Um charco é muito mais do que uma acumulação de água; é um ecossistema dinâmico onde a vida manifesta-se de múltiplas formas e escalas. No âmbito do projeto "DAC – Poesia no Charco", transformámos o charco da nossa escola num laboratório vivo para estudar as variações biológicas ao longo do tempo. Um ecossistema define-se pela interação constante entre os fatores abióticos (elementos não vivos como a água, a luz solar, a temperatura e as rochas) e a comunidade biótica (todos os seres vivos que o habitam). O equilíbrio que observamos aqui é o resultado de vários anos de evolução e adaptação.
Biodiversidade, ou diversidade biológica, pode ser definida como a variabilidade entre os seres vivos de todas as origens, e os complexos ecológicos dos quais fazem parte. Essa variabilidade aparece apenas como resultado da natureza em si, sem sofrer intervenção humana. Assim, ela pode variar de acordo com as diferentes regiões ecológicas. Refere-se, portanto, à variedade de vida no planeta Terra, incluindo a variedade genética dentro das populações e espécies, a variedade de espécies da flora, da fauna, de fungos microscópicos e de micro-organismos.
Nesta secção, exploramos os seres autotróficos macroscópicos, a base energética do nosso charco. Eles são as "fábricas" que transformam a luz solar em matéria orgânica através da fotossíntese.
A Visão Macroscópica (Flora das Margens e Superfície): Ao observarmos o charco, somos saudados por uma arquitetura verde complexa. Nas zonas pantanosas, a Tabúa (Typha latifolia) e o Junco (Juncus conglomeratus) erguem-se como torres, oferecendo proteção e locais de nidificação. À superfície, o Nenúfar anão (Nymphoides peltata) e a minúscula Lentilha-de-água menor (Lemna minor) competem por cada raio de sol. Estas plantas possuem tecidos de transporte altamente especializados (xilema e floema) para levar água e nutrientes das raízes até às folhas, onde as trocas gasosas ocorrem através dos estomas.
Tabúa (Typha latifolia)
A tabúa é uma planta aquática muito comum em charcos. Cresce em margens encharcadas, formando frequentemente densos canaviais que podem ocupar grandes áreas.
Apresenta folhas longas, estreitas e rígidas, que podem atingir vários metros de altura. As suas flores são características: formam uma espiga cilíndrica castanha no topo do caule, bem visível durante a época de floração.
A tabúa desempenha um papel importante no ecossistema do charco, pois ajuda a estabilizar o solo e a reduzir a erosão das margens. Também fornece abrigo e locais de reprodução para vários animais e pequenos organismos, além de contribuir para a filtragem da água e para o equilíbrio do habitat.
Nenúfar anão (Nymphoides peltata)
O nenúfar-anão é uma planta aquática com folhas arredondadas que flutuam à superfície da água, formando pequenas “ilhas” verdes. As suas flores são amarelas, pequenas e bastante vistosas, surgindo acima da água e chamando a atenção durante a época de floração.
Esta planta está bem adaptada a ambientes de água calma, onde consegue espalhar-se e cobrir parte da superfície. As folhas possuem uma estrutura que lhes permite flutuar facilmente, aproveitando a luz solar para realizar a fotossíntese de forma eficiente.
O nenúfar-anão desempenha um papel importante no ecossistema aquático, pois fornece sombra à água.
Lentilha-de-água menor (Lemna minor)
A lentilha-de-água menor é uma pequena planta aquática que flutua à superfície da água, formando frequentemente tapetes verdes que podem cobrir grandes áreas. Cada planta é muito simples, com um pequeno corpo ovalado e, muitas vezes, uma ou mais raízes finas que ficam submersas.
Esta espécie multiplica-se rapidamente em condições favoráveis, o que lhe permite espalhar-se facilmente e ocupar grandes superfícies de água.
Serve de alimento para vários organismos aquáticos e contribui para o equilíbrio da água ao absorver nutrientes. No entanto, quando em excesso, pode reduzir a entrada de luz na água, afetando outras espécies.
Alisma (Alisma plantago-aquática)
A Alisma plantago-aquática é uma planta aquática que vive em charcos, lagoas e zonas de água doce pouco profundas. Normalmente cresce nas margens, com a base submersa e as folhas e flores a emergirem acima da água.
Apresenta folhas largas e verdes, com forma semelhante a uma folha de plátano, e flores pequenas que surgem em hastes altas durante o verão. Esta planta está bem adaptada a ambientes húmidos, suportando tanto períodos de água abundante como variações no nível da água.
Desempenha um papel importante no ecossistema do charco, pois fornece abrigo para pequenos organismos e ajuda a estabilizar o solo das margens, reduzindo a erosão.
Rabo de raposa (Ceratophyllum demersum)
É uma planta aquática que vive em charcos, lagos e águas paradas ou de fraca corrente. Não possui raízes verdadeiras, ficando normalmente livre na água ou ligeiramente presa ao fundo, o que lhe permite adaptar-se facilmente a diferentes ambientes aquáticos.
Apresenta folhas finas, verdes e muito ramificadas, com aspeto semelhante a um “rabo de raposa”, daí o seu nome comum. Estas estruturas aumentam a superfície de contacto com a água, facilitando a absorção de nutrientes diretamente do meio aquático.
Esta planta tem um papel importante no ecossistema do charco, pois produz oxigénio através da fotossíntese, fornece abrigo a pequenos organismos e ajuda a manter a qualidade da água, ao competir com algas por nutrientes.
Junco marrecó (Eleocharis palustris )
O junco-marrecó é uma planta aquática ou semi-aquática que vive em charcos, zonas húmidas e margens de lagos e rios. Prefere solos encharcados ou pouco profundos, onde consegue crescer em grupos densos.
Apresenta caules finos, verdes e cilíndricos, sem folhas verdadeiras visíveis, o que lhe dá um aspeto simples e alongado. No topo dos caules surgem pequenas estruturas onde se formam as flores e, posteriormente, as sementes.
Esta planta desempenha um papel importante no ecossistema do charco. Além disso, fornece abrigo e proteção a pequenos organismos aquáticos e terrestres, contribuindo para a biodiversidade do habitat.
Junco (Juncus conglomeratus)
O junco (Juncus conglomeratus) é uma planta comum em zonas húmidas, como charcos, margens de rios e terrenos encharcados. Cresce em grupos densos e adapta-se bem a solos muito húmidos ou com água pouco profunda.
Apresenta caules verdes, cilíndricos e rígidos, que podem atingir uma altura considerável. As folhas são pouco desenvolvidas e muitas vezes difíceis de observar, surgindo principalmente na base da planta. As flores são pequenas e agrupadas, formando estruturas compactas.
Ajuda a estabilizar o solo e a reduzir a erosão. Também fornece abrigo e local de reprodução para vários pequenos organismos, contribuindo para a diversidade e equilíbrio do habitat.
Baldélia (Baldellia alpestris)
A baldélia é uma planta aquática ou semi-aquática que vive em charcos, zonas húmidas e margens de águas pouco profundas. Desenvolve-se melhor em ambientes com solos encharcados e bastante luz, sendo comum em habitats naturais bem preservados.
Apresenta folhas verdes, estreitas e em forma de roseta, que crescem a partir da base da planta. As flores são pequenas, geralmente brancas ou rosadas, surgindo em hastes finas acima da água durante a primavera e o verão.
Fornece abrigo para pequenos organismos aquáticos e faz parte da cadeia alimentar como produtora, sustentando a vida no habitat.
O Reino Protista reúne um conjunto muito diversificado de organismos de organização simples que vivem sobretudo em ambientes aquáticos ou muito húmidos. Apesar de serem frequentemente microscópicos, estes seres desempenham um papel essencial nos ecossistemas, especialmente na base das cadeias alimentares e nos ciclos de nutrientes.
Dentro deste reino incluem-se dois grandes grupos funcionais: os protozoários (como as paramécias), geralmente heterotróficos, que se alimentam de outros microrganismos, e as algas, maioritariamente autotróficas, capazes de realizar fotossíntese. As algas protistas contribuem de forma importante para a produção de oxigénio e matéria orgânica, sendo fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos.
Visão Microscópica (Os Produtores Invisíveis): Um exemplo de alga filamentosa pertencente a este grupo é a Spirogyra (imagem captada acima). Esta alga apresenta filamentos verdes compostos por células organizadas em cadeia, com cloroplastos característicos em forma de espiral, responsáveis pela sua elevada eficiência fotossintética. Em ambientes de água doce, como charcos, lagos ou zonas de corrente lenta, a Spirogyra pode formar massas verdes, indicando a presença de nutrientes e condições favoráveis ao seu desenvolvimento.
Assim, o Reino Protista, apesar da sua simplicidade estrutural, revela uma enorme importância ecológica, sustentando a vida aquática e contribuindo para a base estrutural dos ecossistemas.
O Reino Animalia no charco é composto por seres heterotróficos, que obtêm a sua matéria e energia através da ingestão de outros organismos.
A Visão Macroscópica (Os Senhores do Charco): Os animais que vemos a olho nu são macroconsumidores. A Rã-verde (Pelophylax perezi) é o exemplo perfeito de adaptação, utilizando a sua pele húmida e pulmões para trocas gasosas eficientes enquanto aguarda por uma presa sobre as rochas. Na água, o Barqueiro (Notonecta glauca) atua como um predador ágil, caçando pequenos insetos e girinos, enquanto a Libélula (Anax imperator) domina o espaço aéreo. Estes animais possuem sistemas de órgãos complexos para o transporte de oxigénio e processamento de nutrientes.
A Visão Microscópica (A Micro-Fauna Ativa): O microscópio revela que o charco está repleto de "pequenos monstros" e operários da limpeza. A Pulga-de-água (Daphnia magna) é um pequeno animal fascinante; conseguimos ver o seu batimento cardíaco e o seu sistema digestivo a processar as algas que filtra da água. Juntamente com os Ostracóides, pequenos crustáceos protegidos por uma carapaça dupla, formam o elo vital entre os produtores microscópicos e os animais maiores. Nos sedimentos, as Oligoquetas (vermes microscópicos) trabalham como decompositores, garantindo a reciclagem de nutrientes.
Rã verde (Pelophylax perezi)
A rã-verde é um anfíbio muito comum em charcos, lagoas e zonas húmidas, sendo facilmente reconhecida pela sua cor verde e castanha, que lhe permite camuflar-se no ambiente. Possui pele lisa e húmida, o que ajuda na respiração cutânea, além da respiração através dos pulmões.
Alimenta-se principalmente de insetos, pequenos invertebrados e outros organismos aquáticos. É um predador importante no ecossistema, ajudando a controlar populações de vários seres vivos. Por outro lado, também serve de alimento para aves, répteis e peixes maiores.
A rã-verde desempenha um papel essencial nas cadeias alimentares do charco, sendo dos níveis tróficos mais elevados, e contribuindo para o equilíbrio do ecossistema. Além disso, a sua presença é um bom indicador da qualidade ambiental da água.
O Barqueiro (Notonecta glauca)
O barqueiro é um inseto aquático. É facilmente reconhecido porque nada de barriga para cima, utilizando as patas traseiras como “remos” para se deslocar rapidamente na água.
É um predador eficaz, alimentando-se de pequenos invertebrados aquáticos, larvas e até pequenos alevins. Para capturar as presas, utiliza uma picada com peças bucais adaptadas para perfurar e sugar os líquidos do corpo da vítima.
O barqueiro tem um papel importante no equilíbrio do ecossistema do charco, pois ajuda a controlar populações de outros organismos. Ao mesmo tempo, serve de alimento para animais maiores, como rãs e aves aquáticas, integrando as cadeias alimentares.
Libélula (Anax imperator)
A libélula é um inseto aquático na fase larvar e aéreo na fase adulta, sendo muito comum em charcos e zonas húmidas. O adulto é facilmente reconhecido pelo corpo alongado e pelas asas transparentes, que lhe permitem voar rapidamente e com grande agilidade.
Na fase larvar, vive na água e é um predador muito eficaz, alimentando-se de pequenos invertebrados e até de larvas de outros insetos. Já na fase adulta, continua a ser predadora, capturando mosquitos e outros insetos em voo.
A libélula desempenha um papel importante no equilíbrio do ecossistema do charco, ajudando a controlar populações de insetos. Ao mesmo tempo, serve de alimento para rãs, aves e outros predadores, juntando as cadeias alimentares do habitat.
A Pulga-de-água (Daphnia magna)
A pulga-de-água é um pequeno crustáceo que vive em ambientes de água doce. É praticamente transparente, o que ajuda na sua camuflagem, e move-se através de pequenas antenas que funcionam como “saltos” na água.
Alimenta-se sobretudo de microalgas, bactérias e partículas de matéria orgânica em suspensão, desempenhando um papel importante na limpeza da água. Por isso, é considerada um organismo filtrador.
A pulga-de-água é uma peça fundamental nas cadeias alimentares do charco, servindo de alimento para muitos animais, como peixes, larvas de insetos e rãs. Assim, ajuda a ligar os produtores aos níveis superiores da teia alimentar, contribuindo para o equilíbrio do ecossistema.
Caracol-de-água-doce (Physa acuta)
O caracol-de-água-doce é um molusco que vive em charcos, rios e lagos, preferindo zonas com vegetação e água parada ou pouco movimentada. Possui um corpo mole protegido por uma concha em espiral, que funciona como defesa contra predadores e condições adversas.
Alimenta-se principalmente de algas, plantas aquáticas e matéria orgânica em decomposição, desempenhando um papel importante na limpeza do ecossistema. Ao mesmo tempo, serve de alimento para vários animais, como peixes, rãs e aves, integrando as cadeias alimentares do charco.
Planária (Girardia sp.)
A planária é um pequeno animal aquático de corpo mole e achatado, pertencente. Vive em ambientes de água doce, como charcos, rios e zonas húmidas, preferindo locais com água limpa e pouca corrente.
Alimenta-se de pequenos organismos, restos orgânicos e animais mortos, sendo considerada um organismo carnívoro e necrófago. Para capturar o alimento, utiliza uma faringe que se estende para fora do corpo.
Uma das suas características mais marcantes é a grande capacidade de regeneração: se o corpo for dividido, a planária pode regenerar as partes em falta e formar novos indivíduos.
Ostracóide (observação da nossa autoria com o MOC)
É um pequeno crustáceo aquático também conhecido como "camarão semente"
Possui uma carapaça bivalve, composta por duas partes articuladas que protegem o corpo
São encontrados em praticamente todo o ambiente aquático. Algumas espécies vivem até em locais terrestres extremamente húmidos, como musgos
Geralmente alimentam-se de matéria orgânica em decomposição, bactérias, algas e detritos
Para crescerem, precisam de abandonar a carapaça velha e produzir uma nova, passando por vários estágios de desenvolvimento
Oligoquetas (vermes microscópicos) (observação da nossa autoria com o MOC)
O nome Oligochaeta vem do grego (oligos - poucos; chaeta -cerdas/pelos), diferente de outros vermes que possuem cerdas densas, apresentam estruturas microscópicas pontiagudas, mas em quantidade reduzida
Como não têm pulmões ou brânquias especializadas, a respiração ocorre diretamente pela superfície do corpo, o que os obriga a viver sempre em ambientes extremamente húmidos ou aquáticos
O corpo é claramente dividido em anéis ou segmentos
Movimentam-se através de contrações musculares em ondas (movimento peristáltico) que esticam e encolhem o corpo
Da Célula ao Ecossistema
Célula: É a unidade básica e funcional da vida. No nosso exemplo, seriam as células eucarióticas animais que constituem todos os tecidos da rã.
Tecido: Conjunto de células especializadas, como o tecido muscular, que permite à rã a agilidade necessária para caçar presas como insetos.
Órgão: Grupo de tecidos que trabalham em conjunto. Exemplos fundamentais na rã são o coração (para transporte de nutrientes) ou os pulmões (para trocas gasosas).
Sistema de Órgãos: Conjunto de órgãos que cooperam em funções complexas, como o sistema circulatório ou o sistema respiratório, essenciais para a sobrevivência do animal no charco.
Organismo: O indivíduo completo e funcional. No nosso caso, uma única Rã-verde (Pelophylax perezi) observada imóvel sobre as rochas.
População: O conjunto de todos os indivíduos da mesma espécie (Rãs-verdes) que habitam e se reproduzem no charco da escola.
Comunidade: O conjunto de todas as populações de diferentes espécies que interagem no mesmo local. Inclui as rãs, as libélulas, os barqueiros, os caracóis, as plantas (Tabúa, Nenúfar) e as algas microscópicas.
Ecossistema: O nível final que integra a comunidade biótica e as suas interações com os fatores abióticos do meio, como a água, a luz solar, a temperatura e as rochas que servem de abrigo.
Estratégias de Obtenção e Transporte de Matéria: Autotróficos e Heterotróficos
No ecossistema do charco, os seres vivos dividem-se em dois grandes grupos consoante a forma como obtêm o seu alimento:
Seres Autotróficos (Produtores):
1. Plantas Vasculares
Estas são as plantas de maior porte que são passíveis de serem observadas nas margens e na superfície, como a Tabúa (Typha latifolia), o Nenúfar anão (Nymphoides peltata) e o Junco.
Obtenção de Matéria: São seres autotróficos que realizam a fotossíntese. Elas captam a luz solar através da clorofila e utilizam o dióxido de carbono do ar e a água do solo para produzir a sua própria matéria orgânica (glicose).
Transporte: Como são vasculares, possuem "autoestradas" internas. O xilema transporta a água e os sais minerais das raízes até às folhas. O floema distribui a matéria orgânica produzida nas folhas para todas as outras partes da planta para que esta possa crescer.
2. Autotróficos Não Vasculares
Aqui incluímos as algas filamentosas (Spirogyra) e as desmídias que viste ao microscópio.
Obtenção de Matéria: Tal como as plantas grandes, são autotróficas e fazem fotossíntese.
Transporte: Ao contrário das plantas vasculares, estas algas não têm vasos condutores. Como são muito pequenas ou filamentosas e vivem imersas na água, o transporte de nutrientes e gases acontece por difusão direta através da membrana de cada célula.
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Seres Heterotróficos (Consumidores):
3. Animais Macroscópicos
Exemplos: Rã-verde (Pelophylax perezi), Libélula (Anax imperator) e o Barqueiro (Notonecta glauca).
Obtenção de Matéria: São seres heterotróficos que obtêm matéria através da ingestão. A rã, por exemplo, captura ativamente insetos e caracóis; o barqueiro caça pequenos peixes e girinos.
Transporte: Possuem um sistema circulatório com um coração que bombeia o sangue (ou hemolinfa) para distribuir os nutrientes e o oxigénio por todo o corpo.
4. Animais Microscópicos (na sua maioria, excluindo por exemplo a planária)
Exemplos: Pulga-de-água (Daphnia magna) e Ostracóides.
Obtenção de Matéria: Também são heterotróficos, mas utilizam a filtração. A Daphnia possui apêndices que filtram partículas finas de matéria orgânica e algas em suspensão na água.
Transporte: Têm sistemas de transporte muito simples. Na Daphnia, é possível ver o coração transparente a bater e a mover os fluidos internos sob o microscópio.
5. Decompositores e Detritívoros
Exemplos: Oligoquetas, o Caracol-de-água-doce (é em simultâneo consumidor e detritívoro).
Obtenção de Matéria: Alimentam-se de detritos orgânicos, plantas mortas ou sedimentos do fundo do charco. Eles "limpam" o ecossistema e transformam a matéria orgânica morta em nutrientes minerais simples que as plantas vasculares podem voltar a absorver pelas raízes.
Num charco, as cadeias e teias alimentares mostram como os seres vivos dependem uns dos outros para sobreviver. A cadeia alimentar começa nos produtores, como as algas e plantas aquáticas, que produzem alimento através da luz solar. Depois surgem os consumidores, como insetos, girinos e pequenos peixes, que se alimentam dessas plantas. Por fim, aparecem os predadores, como rãs, cobras de água e aves, que comem outros animais.
A teia alimentar é formada pela ligação entre várias cadeias alimentares. Num charco, um mesmo animal pode alimentar-se de diferentes seres vivos e também servir de alimento para vários predadores. Assim, todos os organismos ficam interligados, mantendo o equilíbrio do ecossistema do charco.
Produção de Energia
e Trocas Gasosas
Para que os seres vivos do charco possam crescer, mover-se e realizar todas as suas funções biológicas, necessitam de converter a matéria que obtêm em energia utilizável. Este processo é sustentado por mecanismos de trocas gasosas que variam consoante a complexidade de cada organismo.
A Produção de Energia (ATP)
Independentemente do seu tamanho, todos os seres identificados — desde a minúscula Pulga-de-água até à Rã-verde — realizam um processo químico chamado respiração celular. Este ocorre no interior das células (nas mitocôndrias), onde a glicose é "queimada" na presença de oxigénio para produzir ATP (a moeda energética da vida). Como subprodutos deste processo, são libertados dióxido de carbono e água.
Trocas Gasosas nas Plantas e Algas
As plantas do charco, como a Tabúa (Typha latifolia) e o Junco (Juncus conglomeratus), realizam trocas gasosas duplas. Durante o dia, através da fotossíntese, absorvem dióxido de carbono e libertam oxigénio; contudo, para produzirem energia, também consomem oxigénio.
Mecanismos: Nas plantas vasculares terrestres ou de margem, estas trocas ocorrem através de poros microscópicos chamados estomas. No caso de plantas totalmente aquáticas, como o Rabo de Raposa (Ceratophyllum demersum), ou de algas filamentosas, os gases entram e saem diretamente por difusão através das superfícies em contacto com a água.
Trocas Gasosas nos Animais (Macro e Microconsumidores)
Os animais desenvolveram diferentes estratégias para captar o oxigénio necessário para a respiração celular:
A Rã-verde (Pelophylax perezi): Apresenta uma adaptação notável, realizando trocas gasosas através de pulmões quando está fora de água e através da sua pele húmida (respiração cutânea), o que lhe permite permanecer longos períodos submersa.
Insetos (Libélula e Barqueiro): A Libélula e o Barqueiro utilizam um sistema de traqueias, que são pequenos canais que levam o ar diretamente das aberturas no seu corpo até às células mais profundas, garantindo energia rápida para o voo ou natação.
Microconsumidores e Decompositores: Organismos como a Pulga-de-água (Daphnia magna) e as Oligoquetas realizam trocas gasosas por difusão direta através da superfície do corpo, aproveitando o oxigénio dissolvido na água do charco.
As interações bióticas são as relações estabelecidas entre os seres vivos de um ecossistema e desempenham um papel fundamental no equilíbrio da Natureza. No charco da escola, estas interações podem ser observadas entre diferentes organismos que dependem uns dos outros para sobreviver. Algumas espécies cooperam para obter proteção ou alimento, enquanto outras competem pelos mesmos recursos, como espaço ou comida. Existem também, por exemplo, relações de predação, em que um ser vivo se alimenta de outro, e de mutualismo, onde ambas as espécies beneficiam. Assim, as interações bióticas demonstram a forte ligação entre os organismos e a importância de cada ser vivo para o funcionamento do ecossistema do charco.
Classificação dos seres vivos em 5 reinos - Toda Matéria
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biodiversidade.com.pt/biogaleria/libelulas-e-libelinhas-os-insetos-mercuriais-da-natureza/
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Professora: Sofia Bernardo