Sobre rotinas e organização sem sofrimento
Sobre rotinas e organização sem sofrimento
Ter uma rotina que te permita viver uma vida tranquila (de verdade) é o grande desafio da vida moderna e talvez seja um desafio para a vida toda.
Viver é complicado e manter uma rotina minimamente saudável e ainda ser produtiva é apenas um dos desafios, principalmente se você é mulher. Quem viveu esses (quase) dois últimos anos em pandemia, é mulher, mora no Brasil e não conta com muitos privilégios, é provável que em algum momento, você se identifique comigo.
Minha experiência com organização é recente, mas com a desorganização, eu tenho uma história de uma vida inteira pra contar. Sabe o que pilha de louça na cozinha e boletos acumulados me ensinaram? Que quanto mais você acumula e espera que eles se resolvam sozinhos (“eles que lutem!”), mais difícil a vida vai ficando. Esta atitude desorganiza a vida, os pensamentos, e gera em um estado de ansiedade permanente, impedindo que você consiga planejar o próximo passo. Além de tudo isso, te deixa com um sentimento de incapacidade e paralisia. Se identifica?
A desorganização da casa nunca está sozinha. Normalmente ela anda (pessimamente mal acompanhada) com a desorganização do orçamento, dos horários e das entregas que precisam ser feitas. E vai por mim, não existe sequer um minuto de paz para que você possa ser produtivo em um ambiente assim.
Talvez você pense: “não é possível dar conta de tudo isso!” e muito provavelmente não seja mesmo. É preciso primeiramente identificar seus limites para que suas entregas sejam justas (com você e com todos os envolvidos).
Para que as coisas funcionem bem, você vai precisar aprender dizer não para muita coisa. Essa é a minha primeira certeza. Priorize o que deve ser feito (hoje- o mínimo de entrega), o que você gostaria de fazer (a entrega máxima). Detalhe: não é preciso ancorar sempre no mínimo: entre o mínimo e o máximo há uma montanha de combinações. A vida não é feito apenas de preto ou branco. Encontre o seu movimento de equilíbrio.
Se estiver em um momento muito difícil, comece com as entregas mínimas. Por exemplo, mesmo que a louça nunca esteja 100% lavada, seca e guardada, estabeleça os horários que você consegue fazer, pelo menos o mínimo. Com o hábito estabelecido, você poderá entregar todo dia um pouco mais.
Faça um pouco todos os dias. Eu não tenho “o pulo do gato” e “os 10 segredos da organização” dificilmente fará um milagre por você. O fato de não gostar de tarefas domésticas, não pode (e não deve ser argumento) para que não seja feito. Queremos aqui cuidar de hábitos saudáveis. E adultos fazem aquilo que precisa ser feito, e não apenas o que gostariam de fazer. Se há filhos e companheiro envolvidos nesta história, é hora de deixar claro que todos devem participar do processo. E quando eu digo participar, eu digo “colocar as mãos na massa”. Não basta não bagunçar. É preciso fazer sua parte. Numa família não deve haver o “hóspede”. Todos devem cuidar de uma parte justa do processo.
Um pouco todos os dias, é melhor do que se sentir soterrada de coisas a fazer (e todas elas urgentes!). Isso serve para serviços domésticos (não remunerados) e também serve para o trabalho remunerado. Entregas (de trabalhos) devem ser feitos todos os dias. Mesmo que em pequenas doses. A sensação de tarefa cumprida também é paz.
Outra coisa importante: procure ajuda especializada sempre que for difícil demais dar o primeiro passo sozinha. Ou se ao longo dessa caminhada, você sentir que precisa de mais apoio. Esta não é uma corrida de 100 metros. É uma maratona. Que vai durar sua vida inteira. Psicólogos e psiquiátricas são as pessoas que estudaram anos para dar ao paciente o melhor tratamento. Esqueça os coaches (e afins) formados em um fim de semana.
E antes de finalizar este texto, não posso deixar de falar do DESCANSO. Nunca, em hipótese nenhuma negligencie o poder de uma boa noite de sono. E de um fim de semana sem fazer absolutamente nada… Ter paz é ter saúde física, emocional e espiritual para continuar. E sem descanso isso fica impossível. Essas são as palavras que eu diria a mim mesma (se pudesse) há alguns anos. À Dani de 10 anos atrás. E eu acrescentaria: nunca pare de estudar. Seja curiosa. Leia livros. Diminua o ritmo se preciso for, mas nunca esqueça de alimentar sua mente. Exercite-a todos os dias.
Esses pontos são inegociáveis pra mim hoje. E é onde eu encontro a paz. Espero que todos possam encontrar a sua vida tranquila também. E fazer de vez as pazes com a rotina e a organização.
Precisando de ajuda com a rotina e organização da sua empresa?
Empreendedora: descansar também faz parte do processo e precisa ser incluído na rotina.