HENRIQUE ALVES COSTA, CINÉFILO INCONFORMISTA (2025), Manuel Vitorino
Sinopse:
A história do cinema português cruza-se com a vida e obra de Henrique Alves Costa (1910-1988) — cinéfilo, crítico e defensor do cinema nacional (com destaque para a obra de Manoel de Oliveira). Neste documentário, Manuel Vitorino explora a biografia de Alves Costa, o cineclubismo, e marcos culturais como a Semana do Novo Cinema Português, o Cineclube do Porto e a Federação Portuguesa de Cineclubes.
PORTA DE EXPRESSÃO (2024), Tomás Taveira e Diogo Coutinho
Sinopse:
Explorando os vestígios da censura do Estado Novo, o cineclube de Guimarães
vira o holofote para a sua insolência e absurdez.
DO SILÊNCIO À PALAVRA (2026), João Pedro Barriga
Sinopse:
Uma história não contada onde elementos reais e ficcionados relatam um encontro inesperado com a realizadora Margarida Cordeiro, uma adaptação do romance “Pedro Páramo” que nunca chegara a realizar após a morte de António Reis, e uma viagem às terras de Miranda. Um diálogo com os filmes que Cordeiro e Reis realizaram em Trás-os-Montes e com a obra do escritor mexicano Juan Rulfo, que cordeiro não conseguiu adaptar para cinema. Três caminhos cruzados num filme-ensaio que adota uma narrativa mitológica, viajando no tempo e misturando elementos poéticos e etnográficos.
ORLANDO PANTERA (2025), Catarina Alves Costa
Sinopse:
Este filme conta a história de Orlando Pantera, um músico e compositor cabo-verdiano que morreu tragicamente aos 33 anos, em 2001. Pantera deixou um impacto duradouro na música cabo-verdiana, contribuindo para o renascer das tradições de raiz afro, particularmente da ilha de Santiago, onde nasceu. O filme inclui materiais de arquivo filmados em 2000 pelo cineasta e acompanha hoje os encontros da filha de Pantera, que tinha apenas 6 anos quando o pai morreu, com lugares, pessoas e memórias significativas. O filme explora assim o seu legado, enquanto capta performances musicais únicas no meio das paisagens tropicais e acidentadas do interior da ilha de Santiago, em Cabo Verde. Artistas como Mayra Andrade, Zul Alves, Eneida, Marinu, Fattu Djakité e Princezito interpretam as suas músicas, mostrando como a sua influência continua a moldar a música cabo-verdiana contemporânea. Mais do que uma biografia, esta é uma homenagem a um artista que nunca se tornou uma estrela em vida, mas continua a ser um poderoso símbolo da identidade e cultura cabo-verdiana.
ISATIS TINCTORIA (2026), Emma Jaay
Sinopse:
Durante uma oficina de tingimento nos Açores, uma mulher descobre o pastel, sua história, e o impacto que o seu cultivo e comércio tiveram em São Miguel. Cruzando o filme-ensaio com o documentário criativo, a obra mostra como o conhecimento é transmitido entre gerações de mulheres, bem como a intersecção entre comércio, trabalho feminino e classe social, tanto no século XV quanto nos dias de hoje.
O ÚLTIMO CARPINTEIRO DO TEJO (2025), André França
Sinopse:
“O Último Carpinteiro do Tejo” é um documentário sobre o mundo do Mestre Jaime, um dos últimos artesãos que ainda constroem e mantêm os barcos tradicionais que atravessam o rio Tejo, em Lisboa.
O objetivo deste projeto é capturar a alma de uma tradição em vias de extinção, mostrando, entre outros aspetos, a habilidade, a dedicação e a paixão do Mestre Jaime e da sua equipa. Vamos acompanhar o processo de construção de um barco tradicional desde o início — aquele que será, muito provavelmente, o último construído pelo Mestre Jaime.
Este documentário pretende despertar um sentimento de nostalgia, chamando a atenção para a falta de interesse dos mais jovens pelo artesanato tradicional. O filme irá destacar a arte e o empenho presentes neste ofício, incentivando as pessoas a preservar estas competências inestimáveis como parte do nosso património cultural.
MAÇOS E MARTELOS (2025), Tiago Cerveira
Sinopse:
Pelas serras do interior de Portugal ainda ressoa um gesto ancestral: o embate do maço e do martelo.
Uma viagem pelas curvas, pelas oficinas e pelas forjas, captando os ritmos do trabalho artesanal em madeira, ferro, lata e pedra. A partir desses sons brutos, nasceu uma composição musical original. Uma viagem sensorial onde o ofício se transforma em arte sonora, ligando tradição e criação contemporânea.
DIÁRIO ANTECIPADO (2026), João Sarantopoulos
Sinopse:
Nos anos 60, a Professora Edviges Pisco escreveu um diário sobre a sua experiência enquanto regente na aldeia de São Brissos, no Alentejo. Partindo dos seus diários, o filme retrata o presente da região, em que as marcas do passado parecem ainda ser sentidas.
RUÍDO HÚMIDO (2026), Afonso "Sekkas" Nunes
Sinopse:
Ruído, o abominável som desagradável que nos rouba as capacidades auditivas. A poluição sonora é de facto uma problemática, uma problemática antropocêntrica; quem é que quer saber do ruído que não chega ao seu tímpano?
CORREDOR (2025), Guilherme Nazaré
Sinopse:
Uma homenagem ao Corredor, um evento marcante na cultura underground da Covilhã. O filme conta a história das festas outrora vividas naquele espaço único, que ainda se ouvem ecoadas pelas paredes.
OS HABITANTES (2024), Maureen Fazendeiro
Sinopse:
Uma cidade dormitório dos subúrbios de Paris. Os seus aglomerados habitacionais inspirados no modelo americano, as suas estufas de rosas e de legumes, os seus habitantes. É inverno e um acampamento de pessoas ciganas instalou-se na vila. Enquanto a maioria dos moradores se indigna e exige a expulsão dos recém-chegados, algumas mulheres tentam ajudá-los a habitar o terreno que ocupam.
THE GUITAR BARREL PROJECT (2023), Helder Faria
Sinopse:
A inesperada descoberta por um Luthier de umas madeiras de tonéis de vinho que supostamente pertenceram ao Marquês de Pombal, lança o desafio para a sua transformação em instrumentos musicais e objectos artísticos por 5 luthiers mundialmente famosos. Tendo por base a reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755, iremos acompanhar a construção das 5 guitarras eléctricas. Fechamos assim um ciclo histórico, desde o Marquês de Pombal até à modernidade e design de conceituados luthiers, incorporando diversos aspectos temáticos, no uso e transformação do material nobre que é a madeira, enaltecido pela música e pelo vinho.
FORDLÂNDIA PANACEA (2025), Susana de Sousa Dias
Sinopse:
Fordlândia surge frequentemente na internet como “cidade fantasma” e como utopia de Henry Ford. Mas a cidade-empresa amazónica, fundada em 1928, nunca foi uma utopia. Nem é uma cidade fantasma: pelo contrário, está cheia de vida. Aqui, os fantasmas são forças históricas activas: Ford, capitalismo, extractivismo.
Fordlândia Panacea aborda os pontos cegos dessa história, revelando o entrelaçamento entre passado e presente e a tensão entre espectralidade e vida.
DE-COLAR (2026), Rodrigo Pereira Esteves, Lara Gonçalves
Sinopse:
Este documentário estabelece um paralelo entre periquitos-de-colar, uma espécie não nativa que se adaptou e prosperou na cidade de Lisboa, e a experiência de dois homens que chegaram ao mesmo território, um por escolha e outro por obrigação.
Entre um refugiado e um imigrante.
Entre Majd e David.
Entre quem voa livremente e quem espera para poder voar livremente.
Entre a naturalização da presença de uns e a permanente suspensão da permanência de outros.
¿DE QUÉ CASA ERES? (2025), Ana Pérez Quiroga
Sinopse:
“¿De qué casa eres?” foi a questão enfrentada por quase 3.000 crianças espanholas exiladas na União Soviética durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939). Este filme narra a história de uma delas, Angelita Perez, que viveu em internatos russos dos 4 aos 24 anos, até concluir os seus estudos de medicina em Moscovo. É uma história de resiliência, amor e identidade, que entrelaça passado e presente, história e memória. O filme também explora o vínculo entre mãe e filha – a realizadora e sua mãe – através de músicas e histórias compartilhadas. Revisitar a jornada de Angelita é, ao mesmo tempo, uma homenagem à sua força e uma declaração de amor.
O TEMPO QUE FICA (2026), João Quintas, Sara Almeida
Sinopse:
"Neste documentário mergulhamos na arte da relojoaria através do olhar de dois mestres, autênticos componentes de um relógio vivo. Tal como a vida, feita de ritmos distintos e ciclos imprevisíveis, estas figuras acompanham o passar do tempo ao seu próprio ritmo.
Ainda assim, continuam a dar corda ao tempo, preservando um saber ancestral onde cada gesto conta e cada segundo tem memória."
TEMPO CORPO FALHA (2026), Rita Costa
Sinopse:
Tempo Corpo Falha aproxima-se de uma comunidade através dos corpos, dos gestos e da ocupação do espaço. O que começa como uma tentativa de filmar uma comunidade transforma-se numa reflexão sobre a posição de quem filma e os limites do olhar. A falha torna-se o centro do filme: a impossibilidade de apreender totalmente o outro e de o fixar numa imagem definitiva.
EM REPARAÇÃO (2025), Beatriz Machado Oliveira
Sinopse:
Dentro de várias estreitas e atafulhadas lojas com diferentes ofícios, acompanhamos os gestos de cuidado, a relação entre o material e a mão e a técnica treinada da renovação.