Escola Normal de Itapetininga em 1908. (Acervo MIS-I – Museu da Imagem e do Som de Itapetininga).
De acordo com o Blog da Escola Estadual Peixoto Gomide, da cidade de Itapetininga, a partir da proclamação da República, a política educacional do novo Governo era dirigida à criação de escolas, onde pudesse ser aplicada sua filosofia positivista, que era o baluarte do novo regime político. Na última década do século XIX, foi aprovada a Lei Básica de Instrução Pública, que recebeu o nº 88 e foi publicada em 8 de setembro de 1892. Por essa lei deveriam ser criadas quatro escolas normais primárias no Estado de São Paulo. Foi a partir da promulgação da Lei nº 169, no ano seguinte, que houve o aditamento de diversas disposições em relação à referida lei de 1892.
O senador Peixoto Gomide (1849-1906), amigo do deputado estadual Coronel Fernando Prestes de Albuquerque (1855-1937), vinha sempre à cidade de Itapetininga para caçar perdizes e para visitar o seu irmão. O empenho do senador e do coronel, figuras ilustres da política da época, foi decisivo na escolha da cidade para a construção da primeira Escola Normal do interior paulista. Em 1894, o senador conseguiu que Itapetininga fosse uma das cidades escolhidas para sediar uma das Escolas Normais do Estado, através da publicação do Decreto nº 245 no dia 20 de julho.
Apesar dos festejos dos munícipes pela criação da escola, várias dificuldades surgiram, entre elas a falta de um prédio apropriado para o funcionamento da recém-criada Escola Normal. Em Itapetininga foi instalada momentaneamente apenas uma Escola Modelo, sendo nomeado para dirigi-la o português major Antônio Augusto da Fonseca (1855–1916), fundador do Externato Providência.
Uma comissão de importantes representantes da política local decidiu que, em caráter provisório, a escola funcionaria no antigo prédio da Rua do Comércio, em 1895. No final desse ano, em 17 de dezembro, a Câmara Municipal entregou o terreno ao Estado para a construção da escola. Sua pedra fundamental foi lançada somente no mês de maio do ano seguinte.
Em 1897, com a publicação do Decreto nº 428, foi autorizada a criação de uma Escola Modelo Complementar, anexada à Escola Modelo de Itapetininga. A Escola Complementar diplomou professores designados de complementaristas.
Às dez horas da manhã, no dia 23 de novembro de 1897, no salão nobre do Clube Venâncio Ayres, ocorreu a avaliação dos alunos do 1º ano da Escola Modelo. A bancada examinadora era composta pelo major Fonseca, o professor Dr. Henrique de Sá e o professor José Carlos Dias. Consta em Ata, redigida por Sebastião Villaça, que a prova ocorreu com a presença de “excelentíssimas famílias” e “muitos cavalheiros”. O programa do exame, elogiado pela comissão, foi elaborado pela professora Maria Rodrigues de Azevedo Lobo. ( "Livro 120 anos em 120 páginas" - 1ª Edição 2015 - Sala de Leitura da E.E. PEIXOTO GOMIDE" )
Segundo Milton Cardoso do Correio de Itapetininga – Especial para o Correio de Itapetininga - a escolha de Itapetininga para sediar a primeira escola na formação de normalistas do Estado deve-se particularmente ao empenho de duas pessoas: Peixoto Gomide (1849-1906) e Coronel Fernando Prestes (1855-1937), ilustres personalidades políticas na época. O monumental projeto de edificações, destinado a sediar três escolas (Normal, Modelo Preliminar e Modelo Complementar) ficou a cargo do renomado Ramos de Azevedo (1851-1928), um dos mais conceituados arquitetos brasileiros na época. O prédio central tem a sua planta em “U”, semelhante à da Escola Normal Caetano de Campos (hoje sede da Secretaria de Educação), enquanto os outros dois seguiram a mesma planta dos grupos escolares do período. Decorreram-se quase sete anos, entre a publicação do decreto e a finalização da construção do conjunto arquitetônico, em 1900. Enquanto a cidade não se dispunha de um prédio apropriado na formação de professores, foi instalada em 1895, uma Escola Modelo, comandada pelo major Fonseca (1855–1916), localizada na Rua Campos Salles.
O primeiro diretor da escola Normal foi o Professor Pedro Voss (1871-1940), que ocupou o cargo entre os anos de 1902 até 1924. Para se ter a ideia da importância da Escola Normal na formação de professores, até fins da década de 1920, a Escola Normal de Itapetininga formava cerca de um décimo dos professores do Estado. O conjunto arquitetônico também serviu de base para a Revolução Constitucionalista, alojamento de civis voluntários e hospital de sangue.