A história do Campus Satuba se confunde com a história do município onde está localizado, bem como com a história do ensino técnico no estado de Alagoas. Em 1911, o Decreto Lei Nº 8.940, publicado em 30 de agosto daquele ano, cria o Aprendizado Agrícola de Satuba, destinado a ensinar, inicialmente aos jovens, ofícios como os de selaria, carpintaria, sapataria, entre outros. Apenas a partir de 1931, o Aprendizado inicia o ensino profissional agrícola. Em 1934 passa a se denominar Aprendizado Agrícola de Alagoas, em 1939 Aprendizado Agrícola Floriano Peixoto, no ano de 1947 Escola Agrícola Floriano Peixoto. A partir de1957, a instituição, que passou a ser denominada Escola Agrotécnica Floriano Peixoto passou a oferecer o Curso Técnico de Agricultura, com sua primeira turma formada em 1960.
Decorridas outras mudanças na denominação, a partir de 4 de setembro de 1979, por força do Decreto nº 83.937, a instituição recebeu a denominação, corrente em todo o território nacional para esse tipo de ensino, de Escola Agrotécnica Federal de Satuba. Finalmente, em dezembro de 2008, surge o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Alagoas, formado a partir da fusão da Escola Agrotécnica Federal de Satuba (EAFS) e do Centro Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Alagoas (CEFET). Apesar dessas duas autarquias possuírem históricos distintos, juntas, passam, por força de lei, a construírem uma nova realidade educacional em Alagoas.
Apesar das diferentes denominações recebidas pelo Campus, Satuba desde a sua fundação até os dias atuais, essa instituição permaneceu destinada a formar mão de obra qualificada para atender a demanda do setor agropecuário do Estado de Alagoas, como também às indústrias e empresas do ramo. O objetivo do ensino agropecuário, portanto, não se restringe à formação de mão de obra para atender o mercado, mas busca, sobretudo, melhorar a vida do homem do campo, através da disseminação de tecnologias que apontem para o aumento da produtividade e dos lucros, para as explorações agrícolas e zootécnicas das comunidades rurais.
Infraestrutura do Aprendizado Agrícola de Satuba em 1912
No início de seu funcionamento o Aprendizado Agrícola de Satuba iniciou suas atividades nas antigas instalações da Sociedade de Agricultura Alagoana.
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Devido já ter uma infraestrutura, seus esforços foram direcionados para as reformas e melhoria das construções existentes, dando prioridade aos trabalhos mais urgentes e necessários.
Para o abastecimento de água tão necessário para a escola, sendo para o consumo e para irrigação das culturas introduzidas, foi planejada a captação por meio da perfuração de dois poços artesianos e duas cacimbas. A água era extraída e armazenada em um reservatório de 12 metros de altura, sendo elevada por três moinhos de vento, o que permitia a sua distribuição com pressão suficiente para atender todas as edificações do aprendizado.
O transporte de funcionários (diaristas), aprendizes (alunos), mercadorias, e materiais foi facilitado por um trecho ferroviário de 550 metros de extensão construído e conectando eficientemente o centro das atividades do Aprendizado à Estação Satuba.
Como era situado em uma região açucareira, o Aprendizado teve um foco especial no cultivo da cana-de-açúcar e, em seguida na cultura do fumo, devido às condições favoráveis do solo e do clima. Além disso, existia um investimento significativo no cultivo de cereais, como mandioca, cacau, maniçoba e plantas forrageiras, teve o objetivo de desenvolver a tecnologia agrícola do Estado de Alagoas.
Os viveiros do estabelecimento já contavam com cinco mil mudas de espécies frutíferas, florestais e ornamentais. Para a proteção das plantas jovens do sol intenso, existia um ripado de 920 metros quadrados, para sombreamento da área do local.
Além dos animais utilizados nos serviços do local, o Aprendizado possuía uma pequena estação zootécnica, que possuía em seu plantel um bode da raça Saanen, dois porcos das raças Berkshire e Poland-China, duas vacas Braun-Schwitz, além de um galinheiro e um pombal.
Nesse período foi implantado um curso noturno para adultos, no qual se matricularam 56 alunos, sendo 35 trabalhadores rurais do estabelecimento e 21 de propriedades vizinhas. Os resultados dos exames demonstraram um bom aproveitamento dos aprendizes, evidenciando a eficácia do ensino prático agrícola daquele momento.
Para seu pleno funcionamento, o Aprendizado necessitava de obras complementares para a instalação definitiva dos diversos serviços agrícolas, do ensino teórico e do internato. Para esses fins, planejou-se a construção de novos edifícios, aproveitando-se também do antigo prédio que funcionou a usina de fabricação de álcool, que foi adaptado para abrigar indústrias agrícolas, oficinas, galpões de máquinas, bem como para outras finalidades.
Fonte: Relatório do Ministro da Agricultura (1913 p.16)
Relato Sobre as Despesas do Aprendizado em 1927
Reclamações do governador sobre a infraestrutura e funcionamento do Aprendizado Agrícola de Satuba . Pleiteando a responsabilidade administrativa para o Estado.
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O Governador Pedro da Costa Rego relatou que o Aprendizado Agrícola de Satuba, tem uma despesa media anual de 146:255$331 réis. É um estabelecimento que a União nos empurra pelos olhos, quando lhe apresentamos nossas queixas. O custo anda por 2.193:829$968 réis. Mas até aqui não apresentou os resultados que deles seria licito esperar. Nunca nenhum ministro os viu, a não ser que os houvesse inspecionado o José Bezerra, quando passou por Alagoas,
Fonte: Relatório do Ministro da Agricultura
José Rufino Bezerra Cavalcanti formado em agronomia foi Ministro da Agricultura, Indústria e Comércio de 1915-1917, Também foi Governador do Estado de Pernambuco e Usineiro.
Fonte: Wikipédia
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