As pedras nos rins, também chamadas de cálculos renais, podem causar dores muito intensas e voltar a aparecer depois do primeiro episódio. A boa notícia é que algumas mudanças na hidratação e na alimentação podem reduzir o risco de formação e recorrência.
A prevenção, porém, não é igual para todo mundo. Existem diferentes tipos de cálculos, e fatores como alimentação, hidratação, histórico familiar e alterações na composição da urina podem influenciar o problema.
Por isso, as dicas abaixo são baseadas em recomendações de órgãos e diretrizes médicas e devem ser entendidas como medidas gerais de prevenção.
A hidratação adequada é uma das medidas mais importantes para prevenir pedras nos rins.
Quando há bastante líquido disponível, a urina fica mais diluída, reduzindo a concentração de minerais e sais que podem formar cristais e, posteriormente, cálculos. O NIDDK, dos Estados Unidos, considera a ingestão adequada de líquidos, principalmente água, a medida mais importante para ajudar a prevenir cálculos renais.
As diretrizes da Associação Europeia de Urologia recomendam, para pessoas que formam cálculos, uma ingestão de líquidos suficiente para produzir mais de 2,5 litros de urina por dia, embora a quantidade de líquidos necessária varie conforme o clima, atividade física e perdas de água pelo organismo.
Não é necessário tentar atingir exatamente esse volume de água sem orientação. Pessoas com determinadas doenças, especialmente problemas renais ou cardíacos, podem ter restrições de líquidos.
Uma estratégia simples é distribuir a ingestão de líquidos durante o dia em vez de beber grandes quantidades de uma só vez.
Em dias quentes ou durante atividades físicas, a necessidade de líquidos pode aumentar porque o organismo perde água pelo suor.
Manter uma garrafa de água por perto pode facilitar esse hábito.
A ideia é evitar períodos prolongados de baixa ingestão de líquidos, principalmente para quem já apresentou pedras anteriormente.
O consumo elevado de sódio está relacionado ao aumento da excreção de cálcio pela urina, o que pode favorecer a formação de determinados tipos de cálculos. Por isso, reduzir o excesso de sal é uma das recomendações utilizadas na prevenção.
O problema não está apenas no sal colocado diretamente na comida.
Alimentos industrializados, embutidos, refeições prontas, sopas instantâneas, salgadinhos, alguns molhos e alimentos ultraprocessados podem fornecer grandes quantidades de sódio.
Uma boa estratégia é comparar os rótulos e dar preferência a alimentos menos processados.
Esse é um ponto importante porque existe um mito de que quem tem pedra de cálcio deveria simplesmente cortar o cálcio da dieta.
Isso não é recomendado de forma geral.
O cálcio obtido pelos alimentos, quando consumido em quantidade adequada, pode se ligar ao oxalato no intestino e diminuir a quantidade dessa substância que chega à urina. O NIDDK recomenda manter uma ingestão adequada de cálcio alimentar, especialmente na prevenção de cálculos de oxalato de cálcio.
Portanto, não é uma boa ideia retirar leite, iogurte e outras fontes de cálcio simplesmente por medo de pedras nos rins.
Suplementos de cálcio são outra questão e devem ser avaliados individualmente.
Carnes e outros alimentos de origem animal podem fazer parte de uma alimentação equilibrada, mas o consumo excessivo de proteína animal pode aumentar o risco de determinados tipos de cálculos.
As diretrizes europeias recomendam evitar consumo excessivo de proteína animal e indicam uma alimentação equilibrada como parte da prevenção da recorrência de cálculos.
Isso não significa que seja necessário eliminar carne da alimentação.
O objetivo é evitar exageros e manter uma dieta variada, com presença adequada de vegetais e outras fontes de nutrientes.
O oxalato é uma substância naturalmente presente em diversos alimentos e pode participar da formação de cálculos de oxalato de cálcio.
Entretanto, isso não significa que todo mundo precise cortar alimentos ricos em oxalato.
Essa orientação é particularmente importante para pessoas que apresentam cálculos de oxalato de cálcio ou alterações específicas identificadas em avaliação médica.
Entre os alimentos que podem apresentar quantidade elevada de oxalato estão espinafre, amendoim, algumas oleaginosas e farelo de trigo.
A quantidade e a necessidade de restrição devem ser individualizadas. Fazer uma lista enorme de alimentos proibidos sem saber qual é o tipo de cálculo pode ser desnecessário.
Uma alimentação equilibrada, rica em vegetais e fibras, faz parte das recomendações gerais para prevenção de cálculos.
As diretrizes europeias recomendam uma alimentação equilibrada com boa presença de vegetais e fibras.
Algumas frutas cítricas também fornecem citrato, substância que pode dificultar a formação de determinados cristais. O NIDDK cita bebidas cítricas como uma possível fonte de citrato, embora a água continue sendo a principal escolha para hidratação.
Isso não significa que seja necessário tomar grandes quantidades de sucos açucarados. Frutas inteiras e água continuam sendo escolhas importantes dentro de uma alimentação equilibrada.
A água deve ser a principal bebida para quem deseja manter uma boa hidratação.
As diretrizes europeias recomendam reduzir o consumo de refrigerantes e outras bebidas com calorias como parte de um estilo de vida voltado à prevenção de cálculos.
Trocar regularmente refrigerantes e bebidas muito açucaradas por água pode ser uma mudança simples e útil.
O excesso de peso está associado a maior risco de formação de cálculos renais.
O NIDDK aponta que o excesso de peso pode aumentar o risco e recomenda uma alimentação adequada e, quando necessário, estratégias para perda de peso.
Não é necessário recorrer a dietas extremamente restritivas.
Uma alimentação equilibrada, atividade física regular e manutenção de um peso saudável fazem parte de uma abordagem mais sustentável.
Quem já teve cálculo renal deve conversar com um profissional de saúde para tentar identificar o tipo de pedra e os fatores que contribuíram para sua formação.
Isso é importante porque diferentes tipos de cálculos podem exigir estratégias diferentes.
Por exemplo, a alimentação indicada para alguém com cálculos de oxalato de cálcio pode não ser exatamente a mesma recomendada para uma pessoa que apresenta cálculos de ácido úrico.
O NIDDK recomenda descobrir o tipo de cálculo quando possível, pois essa informação pode orientar mudanças específicas na alimentação e no estilo de vida.
É comum encontrar na internet receitas prometendo "limpar os rins", dissolver pedras ou impedir novos cálculos por meio de determinados chás, sucos ou suplementos.
É preciso ter cuidado com essas promessas.
A prevenção cientificamente estabelecida envolve principalmente hidratação adequada, alimentação equilibrada, controle do consumo de sódio e outras medidas ajustadas ao tipo de cálculo e aos fatores de risco.
Isso é bem diferente de acreditar que um determinado chá ou "detox" possa limpar os rins ou eliminar qualquer pedra.
Nesse caso, a prevenção merece ainda mais atenção.
Quem já apresentou um cálculo possui maior risco de formar outro, e a avaliação médica pode identificar alterações na urina ou outros fatores que aumentam esse risco.
Dependendo do caso, podem ser necessários exames de sangue, análise do cálculo e até avaliação da urina coletada durante 24 horas.
As diretrizes europeias destacam que pessoas com maior risco de recorrência podem precisar de medidas preventivas específicas, inclusive tratamento medicamentoso em determinadas situações.
As principais medidas comprovadas incluem:
Beber líquidos suficientes, principalmente água;
Evitar desidratação;
Reduzir o excesso de sal e sódio;
Manter uma ingestão adequada de cálcio alimentar;
Evitar excesso de proteína animal;
Ter uma alimentação equilibrada, com vegetais e fibras;
Controlar o peso corporal;
Reduzir o consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas;
Fazer restrições específicas de oxalato somente quando houver indicação;
Identificar o tipo de cálculo quando já houve um episódio.
A prevenção não precisa ser complicada. Pequenas mudanças mantidas diariamente podem fazer diferença, principalmente para quem já teve pedra nos rins.
Essas recomendações são informações gerais e não substituem avaliação médica. Pessoas com doença renal, insuficiência cardíaca, alterações metabólicas ou outras condições podem precisar de orientações diferentes sobre hidratação e alimentação.
Se você já teve pedras nos rins mais de uma vez, vale conversar com um urologista ou nefrologista para investigar a causa e definir uma estratégia de prevenção individualizada.