It's Okay to Not Be Okay
Sobre os enlaces da cultura sobre nós e, inevitavelmente, de nós sobre a cultura ..
Como o post inicial, eu escolhi "It's Okay to not be Okay" ou, simplesmente, "Tudo bem não ser normal". É uma série fantástica, koreana, sobre os não tão delicados percursos da vida, manifestados na liquidez do sintoma. Este, no âmbito pessoal, familiar e social, bem como transposto pela segregação implícita ou explícita do sujeito no lar, no hospital psiquiátrico, na vida. Amor, dor, medo, solidão, inumanidade e inclusão ora contrapõem-se, ora interligam-se na história falada, vivida e escrita dos personagens, em cena. Onde, então, por vezes, o normal cinde o patológico e o patológico cinde o normal na possibilidade do sujeito reconhecer-se como pessoa desejante e ao bem-estar psicológico em primordial ascensão. Sim, sim! É sobre Saúde Mental e vale muito a pena assistir. 📽🎬📺
É impressionante como o Brasil, ultimamente, tem se direcionado ao retrocesso permanente. Espero que essa ação alienante e arbitrária de institucionalizar a Psicanálise seja revista. As palavras de Marco Antonio, no artigo, fazem jus a legitimação da Psicanálise e da formação do analista fora da academia - universidade - e suas regulamentações. Bacharelado em Psicanálise, realmente, como Marco fala, só tem o nome de Psicanálise e nada mais.
C I D A D E I N V I S Í V E L
II
Minha avó - quando criança - morava numa serra, no interior do Ceará, e sempre apareciam caçadores mortos - em grutas - cheio de folhas na boca, ouvido e nariz. Uma vez, lembro-me que ela falou, que estava passeando por uma trilha e ouviu uma algazarra de vozes e gargalhadas. Aproximou-se do local - onde vinha o barulho - e viu um grupo de Caiporas dançando numa caverna. Nalgumas noites, dizia que, os moradores se recolhiam mais cedo as casas, pois o Curupira passava gritando e batendo nas árvores e, nesses momentos, os moradores tinham medo de encontrá-lo.
"Cidade Invisível" é uma série gostosa - com atores e atrizes sensacionais - sobre os seres mágicos que integram o folclore, do Brasil. Mais ainda, a série mostra as muitas tentativas - ao longo dos anos - de coexistência dos seres mágicos com os homens num mundo perdido, a meu ver. Num mundo, ou melhor, num país - como mostra na série repetidas vezes - cuja natureza está aos frangalhos, onde o próprio homem contribui incessantemente a destruição tanto de si mesmo, quanto de tudo que o cerca, infelizmente. Na série, também, fala-se sobre as relações familiares, de amizades e de trabalho, bem como aborda os temas sobre saúde mental - depressão - e sobre o luto, este numa vivência mais conturbada. Enfim, é uma produção brasileira belíssima!
OBS: Uma opção delícia para introduzir as crianças na cultura e folclore nacional. E, boas aventuras pela CIDADE INVISÍVEL!
"A Cuca
vai
pegar ..."
I
Confesso que, já assisti "Cidade Invisível" duas vezes, mas, se puder, assistirei uma terceira vez. Sou apaixonada pelo folclore brasileiro e tinha até dois livros de lendas, quando criança. Lembro que, não cansava de ler as histórias incríveis sobre a Iara (Mãe d'água), o Saci, o Boto cor-de-rosa, o Caipora, o Curupira, etc. Histórias que, encantavam o meu dia a dia na infância e, ainda, passeiam pelo meu pensar, pela imaginação.
João e Maria
Quando li o título "Um conto sombrio dos Grimm", imediatamente, pensei nos irmãos Grimm. Estes, escritores alemãos de várias fábulas infantis e, sim, tive uma ideia de como seria o tal conto sombrio dos Grimm. Mas, mesmo assim, resolvi assistir e apreciar a criatividade presente nas narrativas, nos diálogos dos personagens, nos temas abordados e na qualidade dos desenhos. Não, não sou nenhuma expert em animes ou designer gráfico, mas, sim, gosto de apreciar um trabalho muito bom.
João e Maria - príncipe e princesa - são os personagens principais, na série. Resolveram fugir de casa, ou melhor, do castelo, pois se decepcionaram com os sentimentos dos pais ou, mais especificamente, a falta de sentimento - amor - dos pais. Desta forma, juntos ou um pouco separados, vivenciam muitas aventuras regadas por muitas auto transformações nessas caminhadas onde passaram na busca de novos pais, de uma nova família. Busca esta, implicada na tentativa - fantasmática - de suprir a falta, suprir o vazio deixado pelo não sentir - amor ausente - em sua família original.
Na dolorosa busca por um sentir - um preenchimento - que, não será completo e nem tampouco permanente, pois o desejo e sua satisfação se põem em suspensão - se realizam parcialmente -, João e Maria se aventuram numa caminhada longa e, mais ainda, numa caminhada por si mesmos repleta de deslizes e percalços. Mas, também, é certo que, diante de tantos risos ou choros, João e Maria compreendem a real importância de si mesmos seja nas próprias vidas, seja na vida das pessoas com as quais convivem e vivem nos episódios, por certos momentos. "Cada um dá o que tem" é uma das muitas verdades que, aparece ali, por vezes, implicitamente. E, sim, percebi que, o mínimo oferecido foi transformado em algo grandioso, desde que, houvesse a disponibilidade de cada personagem evocado - em cena - para tal engrandecer.
Embora num formato de desenho, na série, alguns episódios têm imagens violentas e são carregadas de um humor sádico. Mas, a meu ver, tais ingredientes não diminuem a preciosa significação e ressignificação do desejo em suas possíveis e permissíveis vias de realização para continuidade da vida. Um desejo, um querer, um sentir, ali, presentes, no mundo de João e Maria. Um mundo onde a arte transmitiu muito e bem mais além do que o simples passar de cenas computadorizadas, organizadas e coloridas.