Inscrições de resumos para GTs: 01/04 a 01/05.
A Amazônia ocupa, de forma cada vez mais central, espaço nas discussões acadêmicas contemporâneas. Sob as mais diversas perspectivas das ciências sociais, os aspectos políticos, econômicos e sociais da região vêm sendo analisados em abordagens crescentemente multidisciplinares. Dessa forma, a presente proposta visa apresentar contribuições da ciência política a essa agenda de pesquisas, com foco nas interseções entre política, políticas públicas, instituições e meio ambiente, sobretudo considerando como arranjos institucionais e disputas de poder influenciam as políticas ambientais e a governança da região. Essas discussões serão desenvolvidas por meio de pesquisas empíricas e análises teóricas de pesquisadores da área.
Participantes: Maycon Yuri Nascimento Costa (UFPA); Beatriz Brasil da Silva Monteiro (UFMG); Alan da Silva Pereira (UFPA).
Mediação: Wane da Paixão Nunes (UFPA).
A mesa redonda parte da compreensão de que o conceito de bioeconomia foi fagocitado pelo mercado, ademais de estar sendo amplamente utilizado em agendas públicas e científicas. Este conceito ainda carece de maior densidade teórica e de ancoragem empírica, em especial quando aplicado à Amazônia. Para tanto, propõe-se discutir como abordagens interdisciplinares podem qualificar o debate, evitando reduções tecnocráticas e abordagens que desconsiderem processos, atores, saberes e biodiversidade. Serão exploradas tensões entre bioeconomia, sociobiodiversidade e desenvolvimento, bem como os limites de leituras centradas apenas em inovação, produtividade e mercado. A mesa discutirá como construir colaboração interdisciplinar efetiva. O objetivo é fortalecer uma agenda crítica e interdisciplinar de pesquisa que produza definições mais robustas e situadas de bioeconomia na Amazônia, comprometidas com justiça socioambiental e permanência territorial.
Participantes: Jússia Carvalho da Silva Ventura (UFPA); Roberta Cristina de Oliveira Soares (UFPA).
Mediação: Uriens Maximiliano Ravena Cañete (UFSCAR).
No escopo desta mesa, as questões transversais de saúde, cuidado e território, são trazidas a partir de pesquisas antropológicas realizadas por Luriana Barros, Ester Paixão e Nádja Silva. Luriana Barros pesquisa condições de trabalho de mulheres quilombolas, trabalhadoras domésticas remuneradas, no estado do Maranhão. Ester Paixão apresenta sua pesquisa voltada a práticas e agentes de cuidado no estado do Rio Grande do Norte, com destaque para os saberes ecológicos percebidos na relação entre mulheres quilombolas e seus preparos a partir de plantas e raízes. Nádja Silva investiga alguns dos impactos do pós-pandemia na agricultura familiar no estado da Paraíba, em uma perspectiva racializada, investigando as intersecções entre agricultura familiar, políticas públicas e racismo laboral. Assim, essa mesa contribui para uma reflexão situada sobre saúde, cuidado e território, desde a Antropologia.
Participantes: Luriana de Sousa Barros (UFMA); Ester Paixão Corrêa (UFPB); Nádja Silva dos Santos (UFPB).
Mediação: Geissy dos Reis Ferreira de Oliveira (UFPB).
As mudanças climáticas são eventos cada vez mais presentes. As intensas chuvas, o calor extremo, as inundações e as secas são consequências deste processo. O mundo todo tem sentido seus efeitos. Contudo, algumas populações têm sentido com mais intensidade em razão de desigualdades históricas deixadas pelo colonialismo (Squeff e Damasceno, 2024). As comunidades tradicionais da Amazônia brasileira encontram-se envoltas neste cenário e, em muitos casos, sentiram os efeitos da colonização em seus territórios. Nesse sentido, a intenção da reflexão é trazer à tona os efeitos das mudanças do clima na saúde das comunidades da Amazônia. Parte-se da ideia que os elementos que constituem a saúde dos povos tradicionais devem ser preservados em contextos de mudanças do clima. Outrossim, os conhecimentos tradicionais devem ser reconhecidos como estratégia de mitigação e de reparação histórica.
Participantes: Silvana Ramos Lacerda (UNIFAP); Priscila Soraia da Conceição (UFSCAR); Anaxsuell Fernando da Silva (UNILA).
Mediação: Letícia Costa de Carvalho (UFPA).
Esta mesa-redonda propõe discutir como plataformas, IA e infraestruturas digitais reconfiguram sociabilidades, disputas políticas, circulação de saberes e práticas educativas na Amazônia. O debate será organizado em quatro eixos: (1) tecnosocialidades amazônicas e justiça epistêmica, destacando visibilidades, silenciamentos e produção situada de conhecimento; (2) Território Digital: mídias sociais como ferramenta política, ativismos e defesa de direitos; (3) religiosidade afroamazônica no ciberespaço, entre rituais, redes de proteção e controvérsias (exposição e intolerância); e (4) metodologias de ensino por meio das redes sociodigitais, com foco em inovação pedagógica e letramento digital. A mesa busca sínteses críticas e caminhos de pesquisa e intervenção.
Participantes: Breno Rodrigo de Oliveira Alencar (IFPA); Wesley Ribeiro Cantão Silva (UFPA); Arlindo Figueiredo do Rosário Júnior (SEDUC-PA).
Mediação: Joelma Fabiane Ferreira Almeida (Colégio Pedro II - Rio de Janeiro).
Esta mesa redonda propõe uma imersão na complexidade geopolítica da Amazônia, com foco particular na região do Marajó e nas comunidades quilombolas que a habitam. Abordaremos os desafios multifacetados enfrentados por esses grupos, incluindo as intensas pressões territoriais, a fragmentação da governança e os recorrentes conflitos socioambientais. A partir dos insights gerados pelo projeto LEGAL (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal), que monitora as dinâmicas regionais e os impactos das decisões políticas estaduais e federais, discutiremos como as comunidades quilombolas se organizam através de associações e movimentos sociais, e quais estratégias jurídicas e políticas são empregadas para a defesa de seus direitos, apesar das fragilidades institucionais, pressões econômicas e a histórica falta de representação.
Participantes: Denis Conrado da Cruz (UFPA); Rodrigo Dolandeli dos Santos (UFPA); Valéria de Jesus Almeida Carneiro (Malungu) .
Mediação: Marcelo Tavares (UFPA).
Este ano é o marco dos 50 anos da publicação do primeiro volume da História da Sexualidade de Michel Foucault e, também, do seminário que ele ministrou na Universidade Federal do Pará em sua última viagem a Belém. Embora a contribuição do filósofo não possa ser considerada isolada, ela é crucial para o debate produzido em torno da sexualidade nas últimas décadas. A sexualidade passa a ser percebida como um produto histórico de relações de poder, nas quais os saberes científicos são atores fundamentais. A presente mesa tem o objetivo de apresentar algumas das questões que mobilizam o debate contemporâneo sobre sexualidade e seus limites, tomando essa porção da Amazônia como ponto de partida.
Participantes: Alana Albuquerque de Castro (UFPA); Paulo Henrique Souza dos Santos (FIOCRUZ); Ana Doroteia Santos Dias (UFBA).
Mediação: Inácio Saldanha (UNICAMP).
Esta mesa-redonda tem como objetivo principal evidenciar as narrativas e memórias que emergem das histórias sobre o antropólogo Arthur Napoleão Figueiredo, considerado o “pai fundador” da Antropologia na UFPA. Com base nos resultados do projeto de extensão “Napoleão Figueiredo - o filme” (UFPA) e do projeto de iniciação científica “História das Antropologias Regionais - Região Norte e Amazônia: uma (meta)etnografia da formação, institucionalização e desenvolvimento da Antropologia na trajetória de Arthur Napoleão Figueiredo”, e na interlocução com o Centro de Memória da Amazônia (CMA/UFPA) e o Instituto Histórico e Geográfico do Pará (IHGP), a proposta aqui é a promoção da memória de Napoleão Figueiredo, por meio do acervo e das histórias orais, entrevistas e pesquisa documental, e a construção de uma (meta)etnografia da formação, institucionalização e desenvolvimento da Antropologia na Região Norte, especialmente na Amazônia paraense, sustentada na colaboração e participação de pessoas ligadas direta ou indiretamente ao professor Napoleão Figueiredo - nome do Laboratório de Antropologia da Universidade Federal do Pará, responsável pela formação de gerações de profissionais na região. O legado de personagens como Napoleão Figueiredo encontra-se em disputa na história da disciplina, que ainda desconhece os demais desenvolvimentos institucionais em regiões fora do eixo sul-sudeste. Portanto, o objetivo também se apresenta como um contraponto político-memorialístico na narrativa canônica e oficial da Antropologia brasileira.
Participantes: Denise Machado Cardoso (UFPA); Anaíza Vergolino (IHGP); Maurício Costa (UFPA).
Mediação: Mílton Ribeiro (UEPA).
Esta mesa redonda propõe discutir sobre a invisibilidade histórica do trabalho feminino no universo da pesca artesanal brasileira, entendendo que as mulheres possuem um papel central em toda cadeia produtiva, representando cerca de 45% do total de pescadores do país. Além disso, as mulheres exercem múltiplas funções - da captura ao beneficiamento, à comercialização e ao cuidado - sendo fundamentais para a renda familiar e a sustentabilidade comunitária, além de acumularem o trabalho doméstico e de cuidado, não remunerado e naturalizado. No âmbito legal, o trabalho das mulheres permanece sub-reconhecido, como evidencia a Lei 11.959/2009, que não menciona a categoria “pescadora artesanal”. Nesse sentido, é fundamental aprofundar o debate e avançar na valorização das diversas funções exercidas pelas mulheres na atividade pesqueira.
Participantes: Débora Melo Alves (UFPA); Alexandre de Brito Alves (UFPA).
Mediação: Danillo Vaz Costa (UFPA).