Estudo 154
"... que vos reconcilieis, com o Senhor Rei meu, venho a serviço do meu Deus."
Estudo 154
Há um questionamento profundo, que ecoa a realidade enfrentada desde os tempos do apóstolo Paulo, e que está registrado em Romanos 10:16 — "Mas nem todos obedeceram ao evangelho, pois a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. Quem, pois, Senhor, creu em nossa pregação?"
Este texto revela a tensão entre a soberania da graça de Deus e a responsabilidade humana diante do evangelho. Embora a mensagem do evangelho seja o poder de Deus para salvação, não é automaticamente recebida por todos. A fé, que é um dom divino, se realiza no coração humano pela ação do Espírito Santo, mas depende do encontro real com a Palavra pregada. A pergunta “Quem, pois, Senhor, creu em nossa pregação?” expressa uma lamentação e um clamor, mostrando que o sucesso do evangelismo não é medido pelo número de ouvintes, mas pela resposta do coração diante da verdade. Isso nos chama à humildade, lembrando que, apesar de nossa obediência em pregar, é Deus quem concede a fé e o arrependimento.
Ao mesmo tempo, esta pergunta fortalece a perseverança na missão. A rejeição ou indiferença ao evangelho não deve levar ao desânimo ou à desistência, pois é através da pregação constante que Deus continua a chamar Seu povo ao arrependimento. Na tradição presbiteriana, reconhece-se que a obra da salvação é monergística — Deus é o agente soberano da regeneração —, mas também ensina-se a importância da nossa obediência no uso fiel dos meios que Deus ordenou, como a pregação da Palavra. Assim, mesmo diante da aparente resistência, a igreja deve prosseguir, confiando que Deus, em Seu tempo e graça, fará frutificar a semente do evangelho no coração daqueles a quem chama.