★ MINHA JORNADA MUSICAL
Eu não persigo a perfeição. Ela é lisa demais, silenciosa demais, distante demais da vida. Caminho pelo que falha, pelo que range, pelo que ainda está se tornando. É aí que o som respira. Sou feito de tentativas. Cada nota carrega a marca do erro, do desvio, do instante que não se repete. Não corrijo tudo: apenas escuto. Não escondo tudo: apenas deixo aparecer. O imperfeito não é falta: é linguagem.
Prefiro a madeira que envelhece ao brilho que não muda. Prefiro o tempo que deixa marcas ao tempo que apaga. Minha música nasce do atrito entre intenção e limite, entre o que quero dizer e o que consigo dizer. Nesse espaço, encontro verdade. Caminho sem mapa fixo. Afinações abertas, caminhos abertos. O acaso é parceiro, não ameaça. O gesto simples é o que mais busco.
Não busco concluir, busco cultivar. Cada peça é um campo em crescimento, sujeito ao clima, ao corpo, ao dia. O que hoje é ruído amanhã pode ser abrigo. O que hoje é falha amanhã pode ser forma.
Se há beleza, ela está no processo. Se há sentido, ele nasce do encontro. Minha arte não quer dominar o mundo: quer compreendê-lo, aos poucos, com as mãos, com os ouvidos, com o tempo.
Sou viajante do imperfeito. E é nele que eu fico.
Quero deixar um agradecimento sincero a todas as pessoas que ouvem, compartilham e apoiam o meu trabalho. A atenção e o carinho de vocês dão vida a essas gravações. Se esse pequeno arquivo existe hoje, é também por causa de cada pessoa que, em algum momento, parou para escutar.