Estudo 169
"... que vos reconcilieis, com o Senhor Rei meu, venho a serviço do meu Deus."
Estudo 169
"O homem que tem conhecimento é propenso a desprezar o seu irmão. Cuidado." Essa frase remete ao ensino de Paulo em 1 Coríntios 8.1-2, onde lemos: "O conhecimento incha, mas o amor edifica. E, se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber." No contexto bíblico, o conhecimento em si não é condenável — ao contrário, ele é um dom de Deus, fruto da iluminação que o Espírito concede. O perigo surge quando esse conhecimento se dissocia do amor e da humildade. O homem instruído nas Escrituras, se não vigiar, pode passar a medir a fé e o valor espiritual de seu próximo pela régua de seu próprio saber, esquecendo-se de que a salvação e o crescimento na graça dependem exclusivamente da obra de Cristo e não da erudição pessoal. O saber, sem a graça, torna-se altivez; e a altivez, sem correção, degenera em desprezo pelo irmão, abrindo espaço para a soberba espiritual que o próprio Senhor reprova.
Por isso, a vigilância é necessária. A verdadeira sabedoria bíblica é acompanhada de mansidão, como Tiago declara em Tiago 3:13: "Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria." O cristão que recebeu conhecimento deve usá-lo como ferramenta de serviço, não como pedestal de exaltação. O mestre humilde não busca destacar a ignorância alheia, mas instruir com paciência; o discípulo fiel não se gloria naquilo que aprendeu, mas se curva diante de Deus reconhecendo que tudo o que possui vem d’Ele. O amor cristão, fundamentado na cruz, nos impede de desprezar o irmão, pois vemos nele um co-herdeiro da graça, comprado pelo mesmo sangue que nos salvou. Assim, todo saber que não conduz ao serviço e à edificação deixa de ser sabedoria celestial para tornar-se apenas vaidade terrena.