Atestado de Origem: passo a passo

O Atestado de Origem (AO) é o procedimento administrativo que apura as causas e as circunstâncias de morte, lesão, perturbação funcional, contaminação ou enfermidade em militar, provenientes de acidente de serviço ou de moléstia profissional, para determinar o nexo de causalidade e chegar a uma Solução pelo amparo ou pelo desamparo do acidentado (Resolução nº 5.213/2022-CG, art. 2º).

Orientações iniciais

Base legal. O AO é regido pela Resolução nº 5.213, de 07 de julho de 2022 (Atestado de Origem na PMMG), que revogou a Resolução nº 3.524/2000 (art. 29). Subsidiariamente aplicam-se o MAPPA (Resolução Conjunta nº 4.220/2012).

Para que serve. O AO ampara o militar que sofreu acidente de serviço ou moléstia profissional com incapacidade, invalidez ou morte, e deve conter os elementos de convicção e as provas do fato (art. 2º, § 1º). Uma cópia do AO instrui o processo de reforma quando for o caso (art. 2º, § 3º). O amparo retroage à data do acidente que causou a lesão grave ou gravíssima, ou à data do diagnóstico da moléstia profissional (art. 22).

Conceitos que você vai usar no relatório

Quando o militar está em serviço de natureza policial militar (art. 4º)

Não há amparo para acidente decorrente de atividade física não normatizada pela Unidade e sem prévia autorização do Comando (art. 4º, parágrafo único).

Quando o AO não será instaurado (art. 7º)

Quando o AO não for instaurado por essas razões, o motivo deve ser circunstanciado na CAc ou em ato administrativo do Comandante, publicado em BI da Unidade e registrado no prontuário médico/odontológico das UAPS, com a CAc arquivada na pasta funcional do acidentado e no prontuário (art. 7º, § 1º). Se o motivo foi a ausência de lesão grave e o quadro clínico depois se agravar, o AO pode ser instaurado por petição do acidentado ou por manifestação do Oficial médico ou cirurgião dentista (art. 7º, § 2º).


Fase prévia: CAc, LDL e despacho do Comandante (antes da apuração)

O encarregado, ao receber os autos do Atestado de Origem, deve conferir se a CAc e o LDL estão presentes na documentação fornecida pelo NJD e se estão corretos, porque são a base do AO. 

Passo 1 – Comunicação de Acidente/Moléstia Profissional (CAc)

O acidentado, em serviço ou não, comunica o fato ao Comandante de Fração ou Chefe Direto e preenche a CAc (Anexo I, itens 1 e 2): identificação, local, data e hora, causa, se foi em serviço ou decorrente dele, e as testemunhas e provas indicadas no verso (art. 6º, § 8º). O protocolo é feito em até 10 dias úteis. Quando o acidentado não puder apresentá-la por razões alheias à sua vontade, o Comandante de Fração ou Chefe Direto faz relatório circunstanciado, com as diligências que comprovem o acidente em serviço, e o remete à UAPS no mesmo prazo (art. 6º, § 2º).

Passo 2 – Inspeção na UAPS e item 3 da CAc

O Comandante de Fração encaminha o acidentado à UAPS, que agenda a avaliação pericial de imediato ou em até 10 dias úteis. O Oficial médico ou cirurgião dentista preenche e assina o item 3 da CAc: descrição detalhada da lesão com CID, grau (não grave, grave, gravíssima, indefinida ou reavaliar em até 30 dias), afastamento (dispensa ou licença-saúde e número de dias) e necessidade de AO. Esse registro também vai para o prontuário (art. 6º, §§ 1º e 3º). Se o militar não puder ser inspecionado, a inspeção pode ser substituída por relatórios ou laudos de médico assistente (art. 6º, § 5º).

Passo 3 – Laudo Descritivo da Lesão (LDL)

Verificada a necessidade de AO, o Oficial médico ou dentista preenche o LDL (Anexo II) e o remete ao Comandante junto com a CAc (art. 8º).

Passo 4 – Despacho do Comandante (item 4 da CAc)

Em até 10 dias úteis após receber a CAc, o Comandante marca uma das opções do formulário:

CAc fora do prazo

A CAc intempestiva não impede o AO se o Oficial médico ou dentista da UAPS a providenciar, após inspeção de saúde, desde que o preenchimento tardio seja justificado e o acidente esteja bem caracterizado por BO, registro no prontuário da época do acidente ou relatório circunstanciado do Comandante de Fração ou Chefe Direto (art. 6º, § 9º). Fora disso, o AO não será instaurado (art. 6º, § 10). 

Portaria de instauração

A portaria numerada é o ato que instaura o AO e designa o encarregado (art. 10, II, e Anexo III). Quem a assina é o Comandante ou quem responde pelo comando. Ela recebe número e ano da Unidade, é publicada em BI e segue ao encarregado com a CAc, o LDL e os demais documentos anexos, com o total de folhas informado.

APURAÇÃO PELO ENCARREGADO

Capa e Termo de Autuação

O primeiro ato do encarregado é autuar a portaria e os documentos recebidos, conforme o Anexo IV (art. 11, I). O AO é lavrado em uma só via (art. 15, caput).

A confecção da capa segue o padrão de cada unidade. Como o MAPPA se aplica subsidiariamente ao AO (art. 21) e adota o Princípio da Informalidade (art. 2º, IV), não há modelo nem forma rígida: qualquer das disposições abaixo, quando corresponder à prática da unidade, não gera nulidade.

MODELO DE CAPA
MODELO DE TERMO DE AUTUAÇÃO

Fase instrutória

O encarregado deverá ouvir o acidentado e as testemunhas, reduzindo a termo as oitivas (art. 11, II), e reúne as provas que permitam responder aos quesitos do relatório. A Resolução não prevê fase de defesa: o AO é procedimento de apuração de nexo, e o acidentado participa como interessado e como principal fonte de informação.

Oitiva do acidentado

MODELO DE NOTIFICAÇÃO DE OITIVA DO MILITAR ACIDENTADO 

MODELO TERMO DEPOIMENTO ACIDENTADO

Perguntas sugeridas ao acidentado que o relatório final vai exigir:

OBS: Não há prazo mínimo para que essa notificação ocorra. Ela pode ser realizada por qualquer meio, e a juntada da notificação aos autos não é obrigatória, caso esta não tenha sido realizada.

Oitiva das testemunhas

Ouça as pessoas indicadas na CAc e as que o acidentado apontou.

MODELO DE NOTIFICAÇÃO TESTEMUNHA MILITAR

MODELO DE NOTIFICAÇÃO TESTEMUNHA CIVIL 

MODELO TERMO DE DEPOIMENTO DE TESTEMUNHA

OBS: Não há a necessidade do comunicar o militar acidentado para conhecimento das oitivas das testemunhas.  Ela pode ser realizada por qualquer meio, e a juntada da notificação aos autos não é obrigatória, caso esta não tenha sido realizada.

Termo de juntada e provas

Tudo o que for incorporado depois da autuação, com exceção das oitivas, entra por termo de juntada, com a descrição dos documentos e as folhas em que ficaram. A prova depende do tipo de acidente.

Algumas provas que podem ser juntadas ao Atestado de Origem são:

O AO pode ser instruído com cópia de peças de IPM, APF, sindicância ou outro processo, croquis, laudos e documentos do acidente. Isso dispensa a produção de novas peças e oitivas repetitivas, quando as existentes forem suficientes (art. 11, § 4º). O MAPPA também admite prova emprestada obtida legalmente (art. 543).

Obs: Nos casos de documentação médica, solicitar esses documentos ao militar acidentado, uma vez que somente ele pode requerê-los

MODELO DE TERMO DE JUNTADA

Lesão preexistente e moléstia profissional

Se houver registro de lesão anterior no mesmo local, ou se o caso for de moléstia profissional, o militar precisa passar pela JCS ou pela JRS, com consultoria da TeleJCS, e o AO fica sobrestado até a manifestação (art. 10, §§ 2º e 3º, e art. 19). O agravamento de lesão preexistente só é aceito em casos excepcionais, depois da avaliação pericial (art. 19). No relatório, a resposta ao quesito de lesão preexistente não pode ser concluída sem esse parecer: o Anexo V diz que, nessa hipótese e sem submissão à JCS, o AO não poderá ser solucionado.

Prorrogação, sobrestamento e diligências

Relatório do encarregado

O relatório é a peça em que o encarregado relata, de forma sucinta e objetiva, o que apurou, esclarece a relação causa-efeito técnico-administrativa em que firmou sua convicção e sugere o amparo ou o desamparo (art. 11, III, e Anexo V). A sugestão do encarregado não vincula o Comandante, que decide na Solução.

MODELOS DE RELATÓRIOS DE AO

Estrutura

Como responder cada quesito


4.1 O acidente ocorreu em serviço?

Sim ou não, e como. Descreva o fato em uma ou duas frases.


4.2 Como?

A dinâmica do acidente, conforme as provas apuradas no autos .


4.3 Decorrente do serviço?

Especifique em qual inciso do art. 4º da Resolução nº 5.213/2022-CG que o fato se enquadra (escala, deslocamento, instrução, competição oficial).


4.4 Por ordem de quem?

Escala de serviço, ordem de serviço, plano de instrução ou ato do Comandante, com a folha. Se não foi possível obter o documento, registre as diligências feitas.



4.5 Foram constatados os nexos do art. 3º, §§ 2º e 3º Resolução nº 5.213/2022?

Analise os três nexos parciais: entre a atividade e a exposição ao risco, entre o risco e a lesão, e entre a lesão e o acidente (compatibilidade específica com o dano à saúde). Verifique também se a causa pode ter origem extrainstitucional. Classifique a lesão como acidente de serviço (art. 3º, II e VI) e como grave ou gravíssima, com o número de dias de licença. Cite o trecho do relatório médico ou do prontuário que prova o nexo médico-pericial.



4.6 Houve negligência, imprudência ou imperícia que contribuiu diretamente?

Responda uma a uma, com os conceitos do art. 3º, XI a XIII. Em acidente com veículo, informe se usava EPI e se respeitou as normas do CONTRAN, porque a falta de EPI caracteriza negligência.


4.7 Praticou transgressão disciplinar grave ou ato ilícito que concorreu diretamente?

Indique se há indício nos autos. A transgressão ou a conduta imprudente que não influenciou diretamente o acidente não afasta o amparo.


4.8 Enquadra-se em alguma situação do art. 7º Resolução nº 5.213/2022?

Percorra os dez incisos e diga quais foram afastados. Se a CAc for intempestiva, aponte a exceção do art. 6º, § 9º.


4.9 Causa do acidente ou moléstia

Classifique: física, química, biológica, ergonômica, ou a causa ou concausa do art. 3º, § 5º (arranjo físico, equipamento defeituoso, animais, caso fortuito, ação de terceiros, etc).


4.10 Há registro de lesão preexistente ou de moléstia profissional?

Responda com base no LDL, no prontuário e na declaração do acidentado. Se houver, informe a manifestação da JCS.


4.11 Diagnósticos médico-odontológicos

Transcreva a descrição e o CID do relatório médico, com a data e a folha.


Parecer

O parecer deve dizer, em frases curtas: que há prova de que o militar se acidentou no exercício do serviço policial militar, qual o grau da lesão e o afastamento, que está provado o nexo de causalidade ligando o efeito à causa e, em conclusão, que sugere o amparo (ou o desamparo, com a justificativa)

MODELOS DE RELATÓRIOS DE AO

Ofício de remessa

Ofício de remessa

Concluído o relatório, o encarregado remete os autos ao Comandante e encerra a apuração.

MODELO DE OFICIO DE REMESSA