Curiosidade:
Há muitos motivos para conhecermos os nossos antepassados e parentes. Talvez o mais imediato seja a simples satisfação desse impulso universal que é a curiosidade.
Autoconhecimento:
A máxima "Conhece a ti mesmo" é uma recomendação já antiga, supostamente gravada no pórtico do templo de Apolo, junto ao Oráculo de Delfos, na Grécia clássica. Saber quem foram os nossos antepassados ajuda-nos a conhecer a nós mesmos. Nos responde em parte à pergunta "De onde viemos?". Ajuda-nos a compreender um pouco do "Por que somos como somos?".
Algures, na internet, foi encontrada, sem identificar o autor, a seguinte afirmação: "A arte de preservar a árvore genealógica da família está se tornando muito importante em nossa sociedade, que anda em um ritmo rápido e sempre voltada ao futuro. Percebemos que estamos correndo perigo de perdermos nossos laços com o passado caso não nos seguremos ativamente neles. Um livro com a árvore genealógica é uma maneira de preservar as histórias, tradições e legados familiares em um formato único e elegante".
Histórias, tradições e legados familiares são fontes importantes do autoconhecimento.
Reverência e gratidão:
Esta é uma espécie de obrigação moral. Alguns povos ao longo da história levaram isto tão a sério que a transformaram em uma forma de religião, num culto aos antepassados. Não precisamos chegar a tanto; nossos avós certamente ficariam muito espantados se algo assim acontecesse.
Talvez, tanto ou mais que reverência, o que eles merecem é gratidão. Devem ser lembrados pelo que foram e pelo que nos legaram, o que inclui a nossa própria existência. Eram pessoas simples, do povo. Trabalharam duramente, muitas vezes em condições difíceis, hoje quase inimagináveis. Os alemães, italianos, portugueses, ingleses e outros povos que emigraram para o Brasil encontraram e tiveram que vencer toda sorte de dificuldades. Apesar de tudo, persistiram, foram em frente, e aqui estamos nós, graças ao empenho e às qualidades deles. Cumpriram o seu destino e os seus deveres. Provaram sua capacidade e bravura. Estaremos sendo uns ignorantes e ingratos se não sentirmos orgulho por eles, se nos esquecermos deles.
O sentimento de ser parte de um clã:
Durante muitos milhões de anos as criaturas que compõem a linhagem da qual se origina a nossa espécie, desde os antropóides primevos ou hominídeos até o Homo Sapiens, viveram em pequenos grupos familiares ou de clãs aparentados.
Nos últimos três séculos, todavia, houve uma radical mudança, que se acelerou no século XX. Enquanto no passado famílias podiam viver por décadas ou até séculos, geração após geração, em uma mesma localidade ou região, como que ali criando raízes, neste admirável mundo novo um grande número de pessoas muda seu local de residência várias vezes durante a sua vida; não mais criam raízes; desenraizadas, tornam-se estranhas em um mundo estranho; nas grandes cidades, vivem solitárias entre milhões de outras pessoas; os relacionamentos tornam-se predominantemente utilitários: entre colegas de trabalho, clientes e fornecedores, chefes e subordinados; a vida em família reduziu-se, para muitos, às interações entre o casal e seus filhos. As conseqüências desse novo estilo de vida sobre a qualidade existencial ainda estão sendo objeto de estudos; os sinais são preocupantes, apontando esse estado de coisas como uma causa importante de depressão, sentimento de vazio existencial, solidão, e outros estados psicológicos anormais ou, pelo menos, desagradáveis e prejudiciais ao bem-estar individual; isto por sua vez tem impactos negativos importantes no plano mais amplo, o do mundo social; um deles, que parece estar se desenvolvendo rapidamente hoje, é a anomia, no sentido que lhe dá o sociólogo Robert King Merton.
Neste quadro, a construção de uma genealogia familiar talvez dê certo conforto por nos fazer saber que o nosso clã ainda existe, embora geograficamente disperso. E, se uma genealogia contiver informações até a geração atual, isto e os modernos recursos de informática e comunicação podem proporcionar, a quem queira, um novo tipo de encontro e convivência, ainda que fisicamente distante, entre os membros do clã.
De onde viemos? Por que somos como somos?
Ter respostas à primeira pergunta nos coloca dentro de uma perspectiva mais ampla da história e da geografia física e humana. A segunda nos explica algo acerca da origem dos nossos traços de caráter.
Os antepassados de Estácio Söthe têm sua origem na Alemanha. Os Söthe vieram da Vestfália, localizada numa área ocupada na antiguidade pela federação tribal germânica dos saxões; dali vieram também as famílias Hülse, Locks, Niehues, Wigger e, provavelmente, os Riesing. Outros antepassados vieram da Renânia, região situada entre o rio Reno e as fronteiras da Alemanha com a França, Luxemburgo e Bélgica; esta região tem uma história parcialmente distinta do restante da Alemanha porque desde os tempos de Júlio Cesar, século I a.C., passou a fazer parte do Império Romano; dali vieram os Arns, Horr, Junckes, Meurer, Michels, Morsch e Schneider.
O rol de antepassados de Eliana Barriquello Cassins é mais cosmopolita. O bisavô Cassins veio da Inglaterra. A família da mãe Eulália - os Barichello, Zanlorenzi, Fressato, Bellon e outros - vieram do Vêneto, região do nordeste da Itália cuja capital é Veneza. A avó Floripa descendia de portugueses e índios; parece ter afirmado, disto não se tendo certeza, possuir também antepassados de origem africana.
Nota:
Uma importante informação está quase ausente nas genealogias. É a que se refere à causa mortis dos membros da família que já se foram. Como existem várias doenças que têm causas genéticas, sendo portanto transmissíveis através das gerações, essa informação (e, na medida do possível, também as principais doenças sofridas por uma pessoa durante a sua vida) seria um dos melhores legados que poderíamos deixar para os nossos descendentes. Com o tempo eles teriam dados acumulados suficientes para determinar se existe ou não determinado risco de origem genética na família; isto por sua vez permitiria adotarem medidas preventivas, que são possíveis, e bastante efetivas, em muitos casos. Buscar e registrar estas informações genealógicas é uma tarefa que ainda está por ser realizada.