A utilização dos recursos tecnológicos, sobretudo o cinematográfico estimula a imaginação e encanta a diversos públicos , principalmente o infantil onde o contato representa um mundo novo, na sala de aula é possível aprofundar variados temas utilizando-se desse recurso.
"Estamos absolutamente imersos num mundo audiovisual", afirma Silvia Meirelles, pedagoga e coordenadora do projeto Cine Educação, da Cinemateca de São Paulo, na capital paulista. Justamente por isso, explica ela, a escola deveria cada vez mais se apropriar desse meio. "O cinema como ilustração didática está inserido na escola há muito tempo, mas essa é uma geração que está exposta o tempo inteiro à linguagem visual - via televisão, celular, internet. Temos de aprimorar o uso desse recurso e encará-lo de forma crítica", afirma.
A fim de propor um ambiente lúdico a equipe da escola Marista de Varginha (MG) adaptou uma obra literária ambientada no universo cinematográfico, os professores trabalharam através da atividade a exploração da imaginação dos alunos.
No dia-a-dia em ambiente escolar, faz-se necessária a adoção de diferentes metodologias para envolver o aluno. Conhecer a clientela é um ponto a considerar e, sobre isso, percebendo-se a viabilidade da implantação de projeto voltado para jovens e adultos, desde 2009, desenvolve-se a Cinemateca EJA, na EEEF Rivadávia Corrêa. Desde lá veiculou-se diversos filmes de diferentes temáticas como “Olga” (2004, histórico e político), “Escritores da Liberdade” (2007, o desígnio e a dedicação de uma professora em mudar a realidade de uma turma de alunos rejeitados socialmente), “Meu nome é Rádio” (2003, salientando-se a importância da inclusão já que temos alunos com atendimento diferenciado), “O contador de histórias” (2009, amizade e ternura entre um menino abandonado pela mãe e objeto de pesquisa de uma pedagoga francesa que se envolve com a problemática do menino), entre outros, sempre atendendo o interesse do aluno ou percebendo-se a necessidade da abordagem do tema proporcionando-se sempre a integração dos componentes curriculares. Refere-se aqui a experiências pessoais recentes com a utilização do cinema. Atendendo jovens e adultos de 1° a 3° ano do ensino médio (EJA, em instituição pública) e programado (Vice-direção e Supervisão Pedagógica), junto com as professoras de Português, Ética, Geografia, História e Ensino Religioso das séries finais, o projeto “Analisando questões éticas, políticas e de cidadania a partir do filme brasileiro Que bom te ver viva”, com o relato de mulheres que foram torturadas durante o período da ditadura brasileira. O filme foi veiculado na sala de cinema do SESC, no Programa CineSesc e aberto ao público. Após, o tema foi amplamente discutido em sala de aula desde as formas de linguagem dos seus personagens, sua época histórica e fatos relacionados, as consequências físicas e emocionais registradas pelas mulheres sobreviventes daquele sistema. Um questionário então foi aplicado aos alunos para avaliar o quanto tinham absorvido da mensagem do filme/documentário que, embora atingindo clientela entre 16 e 30 anos, em sua maioria, e que não tinha conhecimento dos fatos da época, serviu exatamente para que conhecessem um pouco da problemática vivida no país na ditadura militar.