Algumas perdas mudam a nossa vida de uma maneira que nem sempre conseguimos explicar. A morte de alguém, o fim de uma relação, a perda de um emprego, de um projeto, de uma fase da vida ou até de algo que imaginávamos viver podem produzir perguntas difíceis de colocar em palavras.
Quando uma perda continua presente mesmo depois que a vida parece ter voltado ao normal, talvez exista algo nessa experiência que ainda precise ser escutado.
Nem toda perda acontece quando alguém morre.
Às vezes, o luto aparece depois do fim de um relacionamento, da perda de um emprego, da saída dos filhos de casa, da aposentadoria, da perda de um animal de estimação ou do encerramento de uma fase importante da vida.
Há momentos em que alguma coisa termina por fora, mas continua acontecendo por dentro.
E talvez seja justamente aí que começam perguntas para as quais não encontramos respostas tão facilmente:
“E agora?”
“Como vou seguir depois disso?”
“Por que ainda dói tanto?”
“Quem eu sou depois dessa perda?”
Quando a perda acontece durante o envelhecimento, ela pode trazer questões específicas relacionadas à solidão, autonomia, mudanças familiares e ao sentido da própria vida. Conheça também a página Escuta Psicanalítica para Idosos e Famílias.
Uma perda pode modificar profundamente a maneira como enxergamos nossa própria vida.
Pode ser a morte de alguém que amamos, mas também pode ser a separação de uma pessoa importante, a perda de um trabalho que dava sentido à rotina, uma mudança inesperada, a aposentadoria ou o fim de um projeto no qual colocamos muitos sonhos.
Até mesmo acontecimentos aparentemente naturais, como os filhos crescerem e seguirem suas próprias vidas, podem produzir sentimentos de vazio, saudade e desorientação.
Porque algumas perdas não levam apenas uma pessoa, um lugar ou uma situação.
Elas levam uma parte da vida que conhecíamos.
Depois de uma perda, muitas pessoas escutam frases como:
“Você precisa seguir em frente.”
“Já passou.”
“Você precisa ser forte.”
“Com o tempo melhora.”
Mas o tempo, sozinho, não explica tudo.
O luto possui uma dimensão singular. Cada pessoa encontra uma maneira diferente de viver aquilo que perdeu.
Por isso, não existe um calendário universal para sentir, lembrar, chorar, silenciar ou reconstruir a própria vida.
Às vezes, o sofrimento diminui.
Às vezes, volta em uma lembrança, em uma data, em um lugar ou em uma situação aparentemente simples.
E isso não significa necessariamente que você esteja voltando ao início.
Significa que aquela experiência teve importância.
Quando uma fase termina, não perdemos apenas aquilo que existia.
Também podemos perder referências sobre quem éramos.
Quem cuidava de alguém durante muitos anos pode se perguntar:
“O que faço agora que não preciso mais cuidar?”
Quem perdeu um trabalho pode pensar:
“Quem sou eu sem essa função?”
Depois de uma separação:
“Como reconstruo minha vida sozinho?”
Depois da morte de alguém:
“Como continuar vivendo em um mundo onde essa pessoa não está mais?”
Essas perguntas não precisam ser respondidas rapidamente.
Às vezes, antes de encontrar uma resposta, precisamos encontrar um espaço onde elas possam ser escutadas.
Elaborar uma perda não significa apagar alguém da memória.
Também não significa fingir que nada aconteceu.
E muito menos significa deixar de sentir.
A elaboração do luto pode envolver encontrar uma nova maneira de se relacionar com aquilo que aconteceu e, pouco a pouco, compreender como essa experiência passou a fazer parte da sua história.
A vida pode continuar sem que aquilo que foi vivido precise ser negado.
Seguir em frente não é esquecer o que ficou para trás.
Algumas perdas podem trazer uma sensação profunda de isolamento.
Mesmo cercada de pessoas, a pessoa pode sentir que ninguém realmente compreende aquilo que está acontecendo dentro dela.
Pode faltar vontade de conversar.
Pode surgir dificuldade para explicar o que sente.
Pode existir a sensação de estar vivendo normalmente por fora enquanto, por dentro, alguma coisa permanece parada.
É nesse ponto que luto, solidão e vazio podem começar a se encontrar.
Se essa experiência também fizer sentido para você, existe um espaço específico sobre solidão emocional neste site.
A psicanálise parte da importância da palavra e da escuta.
Não se trata de oferecer respostas prontas ou determinar quanto tempo você deveria levar para superar uma perda.
O atendimento pode oferecer um espaço para falar sobre aquilo que muitas vezes fica sem lugar: a saudade, a culpa, a raiva, o medo, o vazio, as lembranças, as mudanças e também aquilo que você ainda não consegue nomear.
Você não precisa chegar sabendo exatamente o que dizer.
A escuta também começa quando ainda estamos tentando compreender o que está acontecendo.
Em algumas situações, talvez a questão seja outra:
O que essa perda mudou em mim?
O que ficou para trás?
O que ainda permanece?
Como posso continuar minha história depois disso?
Não existe uma resposta igual para todas as pessoas.
Existe a possibilidade de construir, através da fala e da escuta, uma compreensão mais própria sobre aquilo que foi vivido.
Pode ser importante buscar acompanhamento quando a perda começa a ocupar um espaço difícil de sustentar sozinho, quando falar sobre o que aconteceu parece impossível ou quando sentimentos como tristeza, culpa, solidão, vazio ou desorientação permanecem interferindo significativamente na vida cotidiana.
Não é necessário esperar chegar ao limite para procurar ajuda.
Às vezes, procurar um espaço de escuta é simplesmente reconhecer que aquilo que aconteceu teve importância e merece ser elaborado.
Meu trabalho é voltado principalmente para pessoas que atravessam lutos, perdas, mudanças importantes, solidão e sentimentos de vazio existencial.
O atendimento é realizado em São Bernardo do Campo e também de forma online, proporcionando um espaço reservado de escuta e reflexão sobre aquilo que você está vivendo.
Psicanalista formado pelo Instituto Andrea Vermont (IAV)
IAV-MG 0001/315.00
Se você sente que existe algo dentro de você que precisa ser colocado em palavras, podemos conversar.
Você não precisa ter todas as respostas antes de procurar ajuda.
Às vezes, o primeiro passo é simplesmente encontrar um lugar onde aquilo que você está vivendo possa ser escutado.
Leia nosso artigo sobre solidão.