Os Putuxop são antigos aliados dos povos Tikmũ’ũn. Auxiliares na caça e na guerra, donos de grande inteligência e astúcia, os povos papagaio-espírito são também donos da colheita do milho e de um belo repertório de cantos que animam por toda a noite homens, mulheres e crianças nas aldeias. Os Putuxop guardam também a memória de cantos dos Imkoxxeka, os antigos botocudos (povos Borum) contra os quais guerrearam junto com os Tikmũ’ũn. Quando chegam às aldeias, as mulheres preparam uma grande comida coletiva para recebê-los. As histórias dos Putuxop são narradas com cuidado pelos pajés, e envolvem sucessivas guerras e vinganças canibais, de onde surgem os cantos. A série de filmes sobre os Putuxop demonstra o prazer que sentem ao narrar suas sagas, preparar sua chegada, e cantar, dançar e comer com esses músicos de excelente memória.
Os povos papagaio-espírito estão de visita à aldeia Vila Nova do Pradinho (Bertópolis/MG). Foram convidados por seus pais e mães neste mundo, homens e mulheres da aldeia, com quem festejam durante toda a noite. Os cantos dos Putuxop, acompanhados pelos homens, tornam presentes uma multidão de outros povos-espíritos. Papagaios-espírito e mulheres dançam num clima eufórico. A comida oferecida especialmente para eles é dividida entre todos. O prato mais apreciado é a carne do porco que foi morto por um papagaio-espírito em vingança pela morte de seu irmão.
Os Tikmũ'ũn da Aldeia Vila Nova do Pradinho (Bertópolis/MG) celebram a colheita do milho com um convite aos Putuxop, os povos papagaio-espírito, a virem passar momentos com eles. Os homens saem à caça, as mulheres preparam a grande comida, as crianças se pintam. Os Putuxop são exímios cantores e eram grandes aliados dos Tikmũ'ũn nas guerras contra os botocudos. Toda a aldeia se investiu no desejo de gravar momentos de partilha com os Putuxop.
Os papagaios-espírito cantam no pátio da aldeia Vila Nova do Pradinho (Bertópolis/MG), ladeados por seus pais adotivos, em torno do mastro cerimonial. Mascarados, emplumados, pintados, tocam chocalhos e dão voz a histórias e gentes, fazendo vibrar o tempo mítico. Suas mães, mulheres da aldeia, formam um segundo círculo, que gira em torno do primeiro. Dançam e acrescentam uma camada específica, feminina, sobre as vozes do centro. Um filme escuta, que convida a uma viagem dentro dos sons, das letras, através da dança e dos corpos.
Assentados à sombra do alpendre de uma casa de pau-a-pique, os pajés Toninho e Manuel Damásio Maxakali narram a saga dos papagaios-espírito e seus encontros com (e contra) outros povos-espírito que acabavam virando comida e cantos. Os Tikmũ'ũn da Aldeia Vila Nova do Pradinho (Bertópolis/MG) celebram a colheita do milho convidando os papagaios-espírito para visitá-los em sua aldeia.