Gráficos misteriosos?
Pasqualini é mais de direita que Thomé?
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E os bairros?
E a esquerda?
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As análises desta página seguem critérios éticos claros. Saiba mais em: Nossa Perspectiva nas Análises Eleitorais de Rio do Sul/SC (e do Alto Vale).
É uma pergunta muito difícil de responder, dado que direita/esquerda tem um sentido múltiplo.
O sentido que proponho aqui é menos especulativo e subjetivo, o foco é histórico. Peguei os padrões espaciais (dados de seção eleitoral) de votação ao longo dos tempos e notei que a votação de Pasqualini em 2020 é mais parecida com o histórico da direita da cidade do que a de Thomé em 2020, candidato apoiado pela coalização miltista que ganhou 4 das 5 últimas eleições municipais e obteve três vitórias na eleição de deputado estadual.
Agora um candidato apoiado pela coalização disputa com Pasqualini, entre muitos outros candidatos da região, uma vaga na ALESC.
Pelo histórico, Pasqualini é mais de direita, como se vê abaixo:
Isso não significa que Thomé tem ideias diferentes, ou menos de direita do que Pasqualini. Só que seu padrão espacial de votação em 2020 lembra menos o da história das eleições da cidade.
Olhem que dado interessante na imagem acima. A presença da bolinha indica relação e cor se é positiva ou negativa (azul positiva [ quanto mais perto do 1], vermelho negativa[quanto mais perto do -1]) . A ausência da bolinha indica não haver relação estatística significativa entre os padrões de votação comparados.
Notem como a votação de Thomé tem leve semelhança com a do deputado Hobus em 2018 e nenhuma semelhança com a votação para Hobus prefeito em 2004, Bolsonaro 2018 ou Jorge Teixeira prefeito apoiado por Hobus (que foi contra MDB/PT em 2012), além de uma relação fortemente negativa com Pasqualini(-0.66).
Pasqualini por sua vez tem relação significativa e positiva com Teixeira 2012, Bolsonaro 2018 e Hobus 2004(essa bem forte maior que 0.5).
Utilizando da técnica de análise de componentes principais e dividindo as votações em 2, nota-se que o sentido das votações de Pasqualini, de forma geral, se assemelham mais às outras do que a de Thomé, veja na imagem abaixo:
Dada a semelhança das votações à direita entre 2004 e 2018, como constatado na primeira imagem, nota-se que foi possível construir uma medida que unisse todas as votações entre 2004 e 2018* de direita na cidade. Chamei-a de "score direita 2004-2018" e comparei essa medida com as votações de Thomé e Pasqualini.
*Obs- optei por excluir as votações de Thomé em 2016 e Hobus em 2008. No primeiro caso, por se tratar do próprio candidato e no segundo por ter sido uma eleição atípica. Dado o tempo disponível não inclui outras eleições presidenciais (2006, 2010 e 2014) nessa análise. Mas já o fiz em outras ocasiões e o resultado dá na mesma, por questão de uma apresentação mais limpa, excluí.
Thomé 2020 e a direita 2004-2018
Pasqualini 2020 e a direita 2004-2018
Cada ponto dos gráficos representa uma seção eleitoral. O teste de correlação vai de -1 a 1. Note que em ambos os casos é positivo, mas somente no caso de Pasqualini é significativo e o valor é muito maior (0.53 a 0.15). A linha de tendência indica que os valores do score previram muito melhor a a votação de Pasqualini do que a de Thomé.
Como afirmação conclusiva, vale a pena mencionar que esses gráficos são referentes ao padrão de votação nas seções eleitorais na cidade e não se referem à ideias, políticas ou posicionamentos dos indivíduos comparados aqui.
Isto posto, é notório como a votação de Pasqualini lembra muito mais a da direita tradicional do que a de Thomé. Por outro lado, isso também mostra que os apoiados de Milton souberam se reinventar e obter votos em outros redutos para conseguir vitórias eleitorais, mostrando grande resiliência desse grupo que venceu 4 de 5 pleitos municipais desde 2004.
Pode ser que essa disputa entre ambos tenha efeitos negativos em ambas as candidaturas. Dado que ambos circulam no mesmo campo, é possível que a presença da candidatura de Pasqualini, somada à de outro apoiado por Hobus nesse pleito (bem como a de outros candidatos da região), possa "atrapalhar" a eleição de um representante a mais do Alto Vale.
Abaixo o numero de seções por bairro consideradas para a análise
A cor do bairro indica a posição do bairro no score direita 2004-2018 (quanto mais azul, mais de direita e quanto mais vermelho menos). O tamanho do bairro também indica o score, quanto maior mais votos históricos na direita.
Abaixo, vamos dar um zoom na região "confusa" Ou seja em que Pasqualini foi mais votado (acima de 25 no eixo lateral) e que Thomé foi mal votado (menos de 40%).
Note como o bairro Centro diferencia os dois candidatos, já falamos sobre isso aqui
Repetimos a mesma análise com votos mais a esquerda nos mesmos pleitos veja a imagem abaixo:
Chama a atenção a forte conexão entre a distribuição da votação de 2004 e em 2012. Deve ter sido por que Jaílson fez campanha ativa. para Gariba e De Liz em 2012.
Levando em consideração a conexão entre todas, essa é até mais forte que os de direita. E se mantém ao longo do tempo, abaixo as três votações anteriores "explicando" a de Jean em 2020.
Já falamos sobre a história da esquerda na cidade em outra ocasião - clique aqui para ler
Já falamos também sobre a relação de Jaílson com a eleição de 2012 - clique aqui pra ler
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