por Gregório Unbehaun Leal da Silva
Esse texto é a parte 2 de 2 de uma microssérie que analisa o padrão espacial da votação do Miltismo na prefeitura de Rio do Sul, a parte 1 tá aqui (se não leu volta lá antes de continuar). Esse texto faz parte de uma série maior (Séries especiais) que consta análises eleitorais de mais personagens da política riosulense).
Na parte 1 dessa microssérie analisamos o peso da renda, agora o foco incidirá sobre o tamanho populacional.
O voto em 2004 foi espalhado de forma similar entre os bairros. Sem qualquer relação visível entre o quartil de população e a votação em Hobus
Em 2012, há uma pequena alteração. Os votos de Teixeira ficam levemente mais concentrados nos bairros menos populosos (nível 1). No entanto, não parece haver uma relação muito clara.
2016 repete o padrão de 2012.
Em 2020, temos um padrão bem mais discernível. Ou seja, maior concentração nos 25% bairros menos populosos.
Uma comparação da médias é interessante.
Nos bairros do quartil 1 (os 25% menos populosos) Thomé recebeu em média 49,41% dos votos.
Nos bairros do quartil final (os 25% mais populosos) a média de Thomé foi de 33,11%
Todos os valores são negativos, indicando maior votação me bairros menos populosos (correlação negativa com tamanho da população). A conclusão é que o voto foi ficando mais forte nos bairros menos populosos. A suspeita é que a mudança no perfil dos adversários contribuiu para essa dependência de bairros menos densos.
No início do miltismo o rival era a esquerda, que é um adversário menos forte nas regiões centrais (Esse ponto é também notado ao analisar os padrões da esquerda na cidade em 2016, 2018 e 2020[veja análises de Jean de Liz outras análises desse site- em séries especiais, os dados no caso do PT no pleito de 2004, a tendência era a mesma].
Depois (em 2012 e 2016), o MDB que teve padrões de votação mais espalhado, fez com que o miltismo precisasse investir em mais regiões.
Em 2020, o principal rival foi Pasqualini que obteve expressiva votação nos bairros centrais da cidade e fez com que Thomé (o candidato da coalização miltista), se tornasse mais dependente dos bairros menos populosos. Analisamos esse fato de forma mais detalhada em um vídeo (clique aqui para ver - estará disponível em 21 de Março). A conclusão lá é de que Pasqualini foi o maior "responsável" pela queda de votação de Thomé em 2020, quando comparado à 2016.
O miltismo foi altamente resiliente e adaptável para obter vitórias contra adversários tão diversos. Para isso foi necessário à campanha ter conseguido votos em lugares diversos ao longo do tempo.
Veja também:
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