Criado em 2010 na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o Grupo de Pesquisa “Educação em Ciências e Matemática no Contexto CTS” vem desenvolvendo atividades de pesquisa, ensino e extensão no interior do Estado de São Paulo com articulações nacionais e internacional. Em 2020, a parceria com a Universidade de Brasília (UnB) se consolidou, resultante de um longo histórica de colaboração entre os líderes do grupo, ampliando as temáticas, problemáticas, zonas de alcance e contextos de atuação direta e indireta. Os projetos de pesquisas vigentes em ambos os núcleos, UFSCar e UnB, a saber, respectivamente, “Pesquisa-ação nos pequenos grupos de pesquisa para o desenvolvimento das práticas docentes com as questões sociocientíficas no ensino de ciências” (2020-2023) e “Formação de professores a partir de controvérsias de base científica e tecnológica mobilizadas no domínio das Questões Sociocientíficas: rede PGP-GGP” (2019-2022), se fundiram e deram origem ao projeto comum “Formação e educação científica às margens: trabalho, lutas e possibilidades de criação a partir de agendas contra-hegemônicas para a Educação CTS”, conformado por três linhas de pesquisa e atuação: Educação científica e QSC às margens: educação pública, periferias e contextos de vulnerabilidades; Formação e Educação Antirracista e Anti-machista; Educação científica na América Latina e no Caribe.
Quais princípios regem e organizam o Grupo de Pesquisa?
Coletivo estruturado com princípios políticos e métodos de produção de cultura científica.
Criação de contextos de convergência de interesses e de agendas políticas e pedagógicas; Formação política do pesquisador/professor.
Narrativas e ensaios como forma de comunicação intracoletivo, produção de sentido, análise e exposição.
Temáticas postas em relação às contradições da lógica de produção e reprodução social hegemônica e seus constrangimentos à humanização.
Algumas premissas para a relação entre Universidade e Escola:
As nossas comunicações partem de duas premissas básicas:
● A configuração atual da educação têm sobrecarregado os professores de funções burocráticas e esvaziado significativamente as funções pedagógicas e formativas;
● O professor ou a professora se realiza quando pode desempenhar seu trabalho com autonomia, podendo ser criativo/a e tendo reconhecimento, tanto dos seus pares, quanto dos estudantes.
● O professor da escola tem a prerrogativa de um intelectual crítico e conhecedor da ciência, sendo sujeito ativo da transformação social.
● A escola pode afigurar-se como promotora da formação e locus do conhecimento novo formulado a partir da interação universidade-escola.
Princípios que balizam o grupo de pesquisa e suas articulações com os contextos educativos diversos:
Constituição de contextos formativos como espaço de resistência, buscando escapar da lógica de formação como um cumprimento burocrático ou de “ter que mostrar algo para alguém”, já que o que produzimos é matéria coletiva constituída no ritmo e ao sabor dos próprios integrantes dos coletivos, com o crivo de critérios científicos e críticos. Além disso, busca promover espaços de criação e de autoria, individuais e coletivas, na medida do interesse de cada pessoa.
Contextos formativos para a promoção de saúde laboral, pois entendemos que a saúde na profissão docente está relacionada, primeiro, às condições concretas de trabalho, logo, às possibilidades de nomear e definir saídas para os impasses, os desafios e as demandas, e, por fim, às aberturas para que o mundo da vida, as vontades, a inventividade, a criação, a personalidade e a cultura própria tenha lugar de valorização.
Constituição de contextos articuladores das vontades, sendo os grupos conformados nas escolas (PGP) ou o próprio grupo de pesquisa espaços qualificados para o desenvolvimento da escuta e da fala, acolhendo as demandas profissionais (que se entrecruzam com as pessoais) dos/as participantes, seus desejos de mudanças, seus desconfortos, suas angústias, suas aspirações práticas e intelectuais. O processo, portanto, é de um diálogo cada vez mais honesto e aberto, permitindo orientarmos ações, estudos e acolhimento dos conteúdos docentes.
Conformação de um comunidade de experiência do conhecimento, pois é constituído a partir das memórias e do desenvolvimento da capacidade narrativa e de produção escrita, cujos conteúdos e formas vão se construindo na medida da matéria oferecida pelos sujeitos, ou seja, suas histórias, suas formações, seus saberes, delegando ao/à professor/a a função de produtor/a de cultura que, coletivamente, tem potência de determinar tradições de ensino.
Onde queremos chegar?
Nosso interesse é agregar pesquisadores/as docentes e discentes nesta agenda formativa e produzirmos coletivamente ideias, práticas/processos de ensino, materiais didáticos, teoria educacional, ciência e cultura, promovendo um trabalho que possa agregar conhecimentos e práticas interessantes à Escola e à Universidade. Todo este processo está ligado ao conhecimento científico e mediado pela pesquisa-ação como método fundamental.
Dinâmica de grupo e contato:
O Grupo de Pesquisa Educação em Ciências e Matemática no Contexto CTS é conformado a partir de dois núcleos, UnB e UFSCAR, contando com reuniões locais e gerais periódicas, sendo a primeira presencial e a segunda de forma virtual. Assim, vale reforçar que a participação no grupo é premissa básica da formação. A formação crítica requer escrutínio coletivo.
Participam do grupo docentes e discentes das Universidades, estando aberto também às pessoas interessadas na experiência da pesquisa científica e/ou com projetos acadêmicos afins.
AGenda:
A agenda radical é um pacto pelo não esquecimento, conformado pelas matérias da memória, do passado silenciado e da história produzida; um pacto pela não negligência de temáticas, sujeitos, processos humanos que atravessam ou se produzem no âmbito educativo; e um pacto pela qualificação praxiológica, empreendendo trabalho intelectual e prático em vista da superação do axiológico rumo ao praxiológico.
Em conclusão, a agenda é nova e inovadora porque propõe novos rumos para a educação CTS, atrelada às questões nacionais e da América Latina, de forma geral, com nossas características e problemas agravados pelo capitalismo dependente que se reproduz a partir de critérios de raça e gênero. Ao mesmo tempo ressoam antigas agendas e esperanças de radicalidade centradas na educação e emancipação dos oprimidos. É urgente, pois não há saída para a humanidade senão uma nova organização social, ambiental e ética revolucionada em sentido popular. E é factível, uma vez que estamos vivos, sentimos os desconfortos, temos possibilidades de nos organizarmos coletivamente e, ainda, há muita vontade e esperança nos processos formativos.
(LOPES, N.C.; SANTOS, P.G.F. Caminhos da radicalização e sentidos emancipatórios de agendas de pesquisa em Educação CTS no Brasil. In: SANTOS, P.G.F. (Org.). Perspectivas emancipatórias para a ciência e a educação científica: lutas e projetos latino-americanos e caribenhos. São Paulo: LF Editorial, 2025.)