O cupuaçu é um fruto típico da Floresta Amazônica. Seu nome deriva das palavras em tupi kupu, que significa “que parece com cacau”, e uasu, que é “grande”. Componente da culinária brasileira e popular por todo o País, acreditava-se que o cupuaçu era uma espécie nativa – ou seja, que ela ocorria de forma natural nos locais onde se distribui. Mas pesquisadores do Instituto de Biociências (IB) da USP descobriram que o fruto, na verdade, é uma espécie domesticada pelas populações indígenas do médio-alto Rio Negro, há mais de 5 mil anos
Espécies domesticadas são aquelas originadas por meio de uma seleção artificial pela ação humana. Por meio de uma análise genômica, os pesquisadores conseguiram rastrear as origens do cupuaçu e concluíram que o fruto é uma variante domesticada do cupuí, um integrante da família do cacau e natural do bioma amazônico. “Do cupuí para o cupuaçu ocorreu uma mudança física pelo meio de plantar. O progenitor do cupuaçu tinha uma polpa não muito volumosa, e o fruto em si era menor”, explica Matheus Colli-Silva, doutor em botânica pelo IB, ao Jornal da USP.
A descoberta revela que os povos indígenas da região perceberam o potencial da polpa do cupuí, selecionaram os frutos que eram maiores e cruzaram esses entre si. “Se se começa a fazer esse retrocruzamento com atributo de interesse, que nesse caso é um fruto maior, você vai, ao longo das gerações, desenvolvendo esses indivíduos.” O retrocruzamento acontece quando existe o cruzamento entre um descendente com qualquer um de seus progenitores. O método viabiliza a transferência de genes – o que explica o aumento de tamanho dos frutos com o tempo.
O fruto do cupuaçu mede cerca de 15cm de comprimento por dez de diâmetro. Tem a casca marrom, lenhosa e enrugada, e encerra numerosas sementes envoltas em polpa branca, muito utilizada na produção de refrescos, sorvetes e doces, comuns em todos os estados da Amazônia. A multiplicação do cupuaçu se faz por sementes O cupuaçu é uma fruta típica da Amazônia, com características que o tornam uma fonte de nutrientes e benefícios para a saúde:
Seu cultivo tem importância social e econômica, sendo de fácil manejo, gerando emprego e renda. Até os meados de 1970 era utilizado apenas localmente, contudo sua produção ganhou maior escala e hoje o mercado do cupuaçu atende a todo o país. Do fruto do cupuaçu aproveita-se a poupa, as sementes e casca (artesanatos).A lenda do cupuaçu na Amazônia conta que a fruta foi um presente dos deuses para o povo da floresta, fornecendo-lhes energia e nutrição.
No entanto, estudos genéticos e informações arqueológicas indicam que o cupuaçu não é uma espécie nativa, mas sim o resultado da domesticação do cupuí pelos indígenas. A domesticação ocorreu há cerca de 8000 anos, e as populações indígenas do médio-alto Rio Negro foram as responsáveis por selecionar a espécie.
Flor do cupuaçu, cujo grande tamanho ajuda a compor seu nome científico. Seu nome científico é Theobroma (lat: “manjar dos deuses”) grandiflorum (lat: “flores grandes”). As árvores de cupuaçu geralmente variam de 5−15 metros (−33 pé) de altura, embora algumas possam atingir 20 metros
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