro realizou pesquisas que constataram que o mega show movimentou mais de R$469 milhões de reais na economia carioca, principalmente no quesito de turismo, área que tradicionalmente apenas lucraram assim durante o Carnaval e o Réveillon. Já em 2025, o evento Todo Mundo no Rio, que de fato ganhou esse nome, teve como atração do ano Lady Gaga, a qual fez a praia vibrar com seu show espetacular que reuniu hits antigos e as músicas do novo álbum “Mayhem". Desde então muito se especulava sobre quem seria o comandante do próximo mega show, e três nomes comandavam as teorias: Britney Spears, Justin Bieber e Shakira.
As especulações chegaram ao fim na tarde desta quarta-feira, quando Shakira foi oficialmente confirmada como atração. A cantora colombiana passou pelo país pela última vez em 2025, com shows no estádio do Morumbi em São Paulo, e no estádio Nilton Santos no Rio de Janeiro com a turnê “Las Mujeres Ya No Lloran World Tour”, focada nas músicas de seu novo álbum de estúdio. A super estrela do pop latino possui uma forte ligação com o Brasil, uma vez que morou aqui entre os anos de 1996 e 1997 e aprendendo a falar português durante este período.
Dona dos hits “Waka Waka”, “Hips Don't Lie" e “Loca”, a cantora possui um vasto catálogo repleto de sucessos que fazem com que possamos esperar um show que faça o público ir à loucura e até quem estiver assistindo de casa se animar. Ainda não há notícias sobre a estrutura do espetáculo, se será algo novo ou uma réplica de sua última turnê; porém, atualizações sobre essa questão, possivelmente, serão veiculadas durante as próximas semanas, alimentando mais ainda o hype para o evento. Informações sobre patrocinadores oficiais, participações especiais e shows de abertura ainda não foram divulgadas, mas não devem manter-se em segredo durante muito tempo. O show promete ser histórico, assim como os anteriores, fazendo com que toda a cidade gire em torno de evento e levante uma receita de mais de R$100 milhões.
Novela "Bom Sucesso". Foto: gshow
Por: Yuri Viana
A Culpa é da Lisa - Os Simpsons (2002)
O 15° episódio, da temporada 13 da série, tem como ponto central a viagem da família Simpson ao Brasil, passando por diversos pontos emblemáticos do Rio de Janeiro. Apesar de ser icônico, o episódio gerou muitas polêmicas ao retratar e reforçar estereótipos agregados ao país, como violência extrema.
Encantados (2022 - Presente)
Com sua estreia em 2022 na plataforma de streaming Globoplay, a série de comédia “Encantados” retrata a história de Olímpia, filha da dona de um supermercado que a noite passa a servir como a quadra de uma escola de samba chamada Jóia do Encantado (fictícia). A trama da obra se resume aos desafios do cotidiano enfrentados pelos personagens principais no subúrbio do Rio de Janeiro. O elenco conta com nomes como Luís Miranda, Vilma Melo, Evelyn Castro e Dançaram Mariana.
Um Ano Inesquecível - Verão (2023)
Como parte da quadrilogia de adaptação do livro “Um Ano Inesquecível”, o filme retrata o conto escrito por Thalita Rebouças — escritora conhecida por seus livros que retratam a juventude no Rio de Janeiro. A obra segue a história de Inha (Lívia Inhudes), que sonha em estudar moda em Paris, mas que para demonstrar experiência na área, tem até o fim do verão para melhorar seu currículo. E para isso, começa a trabalhar no Rio de Janeiro como costureira na famosa escola de samba Portela.
Rio (2011)
Com a fama de filme mais icônico que representa o carnaval, Rio é uma animação do estúdio Blue Sky, e fez tanto sucesso que até recebeu uma sequência anos depois. A história acompanha Blu, uma ararinha-azul, cuja espécie está ameaçada de extinção e por isso é trazida ao Brasil, por sua tutora, para acasalar com uma fêmea de sua espécie. Como podemos esperar, muitas confusões acontecem e Blu embarca em uma aventura passando por toda a Cidade Maravilhosa durante o período do carnaval, encontrando muitos outros animais apaixonados pela folia em sua trajetória.
Ó Paí, Ó (2007)
Com nomes como: Lázaro Ramos, Wagner Moura, Dira Paes e Edvana Carvalho no elenco, “Ó Paí, Ó” se tornou um clássico da cultura cinematográfica brasileira. O longa se passa em Salvador, Bahia, e conta a história dos moradores de um cortiço no Pelourinho e sua paixão pelo Carnaval. Apesar de ser um filme de comédia, a obra aborda temas como racismo estrutural e desigualdade social, trazendo um ar mais dramático e reflexivo em certos momentos. O filme recebeu uma sequência em 2023, com grande parte do elenco retornando a interpretar seus icônicos personagens. Contudo, o filme não agradou a maior parte do público e a crítica especializada, a qual rotulou a continuação como “genérica” por repetir a história original.
Bom Sucesso (2019 - 2020)
Consolidando-se como uma das maiores novelas das sete da televisão, Bom Sucesso acompanha a vida de Paloma (Grazi Massafera), costureira que tem a vida virada de cabeça para baixo quando recebe o resultado de um exame informando-a que tem apenas seis meses de vida, que tempos depois, descobre que foi trocado e não é seu. Após receber a notícia, Paloma decide aproveitar o tempo que lhe resta da melhor forma possível. A novela também tem como cenário a escola de samba Unidos de Bom Sucesso (fictícia), pela qual Paloma trabalha e é apaixonada, e sonha em desfilar como destaque. A novela fez história ao gravar cenas na Marquês Sapucaí durante os reais desfiles em 2019.
Donos do Jogo (2025 - Presente)
A série do serviço de streaming Netflix tem como foco a guerra entre as famílias comandantes do jogo do bicho no Rio de Janeiro. A trama acompanha os trâmites desse ambiente, mostrando a divisão de territórios, hierarquias dos cargos e as traições que culminam em uma guerra jamais vista antes. A obra também mostra a ligação dessas organizações com o Carnaval, tendo cenas gravadas em quadras de escolas de samba e na própria Marquês de Sapucaí. Com o elenco principal composto por: André Lamoglia, Mel Maia, Juliana Paes, Xamã e Giullia Buscacio, a produção foi um enorme sucesso entre o público, e já foi renovada para sua segunda temporada, a qual está nos processos iniciais de produção e tem previsão de começar suas gravações em julho de 2026, no Rio de Janeiro.
Grammy. Foto: CNN
Por: Yuri Viana
Realizada em Los Angeles, a edição de 2026 ocorreu em meio a um cenário político deveras complicado nos Estados Unidos, cenário do qual a população imigrantes e latina do país são tidas como alvo de deportação em massa, prisões indevidas e violência. Essas ações são realizadas pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE — sigla em inglês), que desde 2025 começou a praticar uma abordagem mais violenta contra a população, chegando até a tirar a vida de uma cidadã americana.
A onda de protesto teve início já no tapete vermelho do evento, onde diversos artistas como Billie Eilish, Justin Bieber e PinkPantheresses usaram um pin contendo a frase “ICE OUT” ("Fora ICE"). Já durante a premiação, nomes como Kehlani, Marcelo Hernandez, Karol G, Trevor Noah (apresentador da premiação) e diversos outros artistas falaram sobre a situação grave que o país enfrenta durante seus discursos de vitória ou monólogos de apresentação. Porém, o momento de mais impacto da noite fica com Bad Bunny, cantor porto riquenho, que durante seu discurso de vitória após o prêmio de Álbum do Ano, o mais importante da noite, fez questão de falar sobre e para a população latina, discursando em espanhol “Quero dedicar este prêmio a todas as pessoas que tiveram que deixar suas casas, suas terras, seus países, para seguir seus sonhos. A todas as pessoas que perderam um ente querido e ainda assim tiveram que continuar e seguir em frente com muita força, este prêmio é para vocês”. Também durante seu discurso após vencer a categoria de Melhor Álbum Urbano, o cantor disse "Não somos selvagens, não somos animais, não somos alienígenas, somos humanos e somos americanos. O ódio se torna mais poderoso com mais ódio. A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor. Então, por favor, precisamos ser diferentes." e foi aplaudido de pé pela maioria dos presentes no evento.
Agora passando para as vitórias da noite, Bad Bunny ganhou a categoria de Álbum do Ano com o disco “Debí Tirar Más Fotos”(2025), Olivia Dean arrematou o prêmio de Artista Revelação, Kendrick Lamar e SZA venceram a categoria de Gravação do Ano por “Luther”(2024) e Billie Eilish o de Música do Ano com Wildflower (2024). A vitória de Billie gerou polêmica nas redes, contrariando as apostas da maioria do público e levantando debates de injustiça, pelo fato da faixa ter sido lançada há quase dois anos atrás.
As melhores performances da noite ficaram com as mulheres, entre elas Sabrina Carpenter, que apesar de sair de mãos vazias da premiação, entregou uma apresentação majestosa e com uma estrutura espetacular ao som do hit “Manchild”. Lady Gaga que apresentou a faixa “Abracadabra” com uma nova sonoridade que deixou a música ainda melhor. Katseye, grupo indicado ao prêmio de artista revelação, que apesar de ter perdido a categoria, ainda entregou uma ótima performance. E Olivia Dean, que apesar de uma estrutura simples, conseguiu cativar a audiência com seu carisma e voz impecável.
Com todos esses pontos, podemos afirmar que a edição de 2026 do Grammy com certeza ficará para a história, não só no mundo da música, mas também no aspecto político no meio artístico.
O agente secreto indicado ao Oscar 2026. Foto: Reprodução/Victor Jucá
Por: Giovana Silva
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood anunciou no dia 22 de janeiro os indicados à 98ª edição do Oscar, a maior premiação do cinema mundial. E o Brasil, mostrando a potência de sua indústria cinematográfica, se fez destaque entre as principais produções do ano ao receber 5 indicações: 4 com o filme “O Agente Secreto” e 1 com “Sonhos de trem”.
O longa “O Agente Secreto” dirigido por Kleber Mendonça Filho repetiu o feito de “Ainda Estou Aqui” na edição anterior da premiação e recebeu indicações a melhor filme e melhor filme internacional.
Protagonista da produção, Wagner Moura, se consagrou como um dos grandes nomes da temporada de premiações. Após levar o Globo de Ouro na categoria de melhor ator em produção dramática, o ator disputa a estatueta na categoria de melhor ator com Timothée Chalamet de “Marty Supreme”. O ator baiano teve sua performance muito elogiada pela crítica mundial e acabou caindo nas graças de grandes estrelas como Julia Roberts e Ethan Hawke. “O Agente Secreto” também foi indicado nesta edição a categoria estreante na premiação de melhor direção de elenco. Com isso, o filme empata com "Cidade de Deus", no Oscar 2004, como o brasileiro com o maior número de indicações.
Já o filme “Sonhos de trem”, teve destaque reconhecido através do brasileiro, Adolpho Veloso, diretor de fotografia do longa indicado à categoria de melhor fotografia. A produção também foi indicada a melhor filme, é dirigida por Clint Bentley e conta a história de um lenhador que leva uma vida tranquila enquanto lida com o amor e a perda em uma época de profundas transformações nos Estados Unidos do começo do século 20. A fotografia do longa foi destacada por sua sensibilidade estética e pela forma como contribui para a atmosfera intimista da narrativa.
Veja as categorias com indicações brasileiras:
'Bugonia'
'F1'
'Frankenstein'
'Hamnet: A vida antes de Hamlet'
'Marty Supreme'
'Uma batalha após a outra'
'O agente secreto'
'Valor sentimental'
'Pecadores'
'Sonhos de trem'
'Pecadores'
'Uma batalha após a outra'
'Sonhos de trem'
'Frankenstein'
'Marty Supreme’
Timothée Chalamet, 'Marty Supreme'
Leonardo DiCaprio, 'Uma batalha após a outra'
Ethan Hawke, 'Blue Moon'
Michael B. Jordan, 'Pecadores'
Wagner Moura, 'O agente secreto'
'Foi apenas um acidente' - França
'O agente secreto' - Brasil
'Valor sentimental' - Noruega
'A voz de Hind Rajab' - Tunísia
'Sirât' - Espanha
'Hamnet: A vida antes de Hamlet'
'Marty Supreme'
'Uma batalha após a outra'
'O agente secreto'
'Pecadores'
A cerimônia de premiação irá acontecer no dia 15 de março no Teatro Dolby, em Los Angeles, nos Estados Unidos e contará com o comediante Conan O'Brien como apresentador da noite. No Brasil, a transmissão da cerimônia será feita pela Globo, HBO Max e TNT.
Percy Jackson e os Olimpianos: 2ª temporada disponível no Disney+. Foto: Reprodução/IMDb
Por: Stela Nunes
Sinopse
Na segunda temporada de “Percy Jackson e os Olimpianos”, a história acompanha Percy em uma nova missão após o Acampamento Meio-Sangue ser ameaçado por forças mitológicas. Para evitar sua destruição, o semideus parte em uma jornada pelo Mar de Monstros em busca do Velocino de Ouro, artefato capaz de restaurar as defesas do lugar. Ao lado de Annabeth e do recém-descoberto meio-irmão Tyson, Percy enfrenta criaturas mitológicas, deuses ambíguos e desafios que colocam à prova sua liderança, lealdade e compreensão sobre seu próprio destino. Enquanto o conflito entre os deuses do Olimpo se intensifica, a temporada aprofunda temas como identidade, pertencimento e amadurecimento, ampliando o universo da série e elevando as consequências de cada escolha feita pelos heróis.
Audiência
Os dados de audiência desta temporada mostram um desempenho relevante ,com uma estreia bastante popular, mas ainda aquém do fenômeno que foi a primeira temporada. Segundo dados estimados do Nielsen Streaming Chart, a série acumulou 508 milhões de minutos assistidos durante a semana de estreia da 2ª temporada, número que colocou Percy Jackson entre os top 5 programas mais assistidos no streaming nos Estados Unidos naquela semana. Entretanto, quando comparados os números com os da primeira temporada, observa-se uma queda percentual: o primeiro ano havia alcançado 572 milhões de minutos na semana de estreia, mostrando que a retenção do público não foi tão expressiva quanto antes.
Debates dentro da comunidade de fãs sugerem que parte da diferença nos números se deve à forma como serviços de medição contabilizam minutos assistidos e assinaturas, além de comentários de fãs que destacam que muitos espectadores continuam revendo a primeira temporada enquanto acompanham a segunda.
Críticas
Apesar da oscilação de audiência, a 2ª temporada conquistou excelentes avaliações da crítica especializada. No agregador de avaliações Rotten Tomatoes, a segunda adaptação atingiu 100% de aprovação crítica, superando inclusive a marca da primeira temporada e indicando que, no olhar dos críticos, a série amadureceu em sua abordagem.
Revisões profissionais destacam a expansão do universo narrativo, novas locações e sequências de ação mais elaboradas, além de um aprofundamento nas relações entre personagens centrais como Percy, Annabeth e Tyson. Alguns resenhistas observam que a temporada equilibra aventura épica com temas pessoais e conflitos internos mais complexos, ainda que haja críticas pontuais à construção de diálogos e à tonalidade em alguns episódios.
Recepção do público
A reação do público nas redes e plataformas de crítica é marcada por diversidade de opiniões. Embora parte dos fãs vejam a adaptação como inconsistente em certos pontos narrativos e critiquem a fidelidade à obra original de Riordan, a maioria do fandom elogiam as mudanças, a qualidade visual elevada, o ritmo das aventuras e a profundidade das personagens Comentários em comunidades online refletem uma base de fãs engajada que, apesar de dividida, manifesta intenso envolvimento com os episódios. Alguns espectadores defendem que a 2ª temporada é superior à primeira, especialmente em desenvolvimento de personagem e escopo mitológico, enquanto outros relatam frustrações com escolhas de adaptação ou simplesmente com o ritmo da produção.
Nas redes sociais, a hashtag oficial #PercyJackson segue entre os termos mais discutidos em plataformas como o TikTok e o X (Twitter) desde a estreia da temporada, evidenciando um impacto cultural que ultrapassa a faixa etária inicial do público-alvo.
Expectativas futuras
Com o encerramento da 2ª temporada, ocorrido nesta semana, a série Percy Jackson e os Olimpianos chega a um momento de avaliação, consolidando seu lugar como uma das adaptações mais comentadas de mitologia jovem adulta no streaming atual. A série também volta às plataformas de streamings ainda esse ano com sua terceira temporada “A Maldição do Titã”, adaptação do terceiro livro da saga. Embora enfrente desafios no quesito de retenção de audiência comparado à estreia meteórica do primeiro ano, a recepção crítica e o engajamento dos fãs garantem um legado sólido e base para provável continuação em temporadas subsequentes, conforme a obra literária original.
Wagner Moura no Globo de Ouro. Foto: Getty Images
Por: Isaque Ramos
O Globo de Ouro deu continuidade, após o Critics Choice Awards no dia 4, ao circuito de grandes premiações do audiovisual em 2026 e, como era de se esperar, deixou definidos os nomes que estarão na briga acirrada pelo Oscars 2026. /Desde 2021, a premiação passa por uma reestruturação interna, em busca de dar mais representatividade entre votantes e vencedores. Neste ano, quase 400 votantes internacionais participaram da escolha dos vencedores. Confira alguns dos principais vencedores da noite.
Melhor Ator coadjuvante em filme: Stellan Skarsgård (Valor Sentimental)
O ator sueco venceu o prêmio em uma disputa acirrada com o favorito Jacob Elordi (Frankenstein), que venceu o Critics Choice Awards na semana anterior, além de Benicio del Toro e Sean Penn, de “Uma Batalha após a outra”. Stellan, estrela consolidada em Hollywood, venceu o seu segundo Globo de Ouro. Ele tinha vencido anteriormente em 2020 na categoria de Melhor ator coadjuvante em série de TV, interpretando o físico nuclear Boris Shcherbina, na série “Chernobyl”.
Melhor Atriz coadjuvante em filme: Teyana Taylor (Uma batalha após a outra)
Teyana Taylor confirmou o favoritismo e venceu o seu primeiro Globo de Ouro. No longa de Paul Thomas Anderson, ela despontou como a grande favorita ao prêmio, e, talvez, ao Oscar.
Melhor Ator em filme de drama: Wagner Moura (O Agente Secreto)
Em um dos momentos mais aguardados da noite (ao menos para nós brasileiros), Wagner Moura fez história ao se tornar o primeiro brasileiro a vencer uma das duas principais categorias para atores no Globo de Ouro. No filme de Kleber Mendonça Filho, Wagner (já cotado como o favorito para vencer o prêmio), interpreta Marcelo, um professor universitário e especialista em tecnologia, que é perseguido pela ditadura militar. Agora, Moura despontou de vez como um dos grandes favoritos a vencer o prêmio de Melhor Ator no Oscar deste ano, que acontece no dia 15 de março.
Melhor Atriz em filme de drama: Jessie Buckley (Hamnet)
Mais um prêmio em que o favoritismo se confirmou. Jessie Buckley vence o seu primeiro Globo de Ouro por sua atuação no longa de Chloe Zhao. Ela já havia vencido o Critics Choice Awards uma semana antes.
Melhor Ator em filme de comédia/musical: Timothée Chalamet (Marty Supreme)
Aqui temos um dos principais concorrentes de Wagner Moura pelo Oscar de Melhor ator. Timothée vem sendo cotado como o “cara a ser batido” na maioria dos prêmios da temporada e desponta como o grande favorito pelo Oscar em março. Após vencer o Critics Choice Awards no dia 4, Chalamet apenas confirmou o favoritismo no Globo de Ouro. No longa (que é vagamente baseado na vida do mesa-tenista Marty Reisman) da produtora A24, Timothée assume o papel de Marty, tendo sua atuação elogiada por grande parte da crítica especializada.
Melhor Atriz em filme de comédia/musical: Rose Byrne (Se eu tivesse pernas, eu te chutaria)
A atriz australiana confirmou o favoritismo e venceu seu primeiro Globo de Ouro, já na sua terceira indicação. Ela era a única representante do longa norte-americano dirigido por Mary Bronstein na noite.
Melhor filme em língua não-inglesa: O Agente Secreto (Brasil)
No outro grande momento da noite para nós brasileiros, “O Agente Secreto” venceu o Globo de Ouro de melhor filme de língua não-inglesa, o segundo na história do cinema nacional, depois de “Central do Brasil” de Walter Salles em 1999. Salles inclusive é o diretor de “Ainda Estou Aqui”, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro no ano passado, mas derrotado no Globo de Ouro. Agora, o filme de Kleber Mendonça Filho desponta de vez como o favorito para vencer a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar em março. Seu concorrente mais próximo parece ser “Valor Sentimental”, indicado a oito categorias no Globo de Ouro, mas vencendo apenas uma, a de Melhor Ator Coadjuvante em filme, com Stellan Skarsgård.
Melhor filme de comédia/musical: Uma Batalha Após a Outra
O grande vencedor da noite com quatro estatuetas, incluindo a de Melhor Diretor e Roteiro para Paul Thomas Anderson, o longa confirmou o favoritismo da temporada de premiações e levou um dos dois principais prêmios da noite. O filme, que acompanha um revolucionário (interpretado por Leonardo DiCaprio) e sua filha em uma viagem com radicais de esquerda e supremacistas brancos, tem sido cotado como o grande favorito a estatueta de Melhor Filme no Oscar desse ano.
Melhor filme de drama: Hamnet
Aqui talvez temos a grande “surpresa” da noite, isso porque, apesar de “Hamnet” ter figurado entre os favoritos ao prêmio de Melhor Filme de Drama, os principais sites apostavam em “Pecadores” de Ryan Coogler para vencer a categoria. No longa, Chloé Zhao retrata a perda sofrida por William Shakespeare e sua esposa Agnes, em que seu filho Hamnet morre ainda jovem, inspirando o escritor inglês a escrever a tragédia “Hamlet”, uma de suas obras mais conhecidas.
Pôster "Stranger Things: 5° temporada". Foto: Netflix
Por: Manuela Weissmann e Yuri Viana
Stranger Things chegou ao fim na madrugada desta quinta-feira, 01 de janeiro, após quase 10 anos marcando gerações. Devido ao grande sucesso da trama, vale relembrar todo o processo de criação e de produção e o que Matt e Ross Duffer - roteiristas da série - planejavam para esse universo desde 2016, o ano em que foi lançado ao mundo.
Inicialmente pensada para ter apenas uma temporada, Stranger Things seria considerada uma minissérie, terminando com o sacrifício de Eleven (Onze). Mas, devido ao grande sucesso, a Netflix e os Irmãos Duffer decidiram estender para uma série de cinco temporadas, acompanhando, assim, o crescimento dos personagens e adaptando a narrativa.
Segundo os Irmãos Duffer, a ideia inicial de nome para a série seria “Montauk”, referência ao experimento realizado em Montauk, Nova York, durante os anos 1980. Tal experiência se deu ao abrir, acidentalmente, um buraco entre Montauk, inspirando, assim, a criação do mundo invertido.
A série foi criada com o intuito de misturar inspirações de Stephen King e de Steven Spielberg, além da obra “A Hora do Pesadelo”, de Wes Craven.
No momento da seleção do elenco mirim, os roteiristas dizem que uma dificuldade foi escolher quais as crianças certas para interpretar um universo voltado para os adultos. Eles afirmam, também, que, na época, tinham noção de que uma escolha errada poderia destruir a trama. Como ainda tinham pouco material escrito pronto, eles realizaram os testes com cenas de “ET - O Extraterrestre” e de “Conta de Espera”. As crianças, então, foram para Los Angeles para contracenarem e, segundo os Duffer, os quatro protagonistas - Finn (Mike), Gaten (Dustin), Caleb (Lucas) e Noah (Will) - se deram bem e logo iniciaram uma amizade.
Impacto na cultura pop:
Desde “metadinhas” em 2019 a descoberta de ícones pop dos anos 80 pela geração Z, Stranger Things vem influenciando a cultura pop em diversos âmbitos desde seu lançamento em 2016, com o lançamento de cada nova tecnocrata se tornando um evento próprio.
Lançada em 2017 a série se consolidou como uma das maiores produções de todos os tempos, sendo o maior sucesso da plataforma de streaming Netflix, mas a influência na “vida real”
começou de fato durante o lançamento da terceira temporada em 2019. Na época era comum ver o público mais jovem da produção usando uma foto de algum personagem como imagem de perfil nas redes sociais, que se completava com a de algum amigo que usava a foto de outro personagem relacionado. A terceira temporada também instaurou outra tendência, dessa vez no mundo da moda, onde os blusões largos e coloridos viraram uma febre, pois esse se tornou o visual oficial da personagem principal Eleven (Millie Bobby Brown) durante os novos capítulos. Durante esse período o filme Exterminador do Futuro também ganhou bastante destaque entre os fãs, que ficaram fascinados pela estética da obra que foi uma das inspirações para a temporada.
Já em 2022, durante o lançamento da quarta temporada, o impacto da série foi no mundo musical. A música “Running Up That Hill” da cantora britânica Kate Bush foi usada como trilha sonora da personagem Max Mayfield (Sadie Sink), que era uma das personagens principais da temporada. A canção se fez presente nos momentos mais importantes da temporada, tendo um papel crucial no plot e por isso se tornou um grande fenômeno na Internet, principalmente em edits do TikTok, alcançando o top 1 do iTunes e recebido mais de um bilhão de streams no Spotify em um período de um ano. Também durante o ano de lançamento da quarta temporada era comum ver pessoas usando camisas réplicas do uniforme do hellfire club, clube do jogo de RPG Dungeons and Dragons e integrado pelos personagens Mike, Dustin, Lucas e Eddie Munson. Eddie(Joseph Quinn) foi um fenômeno a parte e cativou uma legião de fãs, que fizeram tatuagens de morcegos assim como o personagem e foram a diversas convenções geeks fantasiados do mesmo.
E não podemos falar sobre o impacto da obra sem mencionar o fato de que Stranger Things revolucionou completamente o modo de lançamento de diversas séries. Até meados de 2015 era comum termos temporadas que continham ao menos 20 episódios que eram lançados semanalmente, porém, após o sucesso estrondoso da produção dos irmãos Duffer as demais produções também começaram a ter menos episódios e ter um espaço maior(geralmente entre dois e três anos) entre o lançamento de temporadas.
Críticas da última temporada
Crítica Yuri: durante 3 longos anos de espera depois do lançamento da 3ª temporada, os fãs da série não só criaram expectativas e teorias sobre o encerramento da obra, eles também foram nutridos com entrevistas e declarações dadas pelos irmãos Duffer, criadores de Stranger Things, que sempre prometiam capítulos grandiosos e que responderiam as dúvidas do público e daria um desfecho para os amados personagens e é uma pena que isso não tenha de fato ocorrido.
A 5ª temporada foi dividida em três partes, a primeira contendo 4 episódios lançados no dia 26 de novembro de 2026, a segunda com 3 episódios lançados no dia 25 de dezembro e o último capítulo lançado no dia 31 do mesmo mês. A primeira leva de episódios prepara o público para um clímax, com personagens presentes na série desde a primeira temporada sendo atacados e gravemente feridos e colocando o grupo principal em uma situação cercada por perigos de todos os lados. Por mais que possua algumas ressalvas, o primeiro volume foi bem satisfatório e terminou com um gancho que poderia ser muito bem explorado futuramente.
Já o segundo volume, lançado no Natal e lançado um mês após o final eletrizante do quarto episódio deixa a desejar em diversos aspectos. Começando pela falta de aprofundamento em alguns aspectos e relações de personagens, deixando tudo para o capítulo de encerramento. Por outro lado, devo dizer que o episódio 6 pode ser considerado como o melhor da temporada, explorando mais da mente de Henry Creel/Vecna(Jamie Bower Campbell) e nos dando pistas de como ele se tornou o grande vilão da série. A história do episódio segue Max, (que continua em coma no mundo real) e Holly(Nell Fischer) na busca por uma saída de onde estão presas e uma maneira de derrotar Henry. O episódio conta com sequências eletrizantes e me fez ficar na ponta do sofá durante as cenas finais. O final do segundo volume traz de volta ao mundo real uma das personagens mais queridas(por mim), mas é levemente decepcionante, criando uma solução simples para um problema que vem se criando a 5 temporadas(quase 10 anos se passaram para nós) e reutilizando fórmulas que já vimos inúmeras vezes durante a obra.
Agora chegando ao episódio final de Stranger Things posso dizer que essa temporada no geral me decepcionou. Diálogos excessivamente expositivos, personagens que simplesmente desaparecem da trama, efeitos especiais sem o devido refinamento e uma tentativa de encerramento épico que falha em todos os sentidos, até em criar tendências, um efeito natural que aconteceu nas últimas temporadas. Por isso concluo que o último episódio do fenômeno global é marcado por uma sensação de vazio, não porque algum personagem morreu, mas sim porque não condiz com tudo que vem sido construído durante a última década e falha em entregar aos fãs tudo o que esperavam e mereciam.
Crítica Manuela: das críticas, enxergo a quinta temporada como uma verdadeira montanha russa. O primeiro volume trouxe novidades, expectativas e curiosidade ao público, conseguindo cativar até aqueles que estavam com o pensamento do roteiro ser previsível, trazendo um desfecho impactante e com possibilidade de explorar mais os personagens principais e o universo em si.
Já no segundo volume, a decepção tomou conta. Admito que esses episódios não estavam condizentes com a forma como foi encerrada a primeira parte. A quantidade de personagens que os roteiristas optaram por deixar vivos acabou, de certa forma, atrapalhando o desenvolvimento certeiro da trama, já que, para evitar futuros furos de roteiro, a equipe precisava dar tempo de tela para cada um desses personagens.
Nesse volume também ficou nítido que os roteiristas ficaram receosos em matar personagens, o que seria necessário para manter a tensão da temporada. Da forma como foi feito, o público pôde se ver cada vez mais na zona de conforto por saber que nenhum dos queridinhos teria um fim trágico. Por exemplo, o Hopper. Sempre que o xerife enxergava alguma oportunidade de cometer suicídio (ou o que poderia ser visto como sacrifício), ele tenta concluir tal ação. E, devido a essa repetição incessante, ficou claro que ou algum acontecimento vai fazê-lo desistir ou alguém vai descobrir o plano dele e tentar reverter a situação.
Por fim, o último episódio. Mesmo com muitas pessoas detestando, eu devo dizer que gostei. Acho que tem seus defeitos - obviamente -, mas para o que a segunda parte prometeu, eles conseguiram dar uma volta por cima. É certo que ainda restaram umas dúvidas, mas, na minha percepção, eles conseguiram preencher e responder os principais questionamentos, como a origem de tudo ou como o Henry se tornou o Vecna. Não foi perfeito, até porquê, para isso, os irmãos Duffer precisariam de mais de um episódio para sanar todas as perguntas. A ausência de diversos personagens no epílogo foi algo que deveria ter sido revisado, pois personagens que tiveram certa relevância nessa última temporada simplesmente sumiram, nem chegaram a citar o que aconteceu com eles quando o tempo passou. No geral, acho que a temporada foi boa, mas deixou a desejar em alguns quesitos. Acredito, também, que a comoção gerada no público foi mais pelo apego emocional de anos do que do final propriamente dito.
Rabanada. Foto: Tudo Gostoso
Por: Giovana Silva
Presentes de forma quase obrigatória nas mesas brasileiras durante o Natal, o pavê e a rabanada são mais do que sobremesas tradicionais. Por trás dos sabores familiares, essas receitas carregam séculos de história, atravessam continentes e revelam como práticas de reaproveitamento de alimentos e influências culturais moldaram hábitos que hoje fazem parte do imaginário coletivo das festas de fim de ano.
A rabanada é uma das sobremesas mais antigas ainda consumidas no Ocidente. Registros de preparações semelhantes datam do século IV, ainda no Império Romano, quando fatias de pão amanhecido eram embebidas em leite ou vinho como forma de garantir uma refeição energética. Durante a Idade Média, a receita se espalhou pela Europa, associada principalmente ao reaproveitamento do pão duro, um alimento valioso em períodos de escassez. Em Portugal, entre os séculos XV e XVI, a rabanada ganhou destaque nas festividades religiosas, especialmente no Natal, sendo comum em conventos, onde o uso de ovos e açúcar era frequente.
Com a colonização portuguesa, a rabanada chegou ao Brasil no século XVI e passou por adaptações ao longo do tempo. Ingredientes como açúcar refinado tornaram-se mais abundantes, e, já no século XX, o leite condensado foi incorporado em algumas versões da receita. O doce, que nasceu como uma solução simples para evitar o desperdício, transformou-se em símbolo de fartura, afeto e celebração, consolidando seu lugar nas ceias natalinas brasileiras.
O pavê, por sua vez, tem uma origem mais recente e ligada à confeitaria francesa. O nome vem do termo pavé, que significa “pavimento” ou “calçamento”, em referência às camadas bem definidas que compõem a sobremesa. Na França do século XIX, doces montados em camadas, com biscoitos ou massas embebidas em líquidos e intercaladas com cremes, já eram comuns. Essas receitas valorizavam tanto a estética quanto a combinação de texturas.
No Brasil, o pavê se popularizou ao longo do século XX, especialmente a partir das décadas de 1950 e 1960, período marcado pela industrialização de alimentos como o biscoito maisena, o chocolate em pó e o leite condensado. Prático, versátil e sem necessidade de forno, o pavê tornou-se acessível a diferentes classes sociais e passou a figurar com frequência nas celebrações familiares, sobretudo no Natal.
Além do sabor, o pavê conquistou um espaço singular na cultura popular brasileira por meio de uma piada que atravessa gerações: “é pavê ou pra comer?”. E mesmo nao tendo registro exato de sua origem, a brincadeira se popularizou a partir do final do século XX e acabou transformando a sobremesa em um elemento de humor recorrente nos encontros familiares, reforçando seu caráter simbólico e afetivo.
Mais do que receitas, pavê e rabanada funcionam como narrativas comestíveis da história social e cultural. Elas revelam como pratos simples, atravessados por processos históricos, coloniais e industriais, podem ganhar novos significados ao longo do tempo. No Natal, ao serem compartilhadas à mesa, essas sobremesas reafirmam a comida como espaço de memória, identidade e convivência.
Pôster "Avatar: Fogo e Cinza". Foto: Radio Comercial
Por: Rafael Bittencourt
Diferente dos outros filmes da franquia, “Fogo e Cinza” não tem mais o propósito de ser inovador. Tantos em suas tramas, quanto em apresentar ideias novas sobre a biodiversidade que é muito presente nos filmes anteriores. Apesar de apresentar uma nova tribo que rejeita Eywa, a divindade central de Pandora, o terceiro filme parece mais uma continuação direta do segundo filme (já que a diferença de um filme para o outro são apenas de dias), caminho da água, e isso se dá pela gravação simultânea dos dois filmes fazendo com que apenas seja uma maximização dos problemas gerados pelo filme anterior. James Cameron não conseguiu fazer essa separação de dois filmes com narrativas diferentes e isso gerou filmes bastantes similares, fazendo com que perca uma parte do interesse do público, visto que a franquia em si já tem as características de filmes bem longos. Pelo lado da qualidade técnica, é um filme que não deve nada para ninguém, apresenta estética, beleza e qualidade gráfica de forma inovadora como é mantido toda a tendência dos filmes passados.
Visto que a expectativa era de um filme que iria apresentar uma nova tribo, com novos personagens, novas culturas e costumes, isso acaba sendo ofuscada pela relação de rivalidade entre Jake Sully (Sam Worthington) e o Coronel Quaritch (Stephen Lang), fazendo com que a novidade esteja mais de segundo plano, afetando um pouco a conexão com a Varang (Oona Chaplin), lider da tribo das cinzas, e os novos personagens que foram rebaixados a “exército clandestino” do Coronel e não puderam mostrar suas obsessões e formas de como viam o mundo de Pandora. Devido a isso, o fogo, núcleo que se construía a expectativa de onde passaria a narrativa do filme, é afetada devido a esse abafamento que fez os antagonistas se tornarem meros coadjuvantes, além de toda estrutura aquática presente que gira em torno do segundo filme.
Um ponto positivo no filme é todo o sentimentalismo que é levantado. Ambos os lados apresentam, de forma diferente, suas emoções e isso traça um apego maior pelos personagens devido a comparação e a aproximação que é gerada com o público que está assistindo. Na família Sully, é visto que todos tem a sua particularidade de como sentir o luto devido a perda do irmão Neteyam (Jamie Flatters) gerando uma sustentação a partir da religiosidade, do descontentamento e até mesmo da culpa. A propósito é o emocional que desencadeia a trama da construção de todo o personagem do Coronel Quaritch, onde é mostrado que o “monstro” tem um coração e apego pelo filho Spider (Jack Champion) e a sua responsabilidade é lidar com o cumprimento da missão a partir da relação com Varang e de manter seu filho a salvo, gerando essa batalha interna com que faz o público se pergunte se o personagem está do lado do bem ou do mal, deixando uma pulguinha atrás da orelha para a construção dos próximos filmes. Ademais, é impossível falar de sentimentalismo e Avatar e não comentar sobre a Neytiri (Zoe Saldaña) que é um dos melhores personagens da franquia, onde apresenta suas emoções com base no que ela acha certo e no sentimento de proteção familiar. Todo o seu subtrama interno é construído com base no preconceito gerado com o decorrer do tempo é fielmente vivido e declarado do jeito Neytiri de ser, fazendo com que seja um dos personagens com mais camadas de toda a saga Avatar.
Contudo, é possível concluir que é um bom filme para quem gosta desse universo cinematográfico e está disposto a dar mais chances para as próximas oportunidades que estão por vir. Se caso você esteja à procura de inovação, esse filme vai deixar um pouquinho a desejar devido a essa aparência de “Caminho da Água: parte dois”. Caso você procure um filme com a qualidade gráfica impecável, você será muito feliz, pois a estética e a beleza que é a marca registrada da saga é de fato algo para se bater palmas. Para uma continuação, é necessário trazer algo que o público queira realmente ver e entender sobre como esse universo é vasto e grande e não só refém de uma guerra que aparenta não ter um fim.
Pôster "Um herói de brinquedo". Foto: Prime Vídeo
Por: Letícia Mendes
1- Um Herói de Brinquedo (1996)
Uma das comédias natalinas mais queridas dos anos 90, Um Herói de Brinquedo conta a história de um pai tão ocupado com o trabalho que mal vê o filho,mas que promete entregar a ele o brinquedo mais desejado da época, o qual parece impossível de encontrar na véspera de Natal. O que se segue da trama é uma corrida frenética por lojas, rivais e situações absurdas, tudo temperado com humor e uma mensagem de amor paterno escondida sob camadas de confusão natalina. A performance de Arnold Schwarzenegger de maneira irreverente mostra que, às vezes, até os mais durões têm algo doce a dizer sobre prioridade e família. Disponível na Netflix, o filme é um clássico perfeito para quem busca um pouco de leveza e risadas nesse Natal.
2- As Férias da Minha Vida (2006)
Interpretada por Queen Latifah, Georgia Byrd vive uma rotina tranquila e sem grandes riscos até receber um diagnóstico que muda tudo. Quando o tempo parece curto, Georgia toma a decisão de viver como se cada dia fosse o último, embarcando em uma viagem cheia de reflexões, encontros inesperados e redescobrindo a alegria de estar viva. As Férias da Minha Vida é uma comédia dramática que nos lembra de aproveitar cada momento que a vida tem a proporcionar e está disponível na Netflix e no Paramount, além de opções de aluguel no Prime Video.
3- Sintonia de Natal (2024)
Fechando a seleção com um filme atual, Sintonia de Natal é um romance típico das festas ambientalizada em uma Nova York coberta de luzes e expectativas de um amor. A trama conta a história de Layla, interpretada por Christina Milian, que passa a véspera de Natal correndo por toda a cidade para encontrar um ingresso esgotado para um show especial e reencontrar o homem que marcou seu coração. Um elenco carismático e afrocentrado, uma trama leve e com muitas gargalhadas, Sintonia de Natal está disponível na Netflix.
Matuê. Foto: multi arena
Por: Rafael Bittencourt
Com um projeto de 13 faixas, Matuê lança seu álbum após ema audição no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, em uma grande celebração gratuita e pública que reuniu mais de 10 mil ouvintes, transformando o local em um grande show aberto. Com o mesmo local da divulgação de seu projeto anterior “333”, o Vale foi escolhido com o intuito de se aproximar de seus fãs e criar um questionamento e uma resistência criativa.
De acordo com o próprio artista, seu propósito era produzir algo mais livre, intuitivo e experimental. Trazendo uma estética mais comum fora do país, é inegável que Playboi Carti tem uma grande influência com o seu último projeto “MUSIC”. A aparência mais misteriosa e sombria é um dos pontos principais do projeto do cantor brasileiro, ditando a moda, design e comportamento, e é claro, a estranheza. De acordo com ele, era visado separar seu público do POP e trazer seus reais fãs para um lado mais TRAP, assim o diferenciando do que é mais comercial e aceito na indústria brasileira.
Além disso, era de conhecimento do público que o Matuê tinha a intenção de trazer visibilidade para o cenário underground (movimento fora da grande mídia) e com isso destacando artistas como Kouth, Cashley, N.A.N.A., FAB GODAMN, Okie, Phl Notunrboy, LPT ZLATAN. Apesar de um álbum recheado de nomes não tão conhecidos, o talento e autenticidade são algo que transbordam e respinga em todo o cenário do rap nacional.
Com isso é mais do que justo dizer que “XTRANHO” é coeso, autêntico, inovador e BOM. Com o público dividido entre “é muito bom” e “é só barulho”, o álbum trouxe o que realmente foi prometido e almejado. Além do mais, depois de “Máquina do Tempo” todo álbum do Matuê foi preciso de um tempo a mais para a “digestão” e entender a estética e intensão do projeto. Então se caso você não gostou, dê mais uma chance e escute de novo, e se caso você realmente não gostar, talvez você não seja XTRANHO o suficiente para isso.
Pôster "Tremembé: A Prisão dos Famosos". Foto: Prime Vídeo
Por: Giovana Silva
Nos últimos anos, produções nacionais que têm o crime, real ou ficcional, como eixo central ganharam espaço expressivo nos catálogos de streaming. Só em 2025, pelo menos cinco obras brasileiras do gênero chegaram ao público com grande repercussão. O fenômeno possui grande influência do gênero true crime popularizado no início dos anos 1920 nos Estados Unidos e trata de produções de não ficção que narram crimes reais, explorando os detalhes do caso como as investigações e o comportamento do sistema judicial.
A popularização desse tipo de narrativa não reflete apenas o grande investimento das plataformas, mas também uma mudança no comportamento e consumo do público, que demonstra interesse pelos bastidores da violência. No Brasil, séries e podcasts sobre crimes ocupam lugares entre os conteúdos mais acessados, com um público que, em podcasts como “Modus Operandi”, tem mais de 70% de mulheres entre seus ouvintes, uma amostra da procura feminina pelo gênero.
Em 2025, as plataformas de streaming no Brasil ampliaram o leque de produções nacionais centradas em crime e violência, acompanhando o crescente interesse do público pelo tema. Na HBO Max, “Beleza Fatal”, criada por Raphael Montes, estreou com alta repercussão ao apostar em uma narrativa de conflito e investigação. Na Netflix, “Os Donos do Jogo" colocou em evidência o funcionamento do jogo do bicho no Rio de Janeiro, enquanto o Prime Video lançou “Tremembé", série que recria a rotina do presídio paulista conhecido por abrigar casos de grande notoriedade. Já “Arcanjo Renegado", disponível no Globoplay, manteve forte presença entre os títulos mais assistidos do gênero policial. Fora das telas, o interesse por tramas criminais também se refletiu no mercado literário: Raphael Montes foi o autor mais vendido da Bienal do Livro Rio de 2025, resultado que reforça a consolidação dessas narrativas junto ao público brasileiro.
A expansão das narrativas criminais também traz debates éticos sobre os limites entre informação e entretenimento. A transformação de crimes reais em produto cultural pode reforçar estereótipos e banalizar investigações. O caso de Eloá Cristina Pimentel, em 2008, pode ser citado como exemplo extremo, a extensa cobertura ao vivo e a interferência direta da mídia durante o sequestro foram apontadas como fatores que agravaram a situação e contribuíram para o desfecho trágico. Situações como essa evidenciam como a lógica de audiência pede por histórias cada vez mais impactantes, o que nem sempre coincide com o rigor necessário ao tratar temas sensíveis como violência e segurança pública. Ao mesmo tempo, é importante reconhecer que quando conduzidas com responsabilidade, essas produções podem ampliar o debate público sobre o sistema de justiça e revelar dinâmicas que normalmente permanecem invisíveis.
O mercado de true crime deixou de ser um nicho para se transformar em um ecossistema amplo que envolve editoras, plataformas de streaming, produtores independentes e até grandes grupos de mídia tradicionais. Editoras têm dedicado catálogos a romances policiais, enquanto podcasts do gênero, antes limitados a iniciativas independentes, passaram a fazer parte de Globo, Folha e Spotify, muitas vezes servindo de ponto de partida para adaptações audiovisuais. No streaming, a disputa por obras criminais se intensificou: Amazon, Netflix, Globoplay e HBO Max passaram a lançar documentários, ficções baseadas em casos reais de forma quase contínua, respondendo ao público fiel. Esse movimento aponta para uma indústria consolidada, em que a violência e seus desdobramentos viram produto e estratégia de retenção de público, reforçando o protagonismo do tema no entretenimento brasileiro.
Pôster "Wicked 2". Foto: Cinemark Campo Grande
Por: Yuri Viana
Intitulado “Wicked: Parte 2” (ou “Wicked: For Good” no original) , o filme traz a conclusão da épica história de Elphaba, a bruxa má do oeste e Glinda, bruxa boa do norte. Mas o que grande parte do público não sabe, é que o longa é uma adaptação do musical da Broadway, que é baseado em um livro dos anos 90 que adapta o livro de O Mágico de Oz.
O mágico de Oz(1900)
Escrito por L. Frank Baum e publicado em 1900, o livro “O mágico de Oz” explora as aventuras de Dorothy, uma jovem do Kansas, quando se vê perdida em uma terra encantada. A obra fez tanto sucesso em seu lançamento que sua primeira edição esgotou duas semanas após o lançamento, e assim se iniciava um novo fenômeno mundial. O que muitos não sabem, é que esse é apenas o primeiro dos 14 volumes que L. Frank Baum escreveu sobre a terra de Oz, explorando mais a mitologia do lugar e introduzindo novos personagens.
O mágico de Oz(1939)
No inglês “The Wizard of Oz” foi um sucesso estrondoso, impactando a cultura pop e a indústria cinematográfica para sempre, além de ser um dos filmes com mais polêmicas envolvendo os bastidores. Filmado entre outubro de 1938 e fevereiro de 1939, as gravações do longa foram marcadas por agressões aos atores, troca de diretores, uso de substâncias tóxicas nas caracterizações e até assédio a protagonista Judy Garland, que na época das gravações tinha apenas 16 anos, já era vítima de uma dieta restritiva e refém de soníferos e medicamentos para mantê-la acordada, além de uma grande quantidade de cigarros que eram consumidos todos os dias.
Em seu lançamento em 15 de agosto de 1939, o filme foi um fracasso total de bilheteria, mesmo agradando os críticos conquistando 6 indicações ao Oscar. Na época, filmes muito fantasiosos não eram bem aceitos; porém, com seus relançamentos, reprises na televisão e reconhecimento das técnicas inovadoras que o filme utilizou, a obra se tornou um clássico e hoje em dia é considerado um dos filmes mais icônicos de todos os tempos.
Wicked: The Life And the Time of the Wicked Witch of the West (1995)
Escrito por Gregory Maguire e publicado em 1995, o livro é uma releitura com viés mais sombrio e político de “O Mágico de Oz”, focado em Elphaba, a bruxa má do oeste e todas as suas aventuras e tragédias vividas em Oz. A obra foi muito bem recebida pela crítica, que elogiou a forma como Maguire adaptou a história original com maestria. O livro possui três continuações e um prequel, mas que não fizeram tanto sucesso quanto o primeiro da saga.
Wicked: A História Não Contada das Bruxas de Oz (2003)
Com canções como “Defying Gravity” e “Popular” escritas por Stephen Schwartz, a peça estreou em 2003 com Idina Menzel e Kristin Chenoweth dando vida a Elphaba e Glinda respectivamente. Desde sua estreia o musical foi um grande sucesso, conquistando 3 Tony Awards e cativando uma legião de fãs que seguem fiéis até hoje. Na Broadway, o musical está em cartaz a mais de 20 anos, e já tendo produções em Londres, México, Noruega e é claro, Brasil, que atualmente já está na sua terceira temporada do musical. Wicked chegou ao nosso país pela primeira vez em 2016, com uma montagem réplica(mesmos figurinos e cenários que a Broadway), com Myra Ruiz como Elphaba e Fabi Bang como G(a)linda; a temporada foi um enorme sucesso, sendo um divisor de águas na carreira das artistas e mais uma vez cativando uma legião de fãs. Na montagem de 2023, a peça chegou com novos figurinos, cenários e uma estrutura de voo super inovadoras, surpreendendo o público e atraindo uma legião ao teatro. Agora em 2025 tivemos outra temporada não réplica, que fez tanto sucesso que precisou ser estendida diversas vezes e terá sua última sessão no dia 21 de dezembro, marcando o fim de uma era para Myra e Fabi.
Wicked(2024)
Anunciado em 2016 e previsto para estrear em 2019, a adaptação cinematográfica do musical de sucesso deixou os fãs eufóricos, mas devido a atrasos, a direção que antes era de Marc Platt passou a ser de Jon M. Chu e o filme finalmente entrou em produção em 2021, escalando Cynthia Erivo para viver Elphaba e Ariana Grande para viver Glinda. As escalações geraram controvérsias, mas as atrizes e cantoras logo mostrariam que eram a escolha perfeita para os papéis. O filme começou suas gravações em 2022 no Reino Unido, surpreendendo a todos por fazer uso de grandes cenários ao invés de CGI excessivo, coisa que é rara atualmente. As gravações também precisaram ser interrompidas por consequência da greve dos atores, mas logo voltou e concluiu suas filmagens. No seu ano de lançamento(2024) foi um grande fenômeno, fazendo parceria com diversas marcas e levando uma legião aos cinemas usando verde ou rosa e arrecadando mais de 750 milhões de dólares mundialmente.
Wicked: Parte 2(2025)
Lançado em 20 de novembro de 2025, o longa traz aos cinemas a conclusão da história de Elphaba e Glinda e nos transporta para a terra de Oz mais uma vez. Com números musicais grandiosos, figurinos deslumbrantes e performances dramáticas de arrepiar, o filme encerra um ciclo com maestria. A obra foi filmada juntamente com a primeira parte, mas passou por refilmagens e gravação de cenas adicionais no início do ano de lançamento.
Apesar da obra em si ser excelente, o que mais repercutiu foram as polêmicas durante a turnê de divulgação do filme, que passou pelo Brasil. A premiere brasileira estava marcada para acontecer no dia 4 de novembro em São Paulo, mas na madrugada do mesmo dia Ariana Grande (Glinda) comunicou aos fãs através de uma postagem em seu Instagram que não poderia comparecer ao evento por problemas em seu avião; esta ação gerou revolta no público, que alegou que se realmente quisesse, a mesma teria conseguido vir de outras maneiras. Toda a situação só piorou quando a artista fez outra postagem se justificando e pedindo que parassem de atacá-la e desejar seu mal, nos desejando uma noite segura. O evento no Brasil também foi marcado pelo descaso com as atrizes Fabi Bang e Myra Ruiz, intérpretes e dubladoras de Glinda e Elphaba no Brasil, que foram maltratadas pela produção e impedidas de conhecerem o elenco e diretor do filme. Mesmo com todas as polêmicas, Wicked: Parte 2 conseguiu arrecadar 11 milhões de reais no seu final de semana de estreia no Brasil, cerca de 4 milhões a mais do que no primeiro filme, se provando um verdadeiro sucesso entre o público.