Carnavalesco Alagoano - Ras Gonguila
Por Everaldo Soares
Carnavalesco Benedito dos Santos nasceu em Maceió em 1905, em uma rua situada entre as Igrejas de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e de São Benedito, no centro da cidade. Seus pais, que haviam sofrido com a escravidão, conseguiram a liberdade, mas eram analfabetos e sobreviviam vendendo frutas nas ruas ou limpando os casarões dos barões do açúcar na cidade antiga. Os registros mais antigos sobre Gonguila o descrevem como engraxate e fundador do bloco carnavalesco Cavaleiro dos Montes. Alguns jornais grafavam o nome do bloco de diferentes maneiras, como Cavalheiros dos Montes ou Cavaleiros dos Montes. Um desses registros foi encontrado no Diário de Pernambuco de 12 de novembro de 1933, que relatou as atividades para o carnaval do ano seguinte, mencionando que o Clube Carnavalesco Cavalheiros dos Montes havia iniciado os ensaios de marchas em sua sede social em Ponta Grossa, sob a direção de Batista, José, Lanchas, Gonguila e Benedito. Ele se autodenominava Rás, significando príncipe etíope, e por isso passou a ser conhecido como Ras Gonguila.
Ele faleceu em 1968 devido a um ataque cardíaco. Ele deixou cinco filhos e um legado significativo para a cultura popular de Alagoas. Sua história foi contada no samba-enredo da escola de samba Beija-Flor em 2024.
Fonte: Ras Gonguila, o príncipe etíope dos carnavais alagoanos – História de Alagoas
"Consciência Negra"
Para comemorar essa data trazemos a música "Banzo", composta pelo Satubense Heckel Tavares, é uma das obras mais expressivas do modernismo musical brasileiro, marcada pela fusão entre elementos da cultura afro-brasileira e a linguagem erudita europeia. O termo "banzo" refere-se a um sentimento profundo de melancolia e saudade vivido pelos africanos escravizados no Brasil, uma dor existencial provocada pela separação de sua terra natal, de sua cultura e de sua liberdade.
Na composição, Tavares traduz esse sentimento em sons, criando uma atmosfera densa e emocional. A obra se destaca pelo uso de melodias modais e harmonias densas, que evocam o sofrimento e a introspecção do povo negro. A orquestração é rica, com timbres graves e lentos, reforçando o tom de tristeza e contemplação.
“Banzo” reflete a busca modernista por uma identidade nacional na música, unindo a tradição erudita ocidental com as raízes africanas e indígenas brasileiras. Nesse sentido, a obra é também um ato político e cultural: ao dar voz ao sentimento do negro escravizado, Tavares valoriza um aspecto da história brasileira que, por muito tempo, foi silenciado.
Música Banzo- Heckel tavares
Leandro Abreu
Zumbi
Zumbi dos Palmares foi um dos maiores líderes da resistência negra contra a escravidão no Brasil colonial. Nascido em 1655, no Quilombo dos Palmares, localizado na Serra da Barriga, atual estado de Alagoas, Zumbi tornou-se símbolo da luta pela liberdade e pela dignidade do povo negro.
Palmares era uma grande comunidade formada por milhares de pessoas negras fugidas da escravidão, além de indígenas e brancos pobres, que viviam de forma autônoma e solidária. Zumbi destacou-se como guerreiro e estrategista militar, organizando a defesa do quilombo contra os ataques das forças coloniais.
Zumbi dos Palmares tornou-se um ícone da liberdade e da luta contra a opressão. O dia 20 de novembro, data de sua morte, é hoje reconhecido como o "Dia da Consciência Negra", em homenagem à sua coragem, resistência e legado na história do povo afro-brasileiro.
A beleza dos relatórios de Graciliano Ramos quando Prefeito de Palmeiras dos Índios nos surpreende, podemos verificar um deles retirado da Cartilha.
O RELATÓRIO DO PREFEITO GRACILIANO RAMOS
PREFEITURA MUNICIPAL DE PALMEIRA DOS
ÍNDIOS – RELATÓRIO AO
GOVERNADOR DE ALAGOAS
Sr. Governador.
Esta exposição é talvez desnecessária. O balanço que remeto a V. Excia. Mostra bem de que modo foi gasto em 1929 o dinheiro da Prefeitura Municipal de Palmeira dos Índios. E nas contas regularmente publicadas há pormenores abundantes, minudências que excitaram o espanto benévolo da imprensa.
Isto é, pois, uma reprodução de fatos que já marrei, com algarismo e prosa de guarda-livros, em numerosos balancetes e nas relações que os acompanharam.
Fonte: Conselho Federal de Administração (CFA)
Link: Cartilha_graciliano - Impressão .indd
Graciliano Ramos de Oliveira
Biografia resumida.
Clique aqui para ler o texto
Graciliano Ramos de Oliveira (Quebrangulo, 27 de outubro de 1892 – Rio de Janeiro, 20 de março de 1953) foi um romancista, cronista, contista, jornalista, político e memorialista brasileiro, considerado um dos maiores nomes da literatura brasileira. Ele é mais conhecido por sua obra Vidas Secas (1938).[1][2]
Nascido numa grande família de classe média, viveu os primeiros anos de sua infância migrando para diversas cidades da Região Nordeste do Brasil. Trabalhou como jornalista na cidade do Rio de Janeiro, onde escreveu para O Malho e Correio da Manhã, até regressar para o Nordeste em 1915, devido a tragédia familiar em que perdeu quatro irmãos, vítimas de peste bubônica. Fixou-se na cidade de Palmeira dos Índios, onde casou-se, e em 1927, foi eleito prefeito, cargo que exerceu por dois anos. Logo, voltou a escrever e publicou seu primeiro romance, Caetés (1933). Vivendo em Maceió durante a maior parte da década de 1930, trabalhou na Imprensa Oficial e publicou São Bernardo (1934). Foi preso na capital alagoana em março de 1936, acusado de ser um militante apoiador da Intentona Comunista.[3][4] Esse incidente o inspiraria a publicar duas de suas principais obras: Angústia (1936) e o texto "Baleia", que daria origem à Vidas Secas em 1938. Já na década de 1940, ingressou no Partido Comunista Brasileiro a convite de Luís Carlos Prestes, então secretário-geral do partido.[5] Nos anos posteriores realizaria viagens a países europeus, incluindo a União Soviética em 1952. Morreu em 20 de março do ano seguinte, aos 60 anos, no Rio de Janeiro. Suas obras póstumas notáveis incluem Memórias do Cárcere, a crônica Viagem e o livro de contos Histórias de Alexandre.
Fonte: WikipédiA https://pt.wikipedia.org/wiki/Graciliano_Ramos
Uma alagoana de Luta.
Ana Maria José Lins
Ana Maria José Lins, mais conhecida como Ana Lins, é lembrada como uma figura lendária por sua atuação na Revolução Pernambucana de 1817 e na Confederação do Equador de 1824.
Clique para ler o texto
Ela nasceu em 1764, no então modesto município de Porto Calvo, em Alagoas. Era filha de João Lins de Vasconcelos, proprietário do Engenho do Meio e sargento da Cavalaria de Porto Calvo, e de dona Ignês de Barros Pimentel, de origem indígena. Ana Lins era tida como descendente de Cristóvão Lins.
Junto de seu marido, Manuel Vieira Dantas, e dos filhos Francisco Frederico da Rocha Vieira e Manuel Duarte Ferreira Ferro, Ana Lins aderiu ao movimento revolucionário que se levantou contra o domínio português em 1817. Com o fracasso da revolução, seu marido e o filho Francisco Frederico precisaram se esconder por um longo período nos canaviais de São Miguel, retornando anos depois para casa.
Reconhecida como a “dama de ferro” da aristocracia açucareira alagoana, Ana Lins era proprietária de diversos engenhos de açúcar espalhados pela região. Além do Engenho Sinimbu, possuía o Engenho Varrela, o Engenho Ilha (mais tarde chamado de Novo Sinimbu e, posteriormente, Usina Sinimbu), o Engenho Jequiá do Fogo e o Engenho Prata.
Sua coragem e determinação a tornaram um símbolo histórico e cultural de Alagoas, sendo consagrada como a “Heroína Alagoana”. Seu maior anseio era ver Alagoas independente de Pernambuco e o Brasil livre de Portugal — desejos que ela pôde testemunhar realizados: a separação de Alagoas de Pernambuco ocorreu em 16 de setembro de 1817, e a independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822.
Linda Mascarenhas: Um Legado de Arte, Educação e Luta Feminista em Alagoas
Uma das suas principais contribuições é a criação da Associação Teatral de Alagoas, responsável, desde sua fundação, pela produção de aproximadamente 75 obras teatrais, incluindo peças para o público adulto e infantil, além de performances e encenações com fins educativos.
Clique para ler o texto
Laurinda Vieira Mascarenhas, conhecida como Linda Mascarenhas, nasceu em 1895, no bairro da Levada, em Maceió. Desde pequena demonstrou habilidades notáveis — aos cinco anos já sabia ler e escrever corretamente. Iniciou sua formação no Colégio Imaculada Conceição e, aos treze anos, ingressou na Escola Normal de Maceió, onde se destacou em línguas como latim, grego e alemão, chegando a lecionar francês, inglês e português. Mais tarde, aposentou-se como Professora Catedrática de Inglês da mesma instituição.
Em 1932, começou sua militância pelos direitos das mulheres ao integrar a Federação Alagoana pelo Progresso Feminino, dando os primeiros passos de uma trajetória marcada por ideais feministas e dedicação à arte e à educação como instrumentos de transformação social.
O ano de 1944 foi um marco em sua carreira artística: ao lado de Aldemar de Paiva, Nelson Porto e outras colaboradoras, fundou o Teatro de Amadores de Alagoas (TAA). Nesse mesmo período, promoveu espetáculos como “Miragem, Fantasia e Hotel Manguaba”, de Aldemar e Nelson.
Entre 1946 e 1950, escreveu e dirigiu as operetas infantis “O Mistério do Príncipe” e “O Herdeiro de Naban”, com trilha sob regência do professor Luiz Lavenère.
Em 1955, criou a Associação Teatral de Alagoas (ATA), onde foi nomeada presidente vitalícia. Ali, atuou como diretora de cena e continuou a expandir o teatro alagoano. Hoje, a ATA é comandada pelo professor de teatro da UFAL, Ronaldo de Andrade.
Mesmo tendo iniciado sua carreira como atriz tardiamente, aos 61 anos, Linda impressionou a todos ao interpretar Lizaveta, em 1956, na peça “O Idiota”, de Léo Vitor, inspirada no romance de Dostoiévski, com direção de Heldon Barroso. No mesmo ano, organizou o primeiro Concurso de Teatro de Alagoas, promovido pela ATA.
Em 1961, participou do espetáculo “Eles Não Usam Black Tie”, de Gianfrancesco Guarnieri, e, durante a década de 1970, esteve à frente da fundação da Federação Alagoana do Teatro Amador, do Grupo Literário de Alagoas e da Associação dos Cronistas Teatrais de Alagoas.
Com uma carreira que ultrapassou as fronteiras de Alagoas, Linda representou o Estado em festivais teatrais por todo o Brasil, conquistando reconhecimento nacional como atriz e diretora. Sua última atuação foi em 1983, no papel de Zulina, na comédia “Fazendo Chuva”, de Homero Cavalcante, sob direção de Lauro Gomes.
Linda Mascarenhas faleceu em 9 de junho de 1992, deixando um legado profundo na cultura e no teatro alagoano. Enfrentou preconceitos, mas jamais recuou. Com coragem e determinação, rompeu barreiras, formou talentos e ergueu os pilares de um teatro forte e respeitado em seu Estado.
Entre suas maiores contribuições está a Associação Teatral de Alagoas, que, desde sua fundação, já produziu cerca de 75 peças, entre espetáculos adultos, infantis, performances e montagens educativas.
Em sua homenagem, foi criado em 2001 o Espaço Cultural Linda Mascarenhas, destinado à difusão das artes, com estrutura para eventos culturais, oficinas, exposições e debates, voltado especialmente para a interação entre artistas, estudantes e o público em geral.
Em 2003, o Governo de Alagoas oficializou o Dia Alagoano do Teatro, celebrado em 14 de maio, data de nascimento de Linda, reconhecendo sua importância para a cultura estadual.
No Dia Alagoano do Teatro de 2013, foi inaugurado um mausoléu com seus restos mortais no Cemitério Nossa Senhora da Piedade, no bairro do Prado, como uma homenagem póstuma organizada pela ATA. O monumento foi projetado pelo arquiteto Mário Aluizio Melo, em forma de arco com uma pedra, em referência ao apreço de Linda por essas estruturas naturais.
O texto baseou-se na edição do "esquinasal 29 de junho de 2013 Texto: Shirley Jaires | Edição: Bárbara Ísis"
Link: https://esquinasqueandei.wordpress.com/2013/06/29/linda-mascarenhas-e-o-teatro-alagoano/
Fotos Fonte: esquinasal / Histótias de Alagoas
Link:https://www.historiadealagoas.com.br/linda-mascarenhas-a-eterna-primeira-dama-do-teatro-alagoano.html#:~:text=A%20professora%20e%20atriz%20Laurinda,Mascarenhas%20e%20Louren%C3%A7a%20Vieira%20Mascarenhas.
Nise da Silveira
Nise da Silveira foi uma psiquiatra brasileira amplamente reconhecida como pioneira no uso de abordagens humanizadas no cuidado de pacientes com transtornos mentais. Contrária aos métodos violentos amplamente utilizados à época, como o eletrochoque, ela introduziu tratamentos baseados em expressões artísticas e interação com animais domésticos.
Clique para ler o texto
Nascida em 15 de fevereiro de 1905, em Maceió, Alagoas, era filha de Faustino Magalhães, professor e jornalista, e Maria Lídia da Silveira, pianista. Em um período em que poucas mulheres tinham acesso ao Ensino Superior, formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1926, sendo a única mulher de sua turma.
Após sua graduação, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1927, onde se especializou em psiquiatria e iniciou sua carreira no Hospício Nacional de Alienados. No entanto, seu engajamento com ideias comunistas e participação no Partido Comunista Brasileiro lhe renderam acusações e prisão durante o governo de Getúlio Vargas, entre 1936 e 1937.
Retornando à psiquiatria após a repressão política, Nise passou a trabalhar no Instituto Municipal Nise da Silveira, no Rio de Janeiro. Lá, desafiou os métodos tradicionais e introduziu novas práticas terapêuticas, fundando a Casa das Palmeiras e o Museu de Imagens do Inconsciente em 1952, que expõe as obras produzidas pelos pacientes.
Seu trabalho consolidou-a como referência internacional na área e trouxe os estudos de Carl Gustav Jung ao Brasil, ampliando as abordagens terapêuticas na psiquiatria. Nise se aposentou em 1975, mas continuou contribuindo com a área até sua morte em 30 de outubro de 1999, aos 94 anos, por insuficiência respiratória.
Foto: De Oliveira Franca e Shutterstock
Mais uma estrela alagoana no céu
14/02/2025
Cacá Diegues, um dos fundadores do Cinema Novo, faleceu aos 84 anos. Sua obra, que inclui filmes icônicos como "Bye Bye Brasil" e "Deus é Brasileiro", sempre refletiu sua luta pela inclusão e diversidade. Cacá foi um verdadeiro ícone do cinema brasileiro, e sua morte é uma grande perda para a cultura do país. Descanse em paz, grande cineasta.
Cacá Diegues
Um dos precursores do movimento artístico Cinema Novo, Carlos Diegues nasceu em 19 de maio de 1940, em Maceió (AL)
Clique para ler o texto
Começou no cinema quando ainda estava no Diretório Estudantil da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio), onde fundou um cineclube e passou a fazer produções cinematográficas amadoras, junto com colegas como Arnaldo Jabor.
O cineclube foi um dos núcleos de fundação do Cinema Novo, movimento inspirado pelo neorrealismo italiano e pela Nouvelle Vague francesa, e marcado pelas críticas políticas e sociais, principalmente durante a ditadura militar.
Produções
Entre suas produções dentro do movimento, destacam-se Ganga Zumba (1964), A Grande Cidade (1966) e Os Herdeiros (1969). Em 1969, deixou o Brasil e foi morar na Europa, por ter participado da resistência intelectual e política à ditadura. Ao retornar, na década de 70, dirigiu Quando o Carnaval Chegar (1972), Joanna Francesa (1973), Xica da Silva (1976), Chuvas de Verão (1978) e Bye Bye, Brasil (1980).
No período de retomada do cinema brasileiro, lançou Tieta do Agreste (1996), Orfeu (1999) e Deus é Brasileiro (2002). O Grande Circo Místico (2018) foi seu último lançamento como diretor.
Fonte: Academia Brasileira de Letras
Um Satubense para a cultura brasileira
HECKEL TAVARES
Clique para ler o texto
Nascido em 16 de setembro de 1896, em Satuba, Alagoas, Leopoldo Heckel Tavares da Costa foi o primeiro filho do casal João Tavares da Costa e Elisa Cardoso Tavares da Costa, uma baiana que aniversariava em 24 de dezembro e era neta do comendador João Soares Chaves.
Seu pai o importador e exportador João Tavares da Costa, em junho de 1899, era tratado pelos jornais como industrial e comerciante em Jaraguá, Maceió, com estabelecimento na Rua Sá e Albuquerque, nº 107.
Sua família morava em Maceió, mas em setembro de 1906 sua mãe estava grávida dele e passava férias em uma casa de amigos, na recém-instalada Destilaria Wanderley, um investimento de José de Barros Wanderley de Mendonça que fracassou naquele mesmo ano. As instalações foram transformadas no Aprendizado Agrícola de Satuba.
“Nasci num lugarejo de meia dúzia de famílias. Mamãe tinha ido passar ali as férias. Papai tinha amigos lá. Minha infância passei toda na capital de Alagoas”, confirmou a Pedro Bloch, da revista Manchete, em entrevista publicada em 2 de janeiro de 1965.
Nessa conversa com Pedro Bloch, Heckel admitiu que nunca deu entrevista a ninguém. “Minha vida não interessa a ninguém. O importante é a obra, compreende?”, explicou ao repórter e amigo.
Começou seus estudos com uma tia-avó e depois com uma professora contratada. Estudou também, ainda em Maceió, no Colégio 16 de Setembro. Foi nessa instituição dirigida pelo prof. Almeida Leite que, aos nove anos de idade, participou de um recital de poesias. Segundo o Gutenberg de 11 de fevereiro de 1906, “Heckel Tavares da Costa” ficou em terceiro lugar. Perdeu para Francisco Cavalcanti Lins e Euclides Vieira Malta Filho.
Heckel lembrou, ainda na entrevista à Manchete, que criou vínculos com a cultura popular graças a seu pai, que contribuía para os autos de Natal: “Minha obra toda nasce daí. Quando eu era pequeno, tomava parte nisso. Fui gajeiro da Nau Catarineta e muita coisa mais. Acho graça quando ouço alguém dizer que vai estudar música brasileira. Isto não se estuda. Ela nasce e cresce com o compositor. Se assim não for poderá fazer música cerebral, mas…”.
Ainda sobre sua infância, Heckel disse que a casa onde morou em Bebedouro era imensa, com 14 quartos e oito banheiros. Depois foi utilizada como hospital. (Félix Lima Júnior, em O Natal de Bebedouro, cita este palacete como depois transformado em casa de saúde. É a atual Casa de Saúde Miguel Couto). “Papai construiu um teatro em casa e todos nós representamos. Havia uma capela da casa em cujo órgão fui tateando as primeiras harmonias. Mamãe tocava piano e papai flauta. Curso primário era feito a domicílio com professora contratada. Música mesmo é que ninguém me ensinou. Também não tem nada demais. É só botar a mão no teclado e a coisa vai. Acabei acompanhando as novenas de maio, quando os portões eram abertos ao povo. Éramos cinco irmãos”.
Depois foi levado pelo pai para cursar o ginásio em Salvador, terra de sua mãe, onde estudou um pouco de violino. Esteve ainda no Colégio dos Irmãos Maristas, em Recife, Pernambuco. Lá, com o apoio dos professores, passou a tocar órgão e a cantar no coral daquela instituição.
Seu pai desejava que ele estudasse contabilidade. Provavelmente pensando em colocá-lo na administração dos seus negócios. Preferiu a música, como mostra a revista carioca O Malho, que publicou em 25 de outubro de 1919 um poema de Heckel de Tavares enviado de Maceió:
AMAR…
Ao dr. Arthur Sampaio
Quem nunca amou, de certo, nunca teve
nunca sentiu prazeres nem torturas;
passou pela existência, assim…, de leve
sem êxtase, sem dores, sem ternuras:
Não logrou ter as sensações mais puras
da vida — instantes que ninguém descreve;
não foi chama queimando nem foi neve;
não morreu nem viveu entre as criaturas;
Feliz não foi nem mal afortunado,
que da vida o prazer do amor se gera,
se esse amor não foi mal nem desgraçado.
Mas quem amou, quem ama… ah! quem amar,
terá na vida eterna primavera
— sonhos, flores em noites de luar.
Trecho do texto retirado da página – História de Alagoas - Publicado em 30 de agosto de 2015 por Ticianeli. Você poderá ter acesso pelo link:
Heckel Tavares, de Satuba para o mundo – História de Alagoas (historiadealagoas.com.br
Casa de Caboclo - Heckel Tavares e Luiz Peixoto cantada por Ana Salvagni
Retrata aspectos de vegetação da Mata Atlântica.
Clique aqui para ler o texto
Casa de Caboclo
Vancê tá vendo
Essa casinha simplesinha
Toda branca de sapê
Diz que ela vive do abandono
Não tem dono
E se tem, ninguém não vê
Uma roseira
Cobre a banda da varanda
E num pé de cambucá
Quando o dia se alevanta
Virgem Santa
Fica assim de sabiá!
Deixa falar!
Toda essa gente mal dizente
Bem que tem um morador
Sabe quem mora dentro dela? Zé Gazela
O maior dos cantador
Quando Gazela
Viu Sinhá Rita, tão bonita
Pôs a mão no coração
Ela pegou, não disse nada, deu risada!
Pondo os olhinhos no chão
E se casaram, mas um dia, que agonia
Quando em casa ele voltou
Zé Gazela, viu a sua Rita, muito aflita
Tava lá Mane Sinhô
Tem duas cruz
Entrelaçada bem na estrada
Escreveram por detrás
Numa casa de caboclo
Um é pouco
Dois é bom!
Três é demais!
Composição: Chiquinha Gonzaga/ Heckel Tavares / Luiz Peixoto.
Cantiga de Nossa Senhora - Heckel Tavares
Voz: Josani Pimenta
Piano: Eder Giaretta
Flauta: Anselmo Pereira
Violino 1: Eduardo Augusto
Violino 2: Fernando Henrique Andrade
Viola: Janaina Almeida
VIoloncelo: Tiago Almeida
Recital realizado dia 15/12/17 no teatro do SESI SP Avenida Paulista
Fonte: youtube
Guacyra de Heckel Tavares e Joracy Camargo cantada por Emílio Santiago.
Djavan
"Uma metáfora para a luta diária contra a opressão"
Música Soweto.
Clique aqui para ler o texto
Soweto
Kinshasa, beirute
Maranhão
O negro que lute
Pra poder sonhar
Em mudar isso aqui
O poder tem tantas mãos
E só sabe mentir
Quanto mais se diz
E mais o povo quer
Eleição
Ninguém esperava ver
A terra estremecer
Com o apartheid
Deus salve soweto
Carícia e calor
Nos guetos
De cada canto do mundo
Meu amor
Com tantos assuntos
E eu a te adorar
Absurdo seria
Não pensar que é normal
Se armar todo dia
Para combater o mal
O povo votaria
E assim eu amarei
A serra, a maré
O litoral
Deus salve soweto
Subtrai de governo
Os que trairão
Esses não
Já tem gente demais
A querer mandar
O povo quer florescer
E ganhar a vida
Composição: Djavan
Fonte: Youtube
Guimarães Passos
Biografia resumida.
Clique aqui para ler o texto
Guimarães Passos (Sebastião Cícero Guimarães Passos), jornalista e poeta, nasceu em Maceió, AL, em 22 de março de 1867, e faleceu em Paris, França, em 9 de setembro de 1909.
Era filho do Major Tito Alexandre Ferreira Passos e de Rita Vieira Guimarães Passos. Seu avô, José Alexandre de Passos, fora advogado e professor, dedicado também ao estudo de questões vernáculas. Guimarães Passos fez seus estudos primários e os preparatórios em Alagoas. Aos 19 anos foi para o Rio de Janeiro, onde se juntou aos jovens boêmios da época. Era a idade de ouro da boêmia dos cafés, e não poderia haver melhor ambiente para o espírito do poeta. Entrou para a redação dos jornais, fazendo parte do grupo de Paula Ney, Olavo Bilac, Coelho Neto, José do Patrocínio, Luís Murat e Artur Azevedo. Colaborou com a Gazeta da Tarde, a Gazeta de Notícias, A Semana. E nas suas colunas ia publicando crônicas e versos. Nos vários lugares em que trabalhou, escrevia também sob pseudônimos: Filadelfo, Gill, Floreal, Puff, Tim e Fortúnio.
Foi também arquivista da Secretaria da Mordomia da Casa Imperial. Com a proclamação da República, e extinta essa repartição, Guimarães Passos perdeu o lugar e passou a viver unicamente de seus trabalhos jornalísticos. Com a declaração da revolta de 6 de setembro de 1893, aderiu ao movimento. Fez parte do governo revolucionário instalado no Paraná, e lutou contra Floriano Peixoto. Vencida a revolta, conseguiu fugir. Exilou-se em Buenos Aires durante 18 meses. Lá colaborou nos jornais La Nación e La Prensa e fez conferências sobre temas literários relacionados ao Brasil.
Em 1896, de volta do exílio, foi um dos primeiros poetas chamados para formar a Academia Brasileira de Letras. Escolheu para seu patrono outro boêmio, o poeta Laurindo Rabelo. Encontrou, no Rio de Janeiro, a sua geração inteiramente transformada. Alguns dos antigos companheiros encontravam-se agora em postos bem remunerados, eram reconhecidos, enquanto ele permanecia como o último boêmio. Ficou doente de tuberculose e, não conseguindo melhoras no Brasil, partiu para a ilha da Madeira e, daí, para Paris, onde veio a falecer, em 1909. Só em 1921, a Academia Brasileira conseguiu fazer trasladar os seus restos mortais para o Brasil. Para aqui vieram acompanhados dos de Raimundo Correia, falecido em Paris em 1911.
Poeta parnasiano, lírico e, às vezes, um pouco pessimista, Guimarães Passos foi também humorista na sua colaboração para O Filhote, reunida depois no livro Pimentões, que publicou de parceria com Olavo Bilac. Ao tratar de Versos de um simples, José Veríssimo viu nele o “poeta delicado, de emoção ligeira e superficial, risonho, de inspiração comum, mas de estro fácil, como o seu verso, natural e espontâneo, poeta despretensioso, poeta no sentido popular da palavra”.
Fonte: WikipédiA
Guimarães Passos
Fonte: Mundo dos Poemas
Biografia resumida.
Clique aqui para ler o texto
Quarto ocupante da cadeira 30, eleito em 4 de maio de 1961, na sucessão de Antônio Austregésilo e recebido pelo Acadêmico Rodrigo Octavio Filho em 18 de dezembro de 1961. Recebeu os Acadêmicos Bernardo Elis, Marques Rebelo e Cyro dos Anjos.
Aurélio Buarque de Holanda (Aurélio Buarque de Holanda), ensaísta, filólogo e lexicógrafo, nasceu em Passo de Camaragibe, AL, em 3 de maio de 1910, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 28 de fevereiro de 1989.
Filho de Manuel Hermelindo Ferreira, comerciante, e de Maria Buarque Cavalcanti Ferreira, passou parte da infância em Porto das Pedras, AL, e estudou as primeiras letras em Maceió. Fez os preparatórios no Liceu Alagoano. Aos 15 anos ingressou no magistério e passou a se interessar pela língua e literatura portuguesas. Diplomou-se em Direito pela Faculdade do Recife, em 1936. Em 1930 fez parte de um grupo de intelectuais que exerceria forte influência literária no Nordeste, entre outros Valdemar Cavalcanti, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Raul Lima, Raquel de Queirós. Em 1936 e 1937 foi professor de Português, Literatura e Francês no Colégio Estadual de Alagoas, e em 1937 e 1938, diretor da Biblioteca Municipal de Maceió.
Passou a residir no Rio de Janeiro a partir de 1938. Continuou no magistério, como professor de Português e Literatura Brasileira no Colégio Anglo-Americano em 1939 e 1940; professor de Português no Colégio Pedro II, de 1940 a 1969, e professor de Ensino Médio do Estado do Rio de Janeiro, de 1949 a 1980. Contratado pelo Ministério das Relações Exteriores, assumiu a cadeira de Estudos Brasileiros na Universidade Autônoma do México, de junho de 1954 a dezembro de 1955.
Colaborou na imprensa carioca, com contos e artigos. Foi secretário da Revista do Brasil (1939-1947), quando era seu diretor Otávio Tarquínio de Sousa, de 1939 a 1943. Nessa época, evidenciava-se o escritor, nos contos de Dois mundos, livro publicado em 1942 e premiado em 1944 pela Academia Brasileira de Letras, e no ensaio “Linguagem e estilo de Eça de Queirós”, publicado em 1945. Em 1941 começou Aurélio Buarque a atividade que o iria absorver a vida inteira e que, de certa forma, iria suplantar o Aurélio escritor: o Aurélio dicionarista. Foi quando o convidaram a executar, pela primeira vez, um trabalho lexicográfico, como colaborador do Pequeno dicionário da língua portuguesa. Em janeiro de 1945, tomou parte no I Congresso Brasileiro de Escritores, realizado em São Paulo.
Em 1947, iniciou no “Suplemento Literário” do Diário de Notícias a seção “O Conto da Semana”, que duraria até 1960 e, a partir de 1954, terá a colaboração de Paulo Rónai. Essa colaboração entre os dois amigos vinha desde 1941, quando se conheceram na redação da Revista do Brasil, e se concretizou no trabalho conjunto dos cinco volumes da coleção Mar de histórias, antologia do conto mundial, o primeiro deles publicado em 1945.
Além dos contos traduzidos para a coleção Mar de histórias, Aurélio Buarque de Holanda traduziu romances de vários autores, os Poemas de amor e os Pequenos poemas em prosa, de Charles Baudelaire.
A partir de 1950 Aurélio Buarque manteve, na revista Seleções do Reader’s Digest, a seção “Enriqueça o seu vocabulário”, que em 1958 ele irá reunir e publicar no volume de igual título. Em 1963, tomou parte, em Bucareste, representando a Academia, no Simpósio de Língua, História, Folclore e Arte do Povo Romeno, visitando na mesma ocasião a Bulgária, Iugoslávia, Tchecoslováquia e Grécia. Foi membro da Comissão Nacional do Folclore e da Comissão Machado de Assis.
A preocupação com a língua portuguesa, a paixão pelas palavras levou-o à imensa tarefa de elaborar o próprio dicionário, e esse trabalho lexicográfico ocupou-o durante muitos anos. Finalmente, em 1975, saiu o Novo dicionário da língua portuguesa, conhecido por todos como o Dicionário Aurélio. Desde a sua publicação, Mestre Aurélio atendeu a muitos convites, no Brasil inteiro, para falar do Dicionário e dos mistérios e sutilezas da língua portuguesa, que ele enriqueceu de tantos brasileirismos, fazendo do brasileiro comum um consulente de dicionário e um usuário consciente do seu idioma. Pronunciou numerosas conferências, sobre assuntos literários e linguísticos, no México, Estados Unidos, Cuba, Guatemala e Venezuela.
Pertenceu à Associação Brasileira de Escritores, seção do Rio de Janeiro (1944-1949). Era membro da Academia Brasileira de Filologia, do Pen Clube do Brasil, do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, da Academia Alagoana de Letras e da Hispanic Society of America.
Fonte: Academia Brasileira de Letras
Fonte: Mundo dos Poemas
Anilda Leão
Nasceu em Maceió, 15 de julho de 1923, foi uma escritora, poeta, militante ativista feminista, também foi atriz e cantora brasileira. Escreveu diversos textos e publicações alagoanas, para as revistas Caetés e Mocidade e em jornais Alagoanos.
Começou a escrever poemas aos 13 anos, mas sua primeira obra a ser publicada foi Chão de Pedras em 1961. Seu falecimento foi em 6 de janeiro de 2012 aos 88 anos.
Suas Obras publicadas:
Chão de Pedras, poesia, em 1961.
Chuvas de Verão, poesia, em 1974.
Poemas marcados, poesia, em 1978.
Riacho Seco, Conto, em 1980.
Círculo Mágico e outros nem tanto 1993, poesia
Olhos Convexos 1989, crônicas
Eu em Trânsito 2003.
Fonte: Mundo dos Poemas
OCTÁVIO BRANDÃO
Escritor Alagoano nascido em Viçosa
Clique aqui para ler o texto
Octávio Brandão (1896–1980) graduado em Farmácia pela Universidade do Recife, foi um escritor, jornalista e político brasileiro, conhecido por sua atuação como um dos pioneiros do marxismo no Brasil. Natural de Viçosa, Alagoas, Brandão começou sua carreira como escritor ainda jovem, publicando obras que mesclavam críticas sociais e uma visão ecológica, como o livro "Canais e Lagoas" (1920), considerado um dos primeiros textos de análise ambiental no Brasil.
Nos anos 1920, tornou-se uma figura central na introdução do marxismo no país, especialmente por sua militância no Partido Comunista do Brasil (PCB), do qual foi um dos fundadores em 1922. Sua obra mais marcante nesse campo foi "Agrarismo e Industrialismo" (1926), que adaptava o marxismo à realidade brasileira, com ênfase na análise da economia agrária.
Brandão também teve papel importante na imprensa de esquerda, atuando como editor e articulista em periódicos comunistas. Contudo, após rupturas internas no PCB e divergências ideológicas, afastou-se gradualmente da política partidária, mas manteve-se ativo como intelectual.
Seu legado é reconhecido tanto no campo da literatura quanto na política, sendo lembrado como um precursor do pensamento marxista no Brasil e um dos primeiros a abordar temas ecológicos em suas análises.
Link de acesso para Canais e Lagoas
Fotografia Fonte: http://centroculturaloctaviobrandao.blogspot.com/p/octavio-brandao.html