Antologia "Entre o Sono e o Sonho Vol. XV", 2023
Entre os Véus do Sonho
No limiar do adormecer, onde o tempo esvanece,
Onde a realidade se entrelaça com a fantasia,
Eu mergulho num mundo que a mente desconhece,
E o sonho toma forma, na magia que inicia.
Um caleidoscópio de cores e sensações,
Onde o impossível encontra a morada,
Voo livre, sem limites, nas minhas emoções,
Em universos que só a mente ousa criar.
Os sentidos adormecem, e a alma desperta,
Em viagens astrais, ao infinito e além,
Nas asas da imaginação, sigo à descoberta,
Onde o inimaginável se torna meu refém.
Entre o sono e o sonho, cruzo os véus do tempo,
Passado, presente e futuro, sem fronteiras,
Revelações de segredos, em doces alentos,
Onde as almas se unem em etéreas lides inteiras.
Encontro-me com rostos que já se foram,
Revivo memórias que o tempo esmaeceu,
Abraço fantasmas que a vida corroeu,
Numa dança sutil, o passado se transmuda.
E no encontro com a vida além dos véus,
Aprendo lições que o mundo desconhece,
No limiar do sono, onde o ser se esvanece,
Desvendo mistérios que a alma só apreende.
E quando a aurora banhar o céu de luz,
Volto ao mundo desperto, refeito em serenidade,
Trago comigo a magia do sonho que reluz,
E sigo entre o sono e o sonho, em busca da eternidade.
Minha mãe, raiz do meu ser,
nos teus braços encontrei o mundo inteiro,
no teu olhar, um farol constante,
na tua voz, o abrigo primeiro.
Foste bússola nos dias de incerteza,
e nas noites longas, vela acesa.
Com mãos gastas de cuidar e de esperar,
bordaste amor em cada gesto, sem falar.
Foste silêncio que tudo dizia,
ternura firme, doce valentia.
E mesmo quando o tempo te levou para longe,
a tua presença em mim nunca se esconde.
Hoje, mãe, escrevo-te com o coração inteiro,
como quem planta flores no canteiro
onde cresceu a alma que me deste,
com a força da raiz que permanece.
Conceição Gonçalves, 2025, Ponte de Lima
No murmúrio da noite,
a lua despe as sombras do caminho,
e o vento sussurra segredos
que só a alma entende.
As estrelas cintilam,
como olhos de memórias antigas,
a vigiar os passos trémulos
de quem procura sentido no breu.
Entre o sono e o sonho
erguem-se pontes invisíveis,
feitas de desejos guardados
e medos que o dia escondeu.
Há um lugar onde o tempo
se dissolve na eternidade,
onde as perguntas não precisam
de respostas escritas na pedra.
É lá que o coração aprende
que a vida cabe num instante,
e que a beleza floresce
mesmo nas cinzas do que se perdeu.
E quando a aurora desponta,
traz nas mãos o dom do recomeço,
como quem oferece ao mundo
a promessa de um novo olhar.