Trabalhos de Conclusão de Curso
Os dois corpos de Vyseris Targaryen. Os usos da Idade Média em House of the Dragon.pdfOs dois corpos de Viserys TargaryenO trabalho de Guilherme Claudino analisa a construção do rei Viserys Targaryen I na série House of the Dragon (2022) sob a ótica da História Pública. A pesquisa investiga como a produção utiliza o Neomedievalismo para criar um medievo fantástico que, embora fictício, preserva traços de pensamento político histórico.Aplicação técnicaUtilizando a teoria de Ernst Kantorowicz sobre os dois corpos do rei, o estudo identifica a dualidade entre o corpo natural do monarca (mortal e enfermo) e seu corpo político (imutável e sagrado). O diagnóstico aponta que:- Convergência: Viserys se aproxima da realeza centrada na lei e no governo, onde sua autoridade e a continuidade da dinastia transcendem seu definhamento físico.
- Divergência: O personagem se afasta da realeza centrada em Cristo, agindo como um monarca puramente terreno e sem as funções rituais de deidade comuns aos reis medievais históricos.
MetodologiaA análise contou com a catalogação de 79 fichas que confrontam cenas da primeira temporada com o referencial teórico, provando que, na narrativa, o corpo místico de Viserys jamais é sobreposto pelas falhas de sua biologia humana.
O jogo Assassins creed odyssey e as identidades gregas.pdfO jogo Assassin's Creed Odyssey e a(s) identidade(s) grega(s)O trabalho de Luiz Felipe Ermida analisa as representações das identidades gregas no jogo Assassin's Creed Odyssey (2018), confrontando a narrativa do game com a obra História da Guerra do Peloponeso, de Tucídides. A pesquisa se insere no campo da História Pública, investigando como mídias digitais de grande circulação moldam a consciência histórica do público sobre a Antiguidade.Problemática e HipóteseO estudo parte do questionamento sobre a existência de uma identidade étnica unificada entre os gregos representados no jogo. A hipótese confirmada é de que não existe uma única identidade, mas sim níveis distintos de pertencimento que rompem com o mito de uma Grécia homogênea e puramente "branca/ariana".Níveis de IdentidadeBaseando-se na historiografia clássica e na análise do jogo, o autor identifica três níveis de identificação:- Menor (Regional/Pólis): Identidade restrita à cidade-Estado (Atenas ou Esparta) e suas respectivas regiões geográficas, como a Ática ou a Lacedemônia.
- Intermediário (Dialetal/Mítico): Identificações baseadas em divisões dialetais e mitos de origem compartilhados por determinados grupos. No jogo, isso é exemplificado por expressões linguísticas específicas e costumes como o uso de óleo em exercícios físicos.
- Maior (Helênico): O conjunto dos helenos em oposição ao "bárbaro" (o não heleno), nível que ganha força no confronto com potências externas como o Império Persa.
Metodologia e ResultadosA pesquisa utilizou a arqueologia de salvamento digital para catalogar prints e diálogos do jogo, confrontando-os com 493 ocorrências identificadas no texto de Tucídides.- Origens Diversas: O estudo comprova que tanto a fonte antiga quanto o jogo reconhecem a Hélade como um mundo multicultural, fruto de migrações e populações heterogêneas (aqueus, dânaos, argivos).
- Crítica à Branquitude: O trabalho denuncia o uso ideológico da Grécia como "berço da civilização branca", demonstrando que a realidade histórica e o próprio jogo (através de personagens como Kassandra/Alexios) apontam para uma identidade híbrida e multicultural.
UM CONTO DE FADAS SOBRE O EGITO EM CAMPANHA.pdfUm conto de fadas sobre o Egito em CampanhaO trabalho de Pedro Miguel Carvalho Silva analisa a presença de monumentos de inspiração egípcia em Campanha-MG sob o prisma da Egiptomania. A pesquisa aborda o problema da invisibilidade desse patrimônio e propõe a conversão do conhecimento acadêmico em uma ferramenta prática de Educação Patrimonial através da literatura.Fundamentação Teórica e MetodologiaA investigação utiliza a definição de Egiptomania de Margareth Bakos como o fascínio e a ressignificação de elementos da cultura egípcia em diferentes temporalidades. A metodologia inovadora fundamenta a criação de uma narrativa baseada na teoria do conto de fadas de J.R.R. Tolkien.- Levantamento de Campo: Catalogação de seis obeliscos, discos solares na Catedral de Santo Antônio, esfinges no Museu Regional e uma pirâmide no cemitério municipal.
- Conceitos Tolkienianos: Aplicação dos conceitos de Recuperação (reencantamento do ordinário) e Eucatástrofe (virada narrativa positiva) para estruturar a trama.
O Produto Pedagógico: O Conto de FadasO resultado final é um conto onde o faraó Tutancâmon desperta no presente em Campanha. Guiado pelos deuses Anúbis e Bastet, ele explora a cidade e descobre que a "deturpação" de sua cultura é, na verdade, um processo dinâmico de apropriação e admiração.- Clímax Educativo: No desfecho (Eucatástrofe), Tutancâmon renuncia ao retorno ao passado para se tornar professor no presente, assumindo a missão de preservar a memória do Egito através do ensino.
Ordinem et progressus. A mistificação da figura do cavaleiro e do passado medieval dentro dos ambientes virtuais da direita brasileira.pdfOrdinem et progressus: a mistificação do passado medieval na direita brasileiraO trabalho analisa como setores da direita brasileira contemporânea se apropriam de símbolos e figuras da Idade Média em ambientes virtuais. A pesquisa investiga a mistificação do cavaleiro medieval e a construção de um passado imaginário utilizado para sustentar discursos políticos e sociais no presente.Problemática e fundamentaçãoA investigação parte da problemática de como as apropriações do medievo promovem preconceitos e reforçam o "mito da Idade Média" como uma "idade das trevas" ou, inversamente, como um período de pureza civilizatória a ser recuperado. O estudo utiliza os conceitos de:- Usos do Passado: A mobilização de referências históricas para fins políticos, muitas vezes através de paralelos anacrônicos.
- Neomedievalismo: A criação de mundos e imaginários com roupagem medieval, livres de fidelidade histórica, para validar ideologias contemporâneas.
- História Pública: O papel do historiador na análise de como o conhecimento histórico circula e é transformado fora da academia, especialmente em redes sociais e mídias digitais.
Metodologia e corpus analíticoA pesquisa adotou uma análise documental de fontes audiovisuais e digitais, fundamentada na teoria de Ernst Kantorowicz sobre os dois corpos do rei para entender a representação da autoridade. O autor realizou o levantamento de reminiscências medievais que operam como ícones de "ordem" e "progresso" dentro de uma lógica conservadora.Resultados e crítica historiográficaO estudo demonstra que a direita brasileira utiliza o medievo como um repertório de distinção, onde a figura do cavaleiro é ressignificada como um guardião de valores tradicionais contra supostas ameaças modernas.- Mistificação: A análise prova que essas representações ignoram a complexidade histórica em favor de uma estética de poder e autoridade.
- Função Social: A pesquisa conclui que o combate a essas visões distorcidas é essencial para a formação de uma consciência histórica crítica, desconstruindo o uso da História como ferramenta de exclusão ou supremacismo.