Somos uma rede de produtores de conteúdo que foram chamados para fora dos currais, por isso estamos dispensados dos apriscos.
Todos os dias surgem histórias daqueles que demitiram-se do trabalho, saíram de uma "Igreja", deixaram a casa dos pais ou abandonaram a escola tradicional para dedicar-se à educação domiciliar. Cedo ou tarde, todos se deparam com o dilema que existe entre continuar dependendo do conforto de uma "matrix" ou assumir os riscos para conquistar sua própria autonomia.
A história do êxodo dos sistemas realizada pelos organizadores da OSC Open Maker começa a partir de um conflito espiritual vivenciado pelo casal Marcio e Patrícia Kobayashi, conhecidos como Koba e Pat. Eles se conheceram em 1998 em um grupo religioso enquanto eram estudantes da Universidade de São Paulo, mas estavam insatisfeitos com a falta de liberdade e horizontalidade da instituição religiosa em que lideravam voluntariamente grupos de jovens.
Devido à falta de transparência diante dos escândalos financeiros que ocorreram nesta "Igreja" no ano de 2003, eles decidiram deixar o sistema religioso para priorizar realizar visitas para pessoas que estavam em situação de vulnerabilidade na comunidade do Sapé em São Paulo/SP. Também abriram a casa deles para encontros a partir do ano seguinte no bairro Caxingui, zona oeste da cidade de São Paulo (vídeo desta história).
Ao longo dos próximos anos, outros também optaram por sair da mesma instituição religiosa e começaram a se reunir de casa em casa. Foi assim que o Koba e a Pat se aproximaram de Luciana Oliveira, Miriam Mykas, Luiz Ronaldo, Fernanda Guimarães, Fernando Didi, Clarissa Fedato, Claudete Rufino, entre tantos outros.
Diante da insatisfação com a educação oferecida pelas escolas, Marcio Kobayashi (Koba), Patrícia Kobayashi (Pat), Luiz Ronaldo, Fernanda Guimarães, Fernando Fedato (Didi), Clarissa Fedato (Clá), Luciana Oliveira (Lu), Gérson Vertematti, entre outros makers, inauguraram no bairro Parque Ipê em São Paulo/SP no ano de 2019 o espaço compartilhado Nosso Espaço Maker, que já era utilizado para gravações das músicas independentes do coletivo Banda Dispensados e de vídeos para o canal Dispensados dos Apriscos no YouTube, que foi aberto em 2018. Uns meses depois, o Nosso Espaço Maker passou a ser chamado de Open Maker.
Para atender às necessidades de desenvolvimento humano e cultural de jovens e crianças e dar voz a todas as pessoas, foi aberto ao público a partir do ano de 2020 o espaço do Open Maker sob a liderança do Marcio e contando com a colaboração de diversos outros educadores voluntários. O espaço já era utilizado antes disso para a produção independente de músicas gratuitas com licenças abertas e essa atividade continua sendo uma das suas mais importantes finalidades sociais.
Vários jovens puderam ser acolhidos no coletivo Open Maker, como também orientados e capacitados para integrarem a Staff Open Maker e continuam participando ativamente da linha de frente dos projetos musicais e educacionais. Foram disponibilizados os depoimentos pessoais deles ao final desta página.
Em 2021, o coletivo Open Maker foi contemplado com a premiação da Lei Aldir Blanc 1, sendo reconhecido como um espaço cultural colaborativo aberto ao público pelo projeto que foi destinado para estudantes de escolas públicas. Neste mesmo ano efetivou-se a parceria com o YouTube pelo seu programa de parcerias.
Em setembro de 2022 alguns integrantes do coletivo Open Maker fundaram a OSC Dispensados dos Apriscos, que é uma associação sem fins lucrativos destinada para captação de recursos e para hospedar o site e o Google Workspace para a publicação de conteúdos educacionais com licenças abertas CC BY.
Em junho de 2023 o grupo de WhatsApp da Rede de Educação Aberta foi aberto pela OSC para atender as famílias que estão criando consciência das limitações das instituições escolares e estão sendo despertadas para a educação domiciliar.
Além das oficinas semanais no estúdio de gravação, o Open Maker também está envolvido com a produção de eventos culturais na cidade de São Paulo. Em dezembro de 2023 a Staff Open Maker organizou e realizou o evento MakerCraft no parque estadual Jequitibá. Em 2024 foram realizados três eventos musicais na Casa de Cultura do Butantã. Em fevereiro de 2024 ofereceu o evento Crianças na comunidade Vila Nova Esperança atendendo famílias em situação de alta vulnerabilidade social.
Em março de 2024 a OSC Dispensados dos Apriscos / Open Maker recebeu o selo de Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura. No mesmo ano foi criada a página de parceiros do Open Maker.
Em outubro de 2024, os jovens Dudu, Caio, Nicollas, Gabriel e França decidiram formar o coletivo Toca dos Takes, assumindo a responsabilidade pela cobertura dos eventos. Ao final deste ano foi aberta a Red Star no andar de cima do estúdio comunitário do Open Maker, responsabilizando-se pelas bancadas para oficinas de eletrônica e luthieria, como também para a comercialização de produtos criados pelo Open Maker.
Em janeiro de 2025 foi realizada uma parceria com o coletivo Coreto Cultural e juntos decidiram realizar os eventos Ensaios Abertos em todos os meses na praça do Coreto, visando trazer maior inclusão de artistas musicais e formação de novos produtores culturais. A Staff Open Maker também deu suporte para produzir a 13ª Mostra de Cultura do Butantã, um evento realizado em 22 espaços culturais ao longo do mês de setembro.
Neste ano foram incubados novos coletivos culturais no Open Maker: Sirgo Estamparia e Feira à Fantasia. A premiação dada pelo edital Fomento CultSP - Proac para os pontos de cultura foi recebida neste mesmo ano.
Atualmente, o Open Maker tem oferecido suporte de comunicação com a manutenção dos sites, produção de vídeos e lives do Fórum de Cultura do Butantã, da Rede Butantã e do coletivo Banda Dispensados.
O estúdio de gravação comunitário continua aberto ao público aos sábados à tarde e o espaço maker continua aberto para a ministração de oficinas semanalmente.