P. 1. Qual é o fim principal do homem? R. O fim principal do homem é glorificar a Deus e regozijar-se nele para sempre.
P. 2. Que regra Deus deu para nos dirigir em como podemos glorificá-lo e regozijar-nos nele? R. A Palavra de Deus, que está contida nas Escrituras do Velho e do Novo Testamentos, é a única regra para nos dirigir em como podemos glorificá-lo e regozijar-nos nele.
P. 3. O que as Escrituras principalmente ensinam? R. As Escrituras principalmente ensinam o que o homem deve crer a respeito de Deus e qual dever Deus requer do homem.
P. 4. Quem é Deus? R. Deus é um Espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade.
P. 5. Há mais do que um deus? R. Há apenas um único, o Deus vivo e verdadeiro.
P. 6. Quantas pessoas há na Divindade? R. Há três pessoas na Divindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo; e estes três são um Deus, idênticos em substância, iguais em poder e glória.
P. 7. O que são os decretos de Deus? R. Os decretos de Deus são o seu eterno propósito, de acordo com o conselho da sua própria vontade, pelo qual, para a sua própria glória, ele preordenou tudo o que acontece.
P. 8. Como Deus executa os seus decretos? R. Deus executa os seus decretos nas obras da criação e da providência.
P. 9. O que é a obra da criação? R. A obra da criação é aquela pela qual Deus fez do nada todas as coisas, no espaço de seis dias, e tudo muito bem, pela palavra do seu poder.
P. 10. Como Deus criou o homem? R. Deus criou o homem macho e fêmea, à sua própria imagem, em conhecimento, retidão e santidade, com domínio sobre as criaturas.
P. 11. O que são as obras da providência de Deus? R. As obras da providência de Deus são a sua santa, sábia e poderosa preservação e governo de todas as suas criaturas e de todas as ações delas.
P. 12. Que ato particular de providência Deus exerceu para com o homem no estado em que ele foi criado? R. Quando Deus criou o homem, fez com ele um pacto de vida sob condição de perfeita obediência, proibindo-o de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, sob pena de morte.
P. 13. Permaneceram nossos primeiros pais no estado em que foram criados? R. Nossos primeiros pais, sendo deixados à liberdade da sua própria vontade, caíram do estado em que foram criados, pecando contra Deus.
P. 14. O que é o pecado? R. Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus ou a transgressão dela.
P. 15. Qual foi o pecado pelo qual nossos primeiros pais caíram do estado em que foram criados? R. O pecado pelo qual nossos primeiros pais caíram do estado em que foram criados foi o comerem do fruto proibido.
P. 16. Caiu todo o gênero humano na primeira transgressão de Adão? R. Visto que o pacto foi feito com Adão não somente para ele, mas também para a sua posteridade, todo o gênero humano que dele descende por geração ordinária pecou nele e caiu com ele na sua primeira transgressão.
P. 17. Em que estado a queda envolveu o gênero humano? R. A queda envolveu o gênero humano num estado de pecado e de miséria.
P. 18. Em que consiste a pecaminosidade daquele estado em que o homem caiu? R. A pecaminosidade daquele estado em que o homem caiu consiste na culpa do primeiro pecado de Adão, na falta de retidão original e na corrupção de toda a sua natureza (o que é comumente chamado Pecado Original), juntamente com todas as transgressões atuais que procedem dele.
P. 19. Qual é a miséria daquele estado em que o homem caiu? R. Todo o gênero humano pela sua queda perdeu a comunhão com Deus, está sob a sua ira e maldição, e assim ficou sujeito a todas as misérias desta vida, à morte em si mesma e às penas do inferno para sempre.
P. 20. Deixou Deus todo o gênero humano perecer no estado de pecado e miséria? R. Tendo Deus, unicamente por sua boa vontade, desde toda a eternidade, elegido alguns para a vida eterna, fez um pacto de graça para os livrar do estado de pecado e miséria e introduzi-los num estado de salvação por meio de um Redentor.
P. 21. Quem é o Redentor dos eleitos de Deus? R. O único Redentor dos eleitos de Deus é o Senhor Jesus Cristo, que, sendo o Filho eterno de Deus, se fez homem, e assim foi e continua a ser Deus e homem, em duas naturezas distintas e uma só pessoa para sempre.
P. 22. Como Cristo, sendo o Filho de Deus, se fez homem? R. Cristo, o Filho de Deus, se fez homem tomando para si um corpo verdadeiro e uma alma racional, sendo concebido pelo poder do Espírito Santo no ventre da virgem Maria, e nascido dela, mas sem pecado.
P. 23. Que ofícios Cristo executa como nosso Redentor? R. Cristo, como nosso Redentor, executa os ofícios de profeta, de sacerdote e de rei, tanto no seu estado de humilhação como no de exaltação.
P. 24. Como Cristo executa o ofício de profeta? R. Cristo executa o ofício de profeta revelando-nos, pela sua Palavra e pelo seu Espírito, a vontade de Deus para a nossa salvação.
P. 25. Como Cristo executa o ofício de sacerdote? R. Cristo executa o ofício de sacerdote pelo seu único oferecimento de si mesmo em sacrifício para satisfazer a justiça divina e reconciliar-nos com Deus, e fazendo contínua intercessão por nós.
P. 26. Como Cristo executa o ofício de rei? R. Cristo executa o ofício de rei sujeitando-nos a si mesmo, governando-nos e defendendo-nos, e contendo e conquistando todos os seus e os nossos inimigos.
P. 27. Em que consistiu a humilhação de Cristo? R. A humilhação de Cristo consistiu em ele ter nascido, e isso em condição baixa, feito sob a lei, sofrendo as misérias desta vida, a ira de Deus e a morte maldita da cruz; em ser sepultado e permanecer sob o poder da morte por algum tempo.
P. 28. Em que consiste a exaltação de Cristo? R. A exaltação de Cristo consiste na sua ressurreição dos mortos ao terceiro dia, na sua ascensão ao céu, em estar assentado à destra de Deus Pai e no seu advento para julgar o mundo no último dia.
P. 29. Como nos tornamos participantes da redenção adquirida por Cristo? R. Tornamo-nos participantes da redenção adquirida por Cristo pela aplicação eficaz dela a nós pelo seu Espírito Santo.
P. 30. Como o Espírito aplica a nós la redenção adquirida por Cristo? R. O Espírito aplica a nós a redenção adquirida por Cristo operando em nós a fé e unindo-nos a Cristo por meio dela em nossa vocação eficaz.
P. 31. O que é vocação eficaz? R. Vocação eficaz é a obra do Espírito de Deus, pela qual, convencendo-nos do nosso pecado e da nossa miséria, iluminando nossas mentes no conhecimento de Cristo e renovando as nossas vontades, ele nos persuade e habilita a abraçar Jesus Cristo, que nos é oferecido de graça no Evangelho.
P. 32. Que benefícios os que são eficazmente chamados gozam nesta vida? R. Os que são eficazmente chamados gozam nesta vida de justificação, adoção e santificação, e dos diversos benefícios que nesta vida acompanham estas graças ou procedem delas.
P. 33. O que é justificação? R. Justificação é um ato da livre graça de Deus, no qual ele perdoa todos os nossos pecados e nos aceita como justos aos seus olhos, unicamente por causa da justiça de Cristo a nós imputada e recebida só pela fé.
P. 34. O que é adoção? R. Adoção é um ato da livre graça de Deus, pelo qual somos recebidos no número dos filhos de Deus e temos direito a todos os privilégios deles.
I. 35. O que é santificação? R. Santificação é a obra da livre graça de Deus, pela qual somos renovados em todo o nosso ser, segundo a imagem de Deus, e habilitados a morrer cada vez mais para o pecado e a viver para a retidão.
P. 36. Quais são os benefícios que nesta vida acompanham a justificação, adoção e santificação, ou procedem delas? R. Os benefícios que nesta vida acompanham a justificação, adoção e santificação, ou procedem delas, são: a certeza do amor de Deus, a paz de consciência, a alegria no Espírito Santo, o aumento da graça e a perseverança nela até o fim.
P. 37. Que benefícios os crentes recebem de Cristo por ocasião da morte? R. As almas dos crentes por ocasião da morte são feitas perfeitas em santidade e passam imediatamente para a glória; e os seus corpos, estando ainda unidos a Cristo, descansam nas suas sepulturas até a ressurreição.
P. 38. Que benefícios os crentes recebem de Cristo na ressurreição? R. Na ressurreição, os crentes, sendo ressuscitados em glória, serão publicamente reconhecidos e absolvidos no dia do juízo, e feitos perfeitamente bem-aventurados no pleno gozo de Deus para sempre.
P. 39. Qual é o dever que Deus requer do homem? R. O dever que Deus requer do homem é a obediência à sua vontade revelada.
P. 40. O que Deus revelou ao homem para ser a regra da sua obediência? R. A regra que Deus primeiramente revelou ao homem para a sua obediência foi a lei moral.
P. 41. Onde está a lei moral resumidamente compreendida? R. A lei moral está resumidamente compreendida nos Dez Mandamentos.
P. 42. Qual é o resumo dos Dez Mandamentos? R. O resumo dos Dez Mandamentos é: amar ao Senhor nosso Deus de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, de todas as nossas forças e de todo o nosso entendimento; e ao nosso próximo como a nós mesmos.
P. 43. Qual é o prefácio dos Dez Mandamentos? R. O prefácio dos Dez Mandamentos é: Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.
P. 44. O que o prefácio dos Dez Mandamentos nos ensina? R. O prefácio dos Dez Mandamentos nos ensina que, visto que Deus é o Senhor e o nosso Deus e Redentor, estamos, por isso, obrigados a guardar todos os seus mandamentos.
P. 45. Qual é o primeiro mandamento? R. O primeiro mandamento é: Não terás outros deuses diante de mim.
P. 46. O que se requer no primeiro mandamento? R. O primeiro mandamento requer que conheçamos e reconheçamos a Deus como o único Deus verdadeiro e o nosso Deus, e que o adoremos e glorifiquemos como tal.
P. 47. O que se proíbe no primeiro mandamento? R. O primeiro mandamento proíbe o negar ou o não adorar e glorificar o verdadeiro Deus como Deus e o nosso Deus; e o dar aquela adoração e glória, que só a ele são devidas, a qualquer outro.
P. 48. O que nos ensinam especialmente estas palavras "diante de mim" no primeiro mandamento? R. Estas palavras diante de mim no primeiro mandamento nos ensinam que Deus, que vê todas as coisas, nota o pecado de ter qualquer outro deus e muito se ofende com isso.
P. 49. Qual é o segundo mandamento? R. O segundo mandamento é: Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra; não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.
P. 50. O que se requer no segundo mandamento? R. O segundo mandamento requer o receber, observar e guardar puros e inteiros todo o culto e ordenanças religiosas que Deus instituiu na sua Palavra.
P. 51. O que se proíbe no segundo mandamento? R. O segundo mandamento proíbe o adorar a Deus por meio de imagens, ou de qualquer outra maneira não prescrita na sua Palavra.
P. 52. Quais são as razões anexas ao segundo mandamento? R. As razões anexas ao segundo mandamento são a soberania de Deus sobre nós, a sua propriedade em nós e o zelo que ele tem pelo seu próprio culto.
P. 53. Qual é o terceiro mandamento? R. O terceiro mandamento é: Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.
P. 54. O que se requer no terceiro mandamento? R. O terceiro mandamento requer o uso santo e reverente dos nomes, títulos, atributos, ordenanças, Palavra e obras de Deus.
P. 55. O que se proíbe no terceiro mandamento? R. O terceiro mandamento proíbe toda a profanação ou abuso de qualquer coisa pela qual Deus se faz conhecer.
P. 56. Qual é a razão anexa ao terceiro mandamento? R. A razão anexa ao terceiro mandamento é que, embora os transgressores deste mandamento escapem do castigo dos homens, o Senhor nosso Deus não os deixará escapar do seu justo juízo.
P. 57. Qual é o quarto mandamento? R. O quarto mandamento é: Lembra-te do dia do sábado para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra; mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o peregrino que está dentro das tuas portas; porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso abençoou o Senhor o dia do sábado e o santificou.
P. 58. O que se requer no quarto mandamento? R. O quarto mandamento requer a consagração a Deus dos tempos que ele determinou na sua Palavra, expressamente um dia inteiro em cada sete, para ser um sábado santo para ele.
P. 59. Qual dia de sete Deus determinou para ser o sábado semanal? R. Desde o princípio do mundo até a ressurreição de Cristo, Deus determinou o sétimo dia da semana para ser o sábado semanal; e o primeiro dia da semana, desde então, para continuar até o fim do mundo, que é o sábado cristão.
P. 60. Como se deve santificar o sábado? R. Deve-se santificar o sábado por meio de um santo descanso por todo aquele dia, mesmo de tais obras e recreações seculares que são lícitas nos outros dias; e empregando todo o tempo em exercícios públicos e particulares de culto a Deus, exceto o tempo necessário para as obras de estrita necessidade e misericórdia.
P. 61. O que se proíbe no quarto mandamento? R. O quarto mandamento proíbe a omissão ou a negligência no cumprimento dos deveres requeridos, e a profanação desse dia por meio de ociosidade, ou por fazer aquilo que é em si mesmo pecaminoso, ou por desnecessários pensamentos, palavras ou obras a respeito de nossos empregos ou recreações seculares.
P. 62. Quais são as razões anexas ao quarto mandamento? R. As razões anexas ao quarto mandamento são: a permissão que Deus nos concede de fazermos as nossas próprias obras em seis dias da semana, o reclamar ele para si a propriedade especial do sétimo, o seu próprio exemplo e a sua bênção sobre o dia do sábado.
P. 63. Qual é o quinto mandamento? R. O quinto mandamento é: Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.
P. 64. O que se requer no quinto mandamento? R. O quinto mandamento requer a conservação da honra e o cumprimento dos deveres pertencentes a cada um nas suas diferentes relações, como superiores, inferiores ou iguais.
P. 65. O que se proíbe no quinto mandamento? R. O quinto mandamento proíbe a negligência ou a prática de qualquer coisa contra a honra e o dever que pertencem a cada um nas suas diferentes relações.
P. 66. Qual é a razão anexa ao quinto mandamento? R. A razão anexa ao quinto mandamento é uma promessa de longa vida e prosperidade (tanto quanto servir para a glória de Deus e o bem do homem) a todos aqueles que guardam este mandamento.
P. 67. Qual é o sexto mandamento? R. O sexto mandamento é: Não matarás.
P. 68. O que se requer no sexto mandamento? R. O sexto mandamento requer todos os esforços lícitos para preservar a nossa própria vida e a dos outros.
P. 69. O que se proíbe no sexto mandamento? R. O sexto mandamento proíbe o tirar a nossa própria vida, ou a do nosso próximo injustamente, ou tudo o que para isso concorra.
P. 70. Qual é o sétimo mandamento? R. O sétimo mandamento é: Não adulterarás.
P. 71. O que se requer no sétimo mandamento? R. O sétimo mandamento requer a preservação da nossa própria castidade e a do nosso próximo, no coração, nas palavras e no comportamento.
P. 72. O que se proíbe no sétimo mandamento? R. O sétimo mandamento proíbe todos os pensamentos, palavras e ações impuras.
P. 73. Qual é o oitavo mandamento? R. O oitavo mandamento é: Não furtarás.
P. 74. O que se requer no oitavo mandamento? R. O oitavo mandamento requer o conseguir e aumentar legitimamente a riqueza e o estado exterior, tanto o nosso como o do nosso próximo.
P. 75. O que se proíbe no oitavo mandamento? R. O oitavo mandamento proíbe tudo o que tira ou prejudica injustamente a riqueza ou o estado exterior, tanto o nosso como o do nosso próximo.
P. 76. Qual é o nono mandamento? R. O nono mandamento é: Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.
P. 77. O que se requer no nono mandamento? R. O nono mandamento requer a manutenção e promoção da verdade entre os homens, e a do bom nome de nosso próximo, tanto quanto da nossa própria, especialmente em dar testemunho.
P. 78. O que se proíbe no nono mandamento? R. O nono mandamento proíbe tudo o que é prejudicial à verdade, ou injurioso ao nosso próprio bom nome ou ao do nosso próximo.
P. 79. Qual é o décimo mandamento? R. O décimo mandamento é: Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.
P. 80. O que se requer no décimo mandamento? R. O décimo mandamento requer o pleno contentamento com a nossa própria condição, com uma atitude mental reta e caridosa para com o nosso próximo e tudo o que é dele.
P. 81. O que se proíbe no décimo mandamento? R. O décimo mandamento proíbe todo o descontentamento com a nossa própria condição, a inveja ou pesar à vista do bem do nosso próximo, e todos os desejos e afeições desordenados para com qualquer coisa que é dele.
P. 82. É alguém capaz de guardar perfeitamente os mandamentos de Deus? R. Nenhum mero homem, desde a queda, é capaz, nesta vida, de guardar perfeitamente os mandamentos de Deus, mas diariamente os transgride por pensamentos, palavras e obras.
P. 83. São todas as transgressões da lei igualmente graves? R. Alguns pecados em si mesmos, e por razão de agravantes particulares, são mais graves à vista de Deus do que outros.
P. 84. O que merece cada pecado? R. Cada pecado merece a ira e a maldição de Deus, tanto nesta vida como na vindoura.
P. 85. O que Deus requer de nós para que possamos escapar da sua ira e maldição devidas a nós por causa do pecado? R. Para escaparmos da ira e maldição de Deus, devidas a nós por causa do pecado, Deus requer de nós a fé em Jesus Cristo, o arrependimento para a vida, juntamente com o uso diligente de todos os meios exteriores pelos quais Cristo nos comunica os benefícios da redenção.
P. 86. O que é fé em Jesus Cristo? R. Fé em Jesus Cristo é uma graça salvadora, pela qual o recebemos e confiamos somente nele para a salvação, como ele nos é oferecido no Evangelho.
P. 87. O que é arrependimento para a vida? R. Arrependimento para a vida é uma graça salvadora, pela qual o pecador, tendo uma verdadeira percepção do seu pecado e apreendendo a misericórdia de Deus em Cristo, com dor e ódio pelo seu pecado se volta dele para Deus, com pleno propósito de e esforço por uma nova obediência.
P. 88. Quais são os meios exteriores e ordinários pelos quais Cristo nos comunica os benefícios da redenção? R. Os meios exteriores e ordinários pelos quais Cristo nos comunica os benefícios da redenção são as suas ordenanças, especialmente a Palavra, os Sacramentos e a Oração; todos os quais se tornam eficazes aos eleitos para a salvação.
P. 89. Como a Palavra se torna eficaz para a salvação? R. O Espírito de Deus torna a leitura, e especialmente a pregação da Palavra, um meio eficaz para convencer e converter os pecadores, e para os edificar em santidade e conforto, por meio da fé, para a salvação.
P. 90. Como a Palavra deve ser lida e ouvida para que se torne eficaz para a salvação? R. Para que a Palavra se torne eficaz para a salvação, devemos atentar para ela com diligência, preparação e oração, recebê-la com fé e amor, guardá-la em nossos corações e praticá-la em nossas vidas.
P. 91. Como os Sacramentos se tornam meios eficazes para a salvação? R. Os Sacramentos se tornam meios eficazes para a salvação, não por alguma virtude que haja neles, ou naquele que os administra, mas somente pela bênção de Cristo e a operação do seu Espírito naqueles que pela fé os recebem.
P. 92. O que é um Sacramento? R. Um Sacramento é uma santa ordenança instituída por Cristo, na qual, por meio de sinais sensíveis, Cristo e os benefícios do novo pacto são representados, selados e aplicados aos crentes.
P. 93. Quais são os Sacramentos do Novo Testamento? R. Os Sacramentos do Novo Testamento são o Batismo e a Ceia do Senhor.
P. 94. O que é o Batismo? R. O Batismo é um Sacramento no qual o lavar com água, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, significa e sela a nossa união com Cristo, a nossa participação nos benefícios do pacto da graça e o nosso compromisso de sermos do Senhor.
P. 95. A quem deve ser administrado o Batismo? R. O Batismo não deve ser administrado a ninguém que esteja fora da igreja visível, até que professe a sua fé em Cristo e obediência a ele; mas os filhos daqueles que são membros da igreja visível devem ser batizados.
P. 96. O que é a Ceia do Senhor? R. A Ceia do Senhor é um Sacramento no qual, dando-se e recebendo-se pão e vinho conforme a instituição de Cristo, a sua morte é mostrada; e os que a recebem dignamente tornam-se, não de uma maneira corporal e carnal, mas pela fé, participantes do seu corpo e do seu sangue, com todos os seus benefícios, para o seu alimento espiritual e crescimento na graça.
P. 97. O que se requer para receber dignamente a Ceia do Senhor? R. Requer-se daqueles que desejam receber dignamente a Ceia do Senhor que se examinem a si mesmos a respeito do seu conhecimento para discernir o corpo do Senhor, da sua fé para se alimentarem dele, do seu arrependimento, amor e nova obediência, para que, vindo indignamente, não comam e bebam juízo para si mesmos.
P. 98. O que é a Oração? R. Oração é um oferecimento dos nossos desejos a Deus, por coisas conformes à sua vontade, em nome de Cristo, com confissão de nossos pecados e agradecido reconhecimento de suas misericórdias.
P. 99. Que regra Deus nos deu para nos dirigir na oração? R. Toda a Palavra de Deus é útil para nos dirigir na oração; mas a regra especial de direção é aquela forma de oração que Cristo ensinou aos seus discípulos, comumente chamada a Oração Dominical (ou o Pai Nosso).
P. 100. O que o prefácio da Oração Dominical nos ensina? R. O prefácio da Oração Dominical, que é: Pai Nosso que estás nos céus, nos ensina a aproximarmo-nos de Deus com toda a santa reverência e confiança, como filhos de um pai capaz e pronto para nos ajudar; e a orar com e pelos outros.
P. 101. Pelo que oramos na primeira petição? R. Na primeira petição, que é: Santificado seja o teu nome, oramos para que Deus nos habilite, a nós e aos outros, a glorificá-lo em tudo aquilo pelo qual ele se faz conhecido; e que ele disponha todas as coisas para a sua própria glória.
P. 102. Pelo que oramos na segunda petição? R. Na segunda petição, que é: Venha o teu reino, oramos para que o reino de Satanás seja destruído, que o reino da graça seja adiantado, que nós e os outros sejamos introduzidos nele e guardados nele; e que o reino da glória seja apressado.
P. 103. Pelo que oramos na terceira petição? R. Na terceira petição, que é: Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu, oramos para que Deus, pela sua graça, nos torne capazes e dispostos a conhecer, obedecer e submeter-nos à sua vontade em todas as coisas, como os anjos fazem no céu.
P. 104. Pelo que oramos na quarta petição? R. Na quarta petição, que é: O pão nosso de cada dia nos dá hoje, oramos para que, da livre dádiva de Deus, recebamos uma porção suficiente das coisas boas desta vida, e gozemos a sua bênção com elas.
P. 105. Pelo que oramos na quinta petição? R. Na quinta petição, que é: Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores, oramos para que Deus, por amor de Cristo, perdoe livremente todos os nossos pecados; o que somos tanto mais animados a pedir, porque, pela sua graça, somos habilitados a perdoar de coração aos outros.
P. 106. Pelo que oramos na sexta petição? R. Na sexta petição, que é: E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal, oramos para que Deus nos guarde de sermos tentados a pecar, ou nos sustente e livre quando formos tentados.
P. 107. O que a conclusão da Oração Dominical nos ensina? R. A conclusão da Oração Dominical, que é: Porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém, nos ensina a buscar somente em Deus o estímulo para a nossa oração, e a louvá-lo nas nossas orações, atribuindo-lhe reino, poder e glória; e em testemunho do nosso desejo e certeza de sermos ouvidos, dizemos: Amém.