A indústria de base é essencial para a transição baixa-carbono.
Saiba como siderurgia, papel e celulose, química e mineração se alinham a metas climáticas e inovação sustentável.
A indústria de base é peça-chave na transição para uma economia mais sustentável. Responsável por grande parte da infraestrutura produtiva e energética, o setor — que inclui siderurgia, química, papel e celulose e mineração — enfrenta o desafio de conciliar produtividade e inovação com as metas do Acordo de Paris e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
No Brasil, a combinação de matriz energética relativamente limpa, recursos florestais e potencial em bioenergia coloca o país em posição favorável para liderar uma agenda de baixo carbono. Para isso, é necessário integrar crescimento econômico, inclusão social e conservação ambiental, além de criar mecanismos de financiamento e transferência tecnológica que acelerem a adoção de práticas sustentáveis sem comprometer empregos e competitividade.
Nas negociações internacionais, como a COP30, a indústria de base tem se apresentado como ator central para cumprir metas climáticas e fortalecer a economia verde. Empresas do setor investem em tecnologias mais limpas, eficiência energética e economia circular — estratégias que reduzem emissões e ampliam o uso de fontes renováveis. Aproveitar ativos nacionais, como potencial hídrico e florestal, torna-se uma oportunidade para novos modelos de negócio e inserção competitiva no mercado global.
A adoção de práticas de economia circular — reaproveitamento de resíduos, maior eficiência no uso de recursos e redesign de processos — tem avançado em segmentos como papel e celulose, siderurgia e química. Essa transformação não é apenas uma resposta a exigências regulatórias, mas também uma mudança cultural: a responsabilidade socioambiental já está sendo incorporada às estratégias de negócios, fortalecendo a imagem e a resiliência do setor no exterior.
O setor de papel e celulose tem sido referência em práticas sustentáveis no Brasil. Além de figurar entre os maiores produtores globais, as empresas do segmento investem em reflorestamento responsável, inovação tecnológica e economia circular. A sustentabilidade, nesse contexto, deixou de ser diferencial e passou a ser condição para acessar mercados exigentes e contribuir com mitigação climática e desenvolvimento local.
Empresas brasileiras têm integrado sistemas de gestão ambiental (por exemplo, certificações e metas submetidas a iniciativas reconhecidas internacionalmente) e consolidado práticas que articulam os pilares econômico, social e ambiental. Isso inclui a incorporação de métricas ESG nas decisões estratégicas e o fortalecimento de processos de compliance e transparência.
A presença do setor industrial brasileiro nas negociações climáticas vai além da adaptação: trata-se de demonstrar que a sustentabilidade é viável e rentável. Investimentos em tecnologias limpas, redução de emissões, diversificação da matriz energética e programas de engajamento social apontam para um caminho prático de produção sustentável e justiça na transição econômica.
Líder no setor de papel e celulose, a Suzano investe em florestas plantadas, economia circular, reuso de água e geração de energia por biomassa. Suas políticas de manejo em mosaico e programas sociais demonstram a integração entre produção e responsabilidade territorial.
Meta destacada: remover 40 milhões de toneladas de CO₂e da atmosfera até 2025 e reduzir a intensidade de emissões (escopos 1 e 2) em 15% por tonelada até 2030; também declara objetivo de ampliar oferta de produtos renováveis (meta para 2030)
A Agenda Klabin 2030 alinha metas de desenvolvimento sustentável a vários ODS. A empresa adota manejo em mosaico para proteger biodiversidade e possui metas de redução de emissões alinhadas a iniciativas como a SBTi. Sua matriz energética é majoritariamente renovável.
Compromisso validado pela SBTi: redução absoluta de 42% das emissões (scopes 1, 2 e 3) até 2030 (base 2022) e meta de Net-Zero com objetivo de reduzir ~90% das emissões de scopes 1 e 2 e também de scope 3 até 2050 (plano de transição climática submetido e aprovado).
A Dow no Brasil tem metas de redução de emissões e programas de circularidade para plásticos, além de iniciativas de gestão hídrica e resiliência operacional frente a riscos de escassez de água.
Meta global: até 2030 reduzir 5 milhões de toneladas de CO₂e líquidas anuais (aprox. 15% sobre a base 2020) e comprometer-se com neutralidade até 2050; o relatório corporativo detalha ainda metas de água, resíduos e produtos com maior circularidade
A Gerdau utiliza alto percentual de sucata na produção de aço, reduzindo demanda por matérias-primas virgens e intensidade energética. A empresa também tem iniciativas para disposição de rejeitos “a seco” em novas operações de mineração.
Meta operacional: reduzir a intensidade de emissões para 0,82 tCO₂e por tonelada de aço até 2031 (a empresa relata níveis atuais próximos de 0,86 tCO₂e/t e tem planos para chegar a 0,82 tCO₂e/t por ações de eficiência energética, maior uso de sucata e fontes renováveis).
A Braskem posiciona sustentabilidade como pilar estratégico, com compromissos de neutralidade de carbono para 2050 e metas de modernização industrial e expansão de produtos com conteúdo renovável ou reciclado.
Compromissos públicos: reduzir 15% das emissões operacionais até 2030 e alcançar neutralidade de carbono até 2050; metas de circularidade incluem ampliar vendas de produtos com conteúdo reciclado para 1 milhão de toneladas/ano até 2030 e metas intermediárias para 2025 em portfólio “I'm green / reciclado”.
A CBA estabelece metas ESG para 2030 que integram ações ambientais, sociais e de governança, incluindo submissão de metas a iniciativas reconhecidas e esforços para mitigar riscos na cadeia de suprimentos.
Plano ESG 2030: objetivos públicos para 2030, incluindo metas de redução de intensidade de emissões (reportes recentes mostram indicadores de tCO₂e/tAl e compromisso de avançar redução até 2030).
A hora de agir não é amanhã: é agora!
A indústria de base tem tecnologia, escala e ativos naturais que, combinados com decisões estratégicas — investimentos em eficiência, economia circular e energia limpa — podem transformar emissões em oportunidades de inovação, empregos qualificados e vantagem competitiva. Quem liderar essa transição primeiro não só reduz riscos regulatórios e reputacionais, como também abre novos mercados e modelos de negócio que vão definir a indústria naspróximas décadas.
A transição não será simples nem automática: exige determinação política, capital inteligente e colaboração entre empresas, governos e comunidades. Mas os ganhos potenciais — cadeias mais resilientes, redução de custos de longo prazo e acesso a capital internacional — superam o custo da inércia. Investir em descarbonização hoje é plantar as sementes de uma indústria brasileira mais moderna, produtiva e respeitada globalmente.
E você, leitor: vai acompanhar a mudança à distância ou usar sua influência — como gestor, investidor, fornecedor ou consumidor — para puxar a transformação? Escolha um gesto concreto: reveja uma meta, peça transparência a um fornecedor, apoie uma tecnologia limpa. A mudança precisa de decisões, qual será a sua?
REFERÊNCIAS:
Suzano S.A. (2024). 2024 Sustainability report — Executive summary. Suzano. https://s201.q4cdn.com/761980458/files/doc_downloads/sustainability_reports/2025/05/Suzano_2024SustReport-ExecutiveSummary.pdf
Klabin S.A. (2023). Climate transition plan / Sustainability report 2023. Klabin. https://rs2023.klabin.com.br/en/futuro-renovavel/climate-change
Gerdau S.A. (n.d.). Climate change — Commitment to reduce greenhouse gas emissions [Informational page/pdf]. Gerdau. https://www2.gerdau.com/climatechange
Braskem S.A. (2023). Relatório de sustentabilidade / ESG 2023. Braskem. https://www.braskem.com.br/idesa/reportssustainability
Dow Inc. (2024). Sustainability targets and goals — Protect the climate. Dow. https://corporate.dow.com/en-us/purpose-in-action/sustainability-targets.html
Companhia Brasileira de Alumínio (CBA). (2023–2024). Relatório ESG 2023–2024. CBA. https://www.cba.com.br/en/sustainability-report/
Science Based Targets initiative (SBTi). (n.d.). About the SBTi / Sectoral guidance. Science Based Targets. https://sciencebasedtargets.org