Fui questionada sobre o fato de a nossa Sala Maker estar se transformando em um “laboratório de arte”. Isso me fez pensar sobre o que entendemos, afinal, como função de uma Sala Maker e também sobre o que se espera de nós, professores que atuamos nesses espaços.
Entendo o Maker como essencialmente interdisciplinar. Arte, tecnologia, ciência, matemática, design, cultura e tantas outras áreas podem se atravessar a partir de uma proposta, de uma investigação ou de um problema a ser resolvido.
Também entendo que faz parte da nossa função propor projetos, e não apenas aguardar que outros professores cheguem até nós com uma demanda pronta. Porque se eu tivesse esperado exclusivamente por isso, provavelmente muitos dos projetos que desenvolvi nesses quatro meses de atuação no Maker não teriam acontecido tampouco encaminhados para a revista Inova, uma publicação para contribuir como referência para a rede Maker do Estado. - Para quem não conhece a revista link aqui.
Existencialismo
Relações Humanas
Existencialismo
Os professores já enfrentam a enorme tarefa de cumprir currículos, avaliações, prazos e todas as exigências relacionadas à BNCC. Talvez uma das grandes possibilidades de quem atua no Maker seja justamente dispor de maior liberdade para observar o que está sendo trabalhado nas diferentes áreas, estabelecer conexões e criar experiências a partir desses conteúdos.
Para mim, particularmente, isso é um campo riquíssimo.
E daí nasce outro questionamento: por que nossa ideia de cultura Maker ainda parece, muitas vezes, tão dependente de equipamentos e recursos tecnológicos?
Troféu da gincana em impressão 3D
Tecnologia depende de equipamentos - Estudantes do fundamental - Desenho 3D
Temos impressora 3D, cortadora a laser e outras tecnologias que podem ser extraordinárias quando existe um projeto que realmente exige seu uso. Mas não gostaria de vê-las transformadas apenas em vitrines da Sala Maker.
Por que imprimir uma peça em plástico apenas para dizer que utilizamos a impressora 3D, se não existe naquele projeto um problema que justifique a prototipação daquela peça?
A tecnologia precisa servir ao projeto, e não o projeto servir à tecnologia.
Especialmente quando sabemos que nossas escolas possuem recursos limitados. Se papel, cartolina, tintas e outros materiais básicos já precisam ser administrados com cuidado, imagine manter continuamente matéria-prima para impressão 3D, corte a laser e outros equipamentos.
Obra de arte expressão da vida real
Escultura em Xeque - Projeto Maker
E, ao mesmo tempo, temos materiais recicláveis, objetos cotidianos, papel, corpo, imagem, desenho, escultura — e temos a arte.
A arte é uma linguagem capaz de atravessar alguns dos temas mais complexos trabalhados pela escola. Ela permite investigar história, filosofia, matemática, ciência, identidade, sociedade, território, tecnologia e tantas outras questões. Utilizá-la dentro de um projeto Maker não deveria, a meu ver, transformar o espaço em um “laboratório de arte”. Pode simplesmente significar que a arte é a linguagem mais adequada para aquela investigação.
Criar e inovar exigem muito mais do que matéria-prima ou equipamentos. Exigem pergunta, experimentação, tentativa, erro, pensamento, resolução de problemas, construção e reconstrução. Habilidades BNCC.
Por isso quero abrir essa conversa com vocês: O que faz uma atividade ser verdadeiramente Maker? É o equipamento utilizado? É o material?É a área do conhecimento de onde ela parte? Ou é a maneira como o estudante investiga, cria, experimenta, resolve problemas, prototipa e constrói conhecimento?
Acredito que esse seja exatamente o tipo de espaço que precisamos manter aberto à experimentação, à prototipação, à inovação e, principalmente, ao encontro entre diferentes formas de conhecimento.
Ana Sieben
Professora Tecnologia Educacional / Maker
Webdesign Programadora / Licenciada em Artes