Estudo 201
"... que vos reconcilieis, com o Senhor Rei meu, venho a serviço do meu Deus."
Estudo 201
"A um cristão, a presunção de onisciência é detestável, e contrária à humildade e o amor com que deve tratar ao outro." Essa verdade encontra eco nas palavras de Paulo: "O conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica" (1 Coríntios 8:1). A fé reformada ensina que, embora a Escritura seja clara em revelar tudo o que é necessário para a salvação e vida piedosa, o crente não possui domínio pleno sobre todo o saber, nem é chamado a agir como juiz supremo de cada situação. O cristão piedoso sabe que seu entendimento é limitado e sujeito a erros, e por isso se apega mais à graça de Deus do que à própria capacidade intelectual. Reconhecer essa limitação não é sinal de fraqueza, mas de maturidade espiritual, pois conduz à dependência do Espírito Santo e à disposição para ouvir, aprender e corrigir-se. A arrogância intelectual fecha os ouvidos ao próximo; a humildade, porém, abre espaço para o diálogo edificante, refletindo o amor que Cristo demonstrou ao se inclinar para servir.
Quando alguém presume saber tudo, coloca-se, mesmo sem perceber, em um trono que não lhe pertence. A visão reformada lembra que todo conhecimento verdadeiro é um dom divino, e que nossa interpretação da verdade deve estar sempre submissa à Palavra e ao caráter de Cristo. Por isso, o crente maduro não apenas fala, mas também ouve; não apenas ensina, mas também aprende. A humildade cristã não anula a firmeza doutrinária, mas a tempera com mansidão, lembrando que Deus resiste aos soberbos e concede graça aos humildes (Tiago 4:6). Assim, longe de ostentar uma falsa onisciência, o seguidor de Cristo busca viver como servo, consciente de que seu chamado não é exibir superioridade, mas ser canal de edificação e consolo — guiando outros não pela imposição do saber, mas pela demonstração do amor que procede de Deus.