Bom.... vamos falar hoje das eleições para prefeito na belíssima cidade de Rio do Sul/SC (pra variar).
Por Gregório Unbehaun Leal da Silva
O interessante de pegar votos de Milton Hobus e aqueles apoiados por ele desde então e comparar a distribuição nos bairros se dá por ser esse um grupo que seguiu "homogêneo". Já os adversários... variaram bastante. Como o "miltismo" sobreviveu a essas mudanças vencendo 4 de 5 eleições desde a estreia do empresário na política riosulense em 2004? É isso que tentaremos descobrir!
Obs: Já fizemos análises do mesmo tema e de temas correlatos, esses estarão listados abaixo. Haverá uma parte 2 dessa análise que também estará listada abaixo.
Analisaremos 4 eleições do miltismo e compararemos as bases sociais (dados de 16 bairros mais populosos). Das cinco eleições disputadas pelo miltismo, optamos por excluir uma por ser muito atípica (a de 2008). Logo temos 4 eleições (2004, 2012, 2016 e 2020) com 3 vitórias e 1 derrota (2012). Outro dado marcante é que o principal adversário variou bastante ('esquerda' em 2004, 'centro em aliança com a esquerda' em 2012, 'centro' em 2016, 'direita não-miltista' em 2020). Para obter tantos bons resultados, a coalização miltista precisou adaptar-se. Por isso dados de renda e tamanho populacional dos bairros são relevantes. Começamos verificando o apoio ao miltismo nos 4 pleitos na renda. A análise da população ficará para parte 2.
O gráfico acima verifica a correlação entre os resultados e a renda dos bairros. Em 2004, quando enfrentou e venceu acirrada disputa com a esquerda (Jaílson - PT) por somente 144 votos, o miltismo obteve maior dependência da votação dos bairros mais ricos. Em 2012 e em 2016 esse valores ficaram próximo do zero indicando que o adversário mais ao centro (Gariba -MDB) fez a votação e renda não apresentasse tamanha correlação. Já em 2020, com três oponentes à direita (Pasqualini, Tonet e Hoffman) e somente um à esquerda (de Liz), Thomé teve que adaptar e buscar mais votos nos bairros mais carentes.
Os BoxPlots com quartis de renda complementam esse achado...
O quartil divide os 16 bairros em 4 grupos. O primeiro contêm os 25% mais pobres (menor renda familiar). O nível 4 contêm, por sua vez, os 25% mais. Os níves 2 e 3 seguem a mesma lógica.
Em 2004, Milton Hobus recebeu bem menos votos nos bairros mais pobres (1) do que nos de nível intermediário e alto (2,3 e 4).
Em 2012 (bem como em 2016, não apresentado aqui), o candidato Jorge, apoiado por Milton, obteve votação parecida nos 4 quartis.
Em 2020, vemos uma completa mudança no cenário. Os níveis mais ricos (3 e 4) foram menos propensos a votar no candidato representante do miltismo. Os bairros mais pobres (1 e 2) são aqueles que votaram mais no prefeito reeleito José Thomé.
No parte 2 dessa análise, abordaremos o peso do tamanho populacional e o voto.