Angelo Agostini - Imagem idealizada pela IA Copilot
Angelo Agostini (1843–1910) foi um artista ítalo-brasileiro que deixou uma marca profunda na história da imprensa e da arte gráfica nacional. Nascido na Itália, e radicado no Brasil desde os 16 anos, Agostini foi ilustrador, caricaturista, jornalista e ativista político. Seu trabalho atravessou o Segundo Reinado e a República Velha, sempre com um olhar crítico e satírico sobre os costumes, a política e as injustiças sociais.
Foi o criador de Nhô Quim e Zé Caipora, personagens que figuram entre as primeiras histórias em quadrinhos do mundo. Com traços ágeis e narrativas visuais envolventes, Agostini antecipou o que viria a ser o gênero dos quadrinhos modernos. Sua obra mais emblemática, a Revista Illustrada, foi um veículo de combate à escravidão, à monarquia e ao clero, tornando-se referência de resistência e liberdade de expressão.
Além de seu talento artístico, Agostini foi um dos primeiros a usar o humor gráfico como ferramenta de crítica social. Seu legado é celebrado todo 30 de janeiro, data em que publicou a primeira HQ brasileira, e que hoje marca o Dia Nacional dos Quadrinhos.
O Cine Água Santa homenageia esse mestre do traço com os curtas do Zé Caipora, resgatando a força do folclore e da sátira popular que Agostini tão bem soube retratar.
A produção artística de Angelo Agostini é vasta e multifacetada, atravessando mais de quatro décadas de história brasileira. Seu trabalho como ilustrador, caricaturista e cronista visual foi publicado em jornais e revistas que marcaram época, como o Diabo Coxo, Vida Fluminense, O Cabrião e, principalmente, a icônica Revista Illustrada.
Entre suas obras mais notáveis estão:
As Aventuras de Nhô Quim (1869): considerada a primeira história em quadrinhos brasileira e uma das mais antigas do mundo.
Zé Caipora (1884): personagem que satiriza o Brasil rural e suas contradições, publicado na Revista Illustrada.
A Festa da Glória e os Efeitos da Lei de 13 de Maio (1888): litografia que celebra a abolição da escravatura com crítica social.
A Pátria Repele os Escravocratas: obra emblemática contra o sistema escravocrata.
A Vida Fluminense (1868–1875): folha joco-séria que misturava humor e crítica política com ilustrações marcantes.
Agostini usava o traço como arma: combatia a escravidão, a monarquia e o clero com ironia afiada e talento visual. Sua obra é um testemunho gráfico da luta por liberdade e justiça no Brasil, e continua inspirando artistas, historiadores e cineastas até hoje.