“A pirogênese (coisas que pegam fogo do nada) é um fenômeno parafísico. Descartado o truque, é sempre telergia, uma energia corporal. A telergia é sempre invisível e o ectoplasma visível é a fotografia do pensamento. Os animais conseguem ver isso e ficam apavorados. Há casos de pirogênese em que o fogo arde e não consome o objeto, é um fogo quimicamente puro. Na autocombustão arde a própria pessoa e pode acontecer com luz amarela ou com luz azulada. A luz amarela pode causar queimaduras de até terceiro grau. Já tivemos cinco casos desse tipo na nossa clínica. A outra luz, em frações de segundos, não fica nada, nem os ossos da pessoa. É a maior tragédia que há na Parapsicologia.”PIROGÊNESE
O fenômeno de exteriorização e transformação da energia corporal (telergia) produzindo calor até arder, chama-se pirogênese, em Parapsicologia. Do grego pirós = fogo, gênesis = produção.
Todos os fenômenos parapsicológicos de efeitos físicos são realizados sempre a menos de 50 metros de distância de uma pessoa viva. A mais de 50 metros aposentam-se todos os espíritos dos mortos, demônios, exus etc. Nada a ver com eles. É fenômeno humano. É sintoma de um problema psicológico, geralmente inconsciente (psicorragia, por analogia com hemorragia).
Às vezes, para o observador não especialista pode ser difícil desvendar os motivos expressos pelo inconsciente.
Dona F.P.P., 30 anos, sofria porque o esposo “estava trocando-a pelos negócios. Ao menos deveria voltar para casa nos fins de semana”. Aquela noite, sexta-feira, começava mais um fim de semana, e o marido ausente…
Dona F. é perfeccionista. Sua casa parece uma tacinha de prata: sempre tinindo de limpa, tudo bem arrumado. Precisamente por isso sofria, porque seu único filhinho, então de 3 anos, ainda continuava molhando a cama. E o cheiro… Naquela sexta-feira, já de manhã, dona F. estava uma pilha de nervos.
A empregada pusera o colchão do menino no quintal, ao sol. Dona F. foi fazer o almoço. Fogo, óleo… “Bem que Fulvinho mereceria uma palmada no bumbum”.
Quando a empregada foi revirar o colchão, deu um grito, apavorada. Acudiu dona F. O colchão estava manchado de óleo, houve fogo no centro, onde deveria estar a mancha provocada pela enurese de Fulvinho. E o fogo deixara perfeitamente marcada a palma da mão, exatamente a forma e as medidas da mão de dona F. Colocou a mão na marca. Não manifestou medo nenhum, contrastando com o pânico da empregada.
O muro era altíssimo, ninguém poderia ter entrado e muito menos sem ser visto, porque as duas mulheres estavam na cozinha: a porta aberta e a janela dão ao pequeno quintal. As duas mulheres, diríamos, que se vigiavam mutuamente…
Logo visitas, amigos, vizinhos, curiosos: “Foi um espírito!” “É alma penada!” A empregada identificou: “É fulano de tal, que jurou acabar comigo com macumbarias”.
Alguém acudiu ao Instituto. E o Instituto enviou uma pesquisadora para comprovar os fatos e transmitir a explicação.
Dona F., sozinha, não compreenderia nem aceitaria nunca suas próprias ações inconscientes: irritação, como o fogo que acabava de acender. Mas não pode bater no marido. E Fulvinho? O óleo que estava usando também cheirava, mas o cheiro logo desaparecia ao fogo; por que não sumia o cheiro do colchão? Conscientemente não podia admitir o desejo de descarregar toda sua irritação com uma palmada no bumbum da criança; nunca!
E o inconsciente exteriorizou tudo: fogo, óleo e palmada… no colchão!
Conserva-se este colchão no museu do IPQ
Poder da mente é fenomenal
DA REPORTAGEM LOCAL
A mente é capaz de produzir sim a imagem de um fantasma, mexer objetos à distância ou incendiar uma pilha de papéis, por exemplo. Essa é a opinião de alguns parapsicólogos procurados pelo Folhateen.
A parapsicologia estuda fenômenos mentais, como a telepatia, e fenômenos físicos, como a psicosinesia ou 'poltergeist' (movimento espontâneo de objetos), e a pirogênese (aparecimento de fogo), diz Zangari.
Os especialistas só não sabem explicar como funciona o poder da mente para produzir tais fenômenos. "É isso que estamos estudando", diz Wellington Zangari, diretor do Instituto de Pesquisas Interdisciplinares das Áreas Fronteiriças da Psicologia, de São Paulo.
A diferença entre a parapsicologia e a psicologia é que para essa última os fenômenos só acontecem "dentro da cabeça das pessoas", diz o padre parapsicólogo e diretor do Clap (Centro Latino-Americano de Parapsicologia) Oscar Gonzalez Quevedo.
Fantasma é ectoplasma
Para o padre Quevedo, a imagem do "fantasma" é real, não existe apenas na cabeça da pessoa. "O fantasma é um ectoplasma -uma substância visível, que emana do corpo da pessoa. Uma espécie de nuvem, na forma de alguma imagem que a pessoa tem na cabeça", explica ele.
Tais fenômenos nada têm de sobrenatural, diz Zangari. Quando um objeto se move sozinho ou a porta fica travada, como no caso da Câmara Municipal (leia texto acima), não é por ação de um "espírito do outro mundo", mas por força da mente da pessoa.
Zangari afirma que os casos de fenômenos paranormais são involuntários e ocasionados por pessoas que estão vivendo uma fase difícil, como estresse na escola ou problemas emocionais. "Os fenômenos funcionam como uma válvula de escape, uma 'explosão' da mente", diz Zangari.
Ele e o padre Quevedo afirmam que 90% dos casos ocorrem entre meninas adolescentes que têm pais muito repressores.
O tratamento, segundo os parapsicólogos, é por meio de terapia. "Quando a pessoa se conscientiza de que o problema é causado por ela mesma, já começa a melhorar", garante Zangari. Para Quevedo, "o que nos dá mais trabalho no tratamento é a mentalidade mágica das pessoas".
Se os vereadores aprovarem, Zangari vai coordenar as investigações na Câmara Municipal.