A primeira edição da Comunidade Asiatique teve início em Março de 2024 e se encerrou em Abril do mesmo ano. Mobilizadas pela pergunta "Quando você se descobriu uma pessoa não-branca?", o projeto levantou debates e discussões sobre branquitude e ancestralidade, esbarrando em tabus e estereótipos que pessoas descendentes da diáspora asiática geralmente se deparam.
Também tivemos a oportunidade de rever uma série de padrões comportamentais herdados da imigração, tais quais cobrança excessiva, pressão por sucesso, heterocisnormatividade, entre outras. Conversamos sobre as lacunas deixadas em uma memória atravessada pelo apagamento, visto que parte dos descendentes da imigração possuem pouco ou nenhum contato com suas famílias asiáticas.
Por fim, tudo isso nos levou à rever nossas identidades e relacionar todas essas questões às nossas vivências atuais, conectando passado e presente, e pensando e futuros possíveis. Qual horizonte é destinado à nós, descendentes asiatiques, sobretudo dentro de narrativas que nos humanizem ao invés de fazer uso de todos os esteriótipos que já conhecemos?
Foi um importante passo inicial de um projeto criado com muito empenho, estudo e afeto, mostrando ser possível criar espaços de acolhimento com segurança e responsabilidade.
A segunda edição da Comunidade Asiatique teve início em Agosto de 2024 e se encerrou em Outubro do mesmo ano. Mobilizadas pela pergunta "O que é saúde para você?", optamos por focar essa edição no estudo da saúde e adoecimento em comunidades asiáticas, colhendo depoimentos das participantes e orientando nossas perguntas para um olhar sensível a respeito de si, seja dentro da saúde física do corpo ou sobre a saúde da mente.
Também abordarmos o silêncio enquanto tabu, a dificuldade de falar de sentimentos principalmente no âmbito da saúde mental e os silenciamentos promovidos no seio familiar.
Por fim, direcionamos o debate para um olhar interseccional de gênero e sexualidade, colhendo memórias de mulheres que fazem a mediação emocional dos seus maridos e filhos, sobrecarregam-se ignorando sua própria saúde e necessidades, desembocando em desafios para asiatiques que não façam parte do expectro cisheteronormativo.
Novas questões surgiram, entrelaçando-se com as originadas na primeira edição, demonstrando a versatilidade e importância do projeto e incentivando as mediadoras a promoverem futuras edições.
A terceira edição da Comunidade Asiatique ocorreu em Abril e Maio de 2025. Com o intuito de prosseguir no desenvolvimento da racialização de nossos olhares, fizemos uma edição um pouco mais resumida que englobava os assuntos tratados nas duas primeiras edições. Continuamos investigando o que é ser asiatique junto das participantes através de perguntas geradoras de debate, aprofundando nossas relações com suas respectivas ancestralidades e direcionando os encontros para uma revisão das categorias de saúde-doença dentro das comunidades asiáticas.
Já com um pouco mais de experiência de projeto, pudemos observar que algumas questões sempre se repetem, tais quais: a necessidade de repensar o mito da minoria modelo, noções em comum de culpa e cobrança, atravessamentos de gênero e sexualidade nos recortes étnico-raciais, e a importância de espaços de acolhimento para o desenvolvimento de encontros que promovessem saúde mental para esses grupos específicos.
A partir desses encontros pudemos evoluir para uma quarta edição que explorasse assuntos novos, entre eles as noções de amor dentro de comunidades asiáticas.
Ficou interessade em participar da próxima?
Entre em contato ou clique no link abaixo para se inscrever na Quarta Edição!