Pequenos grupos de pesquisa em escolas públicas do df (2019 - 2022)
Formação docente para a lida com controvérsias científicas e tecnológicas
Formação docente para a lida com controvérsias científicas e tecnológicas
Projeto formado por pesquisadoras/es, professoras/es, graduandas/os e mestrandas/os de diversas áreas, especialmente da educação em ciências, que compõem o projeto Formação de professores a partir de controvérsias de base científica e tecnológica mobilizadas no domínio das Questões Sociocientíficas: rede PGP-GGP. O projeto tem como principal componente a formação de professores críticos, mobilizando elementos do ensino que são trazidos para o grupo à luz do debate das Questões Sociocientíficas (QSC). Desenvolvemos nosso trabalho na relação a relação universidade-escola, com a constituição de Pequenos Grupos de Pesquisa (PGP) em Escolas Públicas do Distrito Federal, formando um Grande Grupo de Pesquisa (GGP) na Universidade.
A ideia de formação docente em contextos de Pequenos Grupos de Pesquisa constituídos especialmente dentro das escolas surgiu no final na década de 1990, cujo projeto liderado pelo Grupo de Pesquisa Educação Continuada de Professores e Avaliação Formativa desenvolveu PGP em uma escola pública do interior do Estado de São Paulo. A partir daí, outro movimento importante foi a ampliação dos PGP pelos Estados de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, no primeira metade da década de 2010, no contexto do Projeto Observatório da Educação.
No Distrito Federal, constituímos o GGP-Brasília e o primeiro PGP em uma escola pública em 2019, com um professor da rede pública, um professor da Universidade e estudantes de graduação em Licenciatura em Ciências Naturais. Atualmente, formamos o GGP com estudantes de graduação/mestrandos da Universidade de Brasília, junto com professores de diferentes áreas (artes, história e ciências) da rede pública.
As nossas comunicações partem de duas premissas básicas:
A configuração atual da educação têm sobrecarregado os professores de funções burocráticas e esvaziado significativamente as funções pedagógicas e formativas;
O professor ou a professora se realiza quando pode desempenhar seu trabalho com autonomia, podendo ser criativo/a e tendo reconhecimento, tanto dos seus pares, quanto dos estudantes.
PGP como espaço de resistência, pois busca escapar da lógica de formação como um cumprimento burocrático ou de “ter que mostrar algo para alguém”, já que o que produzimos é matéria coletiva constituída no ritmo e ao sabor dos próprios membros. Além disso, busca promover espaços de criação, de autoria, na medida do interesse de cada pessoa.
PGP como promotor de saúde, pois entendemos que a saúde na profissão docente está atrelada, primeiro, às condições concretas de trabalho, logo, às possibilidades de nomear e definir saídas para os impasses, os desafios e as demandas, e, por fim, às aberturas para que o mundo da vida, as vontades, a inventividade, a criação, a personalidade e a cultura própria tenha lugar de valorização.
PGP como articulador das vontades, sendo um espaço qualificado para o desenvolvimento da escuta e da fala, acolhendo as demandas profissionais (que se entrecruzam com as pessoais) dos/as participantes, seus desejos de mudanças, seus desconfortos, suas angústias, suas aspirações práticas e intelectuais. O processo, portanto, é de um diálogo cada vez mais honesto e aberto, permitindo orientarmos ações, estudos e acolhimento dos conteúdos docentes.
PGP como comunidade de experiência, pois é constituído a partir das memórias e do desenvolvimento da capacidade narrativa, cujos conteúdos e formas vão se construindo na medida da matéria oferecida pelos sujeitos, ou seja, suas histórias, suas formações, seus saberes, delegando ao/à professor/a a função de produtor/a de cultura que, coletivamente, tem potência de determinar tradições de ensino
Nosso interesse é agregar docentes nesta agenda formativa e produzirmos coletivamente ideias, práticas/processos de ensino, materiais didáticos, promovendo um trabalho que possa agregar conhecimentos e práticas interessantes à Escola e à Universidade.