Encontro Intermediário do GT de Semiótica da ANPOLL
Biênio (2026-2027)
Popularização e ensino da Semiótica
Encontro Intermediário do GT de Semiótica da ANPOLL
Biênio (2026-2027)
Popularização e ensino da Semiótica
ENCONTRO INTERMEDIÁRIO DO GRUPO DE TRABALHO DE SEMIÓTICA DA ANPOLL
01, 02 e 03 DE JUNHO DE 2026
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS - UFSCar
CENTRO DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS - Auditório do NAP
Campus São Carlos - SP
Tema: Popularização e ensino da Semiótica
Algo que ficou bastante evidente nos últimos anos, especialmente após o crescimento da extrema direita no Brasil, bem como em escala global, é que o lugar da ciência em meio à sociedade atual está em disputa. As diversas ciências e, com maior destaque, as ciências humanas vêm sofrendo sérios ataques, sobretudo, por meio de notícias falsas e mentirosas, além de cortes de verbas destinadas a seu desenvolvimento, entre outras ações. Não se trata de algo inusitado, mas que ganhou novos contornos, tendo em vista o ecossistema de comunicação contemporâneo que favorece a rapidez e o excesso de informações, gerando a temida infodemia.
A necessidade de combater esses discursos e ainda de aproximar a ciência de outros setores da sociedade se torna, portanto, cada vez mais premente. Diversas medidas que vão nessa direção podem ser observadas hoje no Brasil, como, por exemplo, o estímulo à divulgação das pesquisas por meio da criação de bolsas voltadas ao jornalismo científico, que algumas agências de fomento à pesquisa vêm propondo; o surgimento e o fortalecimento de agências de checagem de notícia; a produção de podcasts e videocasts de ciência realizada por pesquisadores, instituições de pesquisa, jornalistas e outros atores sociais; a ocupação das redes sociais por universidades e instituições produtoras de pesquisa em geral; entre tantas outras. Frente a esse cenário, o Grupo de Trabalho de Semiótica da Anpoll escolheu como tema para o biênio atual justamente a popularização e o ensino da Semiótica, uma vez que se trata de uma teoria que, certamente, pode contribuir para uma leitura mais crítica e sensível do mundo que nos rodeia, ou mais especificamente dos textos e práticas que o constituem.
A semiótica discursiva desenvolvida no Brasil já possui uma longa tradição de estudos voltados à relação entre semiótica e educação. Podemos recuperar aqui alguns trabalhos que mostram essa proximidade, como o doutorado de Portela, de 2008: Práticas didáticas: Um estudo sobre os manuais brasileiros de semiótica greimasiana; os livros Para entender o texto: leitura e redação (1988) e Lições de texto: leitura e redação (1996), de Fiorin e Savioli, que se tornaram obras de referência para o Ensino Médio e também para a formação de professores; a obra Comunicação nos textos: leitura, produção e exercícios (2005), de Discini, voltada a um público mais amplo; ou as teses de doutorado de Mendonça, intitulada Telenovela e leitura: reflexões sobre uma prática de análise semiótica no ensino médio (2013), e de Merith Claras, intitulada Semiótica, leitura, análise linguística: uma proposta de intervenção no Ensino Fundamental (2011), em que são desenvolvidas atividades de leitura embasadas na semiótica, posteriormente aplicadas em sala de aula.
Também merecem destaque o livro Semiótica e ensino: diálogos teóricos e práticos para/com a escola (2024), organizado por Silva e Miqueletti; a coleção de livros didáticos para o Ensino Fundamental II “Apoema” Português, de autoria de Teixeira, Sousa, Faria e Silva; bem como diversos artigos de Lima, como “Prática didática: entre a programação, a manipulação e o ajustamento” (2021); o dossiê “Contribuições da Semiótica e de outras teorias do texto e discurso ao ensino” (2019), organizado por Barros, Teixeira e Lima, entre outros inúmeros livros, capítulos e artigos de semioticistas das cinco regiões do Brasil. São publicações que tanto refletem sobre o ensino da semiótica e sua didatização, quanto sobre as contribuições da semiótica para as práticas de multiletramento.
Já no campo das reflexões sobre popularização da ciência do ponto de vista semiótico ou sobre a popularização da própria Semiótica, ou da Linguística, encontramos um número menor de trabalhos, sendo um deles o mestrado de Tadayesky (2024) sobre a popularização da ciência como uma estratégia semiótica, ou ainda a dissertação de Carvalho (2026), que discute, com base na metodologia da Semiótica Discursiva, os desafios da popularização da Linguística no contexto contemporâneo, tomando como corpus textos da Revista Roseta, mantida pela Associação Brasileira de Linguística, a Abralin. Ainda assim, multiplicam-se as iniciativas que visam a divulgar e a popularizar a proposta teórico-metodológica da semiótica, por meio, geralmente, de análises de fenômenos contemporâneos. É o caso da obra de Demuru: Políticas do encanto: extrema direita e fantasias da conspiração (2024); de podcasts realizados por pesquisadores, como a série Qual é o sentido?, proposta pelo próprio GT, ou o Fora da curva, coordenado por Fechine; de cursos de extensão ofertados por diversas instituições, entre outras empreitadas.
Partindo desse acúmulo de reflexões e de experiências tanto com o ensino quanto com a popularização da semiótica, propomos, para as apresentações de trabalho deste Encontro Intermediário do GT de Semiótica da Anpoll, a apresentação de reflexões, por um lado, de cunho mais teórico a respeito do ensino e da popularização da semiótica e, por outro, de exercícios práticos em que objetos de estudo atuais sejam analisados a partir de estratégias de didatização e/ou de popularização da ciência, tendo como enunciatários leitores não especializados. Apresentamos a seguir uma lista de eixos temáticos dentro dos quais devem se encaixar as propostas enviadas:
Didatização da semiótica
Semiótica e práticas de ensino
Popularização da semiótica
Popularização da ciência
Semiótica e suas contribuições para os multiletramentos: exercícios práticos
5.1 produção e leitura de textos audiovisuais;
5.2 produção e leitura de textos digitais;
5.3 produção e leitura de textos visuais;
5.4 produção e leitura de textos literários;
Exercícios de análise com vistas à popularização da semiótica nos seguintes campos:
6.1 gênero e sexualidade;
6.2 raça;
6.3 literatura;
6.4 política;
6.5 cidade;
6.6 design e/ou moda;
6.7 comunicação digital;
6.8 IA;
6.9 artes plásticas;
6.10 audiovisual.
*Todas as propostas de trabalho para apresentação em comunicação oral deverão dialogar com um dos eixos do tema do biênio.
Período de inscrições:
Até 26 de abril de 2026 - para quem for submeter trabalho para apresentação de comunicação oral.
Até 21 de maio de 2026 - para ouvintes.
*A carta de aceite para quem tiver a proposta de apresentação de trabalho aceita será enviada até 05 de maio.
Modalidades de participação:
Membros do GT - apresentação de comunicação oral por subgrupo (máx. 4 integrantes).
Alunos de Graduação (com apresentação de pôster) ou Pós-Graduação, Mestres ou Doutores - apresentação de comunicação oral individual ou em dupla.
Ouvintes - participação sem apresentação de trabalho, mas certificada a partir de 75% de presença.
*Valores:
Membros do GT - 100,00
Mestres ou Doutores - 100,00
Pós-graduando(a) - 60,00
Graduando(a) - 20,00
Ouvintes - GRATUITO
* A taxa de inscrição, para os que não são membros do GT de Semiótica, só deverá ser paga após a aprovação da proposta enviada. Os dados para pagamento serão encaminhados junto com a carta de aceite. Apenas os membros do GT devem efetuar o pagamento já no momento da inscrição.
Para se inscrever, clique em um dos links abaixo de acordo com a sua modalidade de participação:
Inscrição de membros do GT de Semiótica com apresentação de trabalho
Inscrição de alunos de Graduação, Pós-Graduação ou Mestres e Doutores com apresentação de trabalho
*O texto do resumo deve conter de 150 a 300 palavras, sem contar o título, e não deve conter parágrafos, evitando ainda o uso de notas e referências bibliográficas.
Data de realização:
01, 02 e 03 de junho 2026 - evento presencial
Local:
Universidade Federal de São Carlos - UFSCar
Centro de Educação e Ciências Humanas - Auditório do NAP
Rodovia Washington Luís, Km 235, s/n - São Carlos, SP
Programação:
Organização do evento:
Coordenação geral:
Mariana Luz Pessoa de Barros - UFSCar
Eliane Soares de Lima - UFF
Comissão organizadora:
Vinicius Ribeiro -UFSCar
Malik Nasser - UFSCar
Rafaela Mathias - UFSCar
Rafaela Aparecida - UFSCar
Agatha Bueno Rosa - UFSCar
Comissão Científica:
Alexandre Marcelo Bueno (Mackenzie, São Paulo, SP)
Carolina Lindenberg Lemos (UFC, Fortaleza, CE)
Daniervelin Renata Marques Pereira (UFMG, Belo Horizonte, MG)
Diana Luz Pessoa de Barros (USP/Mackenzie, São Paulo, SP)
Elizabeth Harkot-de-La-Taille (USP, São Paulo, SP)
Geraldo Vicente Martins (UFMS, Campo Grande, MS)
Ivã Carlos Lopes (USP, São Paulo, SP)
Jean Cristtus Portela (UNESP, Araraquara, SP)
José Américo Bezerra Saraiva (UFC, Fortaleza, CE)
José Luiz Fiorin (USP, São Paulo, SP)
Lucia Teixeira (UFF, Niterói, RJ)
Luiza Helena de Oliveria Silva (UFT, Araguaína, TO)
Matheux Nogueira Schwartzmann (UNESP, Assis, SP)
Oriana de Nadai Fulaneti (UFPB, João Pessoa, PB)
Paolo Demuru (Mackenzie, São Paulo, SP)
Regina Souza Gomes (UFRJ, Rio de Janeiro, RJ)
Renata Mancini (USP, São Paulo, SP)
Sandro Tôrres (UFRJ, Rio de Janeiro, RJ)
Silvia Sousa (UFF, Niterói, RJ)
Sueli Ramos (UFMS, Campo Grande, MS)
Apoio:
Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Semiótica da UFSCar
Grupo de Pesquisa em Semiótica e Discurso - SeDi