Comidas e sentimentos: uma relação individual
Comidas e sentimentos: uma relação individual
Vejo muitas formas de tratar o comer emocional e compulsão alimentar. As redes sociais nos bombardeiam de dicas, estratégias e explicações, arrisco dizer que, às vezes, sai até fórmulas mágicas. Mas, porque será que ainda assim muitas pessoas continuam ter uma relação transtornada com a comida?
Porque, na verdade, não depende só de ler e repetir para si mesmo frases e mais frases, trata-se de internalizar e respeitar a história que existe por trás da relação com a comida e o transtorno alimentar.
O comer emocional é apenas um sintoma e, muitas vezes, este sintoma é o único apoio que a pessoa tem e tirá-lo pode deixá-la sem estrutura, sendo possível levar até ao desenvolvimento de outros sintomas. Por isso, a importância de ter um olhar individual e compreender que em cada história de vida encontramos detalhes que nem imaginamos e que são eles que fazem existir “buraquinhos” internos que precisam ser preenchidos com a comida.
Comunicar sentimentos é algo complexo e nem todo mundo consegue fazer verbalizando e assim, acabam recorrendo a diversas formas e uma delas é o cozinhar, por exemplo. Todo cuidado que colocamos quando fazemos os alimentos diz alguma coisa, além de deixar marcas e construir experiências. A comida comunica amor, carinho e cuidados, por isso, muitas vezes, recorremos a ela como forma de aconchego, de preenchimento de vazios existências e de acolhimento.
Precisamos lembrar que os alimentos promovem experiências sensoriais que nos emocionam e nos movem. Tudo ao redor das refeições sempre significou e sempre significará, na verdade, sobre conectar pessoas e sentimentos. Assim, a maneira como nos relacionamos com nossa alimentação exprime muito sobre nossa configuração particular e social.
Ouvimos tanto sobre como melhorar essa relação com a comida, mas tão pouco sobre o que realmente precisamos. E aí, está o segredo! Compreender além do sintoma, permitir um olhar mais profundo e único para aquilo que realmente existe e importa.
É preciso acolhimento do sofrimento e de toda a história de vida da pessoa, possibilitando a compreensão do significado que o alimento tem para ela, assim como o lugar que ocupa em sua vida, ao invés de simplesmente modificar um hábito alimentar. Respeitando assim, sua maneira de ser, permitindo que externalize tudo que há guardado dentro de si mesma, o quem nem sempre é percebido por ela, para que então, consiga ter uma melhor relação consigo mesma e suas necessidades.
Dentro da singularidade do existir, podemos encontrar situações muito profundas, como um abuso sexual, lutos, violências ou simplesmente baixa autoestima. São infinitas as necessidades que se apresentam frente a relação com a comida. Em muitos casos, a relação transtornada com a comida vem desses traumas psíquicos e não simplesmente por que precisam comer as emoções momentâneas. Claro, que também existem essas necessidades, por exemplo, estresse do trabalho, pressões do dia-a-dia, decepções, dentre outras. Contudo, ainda assim é preciso ter um olhar único para cada um, não podemos generalizar, uma vez que temos vivências singulares e exclusivas.
Por isso, o importante é saber compreender o que há por trás da relação com a comida, para que assim seja possível ter um melhor relacionamento com ela. É através do autoconhecimento que conseguimos fortalecer e desenvolver as competências emocionais e psicológicas necessárias para possamos preencher nossa alma daquilo que realmente importa.
Com isso, te convido a fazer suas refeições com mais atenção e entrega por inteiro, tendo um tempo de maior qualidade para si, conectando-se consigo mesma, com seus sentimentos e emoções, pois isso é o que nutri nosso corpo e alma verdadeiramente!
De dentro para fora:
como a psicoterapia ajuda no processo de emagrecimento
O que vemos em um processo de emagrecimento é a busca por profissionais como nutricionista e personal trainner e claro, é o caminho correto, uma vez que entendemos que para emagrecer precisamos ter déficit calórico e praticar exercícios físicos.
No entanto, também existe a participação do psicólogo para ajudar nesse processo, já que por vezes a alimentação também é emocional.
Diante disso, o emagrecimento fica cada vez mais difícil de ser alcançado, levando a frustração e ao desanimo, o que acaba se tornando um looping em que a pessoa, por se sentir assim come ainda mais e acaba desistindo do processo como um todo.
O comer emocional é apenas um sintoma e, muitas vezes, este sintoma é o único apoio que a pessoa tem e tirá-lo pode deixá-la sem estrutura, sendo possível levar até ao desenvolvimento de outros sintomas. Por isso, a importância de ter um olhar individual e compreender que em cada história de vida encontramos detalhes que nem imaginamos e que são eles que fazem existir “buraquinhos” internos que precisam ser preenchidos com a comida.
Ouvimos tanto sobre como melhorar nossa relação com a comida, mas tão pouco sobre o que realmente precisamos. E aí, está o segredo! Compreender além do sintoma, permitir um olhar mais profundo e único para aquilo que realmente existe e importa.
Por isso, a psicoterapia vem para auxiliar. Ela ajudará na mudança de dentro para fora, te levando a autoconhecimento, entendendo o papel da comida em seu dia a dia, identificando suas necessidades por trás dela, além de reconhecer que a maneira como nos relacionamos com nossa alimentação exprime muito sobre nossa configuração particular e social.
Desta forma, o processo de emagrecimento será mais leve e permanente, pois você também entenderá que sua relação com a comida é para sempre e não momentânea, já que tudo ao redor das refeições sempre significou e sempre significará, na verdade, sobre conectar pessoas e sentimentos, não apenas nutrição.
Transtornos ou Distúrbios Alimentares são perturbações no comportamento alimentar, que influenciam de modo negativo a saúde física e mental da pessoa.
Estes advêm de um contexto multifatorial, sendo produtos de uma complexa inter-relação entre aspectos biológicos, psicológicos e socioculturais.
Um comportamento alimentar transtornado é só um pedaço do todo, é preciso compreender o que há por trás dele. Por isso, é de extrema importância buscar por auxílio de uma equipe multidisciplinar, pois entender e tratar estes transtornos não é simples e nem fácil.