Acredito na forma de expressão poetizada; tenho fé nos versos que desnudam os sentimentos mais recônditos do ser, às vezes, ignorados por ele mesmo. Assim, em forma de versos, minha solidão vem a público, estilizada pela paixão-metáfora. Amalgamar sentimentos às palavras produz efeitos linguísticos que trazem o belo e o degradante. Isso choca o senso comum dos mortais, porque a palavra passa pelo charco e pela pureza, dá de cara com o esdrúxulo, encontra o absurdo pelo caminho, provoca a estranheza, pinta céus e infernos com a mesma tinta. Enfim, múltiplos e imprevisíveis são os resultados obtidos nessa lida:
no princípio
criou o homem as palavras
as palavras, porém,
estavam vazias e nuas
e o espírito do poeta era levado
por cima das águas e disse o poeta:
--- Faça-se metáfora!
e a metáfora se fez
e viu o homem quão boa era
a metáfora dos seus sonhos
e o poeta que pairava sobre...
peneirou poesias nas águas das palavras
e foi da inspiração e da expiração
a primeira respiração poética
como um suspiro
unindo água dos olhos dos homens
assim como os corações não paravam de amar
o poeta não descansou no sétimo verso
de sua obra
apenas se deleitava a cada estrofe
A plasticidade do verbo se compara à água. O escrever significa um outro ser jorrando de dentro de mim. A esse outro ser chamo Iraig, filho d'água, cujo Deus é Tupã. As águas poéticas, eu as guardo em raros momentos de inspiração visionária em recipientes de sonhos e de revoltas. Valendo-me do archote da caneta, e evidenciando uma sede incontida, infinita. Vou ao seu encontro, de forma intensa, na obscuridade dos sentimentos que me invadem. Tanto a água que raramente me visita na inspiração quanto aquela que busco constantemente na expiração do alívio catártico, são por mim buriladas artesanalmente, ganhando corpos próprios para conter suas voláteis almas. Eis o papel do poeta: corporificar sentimentos, usando da pá que lavra.
no princípio era o verso
e o verso era com o poeta
e o poeta mesmo era o verso
e o verso se fez poesia
e habitou entre nós
há um homem cujo nome é André
e um poeta de nome Iraig...
A intensidade com que me jogo e a intencionalidade que busco em cada verso estão latentes em formas, significados e verdades. Essas, você, leitor, conseguirá desfrutar ao recriá-las a partindo da própria intensidade com que se jogar e da intenção que tiver no mágico momento da leitura, apreendendo formas, significados e verdades, antes latentes, agora expressas de mim para você ...
uma pó ética leitura
Iraig