Estudo 162
"... que vos reconcilieis, com o Senhor Rei meu, venho a serviço do meu Deus."
Estudo 162
"Não vos vingueis a vós mesmos. Tendes o espírito de paz, e entregue a Deus o futuro desta situação. Irai-vos, mas não pequeis" (cf. Romanos 12.19; Efésios 4.26) reúne uma exortação profundamente enraizada no ensino apostólico e no exemplo de Cristo. O chamado para não retribuir mal por mal nasce da confiança absoluta na justiça divina: é o Senhor quem julga com equidade e, no tempo oportuno, executa juízo perfeito. A vingança humana, por mais “justa” que pareça aos olhos do ofendido, nasce de um coração contaminado por orgulho e egoísmo, e invariavelmente produz mais dor e separação. O cristão é convidado a cultivar um espírito pacificador, reconhecendo que a paz não significa ausência de conflitos, mas a disposição de responder ao mal com o bem, deixando nas mãos de Deus a resolução final das injustiças.
No entanto, o apóstolo Paulo não ignora a realidade das emoções humanas. "Irai-vos, mas não pequeis" nos lembra que a indignação justa pode surgir diante do pecado e da maldade — e até deve, pois revela sensibilidade à santidade de Deus. Mas essa ira precisa ser dominada pelo Espírito, para que não se transforme em rancor ou ação impensada. O crente, ao sentir a chama da indignação, deve canalizá-la para a oração, para a busca de reconciliação e para atos de retidão. É assim que o discípulo de Cristo reflete Seu caráter: firme contra o mal, mas sem ferir; corajoso diante da injustiça, mas sem abandonar a mansidão. Dessa forma, o futuro da situação não repousa em nossas mãos falhas, mas no Deus que governa todas as coisas com sabedoria e amor perfeitos.