Conheça o EDIP
Espaço de Diálogo sobre Interfaces da Psicologia (EDIP)
Capacitando estudantes multiplicadores para construir novas práticas e reflexões coletivas
Espaço de Diálogo sobre Interfaces da Psicologia (EDIP)
Capacitando estudantes multiplicadores para construir novas práticas e reflexões coletivas
O projeto de extensão EDIP (Espaço de Diálogo sobre Interfaces da Psicologia), instituído em 10 de março de 2025 e idealizado pela psicóloga Ariane Latoski, da UFPR Litoral, fundamenta-se em uma concepção ampliada de saúde mental, entendida como um processo histórico, social e subjetivo, constituído de maneira contínua nas interações humanas, nas condições materiais de existência e nos dispositivos institucionais que favorecem acolhimento, expressão e desenvolvimento psicossocial.
Nessa direção, o projeto configura-se, também, como uma estratégia construída pela idealizadora para ampliar a atuação em saúde mental para além da clínica, promovendo o deslocamento do cuidado para o plano coletivo e comunitário. Tal perspectiva se materializa na articulação entre universidade e sociedade, buscando constituir um território de cuidado compartilhado, no qual a comunidade acadêmica e a comunidade externa participam de forma integrada na construção de práticas voltadas à saúde mental.
A abordagem adotada pelo projeto considera a saúde mental como fenômeno multidimensional e relacional, inscrito tanto na esfera individual quanto na coletiva. Sob essa perspectiva, o EDIP articula-se aos princípios da extensão universitária, reconhecendo-a como espaço estratégico de produção de conhecimento, vivência formativa e corresponsabilidade social. Assim, a universidade é convocada a fortalecer seus vínculos com o território, promovendo ações que integrem estudantes, comunidade e instituições locais em processos dialógicos e formativos.
Compreende-se, portanto, que o bem-estar psicológico dos estudantes constitui elemento relevante para sua permanência, para o fortalecimento de sua trajetória acadêmica e para o exercício de sua participação cidadã. De forma complementar, iniciativas integradas com a comunidade ampliam o acesso ao cuidado, consolidam redes de apoio e potencializam o impacto social das práticas acadêmicas, contribuindo para a formação de sujeitos críticos, autônomos e comprometidos com o desenvolvimento territorial.
Partindo desse pressuposto, propõe-se que o estudante indique a temática de seu interesse para o desenvolvimento de ações e projetos. A partir dessa escolha, o EDIP, em diálogo com o estudante, identifica possibilidades de articulação com a Psicologia e com os princípios que orientam o projeto, especialmente aqueles relacionados à mobilidade social, à ampliação do repertório formativo e ao fortalecimento da noção de comunidade e território. Esse processo visa não apenas reconhecer demandas e condições que atravessam a vida estudantil, mas também fortalecer redes de apoio, incentivar a construção de estratégias de enfrentamento e ampliar as condições institucionais que favorecem a integralidade da formação acadêmica.
A Psicologia, enquanto campo científico e profissional, possui natureza intrinsecamente interdisciplinar, estabelecendo diálogo permanente com diversas áreas do conhecimento — das ciências humanas às ciências exatas, das ciências biológicas às tecnologias, das artes às ciências sociais aplicadas. Esse diálogo se expressa na análise dos processos subjetivos e coletivos, na compreensão das dinâmicas grupais, das condições de aprendizagem, das relações institucionais e dos determinantes sociais da saúde.
Nesse contexto, o EDIP configura-se como um espaço de desenvolvimento de ações interdisciplinares que extrapolam os limites da sala de aula, especialmente na medida em que a própria comunidade se engaja e reconhece o território como espaço vivo de produção de práticas socioculturais. Entre essas práticas, destacam-se oficinas educativas, ações culturais, intervenções ambientais, atividades recreativas, práticas de cuidado em saúde, ações de cidadania, rodas de leitura e atividades de caráter lúdico-reflexivo.
Ao mobilizar saberes interdisciplinares e incentivar a participação ativa de estudantes e da comunidade nos processos de elaboração, execução e avaliação das ações, o projeto contribui para a formação integral, o desenvolvimento de competências socioemocionais, o fortalecimento do vínculo com o território e o protagonismo acadêmico e comunitário.
Diante disso, o projeto justifica-se por sua relevância social, acadêmica e institucional, ao reconhecer a saúde mental como dimensão estruturante da permanência estudantil, da qualidade de vida e da consolidação de práticas extensionistas que articulam universidade, comunidade e território. Trata-se de uma iniciativa que integra conhecimento científico, sensibilidade social e intervenções interdisciplinares, contribuindo para a construção de uma universidade mais inclusiva, comprometida com o coletivo e orientada para a promoção do bem-estar social.
O Espaço de Diálogo sobre Interfaces da Psicologia (EDIP) é um projeto da Universidade Federal do Paraná (UFPR – Setor Litoral), vinculado à Seção de Políticas Afirmativas, Assuntos Estudantis e Comunitários (SEPOL). Nosso objetivo é conectar o saber acadêmico às demandas reais da sociedade, promovendo saúde, inclusão, cidadania e transformação social por meio de iniciativas interdisciplinares.
Com a colaboração de estudantes de graduação, pós-graduação e voluntários da comunidade externa, estruturamos nossas ações em áreas fundamentais como educação, saúde pública, direitos humanos, cultura e diversidade.
Abaixo, apresentamos os projetos e as principais ações que desenvolvemos conjuntamente até o momento:
Desenvolvido em parceria com a Prefeitura de Matinhos e o Centro de Avaliação e Atendimento Especializado (CMAAE), o projeto atende alunos de 6 a 12 anos da rede pública com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), os quais apresentam potencial elevado em diferentes áreas do desenvolvimento humano, além de elevados níveis de criatividade e comprometimento com a aprendizagem (BRASIL, 2008)
Atendimento especializado aos estudantes: Realizamos planejamento estratégico, oficinas práticas ("mão na massa") no contraturno escolar como "Enriquecimento Curricular" e acompanhamento psicossocial para potencializar as capacidades dos alunos.
Suporte ao diagnóstico e acolhimento familiar: Auxiliamos as famílias no processo de identificação/diagnóstico e oferecemos suporte psicopedagógico e emocional estruturado.
Capacitação em Educação Inclusiva e Programas para TEA
Em parceria com o município de Matinhos, atuamos ativamente no fortalecimento da educação inclusiva para estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Formação continuada para educadores: Implementamos um programa de formação de 180 horas (com duração até novembro) voltado à capacitação de 60 profissionais de apoio da rede municipal de ensino.
Programa Contraturno Escolar Saberes/TEA: Apoiamos atividades escolares em tempo integral que integram oficinas de artes, lutas marciais e esporte paralímpico, coordenadas por uma equipe de especialistas.
Financiada pela Fundação Araucária, esta iniciativa atua diretamente na interface entre a universidade e a sociedade para promover a dignidade e enfrentar as desigualdades que afetam pessoas dissidentes de gênero e sexualidade.
Produção de materiais informativos: Elaboramos e distribuímos materiais educativos sobre saúde e direitos. O principal destaque é a nossa cartilha sobre a retificação da certidão de nascimento para pessoas trans, que orienta de forma acessível o processo de alteração de nome e gênero diretamente em cartório, conforme as normas do STF e do CNJ.
Ações de conscientização e debates: Realizamos atividades formativas, debates e suporte informacional que aproximam pesquisadores e comunidade, fortalecendo a autonomia civil da população LGBTQIAPN+.
Uma frente de ação essencial voltada para combater a discriminação baseada na idade (preconceito etário ou gerofobia) dentro e fora do ambiente acadêmico.
Atividades educativas e de sensibilização: Promovemos ações para conscientizar estudantes, professores, técnicos e a comunidade externa sobre os impactos psicológicos do etarismo.
Estímulo ao diálogo intergeracional: Construímos espaços que aproximam diferentes gerações, valorizando a diversidade de idades, trajetórias de vida e a troca de saberes na comunidade universitária.
O projeto investiga como a prática do futsal feminino produz experiências psicossociais relacionadas ao pertencimento territorial, à identidade feminina e à construção de vínculos comunitários em Matinhos-PR. A partir da interface entre Educação Física e Psicologia, busca compreender de que forma o esporte atua como espaço de convivência, apoio social, fortalecimento da autoestima e participação comunitária.
Mais do que uma atividade física, o futsal é analisado como prática social capaz de gerar sentimentos de pertencimento, redes de solidariedade e processos de identificação coletiva entre mulheres. Por meio de uma abordagem qualitativa, a pesquisa pretende compreender os significados atribuídos pelas praticantes à modalidade e suas repercussões para o bem-estar, a saúde mental e a relação com o território.
O estudo contribui para ampliar o diálogo entre esporte, subjetividade, comunidade e desenvolvimento humano, fortalecendo a proposta interdisciplinar do projeto EDIP.